segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Capítulo 25 - Recomeço


Retrospectiva...

         Carol se levantou lentamente e tentou sair da fumaça, ao sair se deparou com Lays que a encarava com cara de assustada. Ele estava um pouco ofegante.
            – Agora sim. Nós podemos ir... Vamos?
            – Vocês não vão sem mim. – Mariana pousou na frente das duas com uma expressão séria. – Eu vou junto.
            As três não disseram mais nada, se viraram para a enorme estrela que ainda brilhava, mesmo sendo de manhã e levantaram vôo em direção a ela.

Carol de Leão.

            As meninas chegaram ao templo de Apolo e foram recebidas por um grande silencio.
            Sem muita cerimônia elas correram escadaria acima em direção a primeira casa, onde nenhuma sabia o que lhe aguardava lá.
            – Eu estou com um péssimo pressentimento... – Falou Carol ofegante.
            – Todas nós estamos... – Falou Mariana. – Eu não sinto mais o cosmo de Joyce... Acho que aconteceu alguma coisa...
            – Espero que ela esteja bem... – Lays sussurrou como se estivesse falando consigo mesma.
            Elas continuaram a subida caladas, cada uma absorta em seus próprios pensamentos. “O cosmo de Joyce realmente desapareceu, não há dúvida quanto a isso... É provável que ela esteja morta.­” Pensava Carol. “Mas eu não consigo parar de me preocupar com Saskia... A agitação do cosmo dela está muito fora do normal... O que está acontecendo com ela?
            O explosão do cosmo de Bia que elas haviam sentido um pouco antes de saírem da Terra também havia passado, ao que parecia a batalha estava terminando, o de Joyce havia desaparecido, o de Laurinha estava enfraquecendo a medida que o de Saskia se agitava, já o de Luana e Matheus tinha leves oscilações mas nada que se espantasse. Mas o cosmo de Matheus explodiu por alguns instantes antes mas havia passado... Talvez ele tivesse tido um dos freqüentes surtos de raiva que logo passavam.
            Alguns segundos depois as meninas chegaram à porta da primeira casa e deram de cara com uma Bia que parecia abatida. Sua armadura havia mudado completamente, ao que parecia tinha se tornado uma Kamui, e ela parecia ter chorado litros. A garota levantou a cabeça e arregalou os olhos ao ver as meninas vindo em sua direção.
            – O que vocês estão fazendo aqui?! – Gritou elas surpresa. Mas a resposta foi adiada, pois Lays a agarrou pela cintura e lhe deu um abraço apertado.
            – Graças a Deus você está bem. – Disse ela tentando conter o choro.
            – Como vocês chegaram aqui?! – Perguntou Bia que ainda parecia surpresa.
            – Seguimos o rastro de cosmo que vocês deixaram... – Falou Mariana. – Não foi difícil. Além disso esse lugar brilha como uma estrela enorme lá me baixo.
            – O que aconteceu com você? – Perguntou Lays, sem rodeios.
            Bia não respondeu.
Mordeu os lábios e escondeu o rosto nas mãos para ocultar as lágrimas que começavam a descer de seus olhos, e com um pouco começou a soluçar encostando a testa no peito de Lays. Que, sem reação, abraçou-a tentando confortá-la.
– O que aconteceu, meu amor? – Falou ela com a voz mais doce.
            – Vitor... Ele era o cavaleiro que protegia essa casa... ... Mas ele estava possuído por Apolo, não sabia o que estava fazendo. Ele matou Joyce, e depois pediu para que eu o matasse... Por que não aguentaria ver Apolo usando o seu corpo para me matar... E eu fui obrigada a... a... – Ela não conseguiu terminar. O choro afogou qualquer palavra que ela pretendia dizer, mas não era preciso mais para que as garotas entendessem o que ela queria dizer.
            Lays não sabia o que dizer. Ela mesma estava surpresa com o que acabara de ouvir. Nunca imaginara que sua melhor amiga fosse obrigada a matar o namorado depois do mesmo ter matado outra de suas melhores amigas. Tudo que ela conseguiu foi chorar também.
            Mas não houve tempo para isso. Depois de uma enorme explosão o cosmo de Laura desapareceu sem deixar o menos vestígio... O que significava que ela sofrera o mesmo destino de Joyce e de muitos outros.
            – Lays... A gente não pode mais perder tempo aqui... – Falou Mariana.
            – Eu sei. – Respondeu, e depois olhando para Bia: – Meu amor, onde está o corpo de Joyce?
            – Lá dentro. – Respondeu a amiga. – Eu não sei o que fazer...
            – Você vai fazer o seguinte: Pegue o corpo de Joyce e leve de volta pra Terra. Deixe-o em algum local abrigado e ajude os outros cavaleiros sobreviventes a fazerem o mesmo... Ela não é a única vítima. Depois vão TODOS vocês para um hospital, certo?
            – Tudo bem... – Falou Bia num sussurro.
            Com um breve aceno de cabeça Lays e as outras garota saíram correndo em direção à próxima casa, os pensamentos de Carol já voltavam para Saskia. “Só mais um pouco...
            As meninas passaram da porta de saída da casa e voltaram a subir as escadarias em direção a próxima casa, cada uma absorta em seus próprios pensamentos.
            Depois de alguns minutos de subida elas chegaram ao portão de entrada onde podia-se ver um desenho de lobo uivando para o Sol.
            – ME MATE!
            O grito saiu pela porta e calafrios passaram nas costas das meninas. Era a voz de Saskia e ela implorava pela morte.
            Carol não pensou nem em chamar nenhuma das duas, irrompeu pela porta e chegando lá viu a cena mais apavorante de sua vida.
Uma amazona erguia sua amiga pelo pescoço. Ela levantou a mão e suas unhas se transformaram em garras, enquanto Saskia fechava os olhos e esperava. Com um golpe rápido a amazona cortou o rosto de sua amiga e pegou impulso. Desferiu um soco em seu rosto atirando-a na parede. Seu elmo saiu do rosto.
Saskia abriu os olhos e viu a inimiga se aproximando. Ela segurou-a pela gola da armadura e foi até o centro do salão. Olhou fundo nos olhos e sorriu.
            – Como você é fraca... – Dizendo isso ela atirou Saskia para cima e saltou com as garras flamejando.
            Com um único golpe no estomago suas garras atravessaram o estomago de Saskia e sua armadura começou a rachar, algumas partes caíram no chão deixando-a desprotegida. Ainda no ar a loba girou, pegou o pescoço de Saskia e atirou-a de volta ao chão, destruindo o que restava da parte frontal da armadura.
– Porque você não acaba logo comigo? – Perguntou.
            – Seria muito fácil... – Disse ela se levantando. – Mas acho que é melhor eu fazer isso logo. Tenho que ir atrás daqueles dois imbecís que passaram por essa casa... Aquário e Cisne... Bem. De qualquer modo, adeus... Saskia de Fênix. ERUPÇÃO SO...
            Todos os pensamentos e instintos de Carol se enrijeceram junto com a pele de suas costas, e várias sensações explodiram no seu interior. Era como se a cena que ela estivesse presenciando fosse em câmera lente.
            A palma da mão da amazona que protegia a casa brilhando, o fogo se espalhando pelo ambiente e de alguma forma ele tomou a forma do rosto de um lobo olhando ameaçadoramente para Saskia. E os instintos que Carol havia sentido antes agora tomavam a forma de um só ataque:
            – RELAMPAGO DE PLASMA!!!
            – Mas o que é que...
            Sem invocar o gole pelo nome completo o lobo de fogo se dissipou e a protetora casa olhou na direção de Carol tão surpresa que não conseguiu sentir raiva. A onda de luz atingiu-a em cheio no peito.
            – O que você está pensando sua idiota?! – Gritou Carol.
            – O que você está fazendo? Porque não deixou que ela me matasse?
            – Mas o que... – Carol fechou os olhos e uma expressão de raiva inundou seu rosto. Ela levantou a mão e deu uma tapa no rosto da amiga. – Você está desistindo?!
            – Você não sabe o que aconteceu...
            Carol soltou Saskia e se levantou. Olhou para as meninas que lutavam com Fernanda, correu até lá e disparou uma onda de poder contra ela.
            – Lays, Mariana. Vão para a próxima casa... Essa luta agora é minha.
            – Tem certeza, Carol? – Perguntou Mariana. – Ela parece ser perigosa.
            – Não me subestime. – Carol não tirava os olhos da inimiga que começava a se levantar um pouco atordoada. – Vocês vão logo, ou querem que eu chute vocês daqui?
            Sem dizer mais nenhuma palavra tanto Lays quanto Mariana saíram da casa deixando Carol, Saskia e a Loba sozinhas.
            – Quem é você? – Perguntou Carol com a voz aparentemente calma.
            – Eu me chamo Fernanda... E quem você pensa que é para me interromper enquanto estou acabando com a minha presa?
            – Tudo que você precisa saber... É que um lobo nunca será superior a um leão.
            Dizendo isso Carol flutuou até a garota com o punho carregado de eletricidade e com um único soco jogou a garota contra a parede da casa.
            – Agora você vai pagar... – Disse Carol. – Pelo que você fez com a minha amiga.
            – Mal posso esperar...
            Dizendo isso Fernanda correu, com as garras prontas para atacar, até Carol que por sua vez esperou pacientemente a adversária se aproximar.
            As garras da loba rasparam a bochecha da amazona, causando-lhe três cortes leves. Com um giro Carol carregou as mãos com eletricidade e descarregou toda em cima de Fernanda, que desviou fazendo o golpe passar a centímetros do seu tórax.
            Depois disso uma batalha corpo a corpo acirrada foi iniciada.
            Golpes carregados de poder voavam de um canto para o outro, mas atingindo o nada. Ambas eram velozes de mais para que fossem atingidas uma pela outra.
            No canto da sala tudo que Saskia conseguia fazer era observar, indignada, o que Carol fazia.
            “Ela vai morrer... Uma pessoa a mais morta por minha culpa... Talvez a verdadeira assassina aqui seja eu, e eu que realmente não mereça viver... Porque ela continua lutando? Porque ela luta por mim? Eu nunca serei forte como ela, ou como Lays, ou como Matheus... Nunca vou conseguir um grande status como amazona... Então porque ela luta por uma fraca como eu? Uma assassina...
            E a luta prosseguia. Carol conseguira arremessar Fernanda contra uma parede e agora prendia a garota contra a mesma por um forte aperto no pescoço, seu punho direito levantado e carregado de eletricidade.
            – Pois é... No fim das contas, a loba não era grande coisa mesmo. – Disse ela sem economizar desprezo na voz.
            – Não me subestime, garota!

Saskia de Fênix

            Nos últimos minutos Saskia esteve sentada no chão observando uma violenta batalha travada entre sua melhor amiga e a mulher que havia feito ela se tornar uma assassina. Os detalhes da batalha fugiam um pouco de sua vista, em alguns momentos ela entrava num longo devaneio em que simplesmente não pensava em nada, como um transe do qual era despertada de vez em quando pelos sons de gritos, golpes, raios e paredes desmoronando.
            O fato era: A batalha era completamente sem sentido, ela já sabia qual seria o resultado. Carol iria morrer, depois Fernanda viria terminar o serviço com ela e em seguida iria atrás de Matheus, Luana e as outras meninas que estavam acompanhando Carol antes de chegaram naquela casa.
            Porém, para a surpresa de Saskia Carol conseguiu um grande espaço e estava prendendo a adversária contra a parede da casa.
            – Pois é... No fim das contas, a loba não era grande coisa mesmo. – Disse ela sem economizar desprezo na voz.
            – Não me subestime, garota! Você é muito, muito, mas muito descuidada.
            Com uma velocidade incrível, que seria rápida de mais para os olhos humanos comuns, garras grandes e afiadas cresceram nas mãos de Fernanda e ela acertou um golpe fatal no estomago de Carol, transpassando sua armadura de tal forma que as pontas das garras apareceram nas costas da amazona.
            O sangue espirrou no chão e respingou no rosto de Saskia, que saia de mais um de seus devaneios.
            – Carol...
            Lágrimas começaram a descer pelos olhos da Fênix, coisa que a surpreendeu já que pensava isso não era mais possível, enquanto ela engatinhava até a amiga que estava caída numa poça do próprio sangue.
            – Carol... Eu sabia desde o inicio que essa batalha era em vão... Ela é forte de mais.
            – Cala a boca, sua idiota. – Disse ela com uma rispidez incomum na voz. – Porque você não olha um pouco a sua volta e faz juz a armadura que veste? A fênix que sempre renasce das cinzas pra uma segunda chance? Eu consegui paralisar a lobinha ali, então porque você não conseguiria acabar com ela?
            De fato, ao olhar pra trás Saskia pode ver pequenos fios de eletricidade estática prendendo Fernanda a parede.
            – Então você quer me dizer que Laura morreu em vão? – Continuou Carol. – Morreu pra deixar um pedaço do destino da humanidade das mãos de uma fênix sem poder? De uma fênix que desiste no primeiro tropeço? Você quer me dizer que eu arrisquei e acabei com minha própria vida pra você vir aqui e me dizer que já sabia desde o principio o resultado dessa luta? Você não sabe de nada, Saskia. Parece que todos os meses que nós tivemos de aprendizado foram em vão, que todos os meus sermões sobre perseverança entraram por um ouvido e saíram pelo outro?
            Saskia não sabia o que responder, aliás, não sabia nem se era uma pergunta a se responder. Mas ela estava certa em tudo. Ela não era uma fênix de verdade, a fênix estava única e exclusivamente em sua armadura, nada mais.
            – Não me faça essa cara de cão sem dono, Saskia. – Disse Carol com a mão em sua ferida e sua voz ficando cada vez mais fraca e abandonando a rispidez na voz disse: – A armadura de Fênix não escolheria alguém que ela soubesse que faria algo desse tipo. Ela é a armadura mais seletiva dentre todas as 88 constelações. Sabia disso? O único que teve a honra de usá-la até hoje foi o meu mestre, Ikki. Acredite, Saskia, ela não te escolheria se não achasse que você é capaz.
            – Mas agora era está completamente destruída... – A voz da garota saiu fraca, depois de tanto tempo sem falar.
            – Pelo jeito tudo que eu te disse entrou por um ouvido e saiu pelo outro mesmo... – Um sorriso apareceu no canto da boca de Carol. – Você vai fazer exatamente o que eu vou dizer. Se levante e lute. Lute com todo o poder que conseguir reunir e, depois disso, reúna mais poder ainda. Você é capaz, eu sei disso e sua armadura também sabe, estando ela aqui ou não. Vai. Vingue a morte de Laura... – A vista dela começava a pesar. – Vingue a minha morte.
            Com isso a cabeça de Carol pendeu para o lado. Ela ainda tinha uma respiração difícil, seus batimentos cardíacos desaceleravam aos poucos, sua pele estava ficando pálida e Saskia sentia seu cosmo ficando cada vez mais distante.
            Um poder calorosamente agradável tomou conta do corpo de Saskia a envolvendo junto com seu cosmo flamejante. “Ela acredita em mim... Quando nem eu mesma acreditava em mim ela estava lá, pra me dar um carão e pra me mandar levantar a cabeça. Eu não vou deixar que essa confiança toda seja em vão... Não vou...
            Saskia levantou lentamente, ignorando todas as pontadas de dor que a afligiam por todo seu corpo. Sua aura vermelha envolvia seu corpo como uma fogueira brilhante e ela sentia seu poder voltando aos poucos em proporções cada vez maiores.
            – Então você vai resistir mais um pouco, sua idiotinha? – Falou Fernanda que finalmente podia se mexer novamente. – Não adianta quantas vezes se levante. Você vai morrer, não importa o quanto lute.
            Dando um salto e pegando impulso com a parede, a loba avançou até Saskia. Que se virou com o punho fechado e preparado para o golpe. Antes que o ataque de sua adversária a atingisse a amazona lançou um turbilhão de chamas que fez com que Fernanda voltasse, com um baque surdo, a ser atirada contra a parede.
            – Não saberemos até o final da luta. – Disse Saskia. – Mas, acredite, não sou a mesma pessoa que entrou aqui hoje mais cedo.
            Seu poder começava a atingir proporções assustadoras, ela podia sentir isso. Não que fosse uma coisa ruim, mas ela podia sentir que estava muito maior do que antes. E aos poucos os pedaços de armadura que anda estavam em seu corpo, como as joelheiras e o cinturão começaram a se expandir, a se reconstruir.
            “A fênix renasce das cinzas.” Pensou ela.
            Mas a armadura estava diferente. Emanava um brilho vermelho muito forte, mais brilhante que um rubi e voltava mais composta. Todo o corpo de Saskia agora estava protegido e seu elmo reaparecera. Porém o mais curioso de toda a transformação acontecia no rosto da amazona e talvez, até hoje, ela não saiba que isso aconteceu.
            Seus olhos, que possuíam uma íris levemente esverdeada, estavam se tornando vermelho vivo e suas pupilas eram pequenas fendas, como os olhos de uma ave.
            A expressão no rosto de Fernanda era uma mescla de interesse e medo e um sorriso abobalhado se formou em seus lábios, mas ela não fez nenhum movimento. Já o rosto de Saskia era um exemplo perfeito de calma e serenidade e o único movimento feito pela garota foi esticar o braço e mover o dedo indicador, num claro desafio a inimiga que olhava tudo aquilo com as feições repentinamente contorcidas em fúria.
            Com um movimento rápido de pernas Fernanda saltou esticando a perna direita mirando uma voadora no rosto de Saskia que, com uma das mãos segurou a inimiga em pleno ar, girou e atirou-a contra a parede. Escombros caíram soterrando a garota.
            Saskia se aproximou calma e lentamente para ver os estragos, mas, quase instantaneamente, os blocos de pedra foram atirados para longe com a força de uma explosão e Fernanda se levantou, uma pequena gota de sangue escorria de sua testa.
            – Como? – Perguntou ela. – Como você conseguiu tanto poder?
            Mas Saskia não respondeu, apenas olhou fixamente nos olhos de sua adversária esperando seu próximo movimento. Como o esperado ela fechou os punhos e pôs os braços para trás.
            – ERUPÇÃO SOLAR!
            Um enorme turbilhão de fogo saiu de cada mão de Fernanda, mas Saskia não faz absolutamente nada a respeito, apenas se deixou envolver pelas chamas. E quando o ataque cessou ela ainda estava lá, de pé e sem nenhum arranhão.
            Fernanda a olhou com uma cara completamente pasma.
            – De quanto você disse que chegava a temperatura dos Cavaleiros da Coroa do Sol? 1560ºC? Então o que você me diz disso?
            Agora foi a vez de Saskia assumir a posição de ataque e gritar:
            – AVE FÊNIX!
            A grande Fênix de chamas rodopiou o braço da garota, mais brilhante e poderosa que nunca, e voou veloz com o bico apontado diretamente para o coração de Fernanda, mas, antes mesmo de atingi-la, explodiu, fazendo tudo, menos Saskia, voar pelos ares.
            Quando a poeira baixou Saskia olhou ao redor, toda a casa de Lobo havia sido destruída. Deu uma breve olhada para o lado e viu de relance Lays e Mariana subindo as escadarias em direção ao Salão de Apolo, mas não observou por muito tempo, correu até onde estava Carol e removeu as pedras de cima da garota, que ainda respirava.
            – Vamos lá, Carol, agüente firme. Você vai... – Mas um barulho de pedras se movendo interrompeu sua fala chamando sua atenção.
            Ao se virar pode ver Fernanda virada de costas e de pé numa postura estranha.
            – Você é bem mais resistente do que eu imaginava... – Disse ela soltando a amiga delicadamente. – Como conseguiu sobreviver?
            Mas a pergunta não precisou de resposta quando Fernanda se virou. Porque ela simplesmente não sobrevivera. Seu rosto estava completamente desfigurado e ela só enxergava por um dos olhos, uma de suas bochechas estava em formato esqueletal e metade de seus lábios havia sido consumido pelas chamas mostrando dentes que antes eram brancos completamente amarelados. Sua armadura não existia mais, a única coisa que cobria seu corpo eram partes de uma leve roupa de laicra que estava com enormes buracos aqui e ali.
            – Voc... Voc... – Ela não conseguiu falar direito, e, antes que pudesse terminar a frase caiu sobre os escombros da própria casa.
            – Sim, meu bem. Eu ultrapassei a temperatura dos Cavaleiros da Coroa do Sol. Atingi 5999ºC. Apenas 1ºC abaixo da temperatura de Apolo.
            O corpo estremeceu um pouco antes de ficar completamente imóvel e sem vida.
            Sem perder muito mais tempo Saskia tornou a voltar sua atenção para a companheira caída. Carol ainda respirava de forma fraca e descompassada. O ferimento não parecia nem perto de cicatrizar, mas o fluxo de sangue estava bem mais fraco.
            – Carol? Eu venci... – Disse Saskia. – Por favor, resiste só mais um pouco, não desista como eu fiz...
            Carol se remexeu nos braços de Saskia e lentamente abriu os olhos que não olhavam para Saskia, como se ela estivesse cega.
            – Ah... Então você venceu? Eu sabia que conseguiria... – Disse ela sorrindo. – Pena que não vou poder comemorar nossa vitória com vocês...
            – Não diz isso, poxa... – Disse Saskia com os olhos marejados. – Nós ainda temos muito o que viver, ainda tem tanta coisa que nós não fizemos, e eu ainda tenho tanto a aprender, por favor, não me deixa...
            – Relaxa, garota... Você vai ficar bem... – Disse ela fechando os olhos aos poucos. – Existem outros cavaleiros que podem te ensinar, e eu não estou triste em morrer agora... – Ela usou a palavra que Saskia tentava evitar. – Esse é o fim, Saskia... O fim da Leoa...
            O corpo de Carol estremeceu bruscamente e sua respiração parou. Saskia podia sentir o cosmo da amiga. Aos poucos ir desaparecendo. Olhou pro céu com medo de ver a estrela cadente indo em direção a Leão, mas não conseguiu sustentar o olhar. Voltou a cabeça para Carol e chorou.
            Então um som estranho chamou a atenção dela. Como se um comprimido efervescente estivesse dentro d’água. Saskia abriu os olhos e viu que suas lágrimas estava caindo no ferimento de Carol fazendo a carne de seu corpo borbulhar e cicatrizar aos poucos, a mesma medida que sua respiração voltava e seu Cosmo emitia um brilho fraca, mas cada vez maior.
            E de repente o corpo de sua amiga se contorcer e ela abriu os olhos respirando com força.
            – O que houve? – Disse Carol.
            – Eu... não... sei... – A expressão de Saskia misturava alegria e surpresa.
            Carol pôs a mão onde antes havia um ferimento e que agora só tinha uma pele clara que podia ser vista por um buraco na sua armadura.
            – Você... – Carol olhou nos olhos de Saskia de onda ainda jorravam lágrimas. – Lágrimas de fênix tem poder curativo...
            Saskia não falou mais nada. Apenas se jogou nos braços da amiga, chorando de felicidade.

Lays de Virgem.

            Ao saírem pela porta da casa de Lobo a subida para a próxima casa não foi difícil. Lays pode ter um grande alívio quando viu ao Longe Luana entrando com Matheus no Salão de Apolo, pelo menos ela sabia que ambos estavam bem, por enquanto...
            Passaram pelos escombros to telhado da terceira casa e viram uma garota morena morta em cima deles, provavelmente a adversária deles alguns instantes atrás, mas não pararam para conversar, nenhuma delas conseguiria mesmo que conseguissem.
            Mas, quando pisaram no primeiro degrau da escadaria que também as levaria para o Salão a presença de Matheus e Luana foi ficando cada vez mais distante, como se eles estivessem indo para outro lugar.
            – O que está acontecendo? – Perguntou Mariana, mais para si mesma do que para Lays.
            – É melhor nos apressarmos... – Disse Lays e começou a correr.
            Elas subiram a escadaria aos pulos para chegar ao Salão o mais rápido possível. Em cerca de dez minutos elas estavam lá dentro, mas não havia ninguém. Não conseguiam sentir nenhuma presença.
             – Não faz sentido... Nós acabamos de vê-los entrando aqui... Como é possível? – Perguntou Lays.
            – O que é aquilo? – Mariana apontou para uma pequena bola de luz prateada que flutuava sem rumo no canto do salão.
            Ao chegar perto ambas sabiam o que era aquilo. Um floco de neve com a assinatura do cosmo de Matheus. Não havia dúvida, apesar de serem parecidos as meninas sabiam diferenciar o cosmo dele do de Luana.
            – Se afaste... – Disse Mariana puxando a flecha de Sagitário do ombro da armadura.
            Ela mirou no floco de neve e atirou. A flecha atravessou-o, mas ao invés de vaze-lo sumir ela ficou planando junto com ele, alguns segundos depois um brilhou iluminou a sala e um fenda se abriu revelando um cenário diferente.
            – Vamos... Entre. – disse Mariana.
            Lays obedeceu e passou pelo portal. Para ver a pior cena de sua vida.
            De um lado, Luana presa em um grande cubo de gelo, do outro, Matheus sendo incendiado por um turbilhão de chamas que saíam dos punhos de Erik. Quando as chamas baixaram ela o viu caindo de joelhos e olhando para ela com um olhar vago.
            – MATHEUS!!!

Nenhum comentário:

Postar um comentário