segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Capítulo 25 - Recomeço


Retrospectiva...

         Carol se levantou lentamente e tentou sair da fumaça, ao sair se deparou com Lays que a encarava com cara de assustada. Ele estava um pouco ofegante.
            – Agora sim. Nós podemos ir... Vamos?
            – Vocês não vão sem mim. – Mariana pousou na frente das duas com uma expressão séria. – Eu vou junto.
            As três não disseram mais nada, se viraram para a enorme estrela que ainda brilhava, mesmo sendo de manhã e levantaram vôo em direção a ela.

Carol de Leão.

            As meninas chegaram ao templo de Apolo e foram recebidas por um grande silencio.
            Sem muita cerimônia elas correram escadaria acima em direção a primeira casa, onde nenhuma sabia o que lhe aguardava lá.
            – Eu estou com um péssimo pressentimento... – Falou Carol ofegante.
            – Todas nós estamos... – Falou Mariana. – Eu não sinto mais o cosmo de Joyce... Acho que aconteceu alguma coisa...
            – Espero que ela esteja bem... – Lays sussurrou como se estivesse falando consigo mesma.
            Elas continuaram a subida caladas, cada uma absorta em seus próprios pensamentos. “O cosmo de Joyce realmente desapareceu, não há dúvida quanto a isso... É provável que ela esteja morta.­” Pensava Carol. “Mas eu não consigo parar de me preocupar com Saskia... A agitação do cosmo dela está muito fora do normal... O que está acontecendo com ela?
            O explosão do cosmo de Bia que elas haviam sentido um pouco antes de saírem da Terra também havia passado, ao que parecia a batalha estava terminando, o de Joyce havia desaparecido, o de Laurinha estava enfraquecendo a medida que o de Saskia se agitava, já o de Luana e Matheus tinha leves oscilações mas nada que se espantasse. Mas o cosmo de Matheus explodiu por alguns instantes antes mas havia passado... Talvez ele tivesse tido um dos freqüentes surtos de raiva que logo passavam.
            Alguns segundos depois as meninas chegaram à porta da primeira casa e deram de cara com uma Bia que parecia abatida. Sua armadura havia mudado completamente, ao que parecia tinha se tornado uma Kamui, e ela parecia ter chorado litros. A garota levantou a cabeça e arregalou os olhos ao ver as meninas vindo em sua direção.
            – O que vocês estão fazendo aqui?! – Gritou elas surpresa. Mas a resposta foi adiada, pois Lays a agarrou pela cintura e lhe deu um abraço apertado.
            – Graças a Deus você está bem. – Disse ela tentando conter o choro.
            – Como vocês chegaram aqui?! – Perguntou Bia que ainda parecia surpresa.
            – Seguimos o rastro de cosmo que vocês deixaram... – Falou Mariana. – Não foi difícil. Além disso esse lugar brilha como uma estrela enorme lá me baixo.
            – O que aconteceu com você? – Perguntou Lays, sem rodeios.
            Bia não respondeu.
Mordeu os lábios e escondeu o rosto nas mãos para ocultar as lágrimas que começavam a descer de seus olhos, e com um pouco começou a soluçar encostando a testa no peito de Lays. Que, sem reação, abraçou-a tentando confortá-la.
– O que aconteceu, meu amor? – Falou ela com a voz mais doce.
            – Vitor... Ele era o cavaleiro que protegia essa casa... ... Mas ele estava possuído por Apolo, não sabia o que estava fazendo. Ele matou Joyce, e depois pediu para que eu o matasse... Por que não aguentaria ver Apolo usando o seu corpo para me matar... E eu fui obrigada a... a... – Ela não conseguiu terminar. O choro afogou qualquer palavra que ela pretendia dizer, mas não era preciso mais para que as garotas entendessem o que ela queria dizer.
            Lays não sabia o que dizer. Ela mesma estava surpresa com o que acabara de ouvir. Nunca imaginara que sua melhor amiga fosse obrigada a matar o namorado depois do mesmo ter matado outra de suas melhores amigas. Tudo que ela conseguiu foi chorar também.
            Mas não houve tempo para isso. Depois de uma enorme explosão o cosmo de Laura desapareceu sem deixar o menos vestígio... O que significava que ela sofrera o mesmo destino de Joyce e de muitos outros.
            – Lays... A gente não pode mais perder tempo aqui... – Falou Mariana.
            – Eu sei. – Respondeu, e depois olhando para Bia: – Meu amor, onde está o corpo de Joyce?
            – Lá dentro. – Respondeu a amiga. – Eu não sei o que fazer...
            – Você vai fazer o seguinte: Pegue o corpo de Joyce e leve de volta pra Terra. Deixe-o em algum local abrigado e ajude os outros cavaleiros sobreviventes a fazerem o mesmo... Ela não é a única vítima. Depois vão TODOS vocês para um hospital, certo?
            – Tudo bem... – Falou Bia num sussurro.
            Com um breve aceno de cabeça Lays e as outras garota saíram correndo em direção à próxima casa, os pensamentos de Carol já voltavam para Saskia. “Só mais um pouco...
            As meninas passaram da porta de saída da casa e voltaram a subir as escadarias em direção a próxima casa, cada uma absorta em seus próprios pensamentos.
            Depois de alguns minutos de subida elas chegaram ao portão de entrada onde podia-se ver um desenho de lobo uivando para o Sol.
            – ME MATE!
            O grito saiu pela porta e calafrios passaram nas costas das meninas. Era a voz de Saskia e ela implorava pela morte.
            Carol não pensou nem em chamar nenhuma das duas, irrompeu pela porta e chegando lá viu a cena mais apavorante de sua vida.
Uma amazona erguia sua amiga pelo pescoço. Ela levantou a mão e suas unhas se transformaram em garras, enquanto Saskia fechava os olhos e esperava. Com um golpe rápido a amazona cortou o rosto de sua amiga e pegou impulso. Desferiu um soco em seu rosto atirando-a na parede. Seu elmo saiu do rosto.
Saskia abriu os olhos e viu a inimiga se aproximando. Ela segurou-a pela gola da armadura e foi até o centro do salão. Olhou fundo nos olhos e sorriu.
            – Como você é fraca... – Dizendo isso ela atirou Saskia para cima e saltou com as garras flamejando.
            Com um único golpe no estomago suas garras atravessaram o estomago de Saskia e sua armadura começou a rachar, algumas partes caíram no chão deixando-a desprotegida. Ainda no ar a loba girou, pegou o pescoço de Saskia e atirou-a de volta ao chão, destruindo o que restava da parte frontal da armadura.
– Porque você não acaba logo comigo? – Perguntou.
            – Seria muito fácil... – Disse ela se levantando. – Mas acho que é melhor eu fazer isso logo. Tenho que ir atrás daqueles dois imbecís que passaram por essa casa... Aquário e Cisne... Bem. De qualquer modo, adeus... Saskia de Fênix. ERUPÇÃO SO...
            Todos os pensamentos e instintos de Carol se enrijeceram junto com a pele de suas costas, e várias sensações explodiram no seu interior. Era como se a cena que ela estivesse presenciando fosse em câmera lente.
            A palma da mão da amazona que protegia a casa brilhando, o fogo se espalhando pelo ambiente e de alguma forma ele tomou a forma do rosto de um lobo olhando ameaçadoramente para Saskia. E os instintos que Carol havia sentido antes agora tomavam a forma de um só ataque:
            – RELAMPAGO DE PLASMA!!!
            – Mas o que é que...
            Sem invocar o gole pelo nome completo o lobo de fogo se dissipou e a protetora casa olhou na direção de Carol tão surpresa que não conseguiu sentir raiva. A onda de luz atingiu-a em cheio no peito.
            – O que você está pensando sua idiota?! – Gritou Carol.
            – O que você está fazendo? Porque não deixou que ela me matasse?
            – Mas o que... – Carol fechou os olhos e uma expressão de raiva inundou seu rosto. Ela levantou a mão e deu uma tapa no rosto da amiga. – Você está desistindo?!
            – Você não sabe o que aconteceu...
            Carol soltou Saskia e se levantou. Olhou para as meninas que lutavam com Fernanda, correu até lá e disparou uma onda de poder contra ela.
            – Lays, Mariana. Vão para a próxima casa... Essa luta agora é minha.
            – Tem certeza, Carol? – Perguntou Mariana. – Ela parece ser perigosa.
            – Não me subestime. – Carol não tirava os olhos da inimiga que começava a se levantar um pouco atordoada. – Vocês vão logo, ou querem que eu chute vocês daqui?
            Sem dizer mais nenhuma palavra tanto Lays quanto Mariana saíram da casa deixando Carol, Saskia e a Loba sozinhas.
            – Quem é você? – Perguntou Carol com a voz aparentemente calma.
            – Eu me chamo Fernanda... E quem você pensa que é para me interromper enquanto estou acabando com a minha presa?
            – Tudo que você precisa saber... É que um lobo nunca será superior a um leão.
            Dizendo isso Carol flutuou até a garota com o punho carregado de eletricidade e com um único soco jogou a garota contra a parede da casa.
            – Agora você vai pagar... – Disse Carol. – Pelo que você fez com a minha amiga.
            – Mal posso esperar...
            Dizendo isso Fernanda correu, com as garras prontas para atacar, até Carol que por sua vez esperou pacientemente a adversária se aproximar.
            As garras da loba rasparam a bochecha da amazona, causando-lhe três cortes leves. Com um giro Carol carregou as mãos com eletricidade e descarregou toda em cima de Fernanda, que desviou fazendo o golpe passar a centímetros do seu tórax.
            Depois disso uma batalha corpo a corpo acirrada foi iniciada.
            Golpes carregados de poder voavam de um canto para o outro, mas atingindo o nada. Ambas eram velozes de mais para que fossem atingidas uma pela outra.
            No canto da sala tudo que Saskia conseguia fazer era observar, indignada, o que Carol fazia.
            “Ela vai morrer... Uma pessoa a mais morta por minha culpa... Talvez a verdadeira assassina aqui seja eu, e eu que realmente não mereça viver... Porque ela continua lutando? Porque ela luta por mim? Eu nunca serei forte como ela, ou como Lays, ou como Matheus... Nunca vou conseguir um grande status como amazona... Então porque ela luta por uma fraca como eu? Uma assassina...
            E a luta prosseguia. Carol conseguira arremessar Fernanda contra uma parede e agora prendia a garota contra a mesma por um forte aperto no pescoço, seu punho direito levantado e carregado de eletricidade.
            – Pois é... No fim das contas, a loba não era grande coisa mesmo. – Disse ela sem economizar desprezo na voz.
            – Não me subestime, garota!

Saskia de Fênix

            Nos últimos minutos Saskia esteve sentada no chão observando uma violenta batalha travada entre sua melhor amiga e a mulher que havia feito ela se tornar uma assassina. Os detalhes da batalha fugiam um pouco de sua vista, em alguns momentos ela entrava num longo devaneio em que simplesmente não pensava em nada, como um transe do qual era despertada de vez em quando pelos sons de gritos, golpes, raios e paredes desmoronando.
            O fato era: A batalha era completamente sem sentido, ela já sabia qual seria o resultado. Carol iria morrer, depois Fernanda viria terminar o serviço com ela e em seguida iria atrás de Matheus, Luana e as outras meninas que estavam acompanhando Carol antes de chegaram naquela casa.
            Porém, para a surpresa de Saskia Carol conseguiu um grande espaço e estava prendendo a adversária contra a parede da casa.
            – Pois é... No fim das contas, a loba não era grande coisa mesmo. – Disse ela sem economizar desprezo na voz.
            – Não me subestime, garota! Você é muito, muito, mas muito descuidada.
            Com uma velocidade incrível, que seria rápida de mais para os olhos humanos comuns, garras grandes e afiadas cresceram nas mãos de Fernanda e ela acertou um golpe fatal no estomago de Carol, transpassando sua armadura de tal forma que as pontas das garras apareceram nas costas da amazona.
            O sangue espirrou no chão e respingou no rosto de Saskia, que saia de mais um de seus devaneios.
            – Carol...
            Lágrimas começaram a descer pelos olhos da Fênix, coisa que a surpreendeu já que pensava isso não era mais possível, enquanto ela engatinhava até a amiga que estava caída numa poça do próprio sangue.
            – Carol... Eu sabia desde o inicio que essa batalha era em vão... Ela é forte de mais.
            – Cala a boca, sua idiota. – Disse ela com uma rispidez incomum na voz. – Porque você não olha um pouco a sua volta e faz juz a armadura que veste? A fênix que sempre renasce das cinzas pra uma segunda chance? Eu consegui paralisar a lobinha ali, então porque você não conseguiria acabar com ela?
            De fato, ao olhar pra trás Saskia pode ver pequenos fios de eletricidade estática prendendo Fernanda a parede.
            – Então você quer me dizer que Laura morreu em vão? – Continuou Carol. – Morreu pra deixar um pedaço do destino da humanidade das mãos de uma fênix sem poder? De uma fênix que desiste no primeiro tropeço? Você quer me dizer que eu arrisquei e acabei com minha própria vida pra você vir aqui e me dizer que já sabia desde o principio o resultado dessa luta? Você não sabe de nada, Saskia. Parece que todos os meses que nós tivemos de aprendizado foram em vão, que todos os meus sermões sobre perseverança entraram por um ouvido e saíram pelo outro?
            Saskia não sabia o que responder, aliás, não sabia nem se era uma pergunta a se responder. Mas ela estava certa em tudo. Ela não era uma fênix de verdade, a fênix estava única e exclusivamente em sua armadura, nada mais.
            – Não me faça essa cara de cão sem dono, Saskia. – Disse Carol com a mão em sua ferida e sua voz ficando cada vez mais fraca e abandonando a rispidez na voz disse: – A armadura de Fênix não escolheria alguém que ela soubesse que faria algo desse tipo. Ela é a armadura mais seletiva dentre todas as 88 constelações. Sabia disso? O único que teve a honra de usá-la até hoje foi o meu mestre, Ikki. Acredite, Saskia, ela não te escolheria se não achasse que você é capaz.
            – Mas agora era está completamente destruída... – A voz da garota saiu fraca, depois de tanto tempo sem falar.
            – Pelo jeito tudo que eu te disse entrou por um ouvido e saiu pelo outro mesmo... – Um sorriso apareceu no canto da boca de Carol. – Você vai fazer exatamente o que eu vou dizer. Se levante e lute. Lute com todo o poder que conseguir reunir e, depois disso, reúna mais poder ainda. Você é capaz, eu sei disso e sua armadura também sabe, estando ela aqui ou não. Vai. Vingue a morte de Laura... – A vista dela começava a pesar. – Vingue a minha morte.
            Com isso a cabeça de Carol pendeu para o lado. Ela ainda tinha uma respiração difícil, seus batimentos cardíacos desaceleravam aos poucos, sua pele estava ficando pálida e Saskia sentia seu cosmo ficando cada vez mais distante.
            Um poder calorosamente agradável tomou conta do corpo de Saskia a envolvendo junto com seu cosmo flamejante. “Ela acredita em mim... Quando nem eu mesma acreditava em mim ela estava lá, pra me dar um carão e pra me mandar levantar a cabeça. Eu não vou deixar que essa confiança toda seja em vão... Não vou...
            Saskia levantou lentamente, ignorando todas as pontadas de dor que a afligiam por todo seu corpo. Sua aura vermelha envolvia seu corpo como uma fogueira brilhante e ela sentia seu poder voltando aos poucos em proporções cada vez maiores.
            – Então você vai resistir mais um pouco, sua idiotinha? – Falou Fernanda que finalmente podia se mexer novamente. – Não adianta quantas vezes se levante. Você vai morrer, não importa o quanto lute.
            Dando um salto e pegando impulso com a parede, a loba avançou até Saskia. Que se virou com o punho fechado e preparado para o golpe. Antes que o ataque de sua adversária a atingisse a amazona lançou um turbilhão de chamas que fez com que Fernanda voltasse, com um baque surdo, a ser atirada contra a parede.
            – Não saberemos até o final da luta. – Disse Saskia. – Mas, acredite, não sou a mesma pessoa que entrou aqui hoje mais cedo.
            Seu poder começava a atingir proporções assustadoras, ela podia sentir isso. Não que fosse uma coisa ruim, mas ela podia sentir que estava muito maior do que antes. E aos poucos os pedaços de armadura que anda estavam em seu corpo, como as joelheiras e o cinturão começaram a se expandir, a se reconstruir.
            “A fênix renasce das cinzas.” Pensou ela.
            Mas a armadura estava diferente. Emanava um brilho vermelho muito forte, mais brilhante que um rubi e voltava mais composta. Todo o corpo de Saskia agora estava protegido e seu elmo reaparecera. Porém o mais curioso de toda a transformação acontecia no rosto da amazona e talvez, até hoje, ela não saiba que isso aconteceu.
            Seus olhos, que possuíam uma íris levemente esverdeada, estavam se tornando vermelho vivo e suas pupilas eram pequenas fendas, como os olhos de uma ave.
            A expressão no rosto de Fernanda era uma mescla de interesse e medo e um sorriso abobalhado se formou em seus lábios, mas ela não fez nenhum movimento. Já o rosto de Saskia era um exemplo perfeito de calma e serenidade e o único movimento feito pela garota foi esticar o braço e mover o dedo indicador, num claro desafio a inimiga que olhava tudo aquilo com as feições repentinamente contorcidas em fúria.
            Com um movimento rápido de pernas Fernanda saltou esticando a perna direita mirando uma voadora no rosto de Saskia que, com uma das mãos segurou a inimiga em pleno ar, girou e atirou-a contra a parede. Escombros caíram soterrando a garota.
            Saskia se aproximou calma e lentamente para ver os estragos, mas, quase instantaneamente, os blocos de pedra foram atirados para longe com a força de uma explosão e Fernanda se levantou, uma pequena gota de sangue escorria de sua testa.
            – Como? – Perguntou ela. – Como você conseguiu tanto poder?
            Mas Saskia não respondeu, apenas olhou fixamente nos olhos de sua adversária esperando seu próximo movimento. Como o esperado ela fechou os punhos e pôs os braços para trás.
            – ERUPÇÃO SOLAR!
            Um enorme turbilhão de fogo saiu de cada mão de Fernanda, mas Saskia não faz absolutamente nada a respeito, apenas se deixou envolver pelas chamas. E quando o ataque cessou ela ainda estava lá, de pé e sem nenhum arranhão.
            Fernanda a olhou com uma cara completamente pasma.
            – De quanto você disse que chegava a temperatura dos Cavaleiros da Coroa do Sol? 1560ºC? Então o que você me diz disso?
            Agora foi a vez de Saskia assumir a posição de ataque e gritar:
            – AVE FÊNIX!
            A grande Fênix de chamas rodopiou o braço da garota, mais brilhante e poderosa que nunca, e voou veloz com o bico apontado diretamente para o coração de Fernanda, mas, antes mesmo de atingi-la, explodiu, fazendo tudo, menos Saskia, voar pelos ares.
            Quando a poeira baixou Saskia olhou ao redor, toda a casa de Lobo havia sido destruída. Deu uma breve olhada para o lado e viu de relance Lays e Mariana subindo as escadarias em direção ao Salão de Apolo, mas não observou por muito tempo, correu até onde estava Carol e removeu as pedras de cima da garota, que ainda respirava.
            – Vamos lá, Carol, agüente firme. Você vai... – Mas um barulho de pedras se movendo interrompeu sua fala chamando sua atenção.
            Ao se virar pode ver Fernanda virada de costas e de pé numa postura estranha.
            – Você é bem mais resistente do que eu imaginava... – Disse ela soltando a amiga delicadamente. – Como conseguiu sobreviver?
            Mas a pergunta não precisou de resposta quando Fernanda se virou. Porque ela simplesmente não sobrevivera. Seu rosto estava completamente desfigurado e ela só enxergava por um dos olhos, uma de suas bochechas estava em formato esqueletal e metade de seus lábios havia sido consumido pelas chamas mostrando dentes que antes eram brancos completamente amarelados. Sua armadura não existia mais, a única coisa que cobria seu corpo eram partes de uma leve roupa de laicra que estava com enormes buracos aqui e ali.
            – Voc... Voc... – Ela não conseguiu falar direito, e, antes que pudesse terminar a frase caiu sobre os escombros da própria casa.
            – Sim, meu bem. Eu ultrapassei a temperatura dos Cavaleiros da Coroa do Sol. Atingi 5999ºC. Apenas 1ºC abaixo da temperatura de Apolo.
            O corpo estremeceu um pouco antes de ficar completamente imóvel e sem vida.
            Sem perder muito mais tempo Saskia tornou a voltar sua atenção para a companheira caída. Carol ainda respirava de forma fraca e descompassada. O ferimento não parecia nem perto de cicatrizar, mas o fluxo de sangue estava bem mais fraco.
            – Carol? Eu venci... – Disse Saskia. – Por favor, resiste só mais um pouco, não desista como eu fiz...
            Carol se remexeu nos braços de Saskia e lentamente abriu os olhos que não olhavam para Saskia, como se ela estivesse cega.
            – Ah... Então você venceu? Eu sabia que conseguiria... – Disse ela sorrindo. – Pena que não vou poder comemorar nossa vitória com vocês...
            – Não diz isso, poxa... – Disse Saskia com os olhos marejados. – Nós ainda temos muito o que viver, ainda tem tanta coisa que nós não fizemos, e eu ainda tenho tanto a aprender, por favor, não me deixa...
            – Relaxa, garota... Você vai ficar bem... – Disse ela fechando os olhos aos poucos. – Existem outros cavaleiros que podem te ensinar, e eu não estou triste em morrer agora... – Ela usou a palavra que Saskia tentava evitar. – Esse é o fim, Saskia... O fim da Leoa...
            O corpo de Carol estremeceu bruscamente e sua respiração parou. Saskia podia sentir o cosmo da amiga. Aos poucos ir desaparecendo. Olhou pro céu com medo de ver a estrela cadente indo em direção a Leão, mas não conseguiu sustentar o olhar. Voltou a cabeça para Carol e chorou.
            Então um som estranho chamou a atenção dela. Como se um comprimido efervescente estivesse dentro d’água. Saskia abriu os olhos e viu que suas lágrimas estava caindo no ferimento de Carol fazendo a carne de seu corpo borbulhar e cicatrizar aos poucos, a mesma medida que sua respiração voltava e seu Cosmo emitia um brilho fraca, mas cada vez maior.
            E de repente o corpo de sua amiga se contorcer e ela abriu os olhos respirando com força.
            – O que houve? – Disse Carol.
            – Eu... não... sei... – A expressão de Saskia misturava alegria e surpresa.
            Carol pôs a mão onde antes havia um ferimento e que agora só tinha uma pele clara que podia ser vista por um buraco na sua armadura.
            – Você... – Carol olhou nos olhos de Saskia de onda ainda jorravam lágrimas. – Lágrimas de fênix tem poder curativo...
            Saskia não falou mais nada. Apenas se jogou nos braços da amiga, chorando de felicidade.

Lays de Virgem.

            Ao saírem pela porta da casa de Lobo a subida para a próxima casa não foi difícil. Lays pode ter um grande alívio quando viu ao Longe Luana entrando com Matheus no Salão de Apolo, pelo menos ela sabia que ambos estavam bem, por enquanto...
            Passaram pelos escombros to telhado da terceira casa e viram uma garota morena morta em cima deles, provavelmente a adversária deles alguns instantes atrás, mas não pararam para conversar, nenhuma delas conseguiria mesmo que conseguissem.
            Mas, quando pisaram no primeiro degrau da escadaria que também as levaria para o Salão a presença de Matheus e Luana foi ficando cada vez mais distante, como se eles estivessem indo para outro lugar.
            – O que está acontecendo? – Perguntou Mariana, mais para si mesma do que para Lays.
            – É melhor nos apressarmos... – Disse Lays e começou a correr.
            Elas subiram a escadaria aos pulos para chegar ao Salão o mais rápido possível. Em cerca de dez minutos elas estavam lá dentro, mas não havia ninguém. Não conseguiam sentir nenhuma presença.
             – Não faz sentido... Nós acabamos de vê-los entrando aqui... Como é possível? – Perguntou Lays.
            – O que é aquilo? – Mariana apontou para uma pequena bola de luz prateada que flutuava sem rumo no canto do salão.
            Ao chegar perto ambas sabiam o que era aquilo. Um floco de neve com a assinatura do cosmo de Matheus. Não havia dúvida, apesar de serem parecidos as meninas sabiam diferenciar o cosmo dele do de Luana.
            – Se afaste... – Disse Mariana puxando a flecha de Sagitário do ombro da armadura.
            Ela mirou no floco de neve e atirou. A flecha atravessou-o, mas ao invés de vaze-lo sumir ela ficou planando junto com ele, alguns segundos depois um brilhou iluminou a sala e um fenda se abriu revelando um cenário diferente.
            – Vamos... Entre. – disse Mariana.
            Lays obedeceu e passou pelo portal. Para ver a pior cena de sua vida.
            De um lado, Luana presa em um grande cubo de gelo, do outro, Matheus sendo incendiado por um turbilhão de chamas que saíam dos punhos de Erik. Quando as chamas baixaram ela o viu caindo de joelhos e olhando para ela com um olhar vago.
            – MATHEUS!!!

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Capítulo 24 - Poder


Matheus de Aquário.

            Depois de vestir minha armadura eu e Luana retomamos a subida até o salão de Apolo, onde nós, finalmente, iríamos enfrentar Erik. Eu ainda não sabia bem o que pensar. Estava tentando o máximo possível passar calma e tranqüilidade para as meninas, mas ficava cada vez mais difícil de eu mesmo me acalmar. Mas eu havia ficado mais confiante desde que saí da casa de Cygnus 168. Depois daquele calor infernal quase me matar eu consegui ver o quanto Luana havia progredido, a ponto de se tornar uma amazona celeste e entrar para a lista de cavaleiros de gelo a alcançar o Zero Absoluto. Ainda assim eu não conseguia de deixar de olhar para cima de vez em quando para ver se o casulo de gelo continuava intacto... Mas ele permanecia lá, imponente, forte, inquebrável.
            – Você está bem? – Perguntou Luana, com a voz apreensiva.
            – Sim, estou ótimo... Não precisa se preocupar. – Eu falei, tentando parecer firme mais uma vez.
            – Para de fazer isso... – Luana parou e me puxou pelo braço, de forma que eu me virasse e a encarasse. – Você não precisa dar uma de durão, ok? Eu posso sentir esse seu nervosismo...
            – Desculpa... – Eu suspirei e tirei o elmo da cabeça. – É que eu estou... Estou com...
            – Medo?
            – É... – Falei deixando os ombros caírem. – De alguma forma dessa vez é diferente. Se eu não conseguir parar Erik... Parte do meu mundo vai embora... Eu não pensei muito nisso na última guerra, mas o peso dos sentimentos, esperanças e destinos de, literalmente, todo mundo parecem estar nas minhas costas...
            – É um peso grande, não é? – Luana olhou nos meus olhos. – Você não pensou nisso da última vez, e venceu... Tenta não pensar nisso dessa vez...
            “É fácil falar...
            – Tudo bem... – Falei. – Vamos continuar subindo!
            – Existe algum plano para quando chegarmos lá? – Perguntou ela.
            – Na verdade sim... Assim que chegarmos lá temos quer cuidado, lógico. Mas não inicie uma batalha antes de acharmos Larissa.
            – Por quê?! – Luana parecia confusa.
            – Imagine a seguinte situação: Eu e você chegamos lá, e de pé na nossa frente se encontra Erik. Antes de sequer pensar em mais nada nós atacamos, mas ele desvia e nosso golpe atinge a parede, e essa era a parede onde Larissa estava presa. – Ao fim Luana sacudiu a cabeça como se quisesse espantar tais pensamentos. – É para evitar coisas assim que temos que achá-la antes de qualquer coisa. Certo?
            – Entendido. – Ela parecia confiante.
            Nós nos aproximávamos cada vez mais do salão, e à medida que subíamos eu ia concentrando meu cosmo para dentro do meu corpo, como uma forma de poupar energia para a luta.
            Alguns segundos mais tarde nós estávamos em frente à entrada da última casa do templo de Apolo. Um enorme e detalhado desenho do Sol se mostrava imponente acima do portão de entrada. Eu e Luana caminhamos lentamente para dentro da casa.
            Era um salão enorme e iluminado por várias tochas, que eram inúteis, pois a casa não tinha teto deixando a iluminação por conta do próprio Sol. O lugar se assemelhava ao Coliseu de Roma, mas em uma versão compacta e sem os lugares para a platéia, a nossa frente havia uma porta dupla de madeira envernizada com várias gravuras cravados como se contasse um tipo de história.
            – Isso é estranho. – Disse Luana. – Eu não sinto nenhuma presença aqui dentro. Você sente?
            – Não. Nem mesmo a de Larissa. O que está acontecendo.
            De repente o pior dos pensamentos me ocorreu: “Era tudo uma armadilha. Ele não está aqui... Nós fomos enganados.
            – Matheus, olha! – Falou Luana apontando para a lateral da casa.
            Uma imagem de Erik estava encostada na parede, a mesma imagem envolta em chamas que ele havia enviado para nós quando estávamos no auditório.
            – Meus parabéns, cavaleiros de Athena. – Falou ele com uma voz irônica. – Jamais imaginei que vocês chegariam até aqui, mas... Aí estão vocês!
            – Onde Larissa está, desgraçado?! – Gritou Luana para ele.
            – Se eu fosse você, me preocuparia mais com a minha própria vida, para depois pensar em salvar a vida dos outros...
            Luana correu em direção a ele, mas eu a parei.
            – Não é ele... Atacar essa imagem não vai afetá-lo em nada. Ignore-o!
            – Siga o conselho do seu mestre... É melhor para você.
            Luana tremeu um pouco e flocos de neve caíram do seu punho.
            – Agora me diga... – Falei. – Onde você está?
            A imagem sorriu e correu até nós. Por puro instinto nós entramos em posição de defesa, mas sabíamos que não podíamos fazer nada. Quando estava a poucos centímetros de nós ela se abaixou e pôs a palma da mão no chão. Fomos envoltos por um turbilhão de chamas, mas elas não transmitiam calor e nem dor nenhuma. Eu e Luana nos entreolhamos confusos.
            Quando o fogo baixou, nós não estávamos mais no salão de Apolo e o Sol não estava mais acima de nós, lá só havia o espaço com suas inúmeras estrelas. Não havia mais paredes nos cercando e bem a nossa frente estava uma enorme estátua de Apolo da mesma altura da de Athena que se encontrava no Santuário.
            Um calor dez vezes maior do que aquele que havia no templo começou a nos açoitar. Meu corpo começou a suar cada vez mais e as queimaduras começavam a arder.
            “O desgraçado mudou o palco da luta para ganhar vantagem, ele sabia que não conseguiria derreter o casulo.” Pensei.
            – Matheus... – A voz fraca de Luana soou a minha esquerda. Ela estava no beirada do salão olhando para baixo. – Vem ver isso.
            Ao chegar meus olhos quase cegaram. Nós estávamos exatamente em cima do sol, e mais adiante podíamos ver o templo de Apolo envolto no casulo de gelo que Luana fez.
            – Vocês realmente pensaram que aquele igluzinho de merda poderia me deter? – A voz de Erik soou as nossas costas. – Vocês só podem ser loucos!
            E ele estava completamente diferente do que eu me lembrava. Seus cabelos escuros e oleosos deram lugar a chamas que saíam do seu couro cabeludo, seus olhos estavam completamente vermelhos. E seu corpo estava protegido pela Kamui de Apolo. Era uma armadura de uma tonalidade alaranjada, mas não como as armaduras dos filhos de Apolo ou dos Cavaleiros da Coroa do Sol, era um alaranjado um pouco avermelhado que ofuscava sua vista se você olhasse por muito tempo.
            Em suas costas, ainda fazendo parte da armadura se mostrava a imagem de um grande Sol, que se assemelhava a uma rosa-dos-ventos.
            Ele sorria para nós de forma confiante e ao mesmo tempo perversa e vingativa.
            – Quer dizer que você não trouxe Lays junto? Que pena... – Falou ele ironicamente. – Bom, já que ela não veio acho que posso matar uma de suas melhores amigas para saciar a sede de vingança. – Ele agora sorria para Luana de forma estranha.
            – Onde Larissa está? – Perguntei com a voz firme.
            – Quer saber... Eu vou te dizer, mas só porque eu tenho certeza de que você não conseguirá me vencer. Olha lá em cima...
            Ele apontou para a testa da enorme estátua de Apolo que se encontrava a nossa frente. E, presa dentro de um buraco na testa do deus mitológico, estava Larissa, aparentemente desacordada. Algumas queimaduras marcavam seu rostinho.
            – Luana... – Falei baixo e sem tirar os olhos da estátua de modo que Erik não percebesse. – Você acha que consegue fazer outro casulo como aquele, aqui?
            – Tenho certeza.
            – Então eu vou distraí-lo, enquanto você faz outro. Tente fazer mais resistente, já que estamos mais próximos do Sol. E tente ser mais rápida, não sei por quanto tempo vou conseguir segurá-lo... Agora! – Gritei.
            Luana automaticamente levantou vôo sua aura prateada começou a tomar conta de seu corpo. Erik percebeu na hora o que ela estava atentando fazer e pulou ao seu encontro. Sua aura vermelhe também apareceu e me deixou completamente assustado. Era muito mais poderosa do que a de Guilherme, era a mais poderosa que eu já sentia em toda a minha vida.
            Mas, sem poder ter muito tempo para ficar pasmo, eu também pulei e me interpus entre Luana e ele, que continuava se aproximando. Eu levantei a perna me preparando para chutá-lo e mandá-lo de volta ao chão, mas tudo que eu pude ver foi o seu sorriso prepotente, e em seguida eu estava chutando o ar. Nenhum segundo depois o grito de dor de Luana entrou em meus ouvidos e uma cratera estava aberta no chão.
            Tudo havia acontecido muito rápido, no meio tempo em que eu chutava o ar Erik foi para trás de Luana e golpeou-a nas costelas, fazendo com que ela fosse atirada no chão abrindo o buraco, do qual ela saia um pouco tonta.
            – Me desculpe meus amigos... Mas se essa é toda a força que vocês têm, e se esse é o seu plano de defesa, sugiro que revise suas táticas e desistam. Porque assim você nunca irão me vencer... – Ele falava com ar de superioridade na voz.
            Ignorando o meu adversário, eu desci até a cratera e olhei para Luana.
            – Você está bem?!
            – Sim... Mas eu nunca vi nada como aquilo... Ele não utilizou o tele transporte, foi tudo pura velocidade...
            Eu voltei meus olhos para Erik que estava acima de nós apenas observando.
            O calor do ambiente começava a me afetar, a armadura também não ajudava, pois conduzia o calor, fazendo com que as queimaduras ardessem e ficassem mais profundas.
            – Precisamos pensar em alguma coisa... – Falou Luana.
            – Eu sei disso! Mas eu não consigo pensar em nada. – Minha cabeça estava a mil, mas nada conseguia ser eficiente o suficiente para combater o poder de Erik.
            – Eu não sou mais quem era quando você me enfrentou da última vez... – Disse ele já no chão e olhando para nós. – Naquele dia eu ainda não tinha despertado completamente como Apolo, mas agora é diferente! Nenhum poder pode superar o meu!
            Ao meu lado a respiração de Luana era entrecortada. Ela não aparentava estar muito cansada, mas os ferimentos da batalha anterior e os novos adquiridos na queda começavam a consumir sua energia. Eu precisava de um plano.
            A energia cósmica que eu estava acumulando antes de entrar no salão começava a pulsar dentro de mim, mas, mesmo se seu a liberasse agora, ela não estaria no nível da de Erik.
            – Matheus... – Luana falou ofegante. – Vá até Larissa e tire ela do lacre...
            – O que você está dizendo garota?! Eu não posso deixar você sozinha com ele!
            – Presta atenção na estátua... – Eu olhei diretamente para onde Larissa estava e o terror tomou conta de mim. – Ela esta cada vez mais dentro, não é?
            Ela tinha razão. Quando nós chegamos ao palácio Larissa estava apenas presa a testa de Apolo por algemas, agora uma parte da estátua estava começando a envolver sua barriga, como se a estátua a estivesse absorvendo.
            – Ah... Então quer dizer que vocês perceberam? – Falou Erik se aproximando cada vez mais de nós. – É exatamente isso que vocês estão vendo. A estátua esta se alimentando da garota e de seu poder cósmico, que será transferido para mim assim que a absorção estiver completa!
            – E o que você pretende fazer com esse poder? – Perguntou Luana, assustada.
            – Destruição! – Falou ele sorrindo psicoticamente. – Não há razão para um mundo de pessoas fracas existirem. Assim que o poder tiver sido transferido para mim, toda a raça humana será exterminada, e eu começarei um novo mundo, a partir das chamas. A Fênix Solar.
            A tensão caiu sobre meus ombros e a responsabilidade começava a me sobrecarregar. Eu precisava relaxar se não tudo estaria perdido.
            – Matheus, se acalme. – Disse Luana. – Agora vá até Larissa! Eu seguro ele!
            Ao grito de Luana eu comecei a correr em direção a estátua, olhando para trás eu pude ver Erik correndo na minha direção.
            – Você não vai passar! – Gritou Luana.
            Com um movimento das duas mãos ela fez brotar enormes estacas de gelo de uma ponta a outra do palácio, impedindo a passagem de Erik. As estacas conseguiram atrasá-lo, e os gritos de Luana mais uma vez invadiram meus ouvidos, mas eu continuei em frente.
            Chegando ao pé da estátua em levantei vôo e cheguei à testa. E lá estava Larissa. Seus cabelos cor de caramelo estavam manchados de fuligem, seu pijama mostrava buracos de queimaduras aqui e ali e ela tinha feias queimaduras nas bochechas. Sua cabeça pendia para frente, mas sua respiração era visível. A estátua lentamente envolvia as laterais do seu estômago.
            Eu direcionei um pouco de energia para a mão direita na intenção de congelar a parte que prendia Larissa e destruí-la, para que não a machucasse. Mas o grito mais assustador que eu já ouvira em toda a minha vida saiu da boca de Luana e eu voltei minha atenção para o chão.
            As estacas de gelo levantadas por Luana estavam completamente destruídas e a garota estava caída no chão olhando em direção a Erik, que estava com a palma da mão voltada para ela. Mas, antes que eu pudesse ter qualquer reação, uma corrente de chamas saíram de sua mão e envolveram minha aprendiza num turbilhão de chamas.
            – Agüenta mais um pouco, pequena. – Falei olhando para Larissa e desci voando.
            Ao pousar eu me deparei com uma Luana completamente queimada. Os únicos lugares não atingidos foram as bochechas, olhos e testa, mas nada do seu queixo para baixo escapou.
            Usando a energia que já estava em minha mão direita eu construí outro casulo de gele em volta de Luana, eu sabia que ela já havia sido curada, ou no mínimo descansado um pouco ali dentro, depois me voltei para Erik.
            – Você vai pagar... – Eu falei olhando em seus olhos.
            – Farei com você o mesmo que fiz com ela, garoto. – Disse ele. A expressão brincalhona e irônica havia fugido completamente de seu rosto. – Mas farei pior, muito pior com a sua namoradinha assim que encontrá-la!
            A raiva que tomou conta de mim ao ouvir aquelas palavras alimentou a energia que estava sendo acumulada no meu corpo, e começou a pulsar, como se implorasse para ser liberada.
            – Tome cuidado com suas palavras... – Falei. – Podem ser as últimas que você vai proferir na vida!!!
            Com um grito de fúria eu liberei toda a energia acumulada em meu corpo e fui dominado pelo poder gélido. Eu podia sentir que meu cosmo estava bem mais poderoso do que há algumas horas atrás, mas ainda assim havia um belo abismo entre o meu cosmo e o de Erik. Mesmo assim eu ataquei.
            Comecei desferindo socos de direita e esquerda em seu rosto com a velocidade mais alta que eu conseguia, mas ele desviava de cada um com extrema facilidade.
            – Você não pode me tocar. – Ao ouvir isso eu senti seu joelho em meu estômago. A dor do golpe foi imensa e sangue espirrou involuntariamente da minha boca. Eu caí no chão de joelhos. – Você não pode tocar um deus... – E seu calcanhar atingiu minhas costelas fazendo mais algumas gotas de sangue saírem de minha boca.
            Eu pude sentir o punho de Erik se dirigindo às minhas costas e, com um movimento de braço, rolei para o lado e assisti ao golpe abrir um enorme buraco no chão.
            O calor agora começava a cobrar um preço maior, eu já não estava mais tão veloz como antes, minha pele estava tostando e eu não podia mais contar com a ajuda de Luana.
            – Você é um tolo, garoto. – Falou Erik se agachando e olhando para o meu rosto. – Porque você ainda tenta salvar aquela menininha? Vale tanto a pena assim morrer por outras pessoas?
            – É claro que sim... – Falei com a voz ofegante.
            – Então me explique, porque eu não entendo.
            – Porque eu amo cada uma das pessoas que eu tento salvar, e eu não me importo de morrer por essas pessoas. Acima da minha felicidade... Está a felicidade de quem eu amo!
            – Você é louco. – Disse Erik rindo como um louco. – Não há razão para defender pessoas fracas, como aquela sua aprendiza ali. Não há razão para proteger a sua namorada... Porque vai chegar a hora em que ela vai fazer com você o mesmo que fez comigo!
            – Isso nunca vai acontecer!
            – Como você pode ter tanta certeza?
            – Porque eu posso dar a ela o que você não deu. Amor de verdade, sem pedir nada em troca.
            – Idiota... – A expressão dele ficou séria de repente. – Você não vai conseguir. Porque você é fraco...
            Alguma coisa naquelas palavras despertou algo em mim que eu mesmo não sabia que existia. Uma enorme quantidade de poder começou a nascer dentro de mim e ir para a ponta dos meus dedos. E eu podia controlar esse poder, que para mim parecia sem limites.
            Eu lentamente me levantei e estava preparado para resolver o primeiro dos meus problemas.
            Com o movimento de uma das mãos eu fiz com que as pedras de gelo que restavam da parede que Luana construiu flutuassem e se expandissem. Eu mesmo iria construir o casulo de gelo que impediria a passagem do calor.
            Erik percebeu meu plano e tentou me atacar para que eu não prosseguisse, mas eu agora podia ver cada um de seus movimentos com clareza, era como se ele se movesse em câmera lenta.
            Eu pude ver seu punho direito vindo contra o meu rosto. Com uma das mãos eu desviei a trajetória do golpe e com a outra lancei uma onda de energia congelante em seu estômago O impacto do golpe atirou meu inimigo para longe e ficou olhando para mim estarrecido com uma expressão que misturava surpresa e ódio.
            Com isso eu voltei minha concentração para terminar o casulo, que depois de poucos segundos estava pronto. Mas algo me assustou. Ao olhar para Erik eu o vi envolto por uma aura vermelha e negra e a sua cosmo-energia aumentava a cada segundo.
            – Quem você pensa que é? – Falou ele olhando para mim, ao levantar o rosto eu pude ver um fino corte em sua bochecha, uma gota de sangue descia de lá. – Quem você pensa que é para arrancar sangue de um deus? Você é só um cavaleiro inútil que luta por um propósito ridículo! VENDAVAL DA COROA DO SOL!!!
            Um turbilhão de chamas envolveram o meu corpo e minha pele começou a sofrer sérias queimaduras. Meu poder ia diminuindo gradativamente e quando o ataque cessou eu não podia mais me mexer.
            Meus sentidos iam se perdendo pouco a pouco, eu não conseguia mais me levantar e minha visão começava ficar embaçada.
            A última coisa que eu me lembro daquele momento foi um forte clarão, Mariana correndo até Erik e Lays vindo em minha direção.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Capítulo 23 - Frio


Luana de Cisne

            Matheus e Luana deixaram a segunda casa do templo de Apolo as pressas e correram escadaria acima em direção a penúltima casa do local, que ficava mais quente à medida que se aproximavam de lá. E a cada passo o calor se tornava mais intenso e mais difícil de ignorar, Luana podia ver claramente a camada de gelo, que Matheus usou no seu ferimento, derreter gradativamente, mas eles continuavam seguindo adiante.
            “Nós temos que fazer alguma coisa... Se esse calor continuar aumentando nós não conseguiremos chegar a casa em que Apolo está, em sã consciência...”
            Uma horrível percepção fez com que os pensamentos de Luana fossem interrompidos e ela parou de andar olhando com olhos arregalados para o nada. Na primeira casa o cosmo de Joyce era claramente perceptível, mas ele havia acabado de sumir. Do nada ele sumiu sem deixar o menor vestígio.
            Luana olhou para Matheus que também havia parado, ele estava com os punhos cerrados, seus braços tremiam e seus olhos estavam fechados com força.
            – Vamos voltar... – Disse ela, com a voz tremida. – Por favor, você também sentiu. Eu sei que sentiu.
            – Não podemos. – Disse Matheus, a voz falhando. – Nós precisamos continuar.
            – Joyce pode estar morta... E você ainda quer continuar? Por favor, vamos voltar, talvez ainda tenhamos uma chance de salvá-la...
            Matheus se virou e olhou bem fundo nos olhos de Luana, que sentia que ele também queria poder voltar e ajudar suas amigas. Como que para acalmar os corações de ambos o cosmo de Bia entrou em colapso. Um poder jamais sentido por ela foi emanado da primeira casa, e era Bia. O cosmo de Bia se expandia além da capacidade de qualquer cavaleiro que Luana conhecera, ou vira em combate.
            – Bia está com completo controle da situação... – Disse Matheus olhando para a luz que era emanada da primeira casa. – Se Joyce tiver alguma chance de sobreviver, Bia saberá o que fazer. Agora vamos continuar subindo.
            Eles então retomaram a caminhada até a última casa antes do salão de Apolo. O calor continuava aumentando a uma proporção assustadora de forma que a camada de gelo que envolvia o braço de Matheus havia desaparecido completamente e um pouco de sangue começava a escorrer da ferida.
            – Esse calor vai nos matar. – Comentou Luana.
            – É a nossa proximidade com o Sol. – Explicou Matheus, ofegante. – O salão de Apolo deve estar muito pior do que isso. Era um problema que eu não havia previsto.
            – Vamos dar um jeito... – Disse Luana.
            Depois de alguns minutos a mais de subida eles avistaram a entrada principal para a terceira casa e apertaram o passo.
            E então lá estava a casa. Eles olharam para cima a procura de algo que indicasse a estrela guardiã, e Luana prendeu a respiração quando viu a gravura em cima da entrada.
            – Cis... Cisne? – Disse ela gaguejando. – Não pode ser... Como?
            – Eu não sei... – Disse Matheus. – Mas nós não iremos descobrir ficando parados aqui. Vamos.
            Eles então entraram na casa, que era completamente diferente das vistas anteriormente. A começar pela temperatura que era muito maior do que todas as outras, como se fosse uma sauna, mas a temperatura não era a única que tornava essa comparação verdadeira. Fumaça de vapor saia das paredes que eram completamente vermelhas e ofuscantes como se fossem feitas de um metal que acabou de sair do fogo.
            No centro da casa uma garota estava sentada no chão com pernas e braços cruzados como se estivesse meditando.
            – Enfim os Cavaleiros de Athena chegaram. Pelo som dos passos vejo que dos seis cavaleiros que vieram ao templo apenas dois chegaram até aqui... Sinto ter que informar a vocês, mas o ponto final dos dois é aqui...
            A voz era delicada, melodiosa e agradável aos ouvidos. A garota se levantou lentamente e virou-se, fazendo com que o queixo de ambos os cavaleiros caíssem, e o motivo não era o belo rosto moreno com olhos negros e cabelos grossos caindo pelos ombros, mas sim sua armadura. Ela era simplesmente idêntica a armadura de Cisne usada por Luana, a diferença estava na cor, que era o laranja presente em todas as armaduras dos Cavaleiros da Coroa do Sol.
            – Então você é a atual Cisne de gelo? – Perguntou a garota dirigindo-se a Luana. – É realmente um prazer conhecê-la. Eu me chamo Judyy. Judyy de Cygnus 168... Ou você pode me chamar de Cisne de fogo.
            As palavras ainda escapavam aos cavaleiros. A semelhança das armaduras era impressionante de mais para ser ignorada.
            – Vamos, não fiquem parados aí com cara de idiotas!
            Judyy saiu correndo em direção a Luana que entrou rapidamente em posição de combate. Um soco se dirigiu em velocidade impressionante ao rosto de Luana, mas, mais veloz que o soco foi a esquiva da amazona e seu chute no estomago da adversária, que foi atirada contra a parede oposta.
            De alguma forma Judyy conseguiu se recuperar do soco enquanto ainda estava sendo jogada e com um giro mortal parou com os pés na parede e, usando o impulso, se atirou mirando mais um soco, dessa vez em Matheus.
            Matheus flexionou os joelhos e uniu os braços numa postura completamente defensiva. O soco da inimiga atingiu-o em cheio e ela continuou com a pressão enquanto o cavaleiro simplesmente resistia. Até que pegou um pouco de energia e abriu os braços e antes que o soco atingisse sua face ele despejou um pouco de energia cósmica bruta com a mão direita no rosto de Judyy, que, mais uma vez, voltou.
            Fincando os dedos no chão ela impediu que seu corpo fosse atirado para mais longe, e mais uma vez se lançou para os cavaleiros.
            – Agora, juntos. – Disse Matheus olhando para Luana que entendeu perfeitamente o recado.
            Ambos os cosmos prateados se expandiram e se uniram, parecendo um só. E em uníssono mestre e aprendiza gritaram:
            – PÓ DE DIAMENTE!
            A potencia dos dois golpes unidos não só atirou Judyy contra a parede como construiu uma camada sólida de gelo que a prendeu na parede.
            – Excelente! – Disse Luana. – Agora vamos terminar com essa garota de uma vez. – Ela começou a caminhar em direção a Judyy. Quando estava bem próxima olhou nos olhos da garota, que não demonstravam emoção alguma. – No fim, você nem é tão ameaçadora quanto parece. – Luana ergueu os braços e entrelaçou os dedos. – Adeus. TROVÃO...
            Mas antes que pudesse proferir o nome do golpe o gelo que prendia Judyy a parece brilhou e explodiu jogando Luana direto para onde estava Matheus.
            – Seus poderes são realmente impressionantes, Cisne de gelo... Mas eu gostaria de lutar com você sozinha, então irei matar primeiro o seu mestre. Circulo de Fogo!
            Ela apontou o dedo indicador para Luana, que estava deitada no chão, uma poeira liberada de seu dedo e atingiu o corpo da amazona, que foi envolvida por vários aros de pedra, similares aos anéis de Saturno, em chamas.
A técnica é exatamente o inverso do Círculo de Gelo...” Pensou Luana, assustada.
– Agora morra, Aquário! – Gritou Judyy apontando o punho para Matheus. – FAÍSCAS...
– Não tão rápido! – A voz de Luana veio de cima de Matheus. – CIRCULO DE GELO! – Anéis de gelo começaram a envolver a Amazona da coroa do Sol, que ficou instantaneamente imóvel. De alguma forma Luana havia se livrado dos anéis de fogo. – Matheus, isso é uma perda de tempo pra você. Me deixe aqui e vai salvar Larissa.
– Você tem certeza? – Perguntou Matheus, que parecia estranhamente preocupado.
– É claro que eu tenho. Vai logo!
Matheus simplesmente balançou positivamente a cabeça e correu até a saída da casa. Mas, antes que pudesse chegar lá, ele parou.
– Luana...
– Sim?
– Por favor... Não morra... – Sem esperar nem uma resposta ele saiu da casa.
Um sentimento de afeto por seu mestre cresceu no peito de Luana. Ela não sabia explicar, mas depois de um mês sendo treinada por ele na Sibéria ela passou, não só a admirar o garoto, mas ela sentia como se ele fosse seu pai... Algo que ela só sentia por seu próprio pai biológico.
Luana se voltou para a garota que se intitulava “Cisne de Fogo” e olhou para ela, que começou a rir.
– Qual é a graça? Posso saber? – Perguntou Luana.
– Eu achava que aquele chato não fosse embora nunca. – Ao dizer isso fumaça começou a ser emanada de seu corpo e os anéis de gelo que a envolviam derreteram. – Você não entendeu ainda, não é? – Perguntou ela. – Você não tem a mínima chance agora que seu mestre se foi... Nesse lugar quente, a vantagem é minha.
O estomago de Luana deu voltas quando ela percebeu o que acabara de fazer. Um cavaleiro do gelo lutando num local tão quente e tão próximo do sol era loucura. Seus poderes seriam reduzidos pela metade, e ela tinha certeza que Matheus sabia disso.
– Isso não será problema. – Disse Luana, tentando se manter controlada. – Vou derrotar você sem dificuldade.
– Isso é o que nós vamos ver.
Os punhos de Judyy pegaram fogo e ela avançou. Luana se agachou para desviar do primeiro golpe ao mesmo tempo em que seus próprios punhos ficavam congelados e ela tentava revidar.
Elas trocaram socos de forma intensa e hostil. A cada ataque, um contra-ataque e assim a luta se seguia. Mas não passou muito tempo antes que Luana pudesse sentir o calor afetando-a. Gotas de suor desciam da sua testa e ela não conseguia mais manter os punhos congelados com tanta facilidade, aos pouco as chamas com as quais Judyy golpeava as mãos de Luana iam derretendo o gelo.
– Você vê?! – Gritou Judyy. – Não tem como você me vencer no meu território! É impossível uma amazona do gelo, vencer uma amazona da coroa do sol!
Ao ouvir isso uma parte do cosmo de Luana explodiu virando poder. O gelo em seu punho havia derretido completamente, mas ainda assim ela socou o estomago do Cisne de Fogo, e, ao entrar em contato com ela, o poder bruto entrou em colapso, atirando a adversária para o chão formando uma cratera.
– Não me diga que é impossível fazer qualquer coisa... Porque é justamente o que dizem ser impossível, que eu faço!
As duas se encararam por um curto período de tempo e, sem mais nem menos, Judyy começou a gargalhar novamente.
– HAHAHA... Então você diz que vai fazer o impossível? – Ela se pôs de pé. – Então o desafio está lançado.
Ela saltou acima da cabeça de Luana e ergueu os punhos.
– FAÍSCAS DE RUBÍ!!!
Milhares de minúsculos pontos vermelhos saíram do punho esquerdo do Cisne de Fogo e foram na direção de Luana.
Dessa vez a técnica é justamente o oposto do Pó de Diamante... Isso é loucura!” Luana se levantou e correu em direção a parede na tentativa de escapar da chuva de faíscas, e deu certo. Ao chegar na parede o ataque parou antes que pudesse atingi-la.
– Você não vai escapar para sempre! – Gritou Judyy. – FAÍSCAS DE RUBI!!!
– PÓ DE DIAMENTE!!!
O poder gerado pelas duas técnicas entrou em choque, fazendo com que uma luz muito forte cegasse momentaneamente os olhos das garotas. A pressão exercida pelas Faíscas de Rubi afetavam Luana que ficava com os braços doloridos a cada segundo que passava, mas não era o único problema. O calor do vapor emanado pelas paredes estava impedindo-a de usar toda a capacidade do Pó de Diamante, deixando a técnica bem mais fraca que o normal.
Aos poucos as Faíscas iam derretendo o gelo que saía do punho direito de Luana o golpe se aproximava da garota, até que a atingiu em cheio.
E o golpe queimava cada parte desprotegida do corpo de Luana, eram como centenas de milhares de agulhas quentes perfurando cada centímetro de sua pele. Até que o golpe parou e ela caiu no chão.
– Então você que vai realizar o impossível? Eu acho que não...
– Não duvide de mim, sua vadia! – Luana pulou e acertou uma tapa na cara de Judyy tão forte que apesar da pele escura da garota era possível ver a marca de alguns dos dedos da amazona por ali.
– Você quer tanto assim morrer? Tudo bem... Eu vou dar o que você que.
O punho do Cisne de Fogo começou a brilhar novamente, mas não como antes... Era como se fosse ferro em brasa e atingiu Luana diretamente no estomago. A dor foi insuportável. Uma dor completamente diferente daquela causada pelas Faíscas de Rubi. Aquele golpe pareceu não só atingir o corpo físico da amazona, mas a sua alma também.
Mais dois golpes como aquele atingiram Luana nas pernas e no rosto. Ela estava prestes a desmaiar quando Judyy a segurou pelo pescoço e forçou-a a olhar para ela.
– Eu vou te mostrar uma coisa antes de te matar...
Dizendo isso ela lançou uma bola de fogo no telhado abrindo um buraco pelo qual se via o céu. Judyy levantou vôo ainda segurando Luana pelo pescoço e parou em pleno ar.
– Agora veja! – Ela forçou a amazona a abrir os olhos, e, quando o fez, fechou-os imediatamente. Ela estava diretamente a frente do Sol. – É por isso que você não pode me vencer, porque eu sou como o Sol... E nada pode congelar o Sol, principalmente você, que, ao que parece não desenvolveu completamente o poder do gelo... Adeus... Cisne de Gelo!
Usando a gola da armadura de Cisne como apoio, Judyy atirou Luana com toda a força na direção do sol.
A medida que avançava o calor aumentava rapidamente, e, em instantes a pele de Luana começava a queimar e sua armadura a derreter...
Por que... Eu não...


Então quer dizer que nada pode ser congelado completamente, é isso? – Perguntou Luana a Matheus um pouco confusa.
– Mais ou menos... – Explicou Matheus. – Entenda: Cada ser vivo, objeto ou qualquer coisa do tipo é formado por moléculas, e essas moléculas são formadas por átomos, que nunca param de vibra nem por um segundo, e essa vibração é o que gera o calor, como o de nossos corpos.
“O objetivo da luta é destruir os átomos do adversário, mas, na técnica congelante, o objetivo é fazer com que os átomos parem de vibrar.”
– Mas você acabou de dizer que os átomos nunca param de vibrar.
– Exatamente, mas, a medida que a temperatura vai caindo essa vibração diminui. O único jeito de fazer um átomo parar de vibrar completamente é atingindo o Zero Absoluto.
– Zero Absoluto? O que viria a ser isso?
– É a temperatura que congela completamente todo e qualquer ser vivo...  273ºC abaixo de zero...
“Se o seu cosmo atingir essa temperatura, você será capaz de qualquer coisa.
– Alguém já atingiu essa temperatura antes?
– Apenas duas pessoas... E você está falando com uma delas. – Matheus pareceu ficar um pouco vermelho. – Luana... Se você atingir essa temperatura... Você será capaz do impossível...


– Luana...
– Sim?
– Por favor... Não morra...


Luana acordou e não conseguia mais respirar. Ela abriu os olhos e se assustou com o que viu.
Sua armadura estava completamente derretida e sua pele estava completamente marcada com várias queimaduras horríveis. Ela não podia olhar, mas ela sabia que atrás dela a gravidade do Sol lhe atraía cada vez mais para a morte.
Eu tenho que fazer alguma coisa...
Ela se voltou para o templo e olhou para a escadaria que ligava a terceira casa ao Salão de Apolo e pode ver Matheus. Algo estava acontecendo. Ele estava debruçado sobre a escadaria e tentava tirar a sua armadura.
O calor...” Só podia ser isso... O calor continuou aumentando a medida que ele se aproximava do Salão de Apolo a ma proporção que ele não estava mais agüentando usar a armadura. Mas, se ele não conseguisse resistir a isso ele não poderia salvar Larissa... E não só Larissa, mas o mundo.
Eu preciso alcançar o Zero Absoluto... Mas eu estou na frente do sol. Como é que eu vou esfriar de tal modo na frente da fonte de calor da humanidade? É impossível...
– Luana... Se você atingir essa temperatura... Você será capaz do impossível...
A voz de Matheus ressoou em seus ouvidos.
Ele disse que eu seria capaz... do... Impossível!
Algo começou a acontecer com o corpo de Luana. Aos poucos um tipo estranho de força começava a afastá-la do Sol e, a medida que isso acontecia o corpo dela congelava. E o frio era bom. Quando estava completamente envolvida pelo casulo de gelo um tipo de poder começou a ser gerado em seu interior, e ele não só curava suas queimaduras mas também restaurava a sua armadura.
E era um poder extraordinário!
Quando sentiu que estava completamente recuperada forçou sua saída para fora do casulo de gelo, que quebrou com uma explosão de luz.
Lentamente Luana olhou para as mãos e percebeu seu sua armadura estava diferente, mais composta. Uma armadura prateada com lindos detalhes dourados, que lembravam cisnes, cobriam cada centímetro do seu corpo, sem deixar nada vulnerável, das suas costas brotavam grandes asas prateadas.
Kamui...
Ela olhou para frente onde podia ver o Cisne de Fogo olhando espantada para ela, como se não soubesse o que fazer ou dizer.
Esse teve ser o poder do Zero Absoluto... O poder que trouxe a Kamui até mim... Então, se é assim, vamos ver o impossível acontecer.
Com um rápido impulso Luana voou diretamente para a garota, que levantou e entrelaçou os braços rapidamente.
            – RELAMPAGO SOLAR!
            A técnica que era o inverso do Trovão Aurora se dirigiu diretamente para o rosto de Luana. Mas ela simplesmente levantou o braço e a armadura refletiu o golpe, ela continuou avançando. Quando estava perto o suficiente desferiu um soco no rosto de Judyy.
            A garota foi como um foguete em direção ao chão, que explodiu numa enorme cratera ao entrar em contado com ela.
Luana mergulhou em alta velocidade e parou bruscamente com a palma da mão direita a centímetros do rosto de sua adversária e, sorrindo, disparou uma onda de energia cósmica bruta em seu rosto, fazendo com que o buraco ficasse cada vez mais profundo e a armadura do Cisne de Fogo começasse a se despedaçar.
            – É, garota. O impossível aconteceu.
            Judyy se levantou lentamente, com grande parte de seu corpo desprotegido e olhou diretamente para Luana.
            – Você ainda não me matou... Não tem poder suficiente para isso.
            – Esse... – Luana flexionou os joelhos e ergueu os braços entrelaçados. – É o verdadeiro poder do Cisne de Gelo. EXECUÇÃO AURORA!
            Um raio de poderosa energia gelada saiu dos braços da amazona e atingiu em cheio o peito de Judyy, que gritou até que lhe faltou ar nos pulmões. Quando a energia cessou o Cisne de Fogo caiu no chão congelado dos pés a cabeça. Em seus olhos nada restava elem de uma bola branca e sem vida.
            Sem perder tempo Luana saltou para o telhado da terceira casa para ter uma visão ampla da escadaria que levava ao salão de Apolo. E lá estava Matheus, inconsciente com partes de sua armadura ao longo da escadaria, suas costas nuas mostravam horríveis queimaduras.
            – Eu tenho que fazer alguma coisa, mas o que?!
            De repente uma idéia maluca ocorreu a amazona, mas talvez desse certo.
            Ela fechou os olhos e concentrou todo o poder de seu cosmo em suas mãos, e uma energia muito poderosa começava a se concentrar ali. Luana não pôde ver, mas sua aura começou a se expandir e se estendeu até as casas anteriores a até o salão onde Apolo estava.
            Quando uma quantidade considerável de energia estava reunida em seus punhos ela gritou e liberou toda aquela energia para o céu. E seu plano começava a dar certo.
            Uma camada grossa de gelo começava a se formar em volta do templo de Apolo e impedir a passagem dos raios solares, a temperatura do ambiente começava a cair drasticamente. Quando o templo ficou completamente envolto por uma enorme esfera de gelo ela parou, respirou um pouco, saltou do telhado e subiu as escadas rapidamente até onde Matheus estava.
            A medida que subia ela recolhia partes da armadura de ouro de Aquário que estavam caídas no chão. Até que encontrou Matheus sentado num dos degraus respirando fundo.
            – Aquilo foi completamente incrível... – Disse ele ofegante quando ela se aproximou.
            – Não foi nada... Você está bem?
            – Bem melhor... Obrigado por pegar minha armadura, passa ela pra cá...
            Luana entregou o que havia recolhido e ele foi vestindo, ele estava protegido apenas da cintura pra baixo. Depois de alguns segundos ele estava completamente equipado novamente e olhou para Luana com o costumeiro olhar encorajador.
            – Vamos até o templo de Apolo... Juntos!