quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Capítulo 22 - Arrependimentos


Matheus de Aquário.

            Nós começamos a subir as escadas em direção a segunda casa... Havíamos deixado Bia e Joyce enfrentando Vítor na primeira, mas eu procurava não pensar muito nisso. Não que eu não me preocupasse com elas, mas elas sabiam se virar, ao contrário de Larissa.
            A primeira explosão de cosmos veio da casa de Alfa Centauri. Luana parou bruscamente e olhou para trás apreensiva.
            – Mantenha o foco, Luana. – Falei. – Elas vão se sair bem. Tenha esperança.
            Ela simplesmente sacudiu a cabeça e nós continuamos a correr.
            Com alguns minutos de subida nós chegamos à segunda casa do Templo de Apolo. Não era muito diferente da fachada da primeira casa exceto por uma coisa, ao invés de um centauro havia um lobo desenhado em cima da porta de entrada, ele olhava para cima como se uivasse para o sol.
            – Lobo? Existe uma estrela chamada Lobo? – perguntou Laura.
            – Isso são apenas detalhes... – Falou Luana. – Vamos entrar logo.

Saskia de Fênix.

            Ao entrar na casa os cavaleiros puderam notar algumas diferenças. A iluminação, por exemplo, era bem menor em relação à primeira casa, não havia tochas lâmpadas nem nada do tipo, a única luz provinha das portas de saída e entrada.
            – Isso aqui é bem sinistro. – Falou Saskia.
            – Deve ser só pra assustar... Mesmo assim, olhe por onde anda! – Disse Matheus.
            Todos os cavaleiros pararam no meio do salão esperando que alguém aparecesse ou algo acontecesse, mas nada veio.
            – Será que está vazia? – Perguntou Laura.
            – Não pode estar vazia... Erik não seria... AH! – O grito de Matheus reverberou no salão. Saskia correu até ele para ver o que tinha acontecido.
            Ao chegar a sua frente viu que ele fazia uma careta de dor e segurava seu braço direito em uma das poucas regiões que sua armadura deixava desprotegida.
            Ele tirou a mão do braço e sangue começou a escorrer de uma ferida assustadora. Três cortes completamente simétricos e próximos, como se um leão o tivesse atacado, foram abertos em seu braço.
            – O que aconteceu? – Perguntou ela assustada.
            – Não sei ao certo... Olhei para o lado por um segundo e a ferida simplesmente se abriu. – Respondeu Matheus, tentando manter a calma.
            – Essa ferida não vai estancar nem tão cedo, você tem que fazer alguma coisa. – disse Luana.
            Matheus então levou a mão esquerda mais uma vez ao braço ferido e uma delicada corrente de ar frio passou pelas amazonas. Alguns segundos depois ele retirou a mão do braço e a ferida se encontrava envolta por uma leve camada de gelo fazendo com que o sangue parasse de escorrer.
            – Vai segurar por tempo suficiente. – Disse ele. Matheus levantou a cabeça e olhou para Saskia, ao mesmo tempo algo lhe chamou atenção logo atrás dela, ele arregalou os olhos e gritou: – SASKIA! CUIDADO!
            No mesmo instante ele se atirou sobre a amazona agarrando-a e ambos caíram no chão, a visão de Saskia, que ficou voltada para o teto, pode perceber um vulto alaranjado passando próximo a eles.
            – Mas que merda é essa? – Disse Matheus se levantando e olhando na direção em que o vulto desapareceu.
            Saskia se apoiou nos cotovelos e pôde ver quando o cavaleiro saiu das sombras, e seus olhos não acreditavam no que viam.
            Caminhando lentamente na direção do grupo vinha Felipe. Um garoto conhecido de Saskia, o qual ela certa vez se apaixonara... Seu cabelo era assentado em sua cabeça, muito curtos, suas feições eram delicadas, mas não a ponto de deixá-lo parecendo uma mulher, seus olhos eram pequenas fendas onde se viam grandes íris castanhas.
            Ele sorriu revelando dentes muito brancos e correu para cima de Saskia com o punho levantado, sem falar uma única palavra.
            – Ah, não vai não! – Gritou Matheus, acertando um soco em sua bochecha no momento em que Felipe passava por ele.
            O impacto foi muito forte, fazendo o cavaleiro desviar sua rota e colidir com um dos pilares laterais.
            – PÓ DE DIA...
            – Não! – Saskia interrompeu Matheus no momento do golpe, ficando entre ele e o inimigo. – Espere! Por favor. Só um minuto.
            Ela caminhou até Felipe lentamente. Ele conseguiu se manter de pé depois do golpe, mas estava escorado na parede, sua bochecha esquerda estava parcialmente congelada, seus olhos estavam fechados.
            Saskia ficou de frente para ele e pôs a mão em seu ombro.
            – Felip...
            De uma hora para outra ele ergueu a cabeça, olhou bem nos olhos de Saskia e segurou seu ombro. Ergueu o punho que automaticamente começou a flamejar e disparou um golpe certeiro no estomago da amazona. Sangue espirrou de sua boca, e sua visão começou a ficar turva, a última coisa de que ela se lembrou foi de ter sentido mais um golpe no rosto, que a fez voar e colidir com Matheus, ambos foram em direção a parede. Depois disso, escuridão.

Laura de Pégaso.

            Num segundo Saskia tinha ido falar com o garoto que seria o novo adversário, no segundo seguinte ela tinha voado em direção a Matheus e ambos colidiram juntos com a parede da casa.
            Matheus tirou a amiga delicadamente de cima de si e a pôs no chão. Após alguns segundos apreensivos ele soltou um suspiro de alívio, ela estava viva. O cavaleiro se levantou e olhou nos olhos do garoto.
            – Quem é você, desgraçado?! Responda! – Gritou ele na direção do garoto.
            Ele nada disse, apenas pulou e flutuou em alta velocidade e com o punho erguido na direção de Matheus, que fez com que ele voltasse ao lugar onde estava com um soco, potente e carregado de poder, no estomago.
            – Isso não é poder... – Disse ele calmo. – Vamos brincar, garoto.
            Ele correu até o cavaleiro desferiu o primeiro soco em seu rosto, porém o inimigo se defendeu com o ante-braço, o que não impediu Matheus de lhe disparar uma joelhada no estomago, fazendo com que ele cuspisse sangue.
            Mas parecia que não fazia efeito, ele juntou os pulsos num movimento rápido e uma corrente de fogo atingiu Matheus em cheio.
            – Desgraçado! – Gritou Luana, correndo na direção do garoto.
            Seu punho estava envolto por uma grossa camada de gelo, e, dessa forma, ela socou o rosto do garoto e Laura passou a sua frente, segurou o garoto pela gola da armadura e atirou-o contra a parede, correu até lá e prendeu de forma que não conseguisse se soltar.
            – Matheus, Luana! – Gritou ela. – Isso aqui é uma completa perda de tempo! Vão pra próxima casa, eu cuido desse aqui... Deixem Saskia aí, quando eu terminar eu dou uma olhada nela, agora vão!
            Luana ia partir para cima do garoto para ajudar Laura, mas Matheus a segurou pela mão e balançou a cabeça negativamente.
            – Essa luta é a dela. – Disse ele.
            Então juntos eles saíram da casa deixando Laura sozinha com o inimigo. Ela pressionava seu pescoço contra a parede e olhava em seus olhos.
            – Preparado? – Disse ela.
            Ele sorriu mais uma vez, parecia que tudo aquilo para ele era apenas uma divertida brincadeira. Com um movimento rápido nas pernas o garoto chutou a barriga de Laura fazendo-a recuar um pouco, mas o suficiente para lhe dar espaço para atacar. E foi o que ele fez.
            Seu punho adquiriu um brilho alaranjado e ele atacou, mas ela foi rápida e conseguiu não só se defender como conseguiu contra-atacar. Com um puxão Laura fez com que o oponente ficasse mais próximo a ela, e, depois de um giro, pôs a mão em sua nuca e empurrou o rosto do garoto com toda a força que conseguiu reunir em direção ao chão.
            Com um leve empurrão com o pé Laura fez com que o garoto se deitasse de costas.
            – Vamos começar com o seu nome, garoto... Diga.
            Ela apenas sorriu para ela. Seu punho brilhou mais uma vez e ele desferiu o golpe contra Laura, mas a velocidade da amazona era maior, e ela conseguiu sair da frente do golpe. Com uma breve passada Laura foi para trás do inimigo e se preparou para atacá-lo pelas costas, mas ele havia percebido o plano dela, se virou rápido e desferiu um soco potente em seu rosto.
            Ela passou os dedos no local atingido, estava vermelho e queimado. Pelo canto do olho ela percebeu que ele se preparava para desferir outro golpe, quando estava prestes a ser atingida mais uma vez ela se abaixou com agilidade.
            – METERORO DE PÉGASO.
            Ao invocar o golpe os átomos do seu corpo aceleraram e ela atingiu a velocidade do som. Milhares de golpes com mira completamente perfeita atingiram o garoto em seu estomago, e os golpes se tornaram mais perigosos por causa da proximidade.
            No fim ele deitou-se no chão com as mãos no estomago cuspindo muito sangue.
            – Você não vai me dizer seu nome mesmo, não é? – Disse Laura calma.
            – HAHAHAHAHA! – O garoto ria psicoticamente, mas havia algo errado com aquela voz, mas ela não conseguia identificar o que era. Ela estava fina, como se aquela voz não pertencesse aquele corpo... Como uma dublagem mal feita.
            Ele olhou para Laura e correu até ela, sua velocidade tinha aumentado, não muito, mas o suficiente para surpreendê-la.
            Um soco no rosto, bem mais forte do que os que ela havia recebido até agora, fez com que fosse atirada contra a parede, mas antes que ela a atingisse o garoto segurou-a pelo pé e começou a girá-la durante alguns segundos se a soltou contra um dos pilares.
            Laura se levantou lentamente e ofegante. A velocidade e a força do garoto haviam aumentado bastante sem ele precisar usar um golpe ou técnica. Ela se levantou e olhou para o rosto do garoto, e havia algo diferente. Seus cabelos estavam castanhos claros, e ela podia ter certeza de que eles eram completamente negros.
            “Então ele quer velocidade e força? Vamos lá.
            Ela se levantou e sua aura começou a se adensar, abriu os olhos e correu até o adversário com um a maior velocidade que conseguiu.
            Desferiu um soco no estomago do cavaleiro da coroa do sol ele arregalou os olhos para Laura que segurou-o pela gola da armadura e o atirou no pilar do outro lado do salão.
            Depois de um brilho alaranjado envolvê-lo ele voltou com o punho erguido em direção a Laura que se abaixou e começou a concentrar todo o poder do Meteoro de Pegaso num único soco.
            – COMETA DE PEGASO!
            Ela atingiu a região do estomago com tamanho poder que todo o corpo do inimigo amolecou, o impacto jogou-o para cima e ele atravessou o teto. A amazona levantou vôo e atravessou o buraco deixado pelo corpo do inimigo. Uma vista inacreditável do sol, do espaço e da Terra cegou sua visão por alguns segundos. Quando ambos estavam na mesma altura ela segurou o garoto pela perna e jogou-o de volta para a casa.
            Laura desceu até lá, a escuridão foi um pouco estranha no começo, mas depois que seus olhos se acostumaram ela procurou pelo garoto, e ao se virar, ela viu a coisa mais bizarra que já presenciara em toda a sua vida.
            Lentamente, o garoto se transformava em uma garota. Seus cabelos começavam a ficar longos, finos e delicados. Seios cresciam atrás de sua armadura e feições delicadas tomavam forma em seu rosto.

Saskia de Fênix.

            Era o primeiro dia de aula na nova escola. Saskia não sabia o que esperar, nem para onde olhar. Era um local enorme e ela estava tendo dificuldades para encontrar sua sala de aula. Depois de caminhar um pouco ela viu um garoto passando pelo corredor e resolveu pará-lo para pedir informação.
            Com licença... – Disse ela timidamente. – Você pode me dizer onde fica a sala do 2º ano C?
            Mas é claro... Não fica muito longe... É só você seguir o corredor e virar na terceira porta a esquerda. – Disse o garoto sorrindo.
            Ah! Muito obrigado.
            O garoto sorriu e continuou com sua rota.
            Ela fez como o menino falou e continuou seguindo o corredor, mas ao passar pelo corredor que fazia cruzamento com o que ela estava algo chamou sua atenção. Uma garota ria de tal forma que foi impossível para Saskia não parar para olhar.
            Quando ela olhou para o lado viu uma garota com cabelos castanhos claríssimos e um rosto delicado e liso, ela era linda exceto por uma coisa. Suas pernas estavam envolvendo um rapaz que a segurava nos braços e a sustentava segurando-a pelas nádegas.
            Ela arregalou os olhos para a cena e saiu correndo antes que eles a vissem.
            Chegando à sala ela escolheu uma cadeira bem na primeira fila com uma visão incrível da janela, que ficava do seu lado esquerdo.
            As pessoas entravam em grupos e a sala começava a encher de trás para frente. Muitos ali mal se davam ao trabalho de olhar para a cara da aluna nova, mas ela não ligava, era até melhor assim... Até que ele entrou na sala.
            Um garoto alto com o rosto mais lindo que ela já havia visto entrou na sala e esbanjou um sorriso de tirar o fôlego para alguns colegas, até vê-la. Ele parou por um momento para olhá-la, depois jogou aquele mesmo sorriso para ela e foi em sua direção.
            – Oi... Você é nova aqui, estou certo? – Perguntou ele com uma voz levemente grave, mas que carregava alguma tristeza, como se algo estivesse errado.
            – N-não... Quer dizer... Sim, é... Eu fui transferida ontem. – Disse Saskia sem reação, já que nunca imaginara que ele viesse falar com ela.
            – Ah... Bom, meu nome é Felipe. – Disse ele estendendo a mão. – Prazer em conhecê-la.
            – Meu nome é Saskia. – Disse a garota apertando sua mão. – O prazer é meu.
            – Saskia? – Disse ele mostrando um sorriso confuso. – Nome difícil de se encontrar por aí... Sua família é daqui?
            – É sim... Mas não me pergunte a história do meu nome, não quero aborrecer a primeira pessoa que vem falar comigo, é que é uma longa história.
            – HAHAHA! – Uma gargalhada gostosa saiu de sua garganta como se ele tivesse realmente achado o comentário engraçado. – Você é engraçada, gostei de você... Então de ond...
            – OOIII MEU AMOR! – A voz de uma garota veio de trás dele ao mesmo tempo que um par de braços envolviam sua cintura. De cima de seu ombro surgiu o rosto de uma linda garota de cabelos castanho claros. A mesma garota que Saskia havia visto no maior amasso com um cara no corredor instantes atrás. – Como foi seu fim de semana?
            – Oi, minha linda. – Disse Felipe. – Foi ótimo... Essa aqui é a Saskia. Acabou de ser transferida. Saskia, essa é a Fernanda, minha namorada.
            – Oi. – Disse a tal da Fernanda, secamente. – Amor, vamos comer alguma coisa... Ainda falta muito pra aula começar.
            – Até mais Saskia... – Disse Felipe, e ambos saíram abraçados da sala.
            Mas, alguns segundos depois, a garota voltou, chegou perto de Saskia, tão perto que quase a beijou, olhou bem no fundo de seus olhou e disse:
            – Ele é meu, garota nova! Fique longe dele! – Disse sussurrando. – E eu sei o que você viu, e se ele chegar a descobrir sobre isso, eu vou culpar você, e você não quer pensar nas conseqüências... – Depois ela sorriu falsamente. – Não é fofa?
            Fernanda não esperou por uma resposta. Saiu da sala batendo os pés como uma menininha mimada que não vai ganhar uma casa de bonecas no natal.
            Saskia não sabia bem o que pensar. Uma parte dela a mandava sair correndo daquela sala e dar uma bela tapa na cara daquela garota, pra ela deixar de ser tão puta. Mas outra parte mandava ficar quieta na cadeira e não arranjar confusão, afinal, a última coisa que queria era ficar conhecida como “A Novata Barraqueira”. Resolveu então seguir essa segunda parte, e não se mexeu.


            A amazona se levantou devagar. Sua cabeça doía muito e suas costas pareciam estar fora do lugar, mas ainda assim ela se levantou.
            Olhou um pouco ao redor e achou tudo muito estranho. A sala parecia mais clara e estava muito quieta, havia sinais de batalha aqui e ali, como alguns pilares caídos paredes rachadas e esburacadas e, no teto, um buraco que parecia ter sido aberto à força. Sem ter tempo nem de pensar em nada um corpo caiu pelo buraco do teto e logo em seguida Laura pouso na frente do corpo.
            Saskia caminhou lentamente e ao se aproximar o horror tomou conta do seu corpo, o belo rosto masculino de Felipe aos poucos se transformava no delicado rosto de Fernanda.
            – Mas o que é que está acontecendo? – Disse ela se aproximando de Laura.
            – Ah, você acordou... Tudo bem?
            – Sim, sim... Mas... O que você fez com ele... ela... O que aconteceu? – A confusão tomava conta da amazona.
            – Eu não fiz nada. – Respondeu Laura. – Estávamos lutando e eu consegui golpeá-lo com força. Quando cheguei aqui ele estava se transformando nessa garota... Você conhecia o garoto, não faz a menor idéia do que aconteceu?
            – Não... O garoto estudava na minha sala, e essa na qual ele está se transformando é a namorada dele...
            – Você está sugerindo que os dois são a mesma pessoa? – Perguntou Laura.
            – Não... Eu não sei...
            A discussão das duas foi interrompida. Fernanda começava a se mexer. Lentamente ela se sentou, com a mão na cabeça, após gemer um pouco ela olhou para as duas garotas e sorriu.
            – Então... Vocês conseguiram descobrir... – Enquanto se levantava uma voz maliciosa saia de sua boca. – Mas foi melhor assim, não conseguiria segurar aquela forma por muito mais tempo.
            – O que você quer dizer com isso? – Perguntou Saskia.
            – E aqui está ela... A rainha perdedora... Eu esperei muito tempo por esse dia, mas nunca poderia imaginar que seria dessa forma.
            – Do que você está falando? – Perguntou a amazona, sem entender nada.
            – Você sabe muito bem o que eu estou falando! Tentou tirar o meu namorado de mim, e estava conseguindo... – Disse ela, com ódio estampado em sua face. – Mas eu não vou deixar você ficar no meu caminho!
            – Do que você está falando garota?! Eu nunca quis tirar ninguém de você?!
            – MENTIRA! – Berrou a amazona. – Você estava fazendo a cabeça dele, para que ele pensasse em você direto! E era isso que estava acontecendo! “Saskia isso, Saskia aquilo”. Mas quer saber? Eu cansei... Se eu não posso tê-lo, você também não terá!
            Fernanda saltou em direção a Saskia com o punho erguido, quando estava se aproximando Laura se prostrou entra as duas e desferiu um soco na amazona, mas foi inútil... De alguma forma ela havia desaparecido e o soco fora desferido em pleno ar. No segundo seguinte Saskia sentiu um chute de enorme potencia na sua nuca que a fez voar em direção a parede.
            Mas Saskia rapidamente se levantou com punho em chamas preparada para revidar, mas só quem estava lá era Laura.
            – Onde ela está? – Perguntou Saskia.
            – Eu não sei... Ela sumiu de repente... – Disse Laura de um jeito um tanto esquisito. – Ei, você está mesmo bem? Deixa eu dar uma olhada em você...
            Laura se aproximou e encostou a mão na barriga de Saskia, mas, como num passe de mágica, outra Laura saiu sabe Deus de onde e desferiu uma voadora na que estava ao seu lado. Ambas colidiram com a parede de entrada da casa e Saskia simplesmente ficou sem reação.
            Duas “Lauras” exatamente idênticas se engalfinhavam numa luta terrível. Ambas pareciam estar vencendo. “O que diabos está acontecendo aqui?!
            – METEORO DE PAGASO!!! – Gritou uma delas.
            O golpe foi forte o suficiente para atirar a outra longe, a aparência desta começava a mudar assim como sua armadura, ela se transformava em Fernanda, que se levantou sorrindo.
            – O que você é?! – Perguntou Laura.
            – Ainda não percebeu? Eu sou uma metamorfa... Posso me transformar na pessoa que eu quiser, desde que eu a tenha visto... Eu me transformei em Felipe só para que ela morresse pensando que ele a havia matado! – Ela apontou para Saskia e riu psicoticamente.
            – Sua... – Laura já erguia o punho para atacá-la, mas antes que fizesse qualquer coisa Saskia segurou seu pulso, e cortou-o com uma unha. – Ficou louca?! O que você está fazendo?!
            – Desse jeito nós poderemos saber caso ela se transforme em uma de nós de novo. – Disse ela fazendo o mesmo em seu próprio pulso. – Agora nós precisamos trabalhar em sincronia, ou nunca vamos derrotá-la...
            Antes que pudesse concluir o que dizia, Laura foi atingida por um soco de Fernanda que já pegava impulso para socar Saskia, mas esta estava preparada e já havia se abaixado, o soco passou a poucos centímetros da sua cabeça. Sua aura começou a tomar conta de seu corpo, seu punho brilhou e ela desferiu um golpe potente em seu queixo.
            O impacto fez com que Fernanda fosse atirada para o alto. Saskia saltou em sua direção e quando ambas estavam na mesma altura ela gritou:
            – LAURA! ATENÇÃO! – Dizendo isso levantou a perna e golpeou o estomago da inimiga fazendo-a voltar em alta velocidade para o chão. De cima a amazona pôde ver Laura girando e chutando Fernanda que foi atirada contra outro pilar, destruindo-o.
            – Isso foi muito bom! – Disse Laura depois que sua parceira havia voltado ao chão. Mas, sem ter tempo para comemorações, elas puderam ver os escombros se mexendo até que explodiram e Fernanda apareceu dentre eles.
            – Isso não será o suficiente para me derrotar! – Gritou ela.
            Dessa vez ela correu em direção a Saskia, mas Laura se interpôs e disparou um soco em seu estômago. A cena foi estranha. Quando o punho de Laura encostou na barriga de Fernanda, foi como se a cena congelasse, e elas parassem de se mexer por um segundo, para depois voltarem e a adversária ser jogada contra a parede.
            – Eu sei exatamente o que irá te derrotar. – Disse Saskia, caminhando na direção da inimiga. Pegou-a pela gola da armadura, prendeu-a contra a parede e encostou o punho cerrado em sua testa sussurrando: – Golpe Fantasma de Fênix!
            Ela sentiu um fio de seu cosmo indo na direção de Fernanda, e penetrando em sua mente, que, por sinal, estava muito bem protegida. Saskia lutou um pouco, mas conseguiu derrubar as muralhas que haviam nela. Sem perder tempo ela começou a por imagens na mente da inimiga.

            – Oi, meu amor! – Disse Felipe abraçando Fernanda por trás. – Sentiu saudade?
            – E porque eu sentiria? – Perguntou ela.
            – Sei lá, você ficou o fim de semana sem me ver, nem falar comigo...
            – E o que é que você quer que eu faça? Você que não ligou pra mim!
            – Poxa, amor, não fala assim você sabe que eu te amo...
            – Eu não me importo...
            – Ah, é? – Nesse momento Felipe parecia crescer e ficar cada vez maior... Uma aura negra o envolvia e ele começava a virar apenas um vulto, com boca e olhos. – Então você vai morrer...
            O vulto partiu para cima de Fernanda que gritou e começou a correr, ela corria cada vez mais rápido, mas o vulto sempre estava atrás dela. Ela estava com medo. Suas pernas tremiam e isso fez com que tropeçasse nos próprios pés. O vulto estava em cima dela, ela não tinha chance de escapar. O vulto abriu a boca e deu um bote...

            Saskia saiu de sua mente de uma vez e olhou para a inimiga. Seu olhar era vidrado como se ela estivesse tendo devaneios. De repente todo o seu corpo estremeceu, seu corpo deslizou devagar pela parede até se sentar. Saskia se afastou um pouco e ficou observando, sua adversária não se mexia, ao que parecia o golpe tinha surtido efeito.
            – O que você fez com ela? – Perguntou Laura.
            – Uma técnica especial... A mente dela está destruída. Eu a fiz viver um pesadelo. – Respondeu a amazona. – Vamos, vamos para a próxima casa.
            Mas, antes que as duas tivessem tempo de dar o primeiro passo, o corpo de Fernanda começou a se mexer, como se tivesse tendo um acesso de convulsões. A garota se ajoelhou, depois de alguns segundos sua risada histérica pôde ser ouvida.
            As duas meninas sentiram o estomago dar voltas dentro de seus corpos. Ela ainda não havia sido derrotada.
            – Você realmente achou que isso iria me derrotar, garota? – Perguntou ela em meio aos risos. – Me mostrar uma imagem de meu namorado me atacando?
            – Eu pensei que você gostasse dele...
            – Eu até gostava no começo. – Ela já havia se controlado e caminhava lentamente em direção a Saskia. – Mas eu terminei cansando dele. Só estava com ele por causa de status... Tipo, eu estava com o cara mais lindo do colégio... Mas aí você chegou, e eu tive que... Digamos... Dar um jeito nele...
            – O que você fez com ele? – Perguntou Saskia arregalando os olhos.
            – Bem eu... – A essa altura Fernanda estava cara a cara com Saskia. Encostou a boca no seu ouvido e sussurrou. – Eu o matei... Afinal, como eu já disse: Se eu não posso tê-lo, ninguém o terá.
            Todos os nervos de Saskia agora entravam em total atividade. Uma raiva desenfreada tomava conta do seu corpo. Como ela teve a audácia de fazer isso? Matar alguém só para satisfazer seu ego? Matar alguém por egoísmo?
            – Imperdoável... – Sussurrou ela.
            – Desculpe... Eu não pude te ouvir...
            – IMPERDOÁVEL!!!
            Saskia pegou impulso com as duas mãos e desferiu um golpe na estomago de sua inimiga. Depois disso começou uma seqüencia louca e descontrolada de golpes em cada parte que suas mãos conseguiam alcançar.
            Ela não conseguia pensar em nada, só em sua raiva. Ela não podia deixar que alguém como ela existisse, uma pessoa cruel desse jeito não merecia tudo o que teve na vida, ela deveria agradecer a cada uma das coisas que possuía na vida, mas, por motivos fúteis deixara tudo morrer... Imperdoável.
            A amazona segurou firme com as duas mãos o rosto da oponente e a pendurou, depois levantou o joelho lançou sua cabeça contra ele. Sangue espirrou no chão e Fernanda caiu.
            – Já terminou? – Perguntou ela ficando de joelhos. – Agora é a minha vez.
            Ela pegou impulso com os pés e se lançou contra Saskia desferindo um soco bem mais potente que os anteriores em seu rosto, fazendo com que ela fosse atirada contra a parede, com uma velocidade incrível lançou uma voadora na direção da amazona, que se abaixou como uma tentativa de se esquivar, que deu certo. Mas Fernanda parou em pleno ar, girou e acertou um chute com o peito do pé em sua bochecha, jogando Saskia mais uma vez contra uma parede.
            Fernanda vinha mais uma vez para cima de Saskia, que já estava fraca. O poder da inimiga havia aumentado de forma incrível, talvez ela estivesse escondendo esse poder o tempo todo, só para ter uma noção do poder das amazonas, ou talvez quando ela estivesse transformada ela não conseguia usar cem por cento do seu poder, era difícil dizer.
            Ela estava se aproximando.
            – COMETA DE PAGASO!
            A onda de poder vinda do punho de Laura atingiu em cheio Fernanda um pouco antes que dela chegar a Saskia. A poeira subiu borrando a visão das garotas por algum tempo, mas, logo em seguida, a garota saiu de lá com um salto como se nada tivesse lhe atingido. Levantou a mão e suas unhas cresceram virando garras que começaram a flamejar.
            – ERUPÇÃO SOLAR!
            Ao contrário do que Saskia pensava o golpe não atingiu Laura, mas sim o chão, num local muito próximo a ela. Quase instantaneamente uma explosão foi gerada no chão em baixo dela, fazendo com que fosse atirada longe, antes que pudesse atingir o chão ou qualquer outro lugar, Fernanda a segurou pelo pé e jogou-a em cima de Saskia, que conseguiu segurar a amiga.
            – Você está bem? – Perguntou ela.
            – Mais ou menos, vou conseguir continuar, não se preocupe.
            – Ela parece invencível...
            – Talvez... Eu tenho um plano. – Disse Laura. – É bem simples, quando eu mandar você vai atacar... Não importa o que acontece você tem que jurar que vai atacar. Certo?
            – Tudo bem.
            – Jure.
            – Não entendo por que...
            – Apenas jure, Saskia!
            – Eu juro.
            No momento em que Saskia disse isso, Laura saltou para a parede e, pegando impulso se jogou contra Fernanda, com o punho erguido e sua aura azul tomou conta do seu corpo.
            “Ela parece uma estrela cadente... Será algum tipo de sinal?
            Quando elas estavam próximas Laura disparou o soco, e Fernanda fez o mesmo. Ambos os punhos se chocaram e uma explosão de energia foi gerada. Uma luz muito forte cegou Saskia por alguns instantes, quando ela voltou a enxergar Laura havia agarrado Fernanda por trás, prendendo-a numa chave de braço.
            – Ataca Saskia! Agora! – Gritou ela.
            – O que? Ficou maluca? Vocês duas vão morrer!
            – É o único jeito! Eu não me importo de morrer desde que isso ajude a salvar as pessoas na Terra! Você acha que eu conseguiria suportar a idéia de deixá-la viva sabendo que ela pode matar as pessoas?! Que ela pode matar em eu amo? Se minha morte significa que minha família, meus amigos e Carolina estão salvos então que assim seja! Agora pare de hesitar e ataque!
            Saskia estava paralisada. Tudo o que Laura havia falado era verdade, uma morte era um preço baixo a pagar pela segurança da Terra...
            “Mas porque tem que ser logo Laura? Porque não podia ser eu? Afinal... Ela tem muito mais a perder do que eu...
            Lentamente ela juntou os antebraços e se preparou para atacar. Sua aura vermelha começou a tomar conta de seu corpo.
            – Desculpe Laura... AVÊ FÊNIX!!!
            Ela golpeou o ar e uma enorme Fênix de fogo surgiu e voou em direção as garotas. Ao alcançá-las explodiu num turbilhão de chamas envolvendo-as. Mas antes disso acontecer, Saskia teve a impressão de ter visto uma lágrima caindo por cima de um sorriso estampado nos lábios de Laura.
            O corpo de Saskia não conseguia mais agüentar o próprio peso, então ela se ajoelhou e lágrimas atrás de lágrimas caíram de seu rosto. De repente, o preço pela salvação da Terra parecia alto de mais. Ela cobriu o rosto e chorou ainda mais. Ela sabia que tinha que se levantar e seguir para a próxima casa, mas seu corpo não obedecia mais seus comandos, ela queria ficar ali, e chorar até que caíssem lágrimas suficientes para trazer Laura de volta, mas ela sabia que era impossível.
            Uma mão tocou o seu ombro e ela abriu os olhos por trás das mãos de repente. Seu coração começou a palpitar forte e uma alegria tomou conta do seu ser.
            Essa alegria se transformou em terror quando ela levantou a cabeça e viu na sua frente o sorriso maligno de Fernanda.
            – Você é muito burra mesmo. – Disse ela com uma voz falsamente amigável. – Você tem mesmo certeza de que tentou derrotar um soldado do deus do Sol, com fogo? Desculpe, mas isso é impossível, fofa... O único jeito de você me derrotar é alcançando uma temperatura maior do que a minha. – Mais lágrimas caíam dos olhos de Saskia. Ela tinha razão... Como pode ser tão tola a ponto de fazer uma besteira dessas. – Entenda: Casa soldado de Apolo consegue chegar até certa temperatura. Os filhos de Apolo podem chegar até 372ºC. Os cavaleiros da coroa do Sol podem chegar até 1560ºC. O único que pode ultrapassar essa temperatura é o próprio Érik, que consegue chegar a 6000ºC, e essa, minha amiga, é a temperatura do próprio Sol. E eu sinto lhe informar, mas o seu golpezinho de merda não chegou nem perto dos 700ºC... Então eu sugiro que você desista.
            Fernanda se levantou e se afastou, esperando alguma resposta eu reação de Saskia. Mas ela estava acabada...
            “É impossível... Eu não agüento mais. Matei minha própria amiga na esperança de salvar a Terra, mas a morte dela terminou sendo em vão... Eu não consigo mais lutar. Está na hora de aceitar a derrota e deixar que ela me destrua... Acho que nem assim vou poder me redimir com ela.
            – Me mate... – Disse Saskia.
            – Como? – Disse Fernanda, claramente sarcástica. – Eu acho que não ouvi direito... Você pode falar mais alto?
            – Me... Me... ME MATE!!! – Berrou a amazona.
            – Com prazer...
            Fernanda levantou a mão e suas unhas se transformaram mais uma vez em garras, enquanto Saskia fechava os olhos e esperava. Com um golpe rápido Fernanda cortou o rosto de Saskia e pegou impulso. Desferiu um soco em seu rosto atirando-a na parede. Seu elmo saiu de seu rosto.
            A amazona abriu os olhos e viu a inimiga se aproximando. Ela segurou-a pela gola da armadura e foi até o centro do salão. Olhou fundo nos olhos de Saskia e sorriu.
            – Como você é fraca... – Dizendo isso ela atirou Saskia para cima e saltou com as garras flamejando.
            Com um único golpe no estomago suas garras atravessaram o estomago de Saskia e sua armadura começou a rachar, algumas partes caíram no chão deixando-a desprotegida. Ainda no ar Fernanda girou, pegou o pescoço de Saskia e atirou-a de volta ao chão, destruindo o que restava da parte frontal da armadura.
            A dor tomou conta do corpo da amazona. Mas a dor era boa... Fazia com que ela esquecesse o que havia feito com Laura. Abrindo os olhos mais uma vez pode ver sua inimiga vindo em sua direção com as garras preparadas para acabar com tudo. Ela fechou os olhos e esperou.
            Mas tudo que pode sentir foram as garras de sua inimiga sendo fincadas no chão, mas nenhum resquício de poder. Ela abriu os olhos e viu o sorriso maligno de Fernanda encarando-a
            – Porque você não acaba logo comigo? – Perguntou.
            – Seria muito fácil... – Disse ela se levantando. – Mas acho que é melhor eu fazer isso logo. Tenho que ir atrás daqueles dois imbecís que passaram por essa casa... Aquário e Cisne... Bem. De qualquer modo, adeus... Saskia de Fênix. ERUPÇÃO SO...
            – RELAMPAGO DE PLASMA!!!
            Antes que Saskia pudesse se alegrar com a idéia de tudo estar acabado para ela, uma onde de eletricidade dourada veio da entrada da casa e atingiu o peito de Fernanda em cheio.
            – Mas o que é que...
            Saskia se virou e olhou para a entrada da casa... De lá vinham caminhando Lays, Mariana e Carol, que estava mais a frente, com o punho brilhando em pura eletricidade. Ela se abaixou ao lado de Saskia enquanto as outras meninas correriam até Fernanda.
            – O que você está pensando sua idiota?! – Gritou Carol.
            – O que você está fazendo? Porque não deixou que ela me matasse?
            – Mas o que... – Carol fechou os olhos e uma expressão de raiva inundou seu rosto. Ela levantou a mão e deu uma tapa no rosto da amiga. – Você está desistindo?!
            – Você não sabe o que aconteceu...
            Carol soltou Saskia e se levantou. Olhou para as meninas que lutavam com Fernanda, correu até lá e disparou uma onda de poder contra ela.
            – Lays, Mariana. Vão para a próxima casa... Essa luta agora é minha.

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