Retrospectiva...
Carol
se levantou lentamente e tentou sair da fumaça, ao sair se deparou com Lays que
a encarava com cara de assustada. Ele estava um pouco ofegante.
– Agora
sim. Nós podemos ir... Vamos?
– Vocês não
vão sem mim. – Mariana pousou na frente das duas com uma expressão séria. – Eu
vou junto.
As três não
disseram mais nada, se viraram para a enorme estrela que ainda brilhava, mesmo
sendo de manhã e levantaram vôo em direção a ela.
Carol
de Leão.
As meninas
chegaram ao templo de Apolo e foram recebidas por um grande silencio.
Sem muita
cerimônia elas correram escadaria acima em direção a primeira casa, onde
nenhuma sabia o que lhe aguardava lá.
– Eu estou
com um péssimo pressentimento... – Falou Carol ofegante.
– Todas nós
estamos... – Falou Mariana. – Eu não sinto mais o cosmo de Joyce... Acho que
aconteceu alguma coisa...
– Espero
que ela esteja bem... – Lays sussurrou como se estivesse falando consigo mesma.
Elas
continuaram a subida caladas, cada uma absorta em seus próprios pensamentos. “O cosmo de Joyce realmente desapareceu, não
há dúvida quanto a isso... É provável que ela esteja morta.” Pensava
Carol. “Mas eu não consigo parar de me
preocupar com Saskia... A agitação do cosmo dela está muito fora do normal... O
que está acontecendo com ela?”
O explosão
do cosmo de Bia que elas haviam sentido um pouco antes de saírem da Terra
também havia passado, ao que parecia a batalha estava terminando, o de Joyce
havia desaparecido, o de Laurinha estava enfraquecendo a medida que o de Saskia
se agitava, já o de Luana e Matheus tinha leves oscilações mas nada que se
espantasse. Mas o cosmo de Matheus explodiu por alguns instantes antes mas
havia passado... Talvez ele tivesse tido um dos freqüentes surtos de raiva que
logo passavam.
Alguns
segundos depois as meninas chegaram à porta da primeira casa e deram de cara
com uma Bia que parecia abatida. Sua armadura havia mudado completamente, ao
que parecia tinha se tornado uma Kamui, e ela parecia ter chorado litros. A garota
levantou a cabeça e arregalou os olhos ao ver as meninas vindo em sua direção.
– O que
vocês estão fazendo aqui?! – Gritou elas surpresa. Mas a resposta foi adiada,
pois Lays a agarrou pela cintura e lhe deu um abraço apertado.
– Graças a
Deus você está bem. – Disse ela tentando conter o choro.
– Como
vocês chegaram aqui?! – Perguntou Bia que ainda parecia surpresa.
– Seguimos
o rastro de cosmo que vocês deixaram... – Falou Mariana. – Não foi difícil.
Além disso esse lugar brilha como uma estrela enorme lá me baixo.
– O que
aconteceu com você? – Perguntou Lays, sem rodeios.
Bia não
respondeu.
Mordeu os lábios e escondeu o
rosto nas mãos para ocultar as lágrimas que começavam a descer de seus olhos, e
com um pouco começou a soluçar encostando a testa no peito de Lays. Que, sem
reação, abraçou-a tentando confortá-la.
– O que aconteceu, meu amor? –
Falou ela com a voz mais doce.
– Vitor...
Ele era o cavaleiro que protegia essa casa... ... Mas ele estava possuído por
Apolo, não sabia o que estava fazendo. Ele matou Joyce, e depois pediu para que
eu o matasse... Por que não aguentaria ver Apolo usando o seu corpo para me
matar... E eu fui obrigada a... a... – Ela não conseguiu terminar. O choro
afogou qualquer palavra que ela pretendia dizer, mas não era preciso mais para
que as garotas entendessem o que ela queria dizer.
Lays não
sabia o que dizer. Ela mesma estava surpresa com o que acabara de ouvir. Nunca
imaginara que sua melhor amiga fosse obrigada a matar o namorado depois do
mesmo ter matado outra de suas melhores amigas. Tudo que ela conseguiu foi
chorar também.
Mas não
houve tempo para isso. Depois de uma enorme explosão o cosmo de Laura
desapareceu sem deixar o menos vestígio... O que significava que ela sofrera o
mesmo destino de Joyce e de muitos outros.
– Lays... A
gente não pode mais perder tempo aqui... – Falou Mariana.
– Eu sei. –
Respondeu, e depois olhando para Bia: – Meu amor, onde está o corpo de Joyce?
– Lá
dentro. – Respondeu a amiga. – Eu não sei o que fazer...
– Você vai
fazer o seguinte: Pegue o corpo de Joyce e leve de volta pra Terra. Deixe-o em
algum local abrigado e ajude os outros cavaleiros sobreviventes a fazerem o
mesmo... Ela não é a única vítima. Depois vão TODOS vocês para um hospital,
certo?
– Tudo
bem... – Falou Bia num sussurro.
Com um
breve aceno de cabeça Lays e as outras garota saíram correndo em direção à
próxima casa, os pensamentos de Carol já voltavam para Saskia. “Só mais um pouco...”
As meninas
passaram da porta de saída da casa e voltaram a subir as escadarias em direção
a próxima casa, cada uma absorta em seus próprios pensamentos.
Depois de
alguns minutos de subida elas chegaram ao portão de entrada onde podia-se ver
um desenho de lobo uivando para o Sol.
– ME MATE!
O grito
saiu pela porta e calafrios passaram nas costas das meninas. Era a voz de
Saskia e ela implorava pela morte.
Carol não
pensou nem em chamar nenhuma das duas, irrompeu pela porta e chegando lá viu a
cena mais apavorante de sua vida.
Uma amazona erguia sua amiga pelo
pescoço. Ela levantou a mão e suas unhas se transformaram em garras, enquanto
Saskia fechava os olhos e esperava. Com um golpe rápido a amazona cortou o
rosto de sua amiga e pegou impulso. Desferiu um soco em seu rosto atirando-a na
parede. Seu elmo saiu do rosto.
Saskia abriu os olhos e viu a
inimiga se aproximando. Ela segurou-a pela gola da armadura e foi até o centro
do salão. Olhou fundo nos olhos e sorriu.
– Como você
é fraca... – Dizendo isso ela atirou Saskia para cima e saltou com as garras
flamejando.
Com um
único golpe no estomago suas garras atravessaram o estomago de Saskia e sua
armadura começou a rachar, algumas partes caíram no chão deixando-a
desprotegida. Ainda no ar a loba girou, pegou o pescoço de Saskia e atirou-a de
volta ao chão, destruindo o que restava da parte frontal da armadura.
– Porque você não acaba logo
comigo? – Perguntou.
– Seria
muito fácil... – Disse ela se levantando. – Mas acho que é melhor eu fazer isso
logo. Tenho que ir atrás daqueles dois imbecís que passaram por essa casa...
Aquário e Cisne... Bem. De qualquer modo, adeus... Saskia de Fênix. ERUPÇÃO
SO...
Todos os
pensamentos e instintos de Carol se enrijeceram junto com a pele de suas
costas, e várias sensações explodiram no seu interior. Era como se a cena que
ela estivesse presenciando fosse em câmera lente.
A palma da
mão da amazona que protegia a casa brilhando, o fogo se espalhando pelo
ambiente e de alguma forma ele tomou a forma do rosto de um lobo olhando
ameaçadoramente para Saskia. E os instintos que Carol havia sentido antes agora
tomavam a forma de um só ataque:
– RELAMPAGO
DE PLASMA!!!
– Mas o que
é que...
Sem invocar
o gole pelo nome completo o lobo de fogo se dissipou e a protetora casa olhou
na direção de Carol tão surpresa que não conseguiu sentir raiva. A onda de luz
atingiu-a em cheio no peito.
– O que
você está pensando sua idiota?! – Gritou Carol.
– O que
você está fazendo? Porque não deixou que ela me matasse?
– Mas o
que... – Carol fechou os olhos e uma expressão de raiva inundou seu rosto. Ela
levantou a mão e deu uma tapa no rosto da amiga. – Você está desistindo?!
– Você não
sabe o que aconteceu...
Carol
soltou Saskia e se levantou. Olhou para as meninas que lutavam com Fernanda,
correu até lá e disparou uma onda de poder contra ela.
– Lays, Mariana.
Vão para a próxima casa... Essa luta agora é minha.
– Tem
certeza, Carol? – Perguntou Mariana. – Ela parece ser perigosa.
– Não me
subestime. – Carol não tirava os olhos da inimiga que começava a se levantar um
pouco atordoada. – Vocês vão logo, ou querem que eu chute vocês daqui?
Sem dizer
mais nenhuma palavra tanto Lays quanto Mariana saíram da casa deixando Carol,
Saskia e a Loba sozinhas.
– Quem é
você? – Perguntou Carol com a voz aparentemente calma.
– Eu me
chamo Fernanda... E quem você pensa que é para me interromper enquanto estou
acabando com a minha presa?
– Tudo que
você precisa saber... É que um lobo nunca será superior a um leão.
Dizendo
isso Carol flutuou até a garota com o punho carregado de eletricidade e com um
único soco jogou a garota contra a parede da casa.
– Agora
você vai pagar... – Disse Carol. – Pelo que você fez com a minha amiga.
– Mal posso
esperar...
Dizendo
isso Fernanda correu, com as garras prontas para atacar, até Carol que por sua
vez esperou pacientemente a adversária se aproximar.
As garras
da loba rasparam a bochecha da amazona, causando-lhe três cortes leves. Com um
giro Carol carregou as mãos com eletricidade e descarregou toda em cima de
Fernanda, que desviou fazendo o golpe passar a centímetros do seu tórax.
Depois
disso uma batalha corpo a corpo acirrada foi iniciada.
Golpes
carregados de poder voavam de um canto para o outro, mas atingindo o nada.
Ambas eram velozes de mais para que fossem atingidas uma pela outra.
No canto da
sala tudo que Saskia conseguia fazer era observar, indignada, o que Carol
fazia.
“Ela vai morrer... Uma pessoa a mais morta
por minha culpa... Talvez a verdadeira assassina aqui seja eu, e eu que
realmente não mereça viver... Porque ela continua lutando? Porque ela luta por
mim? Eu nunca serei forte como ela, ou como Lays, ou como Matheus... Nunca vou
conseguir um grande status como amazona... Então porque ela luta por uma fraca
como eu? Uma assassina...”
E a luta
prosseguia. Carol conseguira arremessar Fernanda contra uma parede e agora
prendia a garota contra a mesma por um forte aperto no pescoço, seu punho
direito levantado e carregado de eletricidade.
– Pois é...
No fim das contas, a loba não era grande coisa mesmo. – Disse ela sem
economizar desprezo na voz.
– Não me
subestime, garota!
Saskia
de Fênix
Nos últimos
minutos Saskia esteve sentada no chão observando uma violenta batalha travada
entre sua melhor amiga e a mulher que havia feito ela se tornar uma assassina.
Os detalhes da batalha fugiam um pouco de sua vista, em alguns momentos ela
entrava num longo devaneio em que simplesmente não pensava em nada, como um
transe do qual era despertada de vez em quando pelos sons de gritos, golpes,
raios e paredes desmoronando.
O fato era:
A batalha era completamente sem sentido, ela já sabia qual seria o resultado.
Carol iria morrer, depois Fernanda viria terminar o serviço com ela e em
seguida iria atrás de Matheus, Luana e as outras meninas que estavam
acompanhando Carol antes de chegaram naquela casa.
Porém, para
a surpresa de Saskia Carol conseguiu um grande espaço e estava prendendo a
adversária contra a parede da casa.
– Pois é...
No fim das contas, a loba não era grande coisa mesmo. – Disse ela sem
economizar desprezo na voz.
– Não me
subestime, garota! Você é muito, muito, mas muito descuidada.
Com uma
velocidade incrível, que seria rápida de mais para os olhos humanos comuns, garras
grandes e afiadas cresceram nas mãos de Fernanda e ela acertou um golpe fatal
no estomago de Carol, transpassando sua armadura de tal forma que as pontas das
garras apareceram nas costas da amazona.
O sangue
espirrou no chão e respingou no rosto de Saskia, que saia de mais um de seus
devaneios.
– Carol...
Lágrimas
começaram a descer pelos olhos da Fênix, coisa que a surpreendeu já que pensava
isso não era mais possível, enquanto ela engatinhava até a amiga que estava
caída numa poça do próprio sangue.
– Carol...
Eu sabia desde o inicio que essa batalha era em vão... Ela é forte de mais.
– Cala a
boca, sua idiota. – Disse ela com uma rispidez incomum na voz. – Porque você
não olha um pouco a sua volta e faz juz a armadura que veste? A fênix que
sempre renasce das cinzas pra uma segunda chance? Eu consegui paralisar a
lobinha ali, então porque você não conseguiria acabar com ela?
De fato, ao
olhar pra trás Saskia pode ver pequenos fios de eletricidade estática prendendo
Fernanda a parede.
– Então
você quer me dizer que Laura morreu em vão? – Continuou Carol. – Morreu pra
deixar um pedaço do destino da humanidade das mãos de uma fênix sem poder? De
uma fênix que desiste no primeiro tropeço? Você quer me dizer que eu arrisquei
e acabei com minha própria vida pra você vir aqui e me dizer que já sabia desde
o principio o resultado dessa luta? Você não sabe de nada, Saskia. Parece que
todos os meses que nós tivemos de aprendizado foram em vão, que todos os meus
sermões sobre perseverança entraram por um ouvido e saíram pelo outro?
Saskia não
sabia o que responder, aliás, não sabia nem se era uma pergunta a se responder.
Mas ela estava certa em tudo. Ela não era uma fênix de verdade, a fênix estava
única e exclusivamente em sua armadura, nada mais.
– Não me
faça essa cara de cão sem dono, Saskia. – Disse Carol com a mão em sua ferida e
sua voz ficando cada vez mais fraca e abandonando a rispidez na voz disse: – A
armadura de Fênix não escolheria alguém que ela soubesse que faria algo desse
tipo. Ela é a armadura mais seletiva dentre todas as 88 constelações. Sabia
disso? O único que teve a honra de usá-la até hoje foi o meu mestre, Ikki. Acredite,
Saskia, ela não te escolheria se não achasse que você é capaz.
– Mas agora
era está completamente destruída... – A voz da garota saiu fraca, depois de
tanto tempo sem falar.
– Pelo
jeito tudo que eu te disse entrou por um ouvido e saiu pelo outro mesmo... – Um
sorriso apareceu no canto da boca de Carol. – Você vai fazer exatamente o que
eu vou dizer. Se levante e lute. Lute com todo o poder que conseguir reunir e,
depois disso, reúna mais poder ainda. Você é capaz, eu sei disso e sua armadura
também sabe, estando ela aqui ou não. Vai. Vingue a morte de Laura... – A vista
dela começava a pesar. – Vingue a minha morte.
Com isso a
cabeça de Carol pendeu para o lado. Ela ainda tinha uma respiração difícil,
seus batimentos cardíacos desaceleravam aos poucos, sua pele estava ficando
pálida e Saskia sentia seu cosmo ficando cada vez mais distante.
Um poder
calorosamente agradável tomou conta do corpo de Saskia a envolvendo junto com
seu cosmo flamejante. “Ela acredita em
mim... Quando nem eu mesma acreditava em mim ela estava lá, pra me dar um carão
e pra me mandar levantar a cabeça. Eu não vou deixar que essa confiança toda
seja em vão... Não vou...”
Saskia
levantou lentamente, ignorando todas as pontadas de dor que a afligiam por todo
seu corpo. Sua aura vermelha envolvia seu corpo como uma fogueira brilhante e
ela sentia seu poder voltando aos poucos em proporções cada vez maiores.
– Então
você vai resistir mais um pouco, sua idiotinha? – Falou Fernanda que finalmente
podia se mexer novamente. – Não adianta quantas vezes se levante. Você vai
morrer, não importa o quanto lute.
Dando um
salto e pegando impulso com a parede, a loba avançou até Saskia. Que se virou
com o punho fechado e preparado para o golpe. Antes que o ataque de sua
adversária a atingisse a amazona lançou um turbilhão de chamas que fez com que
Fernanda voltasse, com um baque surdo, a ser atirada contra a parede.
– Não
saberemos até o final da luta. – Disse Saskia. – Mas, acredite, não sou a mesma
pessoa que entrou aqui hoje mais cedo.
Seu poder
começava a atingir proporções assustadoras, ela podia sentir isso. Não que
fosse uma coisa ruim, mas ela podia sentir que estava muito maior do que antes.
E aos poucos os pedaços de armadura que anda estavam em seu corpo, como as
joelheiras e o cinturão começaram a se expandir, a se reconstruir.
“A fênix renasce das cinzas.” Pensou ela.
Mas a
armadura estava diferente. Emanava um brilho vermelho muito forte, mais
brilhante que um rubi e voltava mais composta. Todo o corpo de Saskia agora estava
protegido e seu elmo reaparecera. Porém o mais curioso de toda a transformação
acontecia no rosto da amazona e talvez, até hoje, ela não saiba que isso
aconteceu.
Seus olhos,
que possuíam uma íris levemente esverdeada, estavam se tornando vermelho vivo e
suas pupilas eram pequenas fendas, como os olhos de uma ave.
A expressão
no rosto de Fernanda era uma mescla de interesse e medo e um sorriso abobalhado
se formou em seus lábios, mas ela não fez nenhum movimento. Já o rosto de
Saskia era um exemplo perfeito de calma e serenidade e o único movimento feito
pela garota foi esticar o braço e mover o dedo indicador, num claro desafio a
inimiga que olhava tudo aquilo com as feições repentinamente contorcidas em
fúria.
Com um
movimento rápido de pernas Fernanda saltou esticando a perna direita mirando
uma voadora no rosto de Saskia que, com uma das mãos segurou a inimiga em pleno
ar, girou e atirou-a contra a parede. Escombros caíram soterrando a garota.
Saskia se
aproximou calma e lentamente para ver os estragos, mas, quase instantaneamente,
os blocos de pedra foram atirados para longe com a força de uma explosão e
Fernanda se levantou, uma pequena gota de sangue escorria de sua testa.
– Como? –
Perguntou ela. – Como você conseguiu tanto poder?
Mas Saskia não
respondeu, apenas olhou fixamente nos olhos de sua adversária esperando seu
próximo movimento. Como o esperado ela fechou os punhos e pôs os braços para
trás.
– ERUPÇÃO
SOLAR!
Um enorme
turbilhão de fogo saiu de cada mão de Fernanda, mas Saskia não faz
absolutamente nada a respeito, apenas se deixou envolver pelas chamas. E quando
o ataque cessou ela ainda estava lá, de pé e sem nenhum arranhão.
Fernanda a
olhou com uma cara completamente pasma.
– De quanto
você disse que chegava a temperatura dos Cavaleiros da Coroa do Sol? 1560ºC?
Então o que você me diz disso?
Agora foi a
vez de Saskia assumir a posição de ataque e gritar:
– AVE
FÊNIX!
A grande
Fênix de chamas rodopiou o braço da garota, mais brilhante e poderosa que
nunca, e voou veloz com o bico apontado diretamente para o coração de Fernanda,
mas, antes mesmo de atingi-la, explodiu, fazendo tudo, menos Saskia, voar pelos
ares.
Quando a
poeira baixou Saskia olhou ao redor, toda a casa de Lobo havia sido destruída.
Deu uma breve olhada para o lado e viu de relance Lays e Mariana subindo as
escadarias em direção ao Salão de Apolo, mas não observou por muito tempo,
correu até onde estava Carol e removeu as pedras de cima da garota, que ainda
respirava.
– Vamos lá,
Carol, agüente firme. Você vai... – Mas um barulho de pedras se movendo
interrompeu sua fala chamando sua atenção.
Ao se virar
pode ver Fernanda virada de costas e de pé numa postura estranha.
– Você é
bem mais resistente do que eu imaginava... – Disse ela soltando a amiga
delicadamente. – Como conseguiu sobreviver?
Mas a
pergunta não precisou de resposta quando Fernanda se virou. Porque ela
simplesmente não sobrevivera. Seu rosto estava completamente desfigurado e ela
só enxergava por um dos olhos, uma de suas bochechas estava em formato
esqueletal e metade de seus lábios havia sido consumido pelas chamas mostrando
dentes que antes eram brancos completamente amarelados. Sua armadura não
existia mais, a única coisa que cobria seu corpo eram partes de uma leve roupa
de laicra que estava com enormes buracos aqui e ali.
– Voc...
Voc... – Ela não conseguiu falar direito, e, antes que pudesse terminar a frase
caiu sobre os escombros da própria casa.
– Sim, meu
bem. Eu ultrapassei a temperatura dos Cavaleiros da Coroa do Sol. Atingi
5999ºC. Apenas 1ºC abaixo da temperatura de Apolo.
O corpo
estremeceu um pouco antes de ficar completamente imóvel e sem vida.
Sem perder
muito mais tempo Saskia tornou a voltar sua atenção para a companheira caída.
Carol ainda respirava de forma fraca e descompassada. O ferimento não parecia
nem perto de cicatrizar, mas o fluxo de sangue estava bem mais fraco.
– Carol? Eu
venci... – Disse Saskia. – Por favor, resiste só mais um pouco, não desista
como eu fiz...
Carol se
remexeu nos braços de Saskia e lentamente abriu os olhos que não olhavam para
Saskia, como se ela estivesse cega.
– Ah...
Então você venceu? Eu sabia que conseguiria... – Disse ela sorrindo. – Pena que
não vou poder comemorar nossa vitória com vocês...
– Não diz
isso, poxa... – Disse Saskia com os olhos marejados. – Nós ainda temos muito o
que viver, ainda tem tanta coisa que nós não fizemos, e eu ainda tenho tanto a
aprender, por favor, não me deixa...
– Relaxa,
garota... Você vai ficar bem... – Disse ela fechando os olhos aos poucos. –
Existem outros cavaleiros que podem te ensinar, e eu não estou triste em morrer
agora... – Ela usou a palavra que Saskia tentava evitar. – Esse é o fim,
Saskia... O fim da Leoa...
O corpo de
Carol estremeceu bruscamente e sua respiração parou. Saskia podia sentir o
cosmo da amiga. Aos poucos ir desaparecendo. Olhou pro céu com medo de ver a
estrela cadente indo em direção a Leão, mas não conseguiu sustentar o olhar.
Voltou a cabeça para Carol e chorou.
Então um
som estranho chamou a atenção dela. Como se um comprimido efervescente
estivesse dentro d’água. Saskia abriu os olhos e viu que suas lágrimas estava
caindo no ferimento de Carol fazendo a carne de seu corpo borbulhar e
cicatrizar aos poucos, a mesma medida que sua respiração voltava e seu Cosmo
emitia um brilho fraca, mas cada vez maior.
E de
repente o corpo de sua amiga se contorcer e ela abriu os olhos respirando com
força.
– O que
houve? – Disse Carol.
– Eu...
não... sei... – A expressão de Saskia misturava alegria e surpresa.
Carol pôs a
mão onde antes havia um ferimento e que agora só tinha uma pele clara que podia
ser vista por um buraco na sua armadura.
– Você... –
Carol olhou nos olhos de Saskia de onda ainda jorravam lágrimas. – Lágrimas de
fênix tem poder curativo...
Saskia não
falou mais nada. Apenas se jogou nos braços da amiga, chorando de felicidade.
Lays
de Virgem.
Ao saírem
pela porta da casa de Lobo a subida para a próxima casa não foi difícil. Lays
pode ter um grande alívio quando viu ao Longe Luana entrando com Matheus no
Salão de Apolo, pelo menos ela sabia que ambos estavam bem, por enquanto...
Passaram
pelos escombros to telhado da terceira casa e viram uma garota morena morta em
cima deles, provavelmente a adversária deles alguns instantes atrás, mas não
pararam para conversar, nenhuma delas conseguiria mesmo que conseguissem.
Mas, quando
pisaram no primeiro degrau da escadaria que também as levaria para o Salão a
presença de Matheus e Luana foi ficando cada vez mais distante, como se eles
estivessem indo para outro lugar.
– O que
está acontecendo? – Perguntou Mariana, mais para si mesma do que para Lays.
– É melhor
nos apressarmos... – Disse Lays e começou a correr.
Elas
subiram a escadaria aos pulos para chegar ao Salão o mais rápido possível. Em
cerca de dez minutos elas estavam lá dentro, mas não havia ninguém. Não
conseguiam sentir nenhuma presença.
– Não faz sentido... Nós acabamos de vê-los
entrando aqui... Como é possível? – Perguntou Lays.
– O que é
aquilo? – Mariana apontou para uma pequena bola de luz prateada que flutuava
sem rumo no canto do salão.
Ao chegar
perto ambas sabiam o que era aquilo. Um floco de neve com a assinatura do cosmo
de Matheus. Não havia dúvida, apesar de serem parecidos as meninas sabiam
diferenciar o cosmo dele do de Luana.
– Se afaste...
– Disse Mariana puxando a flecha de Sagitário do ombro da armadura.
Ela mirou
no floco de neve e atirou. A flecha atravessou-o, mas ao invés de vaze-lo sumir
ela ficou planando junto com ele, alguns segundos depois um brilhou iluminou a
sala e um fenda se abriu revelando um cenário diferente.
– Vamos...
Entre. – disse Mariana.
Lays
obedeceu e passou pelo portal. Para ver a pior cena de sua vida.
De um lado,
Luana presa em um grande cubo de gelo, do outro, Matheus sendo incendiado por
um turbilhão de chamas que saíam dos punhos de Erik. Quando as chamas baixaram
ela o viu caindo de joelhos e olhando para ela com um olhar vago.
–
MATHEUS!!!