quinta-feira, 3 de maio de 2012

Capítulo 24 - Poder


Matheus de Aquário.

            Depois de vestir minha armadura eu e Luana retomamos a subida até o salão de Apolo, onde nós, finalmente, iríamos enfrentar Erik. Eu ainda não sabia bem o que pensar. Estava tentando o máximo possível passar calma e tranqüilidade para as meninas, mas ficava cada vez mais difícil de eu mesmo me acalmar. Mas eu havia ficado mais confiante desde que saí da casa de Cygnus 168. Depois daquele calor infernal quase me matar eu consegui ver o quanto Luana havia progredido, a ponto de se tornar uma amazona celeste e entrar para a lista de cavaleiros de gelo a alcançar o Zero Absoluto. Ainda assim eu não conseguia de deixar de olhar para cima de vez em quando para ver se o casulo de gelo continuava intacto... Mas ele permanecia lá, imponente, forte, inquebrável.
            – Você está bem? – Perguntou Luana, com a voz apreensiva.
            – Sim, estou ótimo... Não precisa se preocupar. – Eu falei, tentando parecer firme mais uma vez.
            – Para de fazer isso... – Luana parou e me puxou pelo braço, de forma que eu me virasse e a encarasse. – Você não precisa dar uma de durão, ok? Eu posso sentir esse seu nervosismo...
            – Desculpa... – Eu suspirei e tirei o elmo da cabeça. – É que eu estou... Estou com...
            – Medo?
            – É... – Falei deixando os ombros caírem. – De alguma forma dessa vez é diferente. Se eu não conseguir parar Erik... Parte do meu mundo vai embora... Eu não pensei muito nisso na última guerra, mas o peso dos sentimentos, esperanças e destinos de, literalmente, todo mundo parecem estar nas minhas costas...
            – É um peso grande, não é? – Luana olhou nos meus olhos. – Você não pensou nisso da última vez, e venceu... Tenta não pensar nisso dessa vez...
            “É fácil falar...
            – Tudo bem... – Falei. – Vamos continuar subindo!
            – Existe algum plano para quando chegarmos lá? – Perguntou ela.
            – Na verdade sim... Assim que chegarmos lá temos quer cuidado, lógico. Mas não inicie uma batalha antes de acharmos Larissa.
            – Por quê?! – Luana parecia confusa.
            – Imagine a seguinte situação: Eu e você chegamos lá, e de pé na nossa frente se encontra Erik. Antes de sequer pensar em mais nada nós atacamos, mas ele desvia e nosso golpe atinge a parede, e essa era a parede onde Larissa estava presa. – Ao fim Luana sacudiu a cabeça como se quisesse espantar tais pensamentos. – É para evitar coisas assim que temos que achá-la antes de qualquer coisa. Certo?
            – Entendido. – Ela parecia confiante.
            Nós nos aproximávamos cada vez mais do salão, e à medida que subíamos eu ia concentrando meu cosmo para dentro do meu corpo, como uma forma de poupar energia para a luta.
            Alguns segundos mais tarde nós estávamos em frente à entrada da última casa do templo de Apolo. Um enorme e detalhado desenho do Sol se mostrava imponente acima do portão de entrada. Eu e Luana caminhamos lentamente para dentro da casa.
            Era um salão enorme e iluminado por várias tochas, que eram inúteis, pois a casa não tinha teto deixando a iluminação por conta do próprio Sol. O lugar se assemelhava ao Coliseu de Roma, mas em uma versão compacta e sem os lugares para a platéia, a nossa frente havia uma porta dupla de madeira envernizada com várias gravuras cravados como se contasse um tipo de história.
            – Isso é estranho. – Disse Luana. – Eu não sinto nenhuma presença aqui dentro. Você sente?
            – Não. Nem mesmo a de Larissa. O que está acontecendo.
            De repente o pior dos pensamentos me ocorreu: “Era tudo uma armadilha. Ele não está aqui... Nós fomos enganados.
            – Matheus, olha! – Falou Luana apontando para a lateral da casa.
            Uma imagem de Erik estava encostada na parede, a mesma imagem envolta em chamas que ele havia enviado para nós quando estávamos no auditório.
            – Meus parabéns, cavaleiros de Athena. – Falou ele com uma voz irônica. – Jamais imaginei que vocês chegariam até aqui, mas... Aí estão vocês!
            – Onde Larissa está, desgraçado?! – Gritou Luana para ele.
            – Se eu fosse você, me preocuparia mais com a minha própria vida, para depois pensar em salvar a vida dos outros...
            Luana correu em direção a ele, mas eu a parei.
            – Não é ele... Atacar essa imagem não vai afetá-lo em nada. Ignore-o!
            – Siga o conselho do seu mestre... É melhor para você.
            Luana tremeu um pouco e flocos de neve caíram do seu punho.
            – Agora me diga... – Falei. – Onde você está?
            A imagem sorriu e correu até nós. Por puro instinto nós entramos em posição de defesa, mas sabíamos que não podíamos fazer nada. Quando estava a poucos centímetros de nós ela se abaixou e pôs a palma da mão no chão. Fomos envoltos por um turbilhão de chamas, mas elas não transmitiam calor e nem dor nenhuma. Eu e Luana nos entreolhamos confusos.
            Quando o fogo baixou, nós não estávamos mais no salão de Apolo e o Sol não estava mais acima de nós, lá só havia o espaço com suas inúmeras estrelas. Não havia mais paredes nos cercando e bem a nossa frente estava uma enorme estátua de Apolo da mesma altura da de Athena que se encontrava no Santuário.
            Um calor dez vezes maior do que aquele que havia no templo começou a nos açoitar. Meu corpo começou a suar cada vez mais e as queimaduras começavam a arder.
            “O desgraçado mudou o palco da luta para ganhar vantagem, ele sabia que não conseguiria derreter o casulo.” Pensei.
            – Matheus... – A voz fraca de Luana soou a minha esquerda. Ela estava no beirada do salão olhando para baixo. – Vem ver isso.
            Ao chegar meus olhos quase cegaram. Nós estávamos exatamente em cima do sol, e mais adiante podíamos ver o templo de Apolo envolto no casulo de gelo que Luana fez.
            – Vocês realmente pensaram que aquele igluzinho de merda poderia me deter? – A voz de Erik soou as nossas costas. – Vocês só podem ser loucos!
            E ele estava completamente diferente do que eu me lembrava. Seus cabelos escuros e oleosos deram lugar a chamas que saíam do seu couro cabeludo, seus olhos estavam completamente vermelhos. E seu corpo estava protegido pela Kamui de Apolo. Era uma armadura de uma tonalidade alaranjada, mas não como as armaduras dos filhos de Apolo ou dos Cavaleiros da Coroa do Sol, era um alaranjado um pouco avermelhado que ofuscava sua vista se você olhasse por muito tempo.
            Em suas costas, ainda fazendo parte da armadura se mostrava a imagem de um grande Sol, que se assemelhava a uma rosa-dos-ventos.
            Ele sorria para nós de forma confiante e ao mesmo tempo perversa e vingativa.
            – Quer dizer que você não trouxe Lays junto? Que pena... – Falou ele ironicamente. – Bom, já que ela não veio acho que posso matar uma de suas melhores amigas para saciar a sede de vingança. – Ele agora sorria para Luana de forma estranha.
            – Onde Larissa está? – Perguntei com a voz firme.
            – Quer saber... Eu vou te dizer, mas só porque eu tenho certeza de que você não conseguirá me vencer. Olha lá em cima...
            Ele apontou para a testa da enorme estátua de Apolo que se encontrava a nossa frente. E, presa dentro de um buraco na testa do deus mitológico, estava Larissa, aparentemente desacordada. Algumas queimaduras marcavam seu rostinho.
            – Luana... – Falei baixo e sem tirar os olhos da estátua de modo que Erik não percebesse. – Você acha que consegue fazer outro casulo como aquele, aqui?
            – Tenho certeza.
            – Então eu vou distraí-lo, enquanto você faz outro. Tente fazer mais resistente, já que estamos mais próximos do Sol. E tente ser mais rápida, não sei por quanto tempo vou conseguir segurá-lo... Agora! – Gritei.
            Luana automaticamente levantou vôo sua aura prateada começou a tomar conta de seu corpo. Erik percebeu na hora o que ela estava atentando fazer e pulou ao seu encontro. Sua aura vermelhe também apareceu e me deixou completamente assustado. Era muito mais poderosa do que a de Guilherme, era a mais poderosa que eu já sentia em toda a minha vida.
            Mas, sem poder ter muito tempo para ficar pasmo, eu também pulei e me interpus entre Luana e ele, que continuava se aproximando. Eu levantei a perna me preparando para chutá-lo e mandá-lo de volta ao chão, mas tudo que eu pude ver foi o seu sorriso prepotente, e em seguida eu estava chutando o ar. Nenhum segundo depois o grito de dor de Luana entrou em meus ouvidos e uma cratera estava aberta no chão.
            Tudo havia acontecido muito rápido, no meio tempo em que eu chutava o ar Erik foi para trás de Luana e golpeou-a nas costelas, fazendo com que ela fosse atirada no chão abrindo o buraco, do qual ela saia um pouco tonta.
            – Me desculpe meus amigos... Mas se essa é toda a força que vocês têm, e se esse é o seu plano de defesa, sugiro que revise suas táticas e desistam. Porque assim você nunca irão me vencer... – Ele falava com ar de superioridade na voz.
            Ignorando o meu adversário, eu desci até a cratera e olhei para Luana.
            – Você está bem?!
            – Sim... Mas eu nunca vi nada como aquilo... Ele não utilizou o tele transporte, foi tudo pura velocidade...
            Eu voltei meus olhos para Erik que estava acima de nós apenas observando.
            O calor do ambiente começava a me afetar, a armadura também não ajudava, pois conduzia o calor, fazendo com que as queimaduras ardessem e ficassem mais profundas.
            – Precisamos pensar em alguma coisa... – Falou Luana.
            – Eu sei disso! Mas eu não consigo pensar em nada. – Minha cabeça estava a mil, mas nada conseguia ser eficiente o suficiente para combater o poder de Erik.
            – Eu não sou mais quem era quando você me enfrentou da última vez... – Disse ele já no chão e olhando para nós. – Naquele dia eu ainda não tinha despertado completamente como Apolo, mas agora é diferente! Nenhum poder pode superar o meu!
            Ao meu lado a respiração de Luana era entrecortada. Ela não aparentava estar muito cansada, mas os ferimentos da batalha anterior e os novos adquiridos na queda começavam a consumir sua energia. Eu precisava de um plano.
            A energia cósmica que eu estava acumulando antes de entrar no salão começava a pulsar dentro de mim, mas, mesmo se seu a liberasse agora, ela não estaria no nível da de Erik.
            – Matheus... – Luana falou ofegante. – Vá até Larissa e tire ela do lacre...
            – O que você está dizendo garota?! Eu não posso deixar você sozinha com ele!
            – Presta atenção na estátua... – Eu olhei diretamente para onde Larissa estava e o terror tomou conta de mim. – Ela esta cada vez mais dentro, não é?
            Ela tinha razão. Quando nós chegamos ao palácio Larissa estava apenas presa a testa de Apolo por algemas, agora uma parte da estátua estava começando a envolver sua barriga, como se a estátua a estivesse absorvendo.
            – Ah... Então quer dizer que vocês perceberam? – Falou Erik se aproximando cada vez mais de nós. – É exatamente isso que vocês estão vendo. A estátua esta se alimentando da garota e de seu poder cósmico, que será transferido para mim assim que a absorção estiver completa!
            – E o que você pretende fazer com esse poder? – Perguntou Luana, assustada.
            – Destruição! – Falou ele sorrindo psicoticamente. – Não há razão para um mundo de pessoas fracas existirem. Assim que o poder tiver sido transferido para mim, toda a raça humana será exterminada, e eu começarei um novo mundo, a partir das chamas. A Fênix Solar.
            A tensão caiu sobre meus ombros e a responsabilidade começava a me sobrecarregar. Eu precisava relaxar se não tudo estaria perdido.
            – Matheus, se acalme. – Disse Luana. – Agora vá até Larissa! Eu seguro ele!
            Ao grito de Luana eu comecei a correr em direção a estátua, olhando para trás eu pude ver Erik correndo na minha direção.
            – Você não vai passar! – Gritou Luana.
            Com um movimento das duas mãos ela fez brotar enormes estacas de gelo de uma ponta a outra do palácio, impedindo a passagem de Erik. As estacas conseguiram atrasá-lo, e os gritos de Luana mais uma vez invadiram meus ouvidos, mas eu continuei em frente.
            Chegando ao pé da estátua em levantei vôo e cheguei à testa. E lá estava Larissa. Seus cabelos cor de caramelo estavam manchados de fuligem, seu pijama mostrava buracos de queimaduras aqui e ali e ela tinha feias queimaduras nas bochechas. Sua cabeça pendia para frente, mas sua respiração era visível. A estátua lentamente envolvia as laterais do seu estômago.
            Eu direcionei um pouco de energia para a mão direita na intenção de congelar a parte que prendia Larissa e destruí-la, para que não a machucasse. Mas o grito mais assustador que eu já ouvira em toda a minha vida saiu da boca de Luana e eu voltei minha atenção para o chão.
            As estacas de gelo levantadas por Luana estavam completamente destruídas e a garota estava caída no chão olhando em direção a Erik, que estava com a palma da mão voltada para ela. Mas, antes que eu pudesse ter qualquer reação, uma corrente de chamas saíram de sua mão e envolveram minha aprendiza num turbilhão de chamas.
            – Agüenta mais um pouco, pequena. – Falei olhando para Larissa e desci voando.
            Ao pousar eu me deparei com uma Luana completamente queimada. Os únicos lugares não atingidos foram as bochechas, olhos e testa, mas nada do seu queixo para baixo escapou.
            Usando a energia que já estava em minha mão direita eu construí outro casulo de gele em volta de Luana, eu sabia que ela já havia sido curada, ou no mínimo descansado um pouco ali dentro, depois me voltei para Erik.
            – Você vai pagar... – Eu falei olhando em seus olhos.
            – Farei com você o mesmo que fiz com ela, garoto. – Disse ele. A expressão brincalhona e irônica havia fugido completamente de seu rosto. – Mas farei pior, muito pior com a sua namoradinha assim que encontrá-la!
            A raiva que tomou conta de mim ao ouvir aquelas palavras alimentou a energia que estava sendo acumulada no meu corpo, e começou a pulsar, como se implorasse para ser liberada.
            – Tome cuidado com suas palavras... – Falei. – Podem ser as últimas que você vai proferir na vida!!!
            Com um grito de fúria eu liberei toda a energia acumulada em meu corpo e fui dominado pelo poder gélido. Eu podia sentir que meu cosmo estava bem mais poderoso do que há algumas horas atrás, mas ainda assim havia um belo abismo entre o meu cosmo e o de Erik. Mesmo assim eu ataquei.
            Comecei desferindo socos de direita e esquerda em seu rosto com a velocidade mais alta que eu conseguia, mas ele desviava de cada um com extrema facilidade.
            – Você não pode me tocar. – Ao ouvir isso eu senti seu joelho em meu estômago. A dor do golpe foi imensa e sangue espirrou involuntariamente da minha boca. Eu caí no chão de joelhos. – Você não pode tocar um deus... – E seu calcanhar atingiu minhas costelas fazendo mais algumas gotas de sangue saírem de minha boca.
            Eu pude sentir o punho de Erik se dirigindo às minhas costas e, com um movimento de braço, rolei para o lado e assisti ao golpe abrir um enorme buraco no chão.
            O calor agora começava a cobrar um preço maior, eu já não estava mais tão veloz como antes, minha pele estava tostando e eu não podia mais contar com a ajuda de Luana.
            – Você é um tolo, garoto. – Falou Erik se agachando e olhando para o meu rosto. – Porque você ainda tenta salvar aquela menininha? Vale tanto a pena assim morrer por outras pessoas?
            – É claro que sim... – Falei com a voz ofegante.
            – Então me explique, porque eu não entendo.
            – Porque eu amo cada uma das pessoas que eu tento salvar, e eu não me importo de morrer por essas pessoas. Acima da minha felicidade... Está a felicidade de quem eu amo!
            – Você é louco. – Disse Erik rindo como um louco. – Não há razão para defender pessoas fracas, como aquela sua aprendiza ali. Não há razão para proteger a sua namorada... Porque vai chegar a hora em que ela vai fazer com você o mesmo que fez comigo!
            – Isso nunca vai acontecer!
            – Como você pode ter tanta certeza?
            – Porque eu posso dar a ela o que você não deu. Amor de verdade, sem pedir nada em troca.
            – Idiota... – A expressão dele ficou séria de repente. – Você não vai conseguir. Porque você é fraco...
            Alguma coisa naquelas palavras despertou algo em mim que eu mesmo não sabia que existia. Uma enorme quantidade de poder começou a nascer dentro de mim e ir para a ponta dos meus dedos. E eu podia controlar esse poder, que para mim parecia sem limites.
            Eu lentamente me levantei e estava preparado para resolver o primeiro dos meus problemas.
            Com o movimento de uma das mãos eu fiz com que as pedras de gelo que restavam da parede que Luana construiu flutuassem e se expandissem. Eu mesmo iria construir o casulo de gelo que impediria a passagem do calor.
            Erik percebeu meu plano e tentou me atacar para que eu não prosseguisse, mas eu agora podia ver cada um de seus movimentos com clareza, era como se ele se movesse em câmera lenta.
            Eu pude ver seu punho direito vindo contra o meu rosto. Com uma das mãos eu desviei a trajetória do golpe e com a outra lancei uma onda de energia congelante em seu estômago O impacto do golpe atirou meu inimigo para longe e ficou olhando para mim estarrecido com uma expressão que misturava surpresa e ódio.
            Com isso eu voltei minha concentração para terminar o casulo, que depois de poucos segundos estava pronto. Mas algo me assustou. Ao olhar para Erik eu o vi envolto por uma aura vermelha e negra e a sua cosmo-energia aumentava a cada segundo.
            – Quem você pensa que é? – Falou ele olhando para mim, ao levantar o rosto eu pude ver um fino corte em sua bochecha, uma gota de sangue descia de lá. – Quem você pensa que é para arrancar sangue de um deus? Você é só um cavaleiro inútil que luta por um propósito ridículo! VENDAVAL DA COROA DO SOL!!!
            Um turbilhão de chamas envolveram o meu corpo e minha pele começou a sofrer sérias queimaduras. Meu poder ia diminuindo gradativamente e quando o ataque cessou eu não podia mais me mexer.
            Meus sentidos iam se perdendo pouco a pouco, eu não conseguia mais me levantar e minha visão começava ficar embaçada.
            A última coisa que eu me lembro daquele momento foi um forte clarão, Mariana correndo até Erik e Lays vindo em minha direção.

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