Matheus de Aquário.
– É o seguinte: Se você não abrir a porcaria dos seus olhos agora eu vou ter que abri-los pra você e eu tenho certeza de que você não vai gostar nada disso! – Gritava Eduardo no pé do meu ouvido. Eu pulei, fiquei de pé e encarei o rosto sujo do meu melhor amigo.
– O que você quer? Fala logo de uma vez! – Gritei de volta. Qual era o problema com ele? Agora só sabia falar se fosse gritando...
– É o seguinte, da última vez eu tentei te avisar, mas aquele idiota não deixou... Você tem que tomar cuidado com...
E, mais uma vez, Dhiego surge do nada e soca a cara de Eduardo interrompendo a sua fala. Aquilo já estava me dando nos nervos. Eu estava muito puto! Qual era o problema dele? Porque ele não deixava Eduardo me falar logo de uma vez? Talvez assim ele parasse de me perturbar enquanto eu estava dormindo...
– Não importa quantas vezes você tente, nunca vai conseguir dizer nada! – Gritava Dheigo em meio a uma troca de socos e chutes.
– É o que você pensa! Matheus! Eu sei que você está assistindo apesar de eu não conseguir mais te ver! – Dizia Eduardo enquanto se defendia. – Você precisa avisar a todos para tomarem cuidado com os Filhos de Apolo!
– Como é que é?! Filhos de Apolo?! – Gritei de volta.
– Entendeu?! Filhos de Apolo! Cuidado com eles! – Isso significava que além de não poder me ver, ele também não podia me ouvir.
– Seu imbecil! – Gritou Dhiego. Ele se abaixou para se esquivar de um soco de Eduardo e acertou vários socos repetidos no seu estomago, eram tão rápidos que Eduardo tremia com os impactos, o último ele acertou no queixo o que fez com que o meu amigo fosse tirado do chão. Dhiego saltou em direção a Eduardo.
– TROVÃO ATOMICO!
– Não. – Eu não gritei. Apenas acordei assustado e com a mão erguida no ar como se quisesse pegar alguma coisa.
Agora a coisa tinha ficado interessante. Não pelo fato de que eu continuava a ter esses sonhos com os meus antigos companheiros, mas pelo fato de Eduardo ter conseguido, enfim, transmitir a mensagem: “Tome cuidado com os filhos de Apolo!”. A mensagem foi clara e sem embolação. Mas o que ele quis dizer? Só o que eu conseguia pensar era que Erik tinha tido filhos que, de alguma forma, herdaram seus poderes de portador. Mas isso era muito improvável. Eu iria contar sobre os sonhos ao resto dos cavaleiros de ouro na reunião de hoje.
O que me fazia lembrar Laura. Enfim eu consegui encontrar um cosmo que pudesse pertencer a um dos cinco guerreiros que eu ajudaria a cumprir a profecia. Eu estava animado e preocupado ao mesmo tempo. Se Laura escolhesse se tornar uma amazona nós estaríamos a um passo da grande batalha final.
Eu me revirei na cama e tirei o celular de baixo do travesseiro. Eram nove da manhã, a reunião era só de dez horas então eu estava adiantado. Me levantei de um pulo, escovei os dentes, tomei um banho e fui tomar café. Todos na casa ainda estavam dormindo, então eu resolvi deixar para Mariana a função de inventar uma desculpa para a minha ausência em casa. Saí porta a fora e caminhei até a parada de ônibus, aonde o ônibus chegou rapidamente. Chegando ao shopping Laura me esperava em frente à entrada. Ela parecia inquieta e nervosa.
– Oi, Laurinha! – Falei animadamente.
– Oi, Mat. – Respondeu ela de volta.
– Animada?
– Nervosa, isso sim. Eu não vou ter que enfrentar nenhum gigante nem matar uma cobra de sete cabeças para conseguir a armadura não é?
– A cobra de sete cabeças se chama Hidra. E, não. Não vai ter que fazer nada disso. Depois que você escolher se quer ou não ser uma amazona... É melhor eu te explicar quando chegarmos lá. – Estendi a mão para ela. Que sorriu. Pelo jeito ela, diferente de mim, havia gostado do tele transporte.
Ela segurou minha mão, e, quando não havia mais ninguém olhando nós desaparecemos.
Ao abrir os olhos encontramos a entrada principal para o auditório do Instituto. Laura soltou minha mão e encarou a porta amedrontada.
– Não precisa ter medo. Você vai saber o que fazer.
– Não é isso... Será que eu vou conseguir fazer aquilo de novo? Sabe? Aquela coisa com as mãos?
– Claro que sim. Seu cosmo já é desenvolvido, só do que você precisa é saber como controlá-lo. E tem cinco cavaleiros de ouro que poderão te mostrar como fazer isso. – Ela não falou nada, mas eu percebi que ela tinha ficado mais calma. – Bom você me espera aqui. Você entra quando eu te chamar. – Ela fez que sim com a cabeça.
Eu entrei no auditório, faltavam cinco minutos para começar a reunião, o que significava que todos os cavaleiros já deveriam estar lá. E, de fato, todos os cavaleiros estavam sentados na primeira fila de cadeiras, a mais próxima do palco, exceto duas.
– E aí, galera? Onde estão Carol e Lays? – Perguntei.
– Carol ligou dizendo que tinha que fazer uma coisa antes de vir, disse que agente podia começar sem ela, mas que não terminasse enquanto ela não chegasse. – Disse Claudino.
– E eu passei na casa de Lays antes de vir pra cá e ela disse que tinha uma coisa bem legal para contar. Mandou dizer basicamente a mesma coisa que Carol. – Disse Lizandra que já parecia melhor, a cor havia voltado ao seu rosto apesar de algumas partes dos seus braços ainda estarem enfaixados.
– Certo. Então vamos começar. Hoje eu tenho uma excelente noticia para dar a vocês... – Então descrevi o que havia acontecido na saída do shopping ontem à noite e eles escutaram tudo atentamente. – Então, com vocês, a primeira dos cinco guerreiros. Laura! – Gritei seu nome e ela entrou no auditório, todos os cavaleiros aplaudiram menos Miguel que disse:
– Uma mulher? Espera um pouco. Um dos cinco guerreiros é uma mulher?
– Você tem algum problema com mulheres, minha bicha? – Disse Claudino fazendo sua típica imitação de um homossexual, arrancando risos de todos inclusive de Laura.
– Não. – Disse Miguel revirando os olhos. – Problema nenhum, só que eu estou surpreso.
– Então, Laura, em cima do palco você pode ver cinco urnas com armaduras de bronze, que podem representar a sua constelação guardiã. São elas: Pégaso, Dragão, Cisne, Andrômeda e Fênix. – Todos olharam para cima do palco surpresos, pois ninguém havia reparado na presença das armaduras ali. – Mas antes de mais nada, eu preciso...
– Senhoras e Senhores! – O grito de Carol me interrompeu. Ela estava parada apontando para a entrada do auditório, todos se viraram para olhar. – É com um grande orgulho que eu apresento a todos vocês: Saskia! Um dos cinco guerreiros da profecia! – De trás da porta, a melhor amiga de Carol aparece com um sorriso constrangido, elas andaram até onde todos nós estávamos. Eu olhava com os olhos arregalados de Saskia para Carol e de Carol de volta para Saskia. – O que Laura está fazendo aqui? – Perguntou Carol.
– Ela também possui o cosmo de um dos guerreiros. – Não consegui conter a surpresa na minha voz. – Isso é incrível! Em um dia nós conseguimos encontrar dois guerreiros, isso é realmente...
– Pessoal, pessoal! – Os gritos de Lays chegaram até nós e ela vinha correndo até onde nós estávamos. – Vocês não vão acreditar no que aconteceu ontem!
– Deixa eu adivinhar... Você achou um dos guerreiros da profecia? – Perguntou Claudino com cara de tédio.
– Eu não achei só um, eu achei três! Meninas entrem!
A sala em peso olhou boquiaberta de Lays para a entrada do auditório de onde vinham Bia, Luana e Joyce, as três melhores amigas de Lays. As cinco meninas que possuíam o cosmo dos cinco guerreiros ficaram lado a lado e de repente todo ambiente começou a mudar. Pareceu mais pesado com a presença delas. Todos nós olhávamos para elas maravilhados.
– Isso é inacreditável! – Sussurrei. – Como foi que vocês as descobriram? – Perguntei olhando de Carol para Lays.
– Foi o seguinte... – Lays então começou a contar sobre o aniversário de Luana e como Joyce havia saído correndo e como elas encontraram com os assaltantes. Contou como Luana havia segurado uma bala, como Bia havia feito um dos assaltantes sair do chão com um soco e como Joyce havia derrubado uma parede.
Já a história de Carol foi mais perturbadora, ela contou que Saskia tinha encontrado com um cavaleiro que se intitulava “Filho de Apolo”. Eles tiveram uma batalha e no final Carol descobriu que eles sabiam sobre a profecia e que, apesar do cosmo de Saskia não ser tão desenvolvido como o das outras meninas ela o possuía, por isso o cavaleiro tinha ido atrás dela.
– Certo, eu tenho algo pra dizer sobre isso. Mas antes eu tenho que falar com as meninas. Sentem-se. – Elas se sentaram lado a lado e eu me sentei na beirada do palco de frente para elas. – É o seguinte. Todas vocês devem estar se perguntando: “o que é isso?” “O que nós estamos fazendo aqui?” “O que é ser um cavaleiro?”. Então eu vou tentar explicar.
“A lenda dos cavaleiros diz que nós somos pessoas com extraordinário poder e força. Com um chute nós podemos separar montanhas e com um soco podemos abrir fendas na terra. Nós lutamos para defender a vida da deusa Athena. Bom, a parte da lenda que diz que nós temos um poder muito grande é verdadeira. Mas a parte sobre Athena não é toda verdade. Nós não defendemos a deusa Athena. Nós defendemos a paz na terra e a segurança de uma garota que nasceu com os poderes da deusa mitológica.”
– Defendem ela do que exatamente? – Perguntou Joyce.
– Bom, como ela é uma garota que nasceu com os poderes de Athena, é lógico que podem existir pessoas que nasçam com os poderes de um outro deus mitológico. Como por exemplo, Hermes, Hades, até mesmo Zeus. E geralmente essas pessoas que tem esse poder acham que, por possuí-lo, podem mudar o mundo a seu bel prazer, da forma que querem. A maioria fica tão obcecada com isso que acaba não se importando com a segurança das outras pessoas. Aquele velho clichê de “Eu vou dominar o mundo!”.
“Dessa vez nós descobrimos que Erik, acho que algumas de vocês o conhecem, é o portador da armadura de Apolo, e ele, por alguns motivos, quer se vingar de mim e de Lays. – Uma linha de compreensão pareceu surgir entre Bia, Luana e Joyce. – Ele agora quer matar a todos que amamos apenas para nos fazer sofrer, e, penso eu, depois disso ele pretende destruir tudo que sobrar.
“Em dia desses, eu fui até a Grécia falar com o grande Mestre do Santuário, que é o comandante de todos os cavaleiros, e lá eu ouvi uma profecia. Que falava sobre a chegada dos cinco guerreiros lendário do passado, aqueles que passam no anime. E esses são vocês.
– Espera, mas nós somos mulheres, e eles eram homens. Não tem alguma coisa errada? – Perguntou Saskia.
– Ta vendo? Foi isso que eu quis dizer. – Apoiou Miguel.
– Isso é curioso. Mas não é um problema. Qualquer pessoa é igual a qualquer pessoa independente de opção sexual, classe social, raça, religião... Não há nada que eu, ou qualquer cavaleiro de ouro faça que vocês também não possam fazer. Tudo é uma questão de força de vontade.
– Certo, quando nós pegamos as armaduras? – Perguntou Laura.
– Calma. Não ponha a carroça na frente dos jumentos. Antes vocês precisam saber dos riscos que correm ao aceitarem ser amazonas. Vocês têm que entender que, apesar de o poder parecer legal e tal, nós estamos em guerra. E guerras não são coisas divertidas. Aceitar ser um cavaleiro significa se envolver diretamente na guerra, o que faz com que as chances de ser morto sejam maiores do que das outras pessoas. Cada cavaleiro já formado aqui entende isso e aceitou os riscos.
– Porque vocês aceitaram? – Perguntou Joyce.
– Aceitamos porque tem que haver alguém para, pelo menos tentar, impedir que o mundo acabe. Aceitamos ser cavaleiros para proteger nossos amigos e família, que não tiveram a oportunidade, nem a sorte de nascer com poder para tal. Se ajudar, pensem na proposta como um meio de você proteger quem você ama. Não pense nela como um risco de morte. Cada cavaleiro tem consciência de que está respirando agora, mas pode não ter a mesma sorte amanhã. Mas sabe que, se isso acontecer, morreu tentando defender quem ama. E não há nenhuma vergonha nisso, morrer como um herói. – Todas ficaram caladas. – Agora que já sabem disso, podem pensar se é realmente o que querem. Vocês têm o tempo que precisarem.
As meninas assumiram expressões pensativas, cada uma absorta nos próprios pensamentos. Luana estava tão concentrada que fechou os olhos e botou os dedos na testa. Laura fitava o vazio, como quem viaja pelos pensamentos mais profundos. Depois de vários minutos Bia suspirou forte e se levantou.
– Parece que já tomou uma decisão, Bia. Qual foi? – Perguntei.
– Não sei por que demorei tanto para decidir, a partir do momento que você disse que estava nos dando à oportunidade de defender quem amamos não havia muito mais o que pensar. Eu aceito.
Todos os cavaleiros bateram palmas e vibraram com a decisão de Bia.
– Ótimo. É bom que você pense assim. – Falei.
– E agora? O que eu preciso fazer?
– Venha, suba aqui no palco. – Ela subiu e ficou do meu lado, sussurrei para ela de modo que apenas ela pudesse ouvir: – Você vai apenas se aproximar das armaduras. Depois você vai saber o que fazer.
Ela tremia de tanto nervosismo, mas foi em frente e fez o que eu disse. Ela começou a se aproximar das armaduras lentamente. Ao chegar perto da armadura de Pegaso, ela parou. E seus olhos se voltaram para a outra ponta da fileira de armaduras. Ela caminhou um pouco mais depressa e parou em frente à armadura de Andrômeda, se ajoelhou e olhou fixamente para ela, como um artista estudando sua obra. Todos na sala prendiam a respiração. Depois de alguns momentos de hesitação ela estendeu o braço e tocou a urna que se abriu automaticamente.
Dentro da urna havia uma armadura rosa no formato de uma mulher acorrentada. Uma aura rosa envolveu e uniu Bia e a armadura. As duas foram tiradas do chão, já no alto a armadura se desmontou e foi na direção da garota, um brilho muito forte cegou a mim e ao resto dos cavaleiros. Quando conseguimos voltar a enxergar vimos Bia de frente para todos os cavaleiros examinando seus braços cobertos pela a armadura. Ela os baixou e o tilintar das famosas correntes de Andrômeda encheram o local. Todos vibraram e aplaudiram mais uma vez.
– Meus parabéns, Bia de Andrômeda. Você agora está a um passo de se tornar uma amazona. – Falei.
– Espera, eu ainda não sou? – Falou ela confusa.
– Bem, você precisa de treinamento. E não existe pessoa mais qualificada para lhe ensinar tudo que você precisa saber, do que a nossa companheira, Lays de Virgem. Ela será sua mestra.
As duas deram um gritinho agudo, que fez com que todos os presentes fizessem caretas, e se abraçaram, começaram a conversar só que mais silenciosamente.
– Então, agora só falta a decisão de vocês. – Falei voltando o olhar para as meninas restantes. – Alguma de vocês tomou uma decisão.
As quatro se levantaram de uma só vez e até iriam falar todas de uma vez, mas se interromperam. A primeira que falou foi Luana.
– Bia tem razão. Se o mundo vai acabar agente tem que fazer alguma coisa.
– É agente não pode ver todo mundo morrer e ficarmos paradas só olhando. – Disse Joyce.
– Eu não me importo em morrer por aqueles que eu amo. – Disse Laura.
– Eu estou pronta. Não importa os riscos. – Terminou Saskia.
– É ótimo ouvir isso. Eu fico muito agradecido a vocês todas. Eu sabia que vocês fariam a escolha certa. Subam aqui. – Falei fazendo sinal para que elas subissem no palco.
Elas subiram e olhavam de mim para as armaduras que sobravam. Bia, ainda vestindo a armadura, observava tudo com muita expectativa.
– Quem quer ser a primeira? – Perguntei e Laura levantou a mão.
– Qual delas eu preciso escolher para aprender a fazer neve? – Falou ela com um sorriso na cara.
– Não é você que escolhe a armadura, é a armadura que escolhe você. – Falei.
– E como isso vai acontecer?
– Apenas se aproxime.
Ela se aproximou rápido e olhou para cada uma das armaduras. Ela andava de um lado para o outro até que parou. Depois olhou para mim e eu a encorajei a continuar. Ela então fechou os olhos e começou a andar, como que sendo guiada por alguma coisa. Ela parou em frente à armadura de Pégaso. Não foi preciso ela tocar na urna para que esta se abrisse, revelando seu formato. Era realmente lindo, um cavalo alado em pé sobre as patas traseiras e com as asas apertas. Laura se aproximou mais um pouco e aconteceu. Ela foi tirada do chão, e depois de um clarão forte, nós a vimos, vestida com a armadura prateada e uma aura azul em torno do seu corpo.
– Então? Eu vou aprender a fazer neve? – Perguntou ela.
– Infelizmente não. – Falei. Ela fez cara de desapontamento. – Você não será treinada por mim, mas pela minha irmã. Mariana de Sagitário. – Ela pareceu se animar com a idéia. Ela correu até Mariana e a abraçou.
– Posso ser a próxima? – Perguntou Luana.
– Mas é claro. Aproxime-se. – Luana parecia amedrontada. Seus passos eram tortos, como se fosse cair a qualquer momento. – Relaxe. – Falei tentando acalmá-la.
Ela não pareceu se acalmar muito, mas andou com mais velocidade, e, a cada passo que ela dava uma aura prateada idêntica a minha envolvia ela e a armadura de Cisne. Eu sorri. Aí estava minha aprendiza. Ela não precisou chegar muito perto para que a urna se abrisse e revelasse um belo e imponente cisne prateado com suas asas abertas. Depois de alguns segundos de hesitação Luana se aproximou mais um pouco, e depois de mais um clarão, lá estava ela, trajando a armadura de bronze de Cisne, o prateado da armadura contrastando com a cor morena da sua pele. Ele respirava com dificuldade.
– Aí está uma garota de sorte. – Falei. – Você vai ser minha aprendiza. Vou te ensinar tudo o que eu sei. – Falei fazendo um sinal com o polegar para ela. Ela sorriu de volta e andou até o meu lado. – Como só sobraram vocês duas – falei apontando para Saskia e Joyce. – Vocês podem ir ao mesmo tempo.
Elas se entreolharam e andaram lentamente até as armaduras restantes. A aura vermelha de Saskia entrou em contato com a aura verde de Joyce, fazendo uma mistura de cores. As urnas das armaduras de Fênix e Dragão se abriram, e as armaduras criaram vida. A Fênix levantou vôo ao lado do Dragão e, flutuando, fizeram uma dança antes de mergulharem e entrarem em contado com os corpos das meninas, depois de um clarão mais forte do que os anteriores, nós estávamos encarando Saskia de Fênix e Joyce de Dragão. Eu indiquei a elas seus mestres. Saskia seria treinada por Carol e Joyce seria treinada por Rafael.
Todos aplaudiam e davam vivas. As cinco meninas ficaram lado a lado de frente para os cavaleiros de ouro e o ambiente na sala pareceu mais carregado de poder do que nunca. Nós, enfim, tínhamos encontrado todos os guerreiros (ou guerreiras, nesse caso). Mas a comemoração foi interrompida por um grito de dor vindo de Joyce. Luana foi a primeira a correr para ajudar. Joyce se deitou de bruços e gemia muito.
– Joyce, amiga, o que é que ta acontecendo? – Gritava Luana.
– Minhas costas... Estão queimando! – Todos de repente entenderam o que estavam acontecendo, menos as meninas novatas.
– O que está acontecendo com ela, Matheus? – Perguntou Bia desesperada.
– Calma, já vai passar. A constelação protetora dela é Dragão, todo cavaleiro de dragão, ao receber a armadura, recebe também uma tatuagem nas costas, que meio que representa o seu poder. Quando mais nítido mais poderoso. – Nesse momento Joyce já havia parado de gritar e tentava se manter de pé, Luana a ajudou. – Se você for com ela até o banheiro vai poder a tatuagem.
Eu indiquei o caminho e elas foram. Depois de alguns segundos elas voltaram e Joyce parecia bem mais calma. Pedi para que todos se sentassem.
– Então. Agora que nós já temos nossas guerreiras vamos entrar na parte séria da reunião. – Com isso eu contei sobre os sonhos que eu andava tendo. Até chegar a parte em que Eduardo mencionava os filhos de Apolo. – Carol, você disse que tinha lutado com um cavaleiro que se intitulava filho de Apolo. Como ele era?
Carol descreveu o cavaleiro detalhadamente, desde armadura até o modo de falar e andar. Todos silenciaram quando ela terminou.
– Bom, eu não consigo tirar da cabeça a idéia de que Erik tenha tido filhos. – Falei, expondo meu ponto de vista.
– Eu acho que você está levando a coisa muito ao pé da letra. – Falou Rafael. – Carol, que tipo de poder o cavaleiro controlava?
– Era basicamente fogo. Ele fazia tudo com chamas. – Respondeu Carol.
– Então deve ser isso. Filhos de Apolo, na verdade, deve estar se referindo aos poderes que o deus mitológico possuía, ou suas variações. Por exemplo o cavaleiro que invadiu a sala. Eu percebi que ele controlava a luz, e o cavaleiro que enfrentou Carol controlava o fogo. Apolo era o deus do Sol, que é formado basicamente por luz e fogo.
Todos nós estávamos começando a compreender aquilo. Mas isso me perturbava, se eu não estava enganado Apolo era deus de uma penca de coisas, ele podia ter todo um exercito ao seu comando.
– Apolo era deus de mais o que? – Perguntei a Rafael.
– Bom, ele era deus do Sol. Mas era patrono da música, da medicina, dos oráculos e das doenças. Ele também era o protetor das musas, eu não sei muito sobre elas. Diziam também que tinha grande habilidade com o arco e flecha. Quando ele era representado, muitas vezes ele estava com um corvo, uma serpente, ou um grifo.
– Como eu pensei. Pode ser um exercito enorme. Duvido muito que ele consiga reunir essa quantidade tão grande de soldados. Mas por via das dúvidas todos temos que nos preparar e ficar mais fortes. Não podemos errar. – Todos se calaram. Até as meninas que chegaram agora tinham percebido que a coisa era séria. – Bom, por enquanto é só isso. Alguém quer falar mais alguma coisa? – Ninguém respondeu. – Certo, então os cavaleiros que vão treinar as meninas comecem o mais rápido possível. Até mais.
Todos se levantaram dos seus lugares e se dirigiram até a porta de saída. Luana correu até mim, já estava sem a armadura e com a urna em suas costas.
– Quando nós começamos? – Perguntou.
– Hoje à noite. Me espere na porta da sua casa, eu vou lá e te levo pro local do treinamento.
– E onde vai ser exatamente?
– Sibéria. – Falei sorrindo. Ela pareceu assustada, mas animada. Correu até a saída junto com os outros.
Eu esperei todos saírem para fechar as portas. Quando todos estavam do lado de fora Claudino ficou do meu lado e me ajudou a trancar tudo.
– Sabe o que eu achei mais legal nessa profecia? – Perguntou ele.
– O que? – Perguntei curioso.
– É que ela só fala sobre mulheres.
– Verda... – Parei e pensei um pouco sobre o que ele disse. – EI! A profecia fala sobre mim!
– Eu sei amiga! – Disse ele com a voz de homossexual.
Eu comecei a gargalhar. Quando terminamos de trancar tudo saímos de lá conversando sobre como seria o treinamento das meninas.
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