quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Capítulo 16 - Futuro

    Miguel de Gêmeos.
            
          E a luta pela vida de todos havia finalmente começado. Começado bem mal, diga-se de passagem. Com algumas horas de luta o cosmo de John desapareceu em seguida o de Rayssa, e o de Soraya havia acabado de explodir para depois começar a enfraquecer, Miguel pôde ver a estrela cadente se dirigindo a Peixes e o cosmo da amazona sumiu.
            Três cavaleiros de ouro mortos. Estava bem pior que da última vez, ninguém poderia subestimar esses filhos de Apolo, caso contrário também morreria.
            Miguel não sabia bem o que procurar... Não havia sentido nenhuma presença agressiva até agora, então ele simplesmente seguia sua intuição. Mas porque cargas d’água ela estava levando-o para o horto?
            Ao chegar lá ele pôde contemplar a enorme estátua do Pe. Cícero, que tinha em torno de uns dez metros de altura. O local era lindo e de lá se podia ver toda a cidade, que seria uma visão agradável em um dia comum, para um turista comum, mas agora a visão era de destruição. Havia incêndios aqui e ali, e aos olhos atentos do cavaleiro podiam-se perceber alguns carros deixando a cidade.
            A população estava em pânico absoluto. Mas isso não era algo que os cavaleiros pudessem resolver, o máximo que podiam fazer era terminar com todos os filhos de Apolo, o mais rápido possível para assegurar que mais nada seria destruído.
            – Isso tudo é uma loucura... – Sussurrou Miguel para si mesmo.
            Ao que parecia sua intuição estava errada, não havia nada ali em cima. Miguel se preparava para sair, e quando estava se virando uma voz chegou até ele.
            – Enfim, o cavaleiro de Gêmeos aparece! – Falou a voz, uma voz que não era nenhum pouco estranha. – Estive esperando por você.
            – Quem está aí?
            Das sombras a sua frente se materializou um cavaleiro com uma armadura completamente macabra que protegia o seu corpo. Nela havia vários olhos, por todos os lados, de forma que Miguel se sentiu completamente enojado. Na cabeça no cavaleiro não havia nada além de uma máscara.
            – Confesso que eu não fazia idéia de que era você, Miguel...
            – Nós nos conhecemos? – Perguntou o cavaleiro, pondo-se em posição de ataque.
            – Sim, cara...
            O cavaleiro retirou a máscara mostrando seu rosto. Um rosto redondo e cabelo curtinho, seus olhos eram pequenas fendas escuras e seu sorriso deixava claro que sua surpresa era real.
            – Caio? – Miguel arregalou os olhos.
            – Confesso que eu nunca imaginei que tivesse que acabar logo com você, cara. – Disse Caio, com um falso arrependimento na voz. – É uma pena.
            – O que quer dizer com isso? – Disse Miguel entrando em posição de combate.
            – Quero dizer... – A medida que Caio se aproximava seus punhos brilhavam ameaçadoramente. – Que não só vou lutar contra você, eu vou acabar com você.
            Ao dizer isso ele desferiu um golpe no rosto de Miguel, que por sua vez desviou com facilidade para a direita. O que surpreendeu o cavaleiro o joelho de seu inimigo esperando do lado no qual se esquivou. Miguel recebeu o golpe em cheio, o que o deixou atordoado.
            Miguel se levantou lentamente. Tudo estava girando. O cavaleiro não perdeu tempo e logo tornou a revidar, mas os golpes eram esquivados por Caio muito facilmente, como se ele soubesse onde exatamente ele iria atacar.
            – Você não pode me tocar, Gêmeos... – Ele falava calmamente como se a adrenalina da batalha não o afetasse em nada.
            “Como ele faz isso?
            Não havia golpe que o filho de Apolo não se esquivasse, e isso frustrava Miguel. Então ele se concentrou, e pôde sentir a energia se concentrando na palma de suas mãos.
            – OUTRA DIMENSÃO!
            Uma grande bola de energia foi criada em volta do corpo de Caio, que o levaria para outra dimensão aleatória.
            Mas o inesperado aconteceu, com um giro Caio criou um furacão de fogo que dissipou completamente a bola de energia.
            – Nada do que você tente vai funcionar, garoto... Desista.
            Caio correu até Miguel e mirou uma voadora em seu peitoral. Lançando as costas para trás o cavaleiro conseguiu se esquivar do golpe, mas ainda em pleno ar, Caio girou num mortal e acertou um pontapé no queixo de Miguel, que caiu com força total no chão, abrindo um buraco.
            – Como? – Disse Miguel, ofegando e se levantando lentamente. – Parece que você sabe exatamente o que eu vou fazer...
            – Eu sou o filho de Apolo que representa as profecias. Eu posso prever o que você vai fazer antes mesmo de acontecer. – Disse Caio com um sorriso no rosto.
            Isso realmente explicava muita coisa, mas se o que ele dizia fosse realmente verdade Miguel teria sérios problemas. “Tem que haver uma forma de derrotá-lo.
            Miguel se apressou em correr até ele. Caio podia prever todos os seus ataques, mas ficar parado pensando não ajudaria em nada. Miguel tentou acertar um soco no rosto do inimigo, mas foi facilmente evitado com uma esquiva para a direita. Miguel tentou um chute no lado esquerdo do corpo, mas caio previra o que ele ia fazer e segurou sua perna, girou e atirou Miguel na base da estátua.
            – É impossível... Não tem como vencê-lo. – disse Miguel para si mesmo.
            – Enfim você entendeu... Pretende se entregar?
            – É claro que não! – Gritou Miguel de volta. – Desistir não vai me levar a nada! E eu sei que tem um jeito de te derrotar!
            – Ah é? Me diz qual...
            – Eu ainda não sei... Mas eu vou descobrir!
            Miguel correu mais uma vez na direção do seu oponente lançando uma saraivada de golpes, que não faziam o menor efeito, já que ele se esquivava de todos.
            A intensidade da batalha fez com que eles se afastassem da estátua e se aproximassem da beirada da serra, mais alguns passos e eles cairiam no abismo
– Vamos lá, Gêmeos! Desista! Você não vai conseguir me derrotar!
Miguel não deu ouvidos. Percebendo que eles estavam na beira do precipício ele se atirou para cima do oponente, na intenção de atirar a ambos no buraco. Mas Caio levantou vôo o que fez com que apenas o cavaleiro caísse.
Mas isso não era desesperador, Miguel explodiu o cosmo e se lançou para cima, ficando na mesma altura que Caio atrás dele o cavaleiro podia ver que já estavam um pouco distantes da estátua.
– Vamos lá, Miguel, facilite as coisas... Você mesmo sabe que não pode me vencer... – Disse Caio. – Seja razoável...
– Você não entende mesmo, não é? – Replicou Miguel. – Se eu não parar você agora, muitas pessoas vão sofrer e é meu dever impedir isso!
– Ah, faça-me o favor! Como você pode lutar por pessoas que você nem conhece? Pessoas que se estivessem no seu lugar não levantariam um único dedo pra te ajudar?
– Eu sei que a maioria dessas pessoas não me ajudaria se estivessem no meu lugar, mas isso não quer dizer que elas não tenham sentimentos, que elas não sejam capazes de amar e sonhar! “Além disso, tem uma pessoa que eu quero ver segura...” – Essa última parte Miguel apenas pensou, e ao fazer isso o rosto dela lhe veio à mente.
Com um sorriso obcecado no rosto Caio se lançou contra o cavaleiro de Gêmeos, que desviou dos primeiros golpes, mas logo recebeu um soco muito potente no estômago que o fez vomitar sangue.
Eu tenho que tentar...” Miguel concentrou-se mais uma vez e sentiu a energia se dirigindo para os braços.
– OUTRA DIMEN...
– Não, você não vai fazer isso, amiguinho!
Antes que o golpe estivesse completo, Caio subiu no ar e desceu em queda livre de punho erguido em direção a Miguel, que ficou sem reação, e o soco foi certeiro e potente na sua cara.
O cavaleiro estava em queda livre em direção ao chão, e não consegui se virar para planar por conta da velocidade na qual caia. Ele podia sentir a nuca esquentando, e o previsível aconteceu, ele caiu de cabeça no chão, abrindo uma enorme cratera no local.
Três coisas que o cavaleiro pôde perceber. Primeira: Ele estava vivo. Segunda: O impacto do golpe o deixou completamente tonto e terceira: Seu elmo estava completamente destroçado, provavelmente fora ele que o salvara da morte certa.
Miguel ficou em pé e tudo a sua volta começou a girar, ele cambaleou um pouco enquanto retirava com dificuldade o elmo que já não serviria pra muita coisa. Quando sua visão voltou ao normal ele saltou para fora do buraco.
Foi com enorme preocupação que ele reconheceu a parte de cidade na qual viera a cair. Era o bairro dela. E não apenas isso, era a rua dela. Ele teria que arrumar um jeito de levar a batalha para longe dali. O cavaleiro se preparava para levantar vôo novamente quando Caio pousou bem na sua frente.
– Então você sobreviveu... – Disse o filho de Apolo com uma surpresa real no rosto. – O poder de resistência das armaduras de ouro me impressiona, qualquer outra pessoa que caísse de uma altura e velocidade tão grande não teria sobrevivido.
Miguel não tinha o que responder. Posicionou-se em postura de combate e se preocupou apenas em levar Caio para longe dali. Ele então correu na direção do inimigo e saltou para cima de uma das casas e de lá começou a correr para o mais distante possível dali.
– Ah, não vai não! – Gritou Caio.
O filho de Apolo se tele transportou para ficar bem no meio do caminho de Miguel e, sem nem ao menos pisar no chão, acertou-lhe uma voadora no tórax que fez com que ele voltasse para o local onde estivera inicialmente.
– Então existe uma pessoa especial que mora por aqui, não é? – Perguntou Caio com um sorriso maligno no rosto. – Mas onde será que ela mora? Acho que vou ter que olhar de casa em casa, não é?
O desespero tomou conta de Miguel. Caio se dirigia agora para a primeira casa a sua esquerda. Ao chegar bem na frente uma aura alaranjada tomou conta do seu corpo, ele reuniu uma energia entra a palma das mãos e atirou contra a casa, que instantaneamente pegou fogo.
– Seu psicopata! Pare com isso.
Miguel correu na direção de Caio e, pela primeira vez conseguiu acertar um golpe. O chute foi certeiro no rosto do inimigo e ele cambaleou para trás. Aproveitando que ele tinha se desconcentrado Miguel reuniu todo seu poder na palma da mão direita.
– EXPLOSÃO GALÁTICA!
A força da explosão de duas galáxias se chocando tomou conta do corpo de Caio, que gritou de agonia enquanto o poder consumia seu corpo.
Quando a tempestade passou, ele caiu no chão, mas se levantou rapidamente com um olhar completamente enlouquecido no rosto.
– Como você conseguiu? – Perguntou ele num sussurro ameaçador. – Não importa, foi pura sorte. Te desafio a fazer de novo!
Miguel não precisou ouvir duas vezes, correu até o inimigo e tentou socá-lo no rosto, mas ele se esquivou para a direita e revidou o golpe com uma joelhada no estomago, ele tentou mais uma vez com uma cotovelada na nuca, mas Caio se abaixou e levantou vôo mais uma vez.
O cavaleiro de Gêmeos fez o mesmo, já pegando impulso com o punho direito para desferir um golpe. Mas Caio já estava preparado. Ele lançou uma bola de fogo na direção de Miguel, que conseguiu ser rápido o suficiente para se defender com os braços, mas, quando a fumaça passou, ele viu o punho do seu inimigo vindo em sua direção, e o golpe fez com que ele caísse de costas no muro de uma das casas e os escombros caíram por cima dele.
Aparentemente não havia ninguém na casa, pois Miguel não ouviu nenhum grito vindo de lá “Graças a Deus.”. Com uma explosão de energia ele saiu de baixo dos escombros. Caio pousou na sua frente.
– Viu? Você não consegue... VISÃO FUTURA!
O filho de Apolo ergueu os braços acima da cabeça, formando um “X” e seus olhos começaram a emanar um brilho alaranjado e intenso e Miguel pôde sentir uma mudança leve no ambiente. Mas foi só isso. Os olhos de Caio voltaram ao normal e ele baixou os braços.
– O que? – Perguntou Miguel com cara de confuso. – Só isso, não vai acontecer mais nada?
Uma vez que Caio não respondeu Miguel partiu para cima mais uma vez e tentou acertá-lo, só que, mais uma vez, ele se esquivou de todos os ataques.
Com uma velocidade enorme o filho de Apolo segurou no pescoço de Miguel e o atirou de volta aos escombros da casa. Miguel se levantou mais uma vez, mas dessa vez para ver a coisa mais perturbadora da sua vida. Caio estava virado exatamente para a casa da pessoa que Miguel queria proteger e já se preparava para incendiá-la.
– NÃÃÃÃO! – Miguel gritou e correu, correu como nunca fizera antes.
Mas algo lhe impediu de avançar. O clima no ambiente mudou mais uma vez e ele sentiu uma saraivada de golpes flamejantes acertando todo o seu corpo e uma dor insuportável começou a atingi-lo. Depois de alguns minutos ele caiu no chão. Todo o seu corpo estava ardendo em chamas, mas não havia tempo para gemer de dor, ele tinha que impedir Caio de continuar com o ataque. Mas já era tarde de mais.
            Quando ele estava bem perto seu adversário disparou e toda a casa começou a incendiar.
            Sua atenção não estava mais voltada para seu inimigo, mas sim para dentro da casa. Sem se importar com mais nada, ele adentrou a casa em chamas e começou a gritar.
            – Sefora! Sefora! Onde você está?!
            – Miguel? Miguel, eu estou aqui no meu quarto!
            Ele não perdeu tempo e adentrou o quarto da garota. Ela estava deitada em sua cama, que estava envolta em chamas.
            – Miguel, o que está acontecendo?!
            – Não há tempo pra explicar, eu tenho que te tirar daqui! Onde estão os seus pais?!
            – Passaram a noite fora, eu estou sozinha!
            – Não, não está! Eu estou aqui com você!
            Dizendo isso ele correu e atravessou as chamas, pegou Sefora no colo e saiu correndo de lá. Chegando lá fora ele correu para o mais distante possível da casa, quando estavam a uma distancia relativamente segura ouviu-se uma explosão vinda da casa dela.
            Ele pôs a garota no chão e se ajoelhou ao lado dela.
            – Você está bem? – Perguntou ele, tentando manter a calma.
            – Sim estou, mas o que é isso que você ta vestindo?
            – Não há tempo para explicar, eu quero que você me ouça com atenção...
            Miguel não conseguiu terminar a frase, pois a voz de Caio chegou até ele.
            – Ora, ora, ora... O que temos aqui? Então você conseguiu salvar a garota, hein? Mas que sorte...
            Miguel sabia que não seria seguro ficar ali entre Sefora e Caio, com certeza ele tentaria atingi-la de alguma maneira. Então ele pôs a palma da mão no chão e com as últimas forças que tinha projetou um escudo invisível de energia cósmica.
            – Pronto, agora me escute... – Disse ele se voltando para a amiga.
            – Não dê as costas para mim! – Gritou Caio avançando no escudo e esmurrando-o sem parar.
            – ... quando eu der o sinal, você vai correr o máximo que puder, entendeu? Não pare por nada nesse mundo!
            – Mas e você? – Disse ela com lágrimas nos olhos.
            – Eu vou ficar bem. Mas você tem que fazer o que eu estou dizendo.
            Ela simplesmente acenou com a cabeça. Miguel se virou para Caio pronto para baixar o escudo. O inimigo ainda socava o escuto com todas as forças.
            – Agora! – Gritou Miguel baixando o escudo ao mesmo tempo em que Sefora saia correndo do lugar.
            Caio partiu para cima de Miguel, que, pela segunda vez na batalha, acertou um soca na cara do inimigo. “Ele se desconcentrou mais uma vez!
            – EXPLOSÃO GALATICA!
            A onda de energia saiu da palma da mão direita de Miguel, mas de nada adiantou. Caio se tele transportou para trás de Miguel, evitando o golpe e lhe acertando um pontapé nas costas.
            – Você vai morrer, Gêmeos! Mas antes eu vou matar a garota! – Disse ele com um sorriso maligno no rosto.
            Ele segurou Miguel pelo pescoço e se tele transportou mais uma vez, dessa vez para outra rua não muito longe dali, onde Sefora se encontrava sentada em posição fetal e chorando copiosamente. Ela ergueu a cabeça e viu Caio jogando Miguel no chão bem na sua frente.
            – MIGUEL! – Ela gritou e correu até ele. – O que você fez?! – Gritou ela, dessa vez para Caio.
            – Minha cara, eu sinto muito... Mas você irá morrer assim como ele...
            O desespero tomou conta da expressão de Sefora, um gemido de agonia saiu de sua boca, seguido de uma lágrima que descia pelo seu olho direito.
            Miguel se ajoelhou e ficou de frente para ela.
            – Me desculpe te envolver nisso... – Dizia ele enquanto enxugava aquela lágrima. – Eu vou tentar consertar as coisas, eu prometo que vou tentar.
            – Eu confio em você. – Disse Sefora, com a voz firme.
            Miguel então se levantou e abriu os braços de modo que ficasse entre Sefora e o filho de Apolo.
            – Você não vai triscar um único dedo nela! – Disse ele com a voz firme.
            – Tente me impedir!
            O cavaleiro então se jogou contra Caio e o abraçou, concentrando todo o poder da Explosão Galática no centro de seu corpo.
            – Desculpe Sefora, mas esse é o único jeito! Adeus! – Disse ele para a amiga.
            – Seu tolo! O que você pensa que vai fazer?!
            Miguel então começou a liberar o poder destrutivo enquanto levantava vôo.
            – Maluco! Desse jeito nós dois vamos morrer!
            – Se com isso eu estiver criando um meio de mantê-la segura, eu não me importo! EXPLOSÃO...
            – Errado, Gêmeos. O único que vai morrer aqui é você...
            Caio deu uma cabeçada em Miguel, deixando-o atordoado o suficiente para afrouxar o abraço, depois o empurrou e se distanciou dele. “Até mais!” Disse Caio apenas mexendo os lábios e sorrindo antes de se tele transportar.
            E era tarde de mais, não havia como controlar o poder do golpe.
            – ... GALATICA!
            Toda a energia atingiu Miguel com toda a força e ele sentiu a dor proporcionada pelo seu próprio golpe. Depois que a dor passou ele entrou em queda livre até cair. Curiosamente, ele caiu no mesmo lugar no qual estava a segundos atrás.
            – MIGUEL! – Mais uma vez o grito de Sefora chegou aos seus ouvidos. – Meu Deus, você está bem?!
            – Me desculpe, por favor, me desculpe... Eu juro que tentei, mas não consegui ser tão forte.
            – Não, não, não. Está tudo bem, eu sei que você tentou... – Dizia ela aos prantos.
            Como um último esforço Miguel ergueu o braço e tocou no rosto de Sefora, enxugando mais uma vez as lágrimas. E a última coisa que o cavaleiro de Gêmeos fez, foi sorrir para aqueles olhos brilhantes e castanhos.
            Sefora se jogou sobre o corpo de Miguel e chorou copiosamente, chorou até sentir que os olhos iam secar.
            – Isso não é justo. – A voz de Caio chegou até ela. – Ele que se matou, não eu quem o matei... Eu preciso matar alguém...
            Seu punho começou a emanar um estranho brilho alaranjado e ele o ergueu ameaçadoramente para Sefora.
            – E esse alguém, é você!
            Ele disparou o golpe e Sefora se encolheu de medo, mas antes que o golpe chegasse até ela, a voz de Claudino chegou aos seus ouvidos.
            – Sinto muito, mas você não vai fazer isso bebê! – Gritou ele segurando o punho de Caio com apenas uma das mãos. – Não se preocupe Sefora. Eu não vou deixar ele te machucar!

domingo, 6 de novembro de 2011

Capítulo 15 - Determinação

 Soraya de Peixes.

            Medo. Esse foi o sentimento que tomou posse do corpo de Soraya de uma hora para outra, fazendo-a ficar tonta e parar sua corrida. Mas de onde vinha aquilo? Como que lendo seus pensamentos ela pôde sentir um cosmo maligno explodindo e ao se virar na direção da qual ele vinha ela pôde ver um prédio enorme pegando fogo e sentir o cosmo de Rayssa se apagando aos poucos. Não havia muito tempo, então ela fechou os olhos.
            Ao abri-los ela viu de perto o prédio incendiado. Ao longe, pessoas corriam e algumas olhavam paralisadas para os estragos. Ao se voltar novamente para o prédio ela pôde ver sua melhor amiga. Seu estado não era dos melhores... As partes da armadura que protegiam os braços estavam completamente estraçalhadas e não havia mais elmo em sua cabeça.
            – Rayssa, por favor, agüenta você consegue! Isso não é nada pra você, certo? Vamos lá!
            – Desculpa... Não consegui ser tão forte. Me perdoa... – Soraya se calou e uma lágrima caiu no rosto de Rayssa. – Ei, pede pra todo mundo ser forte e segurar firme. Vocês vão conseguir sair dessa.
            Uma lágrima saiu dos os olhos de Rayssa antes dos mesmos ficarem acinzentados e sem foco. Sua pele ficou mais pálida do que realmente era.
            Uma dor descomunal se espalhou pela cabeça da amazona de Peixes, mas não era uma dor física. Era pior, muito pior. Para Soraya, Rayssa era uma das pessoas mais importantes na sua vida, e agora ela se fora.
            A dor que ela sentia não foi embora quando ela ouviu o barulho de passos se aproximando. Soraya enxugou as lágrimas e se levantou deixando o corpo da amiga sozinho por um tempo. Primeiro veio o choque. O rosto ensangüentado de Roberto a olhava fixamente, e sua armadura o denunciava como o assassino.
            – Você?! Desgraçado! Como você pôde?! – Soraya gritava a plenos pulmões na direção do recém descoberto filho de Apolo.
            – Ela disse que ia ficar no meu caminho... Eu avisei que se fizesse isso ela com certeza morreria... – Respondeu ele com uma calma surpreendente.
            – A é? Então vamos! Venha me matar também! Eu vou ficar no seu caminho agora!
            Mas ela não esperou a iniciativa de Roberto, ela saltou em sua direção e começou uma tempestade de golpes velozes, sem dar chance de defesa ao inimigo, que gritava a cada golpe que recebia.
            A raiva que se apoderava da amazona a deixava mais forte. Sem se dar conta seus punhos adquiriram uma tonalidade de vermelho sangue, deixando os golpes cada vez mais poderosos.
            Ela segurou o braço do oponente e o atirou no chão. O impacto do corpo de Roberto contra o chão fez com que um buraco fosse aberto. Soraya pulou em cima dele e apertou seu pescoço com firmeza, fazendo com que ele ficasse sem ar.
            – Não... – Disse Soraya afrouxando o aperto. – Você não merece tanta misericórdia... Se levante e lute como lutou com Rayssa! Ela não morreria pelas mãos de um cavaleiro tão fraco como você!
            Dizendo isso ela se levantou e se afastou, dando espaço para ele fazer o mesmo.
            Roberto se levantou devagar, esfregando o pescoço e fazendo uma careta de dor. Seu rosto ficou surpreso ao olhar para a amazona e ver que seu cosmo estava emanando um brilho vermelho e perigoso.
            – Vamos! Eu quero ver o que você pode fazer comigo! – Gritou Soraya.
            Ela viu, então, Roberto vindo para cima dela numa velocidade alta demais para alguém que recebeu tantas agulhas escarlates. Apesar de sua velocidade ser alta, seus golpes eram fracos, e foram defendidos com facilidade pela amazona, que não perdeu tempo em revidar a seqüencia, finalizando com uma leve onda de energia que fez com que ele voltasse ao local em que estava ao inicio do combate.
            Ele se levantou novamente com um olhar completamente louco no rosto. Com uma velocidade completamente diferente da anterior ele correu até Soraya, se esquivou dos dois primeiros socos depois a abraçou.
            – BAFO DA SERPENTE! – Gritou ele.
            Uma fumaça fedorenta começou a circular em volta de ambos, Roberto esperou alguns segundos antes de soltá-la e deixá-la sozinha envolta na fumaça.
            Nesse exato momento Soraya percebeu que havia sido essa técnica que havia matado sua melhor amiga. Em meio ao cheiro de enxofre e cinzas ela podia sentir claramente um delicado aroma de veneno de cobra, mais precisamente cascavel, o mais básico dos venenos.
            Ela saiu daquela fumaça em direção ao seu oponente que a olhava com uma expressão surpresa na face. Ao se aproximar do filho de Apolo Soraya desferiu um soco em seu rosto e pôde até sentir um ou dois dentes saindo do lugar.
            – Então foi assim que você matou Rayssa. – Falou a amazona para o inimigo caído. – Uma técnica formidável, tenho que admitir, mas não vai funcionar comigo.
            – Como? – Perguntou ele com a voz fraca.
            – Eu passei todo o meu treinamento em meio a rosas venenosas. – Explicou ela. – Por causa disso me tornei imune a todo e qualquer tipo de veneno. – O filho de Apolo olhou-a com um olhar amedrontado. – Agora, deixa eu te mostrar o que é um veneno de verdade. – Uma rosa vermelha surgiu na mão de Soraya. – ROSAS DIABÓLICAS REAIS!
            As rosas envolveram Roberto num turbilhão vermelho, mais alguns segundos e Roberto estaria acabado. Mas uma mudança no clima do ambiente chamou sua atenção. E antes que ela pudesse fazer qualquer coisa o corpo de Roberto explodiu em chamas, queimando as rosas que o envolviam.
            – Sua tola! O que a fez pensar que eu também não seria imune a veneno? Como acha que consigo emanar a fumaça misturada com veneno?!
            Dizendo isso ele saltou em direção a amazona de Peixes na maior velocidade possível, e seus golpes não eram mais tão fáceis de segurar, limitando Soraya a apenas se defender.
            A chuva de golpes foi longa e cansativa, mas Soraya não deu abertura, assim como Roberto não deixou passar nada. Seus golpes eram precisos e fatais, o menor erro de Soraya poderia custar a luta.
            – Você vai morrer vergonhosamente! Que nem a sua amiguinha ali! – Disse o filho de Apolo, rindo descontroladamente.
            E aquela foi à gota d’água. O cosmo de Soraya explodiu em pura raiva, o impacto fez com que Roberto se afastasse um pouco, dando espaço suficiente para a amazona de recompor e atacar.
            Com um giro ela chutou o rosto do inimigo, que defendeu com apenas uma das mãos, em seguida ela socou seu queixo fazendo com que ele levantasse vôo, para depois ir em disparada ao seu encontro socando seu estomago e seu rosto. Para finalizar, Soraya segurou o braço do oponente, e atirou-o de volta ao chão.
            – Heróis não morrem em vão. – Disse ela.
            – Heróis morrem sim! – Gritou Roberto se levantando. – Morrem porque são tolos o suficiente para lutar por uma humanidade que não tem mais salvação! Morrem porque confiam numa causa perdida!
            – Você está errado... O que te faz pensar que a humanidade não tem salvação?
            – Você não vê o que acontece no mundo! Só o que há é destruição!
            – Não, não é só isso. Você nunca amou ninguém? Nunca sentiu nada assim por ninguém?
            A cara de Roberto se contorceu numa careta de angustia e ele voltou a atacar, mas seu cosmo estava diferente dessa vez, estava triste, e isso fez com que Soraya parasse de atacar, fazendo com que recebesse em cheio o soco de Roberto.
            – Ela morreu... Foi assassinada! Agora me diz... Vale a pena lutar por um mundo como esse? – Uma lágrima caiu do seu olho, mas evaporou rapidamente. – Eu tenho certeza que não.
            Ele encheu o punho com energia e descarregou-a em cima da amazona, que foi rápida o suficiente para rolar e se esquivar.
            – Destruir o mundo não vai trazê-la e volta! – Disse ela se levantando e prendendo Roberto em uma chave de braço. – Não deixe esse sentimento ser consumido.
            – Me destruir também não vai trazer Rayssa de volta! – Disse ele se livrando da chave de braço de modo que Soraya ficou mais uma vez de frente para ele.
            – Eu já me conformei com isso... No começo eu estava com raiva, mas passou, e eu não quero te destruir, mas terei que fazê-lo se você não tirar da cabeça essa idéia de destruição.
            – Sinto muito lhe informar. Mas alguém tem que pagar!
            Ele voltou a atacar, com mais raiva e mais poderosos do que antes, apesar do cansaço tanto físico quanto emocional.
            Eles entraram mais uma vez em um combate corpo a corpo que os prendeu no mesmo nível. Ambos atacavam ambos defendias.
            – Pelo amor de Deus, Roberto! – Gritou Soraya em meio a troca de socos. – Pense no que está fazendo! Você não pode culpar toda a humanidade pelo erro de uma pessoa!
            – Sim eu posso! – Gritou ele de volta. – Não só posso como já estou fazendo isso. Me responda você, você não se cansa de apanhar por essa humanidade que nunca vai lhe agradecer pelo que você fez?!
            Soraya encheu sua mão de poder e o disparou contra o rosto do oponente. O que fez com que ele se afastasse.
            – Eu não faço isso em busca de recompensas, ou de agradecimento. Eu faço isso porque acredito que ainda podemos melhorar. Podemos virar um mundo melhor.
            – Tola.
            Várias rosas negras se materializaram entre os dedos da amazona de Peixes e ela caminhou lentamente em direção ao filho de Apolo.
            – A rosa negra que dilacera tudo o que toca... – Sussurrou Soraya. – ROSAS PIRANHAS!
            Uma chuva de pétalas negras voou para cima de Roberto, e em cada centímetro do seu corpo que tocava abria cortes feios. Sua armadura começava a rachar e algumas partes, como os braços, já haviam caído.
            Depois de alguns segundos sua armadura estava em pedaços. Não havia mais proteção em seu tórax, as únicas partes da armadura que restaram ao final do ataque foram as que protegiam as pernas.
            Roberto caiu de quatro no chão, ofegante e sangrando.
            – Qual é o problema? – Perguntou ele. – Esse golpe poderia ter me matado se você quisesse. Porque não acabou logo comigo?
            – Porque eu sei que você não é uma pessoa má, Roberto. – Respondeu a amazona. – Por favor, desista disso tudo, toda essa raiva...
            – Eu não consigo.
            – Por quê?
            – Ela era tudo que eu tinha... – Lágrimas começaram a surgir de seus olhos e Soraya pode sentir uma tristeza profunda vindo do cavaleiro. – Depois que eu fui para o Japão, eu estava só... Ninguém deu a mínima pra o estrangeiro, da última vez que eu fui morar lá, eu era só uma criança. Mas agora foi diferente... Eu estava sem emprego, com fome e com sede... Ela foi a única pessoa que me ajudou. Ela me abrigou na sua casa, me deu água, comida e umas roupas velhas do seu pai... Ela também mexeu os pauzinhos e fez com que o pai dela me desse um emprego na siderúrgica na qual ele trabalhava. – Roberto soluçava como ela nunca havia visto. – Alguns meses depois nós começamos a namorar, eu a amava como nunca amei ninguém em toda minha vida... Então, alguns dias atrás, nós estávamos caminhando e rindo... – Os soluços se transformaram em um leve sorriso carregado de tristeza. – Fazíamos planos, sabe? Coisas do tipo: “Quando nós nos casarmos...” Então um grupo de assaltantes nos abordou, me deram uma bela surra, levaram tudo que eu tinha, e a mataram a facadas diante dos meus olhos. – As lágrimas desapareceram e seu cosmo voltou a ficar agressivo.
            – Roberto... – Falou Soraya se aproximando. – Eu não.
            – Se finja que se importa! – Gritou ele se afastando de Soraya, evitando o seu toque. – Você quer me matar, isso não a torna melhor do que os assassinos!
            – E o que faz com que você se torne melhor do que eles?
            – Eu não estou nem aí pra mim! Minha vida acabou! Eu não tenho mais nada a perder... Estou pouco me fudendo pro resto do mundo! Só depois que eu recebi esse poder e essa armadura eu percebi que poderia me vingar! E isso é a única coisa que importa agora!
            Ele correu até Soraya e começou outro combate. Ela não tinha mais coragem de atacar, ela apenas se esquivava.
            – Vamos covarde! Lute!
            Ela não disse nada, apenas continuou se esquivando, porém um dos socos a acertou, ela perdeu o equilíbrio e caiu. Roberto a ergueu no ar.
            – PRESAS SOLARES!
            Garras surgiram no lugar das unhas do filho de Apolo, e sua mão pegou fogo. Ele atravessou as garras, no estomago de Soraya e uma queimação enorme tomou conta do seu corpo antes de ela começar a sangrar.
            – Eu queria ter que evitar isso... – Uma rosa branca surgiu em sua mão. – ROSA SANGRENTA!
            A rosa foi disparada contra o peito de Roberto e lá se fixou.
            – O que é isso? Você acha que isso vai me matar? – Ele tentou tirar à rosa do peito, mas foi em vão. – O que é isso? Por que eu não consigo tirar?
            – Quando essa rosa branca se tingir completamente de vermelho significará que todo o seu sangue foi sugado para dentro dela. Se você tentar tirá-la, ela criará raízes que penetrarão direto no seu coração. E você morrerá mais rápido.
            Roberto arregalou os olhos e soltou a oponente.
            Soraya caiu com força no chão. O golpe tinha sido fatal, assim como Roberto ela tinha apenas alguns segundos de vida.
            Ela iria morrer.
            Aquele pensamento a assustou. O que aconteceria então? O que ela encontraria quando tudo acabasse?
            – Ah... – O gemido de Roberto chamou sua atenção. – Eu não acredito... – Roberto sorria, uma explosão de felicidade tomou conta das últimas centelhas do seu cosmo. A rosa já estava completamente vermelha, o que significava que ele ignorou o aviso de não tentar removê-la. – Oi... – Ele não falava com Soraya, sua visão estava completamente sem foco e ele caiu no chão, morto.
            O que aquilo significava a amazona não tinha a mínima idéia, mas de alguma forma aquilo a acalmou, fez com que ela perdesse o medo de partir.
            Ela caminhou lentamente até o corpo da sua amiga e se sentou do seu lado.
            – Talvez seja isso, não é? – Falou ela para o corpo de Rayssa. – Não é realmente o fim... É apenas uma passagem... – Lágrimas desceram dos olhos da amazona de Peixes, mas ela não sabia dizer se eram de alegria ou de tristeza. – Seja lá pra onde eu for, eu gostaria de falar com você uma última vez... E que dessa vez você pudesse me escutar.
            A ferida doía muito, mas seu corpo lentamente ficava dormente, o que fazia a dor diminuir aos poucos.
            De repente uma estranha brisa morna passou por ela, e a sua ferida cicatrizou completamente, mas não adiantaria muito, ela já havia perdido muito sangue.
            Obrigado... A voz de Roberto chegou a ela num leva sussurro junto com a brisa, e ela teve certeza que ele estava bem, onde quer que estivesse.
            Ela sorriu antes de ver uma estrela cadente rumar em direção a Peixes e sua visão apagar completamente.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Aviso

Oi Galerinha....
Só avisando que devido a volta as aulas os capítulos serão posta dos agora somente uma vez por semana, ou seja, todo domingo.


Espero que estejam gostando da Fan Fic...


Carol Uchôa e Matheus Henrique