Matheus
de Aquário.
Nós
começamos a subir as escadas em direção a segunda casa... Havíamos deixado Bia
e Joyce enfrentando Vítor na primeira, mas eu procurava não pensar muito nisso.
Não que eu não me preocupasse com elas, mas elas sabiam se virar, ao contrário
de Larissa.
A primeira
explosão de cosmos veio da casa de Alfa Centauri. Luana parou bruscamente e
olhou para trás apreensiva.
– Mantenha
o foco, Luana. – Falei. – Elas vão se sair bem. Tenha esperança.
Ela
simplesmente sacudiu a cabeça e nós continuamos a correr.
Com alguns
minutos de subida nós chegamos à segunda casa do Templo de Apolo. Não era muito
diferente da fachada da primeira casa exceto por uma coisa, ao invés de um
centauro havia um lobo desenhado em cima da porta de entrada, ele olhava para
cima como se uivasse para o sol.
– Lobo?
Existe uma estrela chamada Lobo? – perguntou Laura.
– Isso são
apenas detalhes... – Falou Luana. – Vamos entrar logo.
Saskia
de Fênix.
Ao entrar
na casa os cavaleiros puderam notar algumas diferenças. A iluminação, por
exemplo, era bem menor em relação à primeira casa, não havia tochas lâmpadas
nem nada do tipo, a única luz provinha das portas de saída e entrada.
– Isso aqui
é bem sinistro. – Falou Saskia.
– Deve ser
só pra assustar... Mesmo assim, olhe por onde anda! – Disse Matheus.
Todos os
cavaleiros pararam no meio do salão esperando que alguém aparecesse ou algo
acontecesse, mas nada veio.
– Será que
está vazia? – Perguntou Laura.
– Não pode
estar vazia... Erik não seria... AH! – O grito de Matheus reverberou no salão.
Saskia correu até ele para ver o que tinha acontecido.
Ao chegar a
sua frente viu que ele fazia uma careta de dor e segurava seu braço direito em
uma das poucas regiões que sua armadura deixava desprotegida.
Ele tirou a
mão do braço e sangue começou a escorrer de uma ferida assustadora. Três cortes
completamente simétricos e próximos, como se um leão o tivesse atacado, foram
abertos em seu braço.
– O que
aconteceu? – Perguntou ela assustada.
– Não sei
ao certo... Olhei para o lado por um segundo e a ferida simplesmente se abriu.
– Respondeu Matheus, tentando manter a calma.
– Essa
ferida não vai estancar nem tão cedo, você tem que fazer alguma coisa. – disse
Luana.
Matheus
então levou a mão esquerda mais uma vez ao braço ferido e uma delicada corrente
de ar frio passou pelas amazonas. Alguns segundos depois ele retirou a mão do
braço e a ferida se encontrava envolta por uma leve camada de gelo fazendo com
que o sangue parasse de escorrer.
– Vai segurar
por tempo suficiente. – Disse ele. Matheus levantou a cabeça e olhou para
Saskia, ao mesmo tempo algo lhe chamou atenção logo atrás dela, ele arregalou
os olhos e gritou: – SASKIA! CUIDADO!
No mesmo
instante ele se atirou sobre a amazona agarrando-a e ambos caíram no chão, a
visão de Saskia, que ficou voltada para o teto, pode perceber um vulto
alaranjado passando próximo a eles.
– Mas que merda é essa? –
Disse Matheus se levantando e olhando na direção em que o vulto desapareceu.
Saskia se
apoiou nos cotovelos e pôde ver quando o cavaleiro saiu das sombras, e seus
olhos não acreditavam no que viam.
Caminhando
lentamente na direção do grupo vinha Felipe. Um garoto conhecido de Saskia, o
qual ela certa vez se apaixonara... Seu cabelo era assentado em sua cabeça,
muito curtos, suas feições eram delicadas, mas não a ponto de deixá-lo
parecendo uma mulher, seus olhos eram pequenas fendas onde se viam grandes íris
castanhas.
Ele sorriu
revelando dentes muito brancos e correu para cima de Saskia com o punho
levantado, sem falar uma única palavra.
– Ah, não
vai não! – Gritou Matheus, acertando um soco em sua bochecha no momento em que
Felipe passava por ele.
O impacto
foi muito forte, fazendo o cavaleiro desviar sua rota e colidir com um dos
pilares laterais.
– PÓ DE
DIA...
– Não! –
Saskia interrompeu Matheus no momento do golpe, ficando entre ele e o inimigo.
– Espere! Por favor. Só um minuto.
Ela
caminhou até Felipe lentamente. Ele conseguiu se manter de pé depois do golpe,
mas estava escorado na parede, sua bochecha esquerda estava parcialmente
congelada, seus olhos estavam fechados.
Saskia
ficou de frente para ele e pôs a mão em seu ombro.
– Felip...
De uma hora
para outra ele ergueu a cabeça, olhou bem nos olhos de Saskia e segurou seu
ombro. Ergueu o punho que automaticamente começou a flamejar e disparou um
golpe certeiro no estomago da amazona. Sangue espirrou de sua boca, e sua visão
começou a ficar turva, a última coisa de que ela se lembrou foi de ter sentido
mais um golpe no rosto, que a fez voar e colidir com Matheus, ambos foram em
direção a parede. Depois disso, escuridão.
Laura
de Pégaso.
Num segundo
Saskia tinha ido falar com o garoto que seria o novo adversário, no segundo
seguinte ela tinha voado em direção a Matheus e ambos colidiram juntos com a
parede da casa.
Matheus
tirou a amiga delicadamente de cima de si e a pôs no chão. Após alguns segundos
apreensivos ele soltou um suspiro de alívio, ela estava viva. O cavaleiro se
levantou e olhou nos olhos do garoto.
– Quem é
você, desgraçado?! Responda! – Gritou ele na direção do garoto.
Ele nada
disse, apenas pulou e flutuou em alta velocidade e com o punho erguido na
direção de Matheus, que fez com que ele voltasse ao lugar onde estava com um
soco, potente e carregado de poder, no estomago.
– Isso não
é poder... – Disse ele calmo. – Vamos brincar, garoto.
Ele correu
até o cavaleiro desferiu o primeiro soco em seu rosto, porém o inimigo se
defendeu com o ante-braço, o que não impediu Matheus de lhe disparar uma
joelhada no estomago, fazendo com que ele cuspisse sangue.
Mas parecia
que não fazia efeito, ele juntou os pulsos num movimento rápido e uma corrente
de fogo atingiu Matheus em cheio.
–
Desgraçado! – Gritou Luana, correndo na direção do garoto.
Seu punho
estava envolto por uma grossa camada de gelo, e, dessa forma, ela socou o rosto
do garoto e Laura passou a sua frente, segurou o garoto pela gola da armadura e
atirou-o contra a parede, correu até lá e prendeu de forma que não conseguisse
se soltar.
– Matheus,
Luana! – Gritou ela. – Isso aqui é uma completa perda de tempo! Vão pra próxima
casa, eu cuido desse aqui... Deixem Saskia aí, quando eu terminar eu dou uma
olhada nela, agora vão!
Luana ia
partir para cima do garoto para ajudar Laura, mas Matheus a segurou pela mão e
balançou a cabeça negativamente.
– Essa luta
é a dela. – Disse ele.
Então
juntos eles saíram da casa deixando Laura sozinha com o inimigo. Ela
pressionava seu pescoço contra a parede e olhava em seus olhos.
–
Preparado? – Disse ela.
Ele sorriu
mais uma vez, parecia que tudo aquilo para ele era apenas uma divertida
brincadeira. Com um movimento rápido nas pernas o garoto chutou a barriga de
Laura fazendo-a recuar um pouco, mas o suficiente para lhe dar espaço para
atacar. E foi o que ele fez.
Seu punho
adquiriu um brilho alaranjado e ele atacou, mas ela foi rápida e conseguiu não
só se defender como conseguiu contra-atacar. Com um puxão Laura fez com que o
oponente ficasse mais próximo a ela, e, depois de um giro, pôs a mão em sua
nuca e empurrou o rosto do garoto com toda a força que conseguiu reunir em
direção ao chão.
Com um leve
empurrão com o pé Laura fez com que o garoto se deitasse de costas.
– Vamos
começar com o seu nome, garoto... Diga.
Ela apenas
sorriu para ela. Seu punho brilhou mais uma vez e ele desferiu o golpe contra
Laura, mas a velocidade da amazona era maior, e ela conseguiu sair da frente do
golpe. Com uma breve passada Laura foi para trás do inimigo e se preparou para
atacá-lo pelas costas, mas ele havia percebido o plano dela, se virou rápido e
desferiu um soco potente em seu rosto.
Ela passou
os dedos no local atingido, estava vermelho e queimado. Pelo canto do olho ela
percebeu que ele se preparava para desferir outro golpe, quando estava prestes
a ser atingida mais uma vez ela se abaixou com agilidade.
– METERORO
DE PÉGASO.
Ao invocar
o golpe os átomos do seu corpo aceleraram e ela atingiu a velocidade do som.
Milhares de golpes com mira completamente perfeita atingiram o garoto em seu
estomago, e os golpes se tornaram mais perigosos por causa da proximidade.
No fim ele
deitou-se no chão com as mãos no estomago cuspindo muito sangue.
– Você não
vai me dizer seu nome mesmo, não é? – Disse Laura calma.
–
HAHAHAHAHA! – O garoto ria psicoticamente, mas havia algo errado com aquela
voz, mas ela não conseguia identificar o que era. Ela estava fina, como se
aquela voz não pertencesse aquele corpo... Como uma dublagem mal feita.
Ele olhou
para Laura e correu até ela, sua velocidade tinha aumentado, não muito, mas o
suficiente para surpreendê-la.
Um soco no
rosto, bem mais forte do que os que ela havia recebido até agora, fez com que
fosse atirada contra a parede, mas antes que ela a atingisse o garoto segurou-a
pelo pé e começou a girá-la durante alguns segundos se a soltou contra um dos
pilares.
Laura se
levantou lentamente e ofegante. A velocidade e a força do garoto haviam
aumentado bastante sem ele precisar usar um golpe ou técnica. Ela se levantou e
olhou para o rosto do garoto, e havia algo diferente. Seus cabelos estavam castanhos
claros, e ela podia ter certeza de que eles eram completamente negros.
“Então ele quer velocidade e força? Vamos lá.”
Ela se
levantou e sua aura começou a se adensar, abriu os olhos e correu até o
adversário com um a maior velocidade que conseguiu.
Desferiu um
soco no estomago do cavaleiro da coroa do sol ele arregalou os olhos para Laura
que segurou-o pela gola da armadura e o atirou no pilar do outro lado do salão.
Depois de
um brilho alaranjado envolvê-lo ele voltou com o punho erguido em direção a
Laura que se abaixou e começou a concentrar todo o poder do Meteoro de Pegaso
num único soco.
– COMETA DE
PEGASO!
Ela atingiu
a região do estomago com tamanho poder que todo o corpo do inimigo amolecou, o
impacto jogou-o para cima e ele atravessou o teto. A amazona levantou vôo e
atravessou o buraco deixado pelo corpo do inimigo. Uma vista inacreditável do
sol, do espaço e da Terra cegou sua visão por alguns segundos. Quando ambos
estavam na mesma altura ela segurou o garoto pela perna e jogou-o de volta para
a casa.
Laura
desceu até lá, a escuridão foi um pouco estranha no começo, mas depois que seus
olhos se acostumaram ela procurou pelo garoto, e ao se virar, ela viu a coisa
mais bizarra que já presenciara em toda a sua vida.
Lentamente,
o garoto se transformava em uma garota. Seus cabelos começavam a ficar longos,
finos e delicados. Seios cresciam atrás de sua armadura e feições delicadas
tomavam forma em seu rosto.
Saskia
de Fênix.
Era o primeiro dia de aula na nova escola.
Saskia não sabia o que esperar, nem para onde olhar. Era um local enorme e ela
estava tendo dificuldades para encontrar sua sala de aula. Depois de caminhar
um pouco ela viu um garoto passando pelo corredor e resolveu pará-lo para pedir
informação.
– Com licença... – Disse ela timidamente. – Você pode me dizer onde fica
a sala do 2º ano C?
– Mas é claro... Não fica muito longe... É só você seguir o corredor e
virar na terceira porta a esquerda. – Disse o garoto sorrindo.
– Ah! Muito obrigado.
O garoto sorriu e continuou com sua
rota.
Ela fez como o menino falou e
continuou seguindo o corredor, mas ao passar pelo corredor que fazia cruzamento
com o que ela estava algo chamou sua atenção. Uma garota ria de tal forma que
foi impossível para Saskia não parar para olhar.
Quando ela olhou para o lado viu uma
garota com cabelos castanhos claríssimos e um rosto delicado e liso, ela era
linda exceto por uma coisa. Suas pernas estavam envolvendo um rapaz que a
segurava nos braços e a sustentava segurando-a pelas nádegas.
Ela arregalou os olhos para a cena e
saiu correndo antes que eles a vissem.
Chegando à sala ela escolheu uma
cadeira bem na primeira fila com uma visão incrível da janela, que ficava do
seu lado esquerdo.
As pessoas entravam em grupos e a
sala começava a encher de trás para frente. Muitos ali mal se davam ao trabalho
de olhar para a cara da aluna nova, mas ela não ligava, era até melhor assim...
Até que ele entrou na sala.
Um garoto alto com o rosto mais
lindo que ela já havia visto entrou na sala e esbanjou um sorriso de tirar o
fôlego para alguns colegas, até vê-la. Ele parou por um momento para olhá-la,
depois jogou aquele mesmo sorriso para ela e foi em sua direção.
– Oi... Você é nova aqui, estou
certo? – Perguntou ele com uma voz levemente grave, mas que carregava alguma
tristeza, como se algo estivesse errado.
– N-não... Quer dizer... Sim, é...
Eu fui transferida ontem. – Disse Saskia sem reação, já que nunca imaginara que
ele viesse falar com ela.
– Ah... Bom, meu nome é Felipe. –
Disse ele estendendo a mão. – Prazer em conhecê-la.
– Meu nome é Saskia. – Disse a
garota apertando sua mão. – O prazer é meu.
– Saskia? – Disse ele mostrando um
sorriso confuso. – Nome difícil de se encontrar por aí... Sua família é daqui?
– É sim... Mas não me pergunte a
história do meu nome, não quero aborrecer a primeira pessoa que vem falar
comigo, é que é uma longa história.
– HAHAHA! – Uma gargalhada gostosa
saiu de sua garganta como se ele tivesse realmente achado o comentário
engraçado. – Você é engraçada, gostei de você... Então de ond...
– OOIII MEU AMOR! – A voz de uma
garota veio de trás dele ao mesmo tempo que um par de braços envolviam sua
cintura. De cima de seu ombro surgiu o rosto de uma linda garota de cabelos
castanho claros. A mesma garota que Saskia havia visto no maior amasso com um
cara no corredor instantes atrás. – Como foi seu fim de semana?
– Oi, minha linda. – Disse Felipe. –
Foi ótimo... Essa aqui é a Saskia. Acabou de ser transferida. Saskia, essa é a
Fernanda, minha namorada.
– Oi. – Disse a tal da Fernanda,
secamente. – Amor, vamos comer alguma coisa... Ainda falta muito pra aula
começar.
– Até mais Saskia... – Disse Felipe,
e ambos saíram abraçados da sala.
Mas, alguns segundos depois, a
garota voltou, chegou perto de Saskia, tão perto que quase a beijou, olhou bem
no fundo de seus olhou e disse:
– Ele é meu, garota nova! Fique
longe dele! – Disse sussurrando. – E eu sei o que você viu, e se ele chegar a
descobrir sobre isso, eu vou culpar você, e você não quer pensar nas
conseqüências... – Depois ela sorriu falsamente. – Não é fofa?
Fernanda não esperou por uma
resposta. Saiu da sala batendo os pés como uma menininha mimada que não vai
ganhar uma casa de bonecas no natal.
Saskia não sabia bem o que pensar.
Uma parte dela a mandava sair correndo daquela sala e dar uma bela tapa na cara
daquela garota, pra ela deixar de ser tão puta. Mas outra parte mandava ficar
quieta na cadeira e não arranjar confusão, afinal, a última coisa que queria
era ficar conhecida como “A Novata Barraqueira”. Resolveu então seguir essa
segunda parte, e não se mexeu.
A amazona
se levantou devagar. Sua cabeça doía muito e suas costas pareciam estar fora do
lugar, mas ainda assim ela se levantou.
Olhou um
pouco ao redor e achou tudo muito estranho. A sala parecia mais clara e estava
muito quieta, havia sinais de batalha aqui e ali, como alguns pilares caídos
paredes rachadas e esburacadas e, no teto, um buraco que parecia ter sido
aberto à força. Sem ter tempo nem de pensar em nada um corpo caiu pelo buraco
do teto e logo em seguida Laura pouso na frente do corpo.
Saskia
caminhou lentamente e ao se aproximar o horror tomou conta do seu corpo, o belo
rosto masculino de Felipe aos poucos se transformava no delicado rosto de
Fernanda.
– Mas o que
é que está acontecendo? – Disse ela se aproximando de Laura.
– Ah, você
acordou... Tudo bem?
– Sim,
sim... Mas... O que você fez com ele... ela... O que aconteceu? – A confusão
tomava conta da amazona.
– Eu não
fiz nada. – Respondeu Laura. – Estávamos lutando e eu consegui golpeá-lo com
força. Quando cheguei aqui ele estava se transformando nessa garota... Você
conhecia o garoto, não faz a menor idéia do que aconteceu?
– Não... O
garoto estudava na minha sala, e essa na qual ele está se transformando é a
namorada dele...
– Você está
sugerindo que os dois são a mesma pessoa? – Perguntou Laura.
– Não... Eu
não sei...
A discussão
das duas foi interrompida. Fernanda começava a se mexer. Lentamente ela se
sentou, com a mão na cabeça, após gemer um pouco ela olhou para as duas garotas
e sorriu.
– Então...
Vocês conseguiram descobrir... – Enquanto se levantava uma voz maliciosa saia
de sua boca. – Mas foi melhor assim, não conseguiria segurar aquela forma por
muito mais tempo.
– O que
você quer dizer com isso? – Perguntou Saskia.
– E aqui
está ela... A rainha perdedora... Eu esperei muito tempo por esse dia, mas
nunca poderia imaginar que seria dessa forma.
– Do que
você está falando? – Perguntou a amazona, sem entender nada.
– Você sabe
muito bem o que eu estou falando! Tentou tirar o meu namorado de mim, e estava
conseguindo... – Disse ela, com ódio estampado em sua face. – Mas eu não vou
deixar você ficar no meu caminho!
– Do que
você está falando garota?! Eu nunca quis tirar ninguém de você?!
– MENTIRA!
– Berrou a amazona. – Você estava fazendo a cabeça dele, para que ele pensasse
em você direto! E era isso que estava acontecendo! “Saskia isso, Saskia
aquilo”. Mas quer saber? Eu cansei... Se eu não posso tê-lo, você também não
terá!
Fernanda
saltou em direção a Saskia com o punho erguido, quando estava se aproximando
Laura se prostrou entra as duas e desferiu um soco na amazona, mas foi
inútil... De alguma forma ela havia desaparecido e o soco fora desferido em
pleno ar. No segundo seguinte Saskia sentiu um chute de enorme potencia na sua
nuca que a fez voar em direção a parede.
Mas Saskia
rapidamente se levantou com punho em chamas preparada para revidar, mas só quem
estava lá era Laura.
– Onde ela
está? – Perguntou Saskia.
– Eu não
sei... Ela sumiu de repente... – Disse Laura de um jeito um tanto esquisito. –
Ei, você está mesmo bem? Deixa eu dar uma olhada em você...
Laura se
aproximou e encostou a mão na barriga de Saskia, mas, como num passe de mágica,
outra Laura saiu sabe Deus de onde e desferiu uma voadora na que estava ao seu
lado. Ambas colidiram com a parede de entrada da casa e Saskia simplesmente
ficou sem reação.
Duas
“Lauras” exatamente idênticas se engalfinhavam numa luta terrível. Ambas
pareciam estar vencendo. “O que diabos
está acontecendo aqui?!”
– METEORO DE
PAGASO!!! – Gritou uma delas.
O golpe foi
forte o suficiente para atirar a outra longe, a aparência desta começava a
mudar assim como sua armadura, ela se transformava em Fernanda, que se levantou
sorrindo.
– O que
você é?! – Perguntou Laura.
– Ainda não
percebeu? Eu sou uma metamorfa... Posso me transformar na pessoa que eu quiser,
desde que eu a tenha visto... Eu me transformei em Felipe só para que ela
morresse pensando que ele a havia matado! – Ela apontou para Saskia e riu
psicoticamente.
– Sua... –
Laura já erguia o punho para atacá-la, mas antes que fizesse qualquer coisa
Saskia segurou seu pulso, e cortou-o com uma unha. – Ficou louca?! O que você
está fazendo?!
– Desse
jeito nós poderemos saber caso ela se transforme em uma de nós de novo. – Disse
ela fazendo o mesmo em seu próprio pulso. – Agora nós precisamos trabalhar em
sincronia, ou nunca vamos derrotá-la...
Antes que
pudesse concluir o que dizia, Laura foi atingida por um soco de Fernanda que já
pegava impulso para socar Saskia, mas esta estava preparada e já havia se
abaixado, o soco passou a poucos centímetros da sua cabeça. Sua aura começou a
tomar conta de seu corpo, seu punho brilhou e ela desferiu um golpe potente em
seu queixo.
O impacto
fez com que Fernanda fosse atirada para o alto. Saskia saltou em sua direção e
quando ambas estavam na mesma altura ela gritou:
– LAURA!
ATENÇÃO! – Dizendo isso levantou a perna e golpeou o estomago da inimiga
fazendo-a voltar em alta velocidade para o chão. De cima a amazona pôde ver
Laura girando e chutando Fernanda que foi atirada contra outro pilar,
destruindo-o.
– Isso foi
muito bom! – Disse Laura depois que sua parceira havia voltado ao chão. Mas,
sem ter tempo para comemorações, elas puderam ver os escombros se mexendo até
que explodiram e Fernanda apareceu dentre eles.
– Isso não
será o suficiente para me derrotar! – Gritou ela.
Dessa vez
ela correu em direção a Saskia, mas Laura se interpôs e disparou um soco em seu
estômago. A cena foi estranha. Quando o punho de Laura encostou na barriga de
Fernanda, foi como se a cena congelasse, e elas parassem de se mexer por um
segundo, para depois voltarem e a adversária ser jogada contra a parede.
– Eu sei
exatamente o que irá te derrotar. – Disse Saskia, caminhando na direção da inimiga.
Pegou-a pela gola da armadura, prendeu-a contra a parede e encostou o punho
cerrado em sua testa sussurrando: – Golpe Fantasma de Fênix!
Ela sentiu
um fio de seu cosmo indo na direção de Fernanda, e penetrando em sua mente,
que, por sinal, estava muito bem protegida. Saskia lutou um pouco, mas
conseguiu derrubar as muralhas que haviam nela. Sem perder tempo ela começou a
por imagens na mente da inimiga.
– Oi, meu amor! – Disse Felipe abraçando
Fernanda por trás. – Sentiu saudade?
– E porque eu sentiria? – Perguntou
ela.
– Sei lá, você ficou o fim de semana
sem me ver, nem falar comigo...
– E o que é que você quer que eu
faça? Você que não ligou pra mim!
– Poxa, amor, não fala assim você
sabe que eu te amo...
– Eu não me importo...
– Ah, é? – Nesse momento Felipe
parecia crescer e ficar cada vez maior... Uma aura negra o envolvia e ele
começava a virar apenas um vulto, com boca e olhos. – Então você vai morrer...
O vulto partiu para cima de Fernanda
que gritou e começou a correr, ela corria cada vez mais rápido, mas o vulto
sempre estava atrás dela. Ela estava com medo. Suas pernas tremiam e isso fez
com que tropeçasse nos próprios pés. O vulto estava em cima dela, ela não tinha
chance de escapar. O vulto abriu a boca e deu um bote...
Saskia saiu
de sua mente de uma vez e olhou para a inimiga. Seu olhar era vidrado como se
ela estivesse tendo devaneios. De repente todo o seu corpo estremeceu, seu
corpo deslizou devagar pela parede até se sentar. Saskia se afastou um pouco e
ficou observando, sua adversária não se mexia, ao que parecia o golpe tinha
surtido efeito.
– O que
você fez com ela? – Perguntou Laura.
– Uma
técnica especial... A mente dela está destruída. Eu a fiz viver um pesadelo. –
Respondeu a amazona. – Vamos, vamos para a próxima casa.
Mas, antes
que as duas tivessem tempo de dar o primeiro passo, o corpo de Fernanda começou
a se mexer, como se tivesse tendo um acesso de convulsões. A garota se
ajoelhou, depois de alguns segundos sua risada histérica pôde ser ouvida.
As duas meninas
sentiram o estomago dar voltas dentro de seus corpos. Ela ainda não havia sido
derrotada.
– Você
realmente achou que isso iria me derrotar, garota? – Perguntou ela em meio aos
risos. – Me mostrar uma imagem de meu namorado me atacando?
– Eu pensei
que você gostasse dele...
– Eu até
gostava no começo. – Ela já havia se controlado e caminhava lentamente em
direção a Saskia. – Mas eu terminei cansando dele. Só estava com ele por causa
de status... Tipo, eu estava com o cara mais lindo do colégio... Mas aí você
chegou, e eu tive que... Digamos... Dar um jeito nele...
– O que
você fez com ele? – Perguntou Saskia arregalando os olhos.
– Bem eu...
– A essa altura Fernanda estava cara a cara com Saskia. Encostou a boca no seu
ouvido e sussurrou. – Eu o matei... Afinal, como eu já disse: Se eu não posso
tê-lo, ninguém o terá.
Todos os
nervos de Saskia agora entravam em total atividade. Uma raiva desenfreada
tomava conta do seu corpo. Como ela teve a audácia de fazer isso? Matar alguém
só para satisfazer seu ego? Matar alguém por egoísmo?
–
Imperdoável... – Sussurrou ela.
–
Desculpe... Eu não pude te ouvir...
–
IMPERDOÁVEL!!!
Saskia
pegou impulso com as duas mãos e desferiu um golpe na estomago de sua inimiga.
Depois disso começou uma seqüencia louca e descontrolada de golpes em cada
parte que suas mãos conseguiam alcançar.
Ela não
conseguia pensar em nada, só em sua raiva. Ela não podia deixar que alguém como
ela existisse, uma pessoa cruel desse jeito não merecia tudo o que teve na
vida, ela deveria agradecer a cada uma das coisas que possuía na vida, mas, por
motivos fúteis deixara tudo morrer... Imperdoável.
A amazona
segurou firme com as duas mãos o rosto da oponente e a pendurou, depois
levantou o joelho lançou sua cabeça contra ele. Sangue espirrou no chão e
Fernanda caiu.
– Já
terminou? – Perguntou ela ficando de joelhos. – Agora é a minha vez.
Ela pegou
impulso com os pés e se lançou contra Saskia desferindo um soco bem mais
potente que os anteriores em seu rosto, fazendo com que ela fosse atirada
contra a parede, com uma velocidade incrível lançou uma voadora na direção da
amazona, que se abaixou como uma tentativa de se esquivar, que deu certo. Mas
Fernanda parou em pleno ar, girou e acertou um chute com o peito do pé em sua
bochecha, jogando Saskia mais uma vez contra uma parede.
Fernanda
vinha mais uma vez para cima de Saskia, que já estava fraca. O poder da inimiga
havia aumentado de forma incrível, talvez ela estivesse escondendo esse poder o
tempo todo, só para ter uma noção do poder das amazonas, ou talvez quando ela
estivesse transformada ela não conseguia usar cem por cento do seu poder, era
difícil dizer.
Ela estava
se aproximando.
– COMETA DE
PAGASO!
A onda de
poder vinda do punho de Laura atingiu em cheio Fernanda um pouco antes que dela
chegar a Saskia. A poeira subiu borrando a visão das garotas por algum tempo,
mas, logo em seguida, a garota saiu de lá com um salto como se nada tivesse lhe
atingido. Levantou a mão e suas unhas cresceram virando garras que começaram a
flamejar.
– ERUPÇÃO
SOLAR!
Ao
contrário do que Saskia pensava o golpe não atingiu Laura, mas sim o chão, num
local muito próximo a ela. Quase instantaneamente uma explosão foi gerada no
chão em baixo dela, fazendo com que fosse atirada longe, antes que pudesse
atingir o chão ou qualquer outro lugar, Fernanda a segurou pelo pé e jogou-a em
cima de Saskia, que conseguiu segurar a amiga.
– Você está
bem? – Perguntou ela.
– Mais ou
menos, vou conseguir continuar, não se preocupe.
– Ela
parece invencível...
– Talvez...
Eu tenho um plano. – Disse Laura. – É bem simples, quando eu mandar você vai
atacar... Não importa o que acontece você tem que jurar que vai atacar. Certo?
– Tudo bem.
– Jure.
– Não
entendo por que...
– Apenas
jure, Saskia!
– Eu juro.
No momento em
que Saskia disse isso, Laura saltou para a parede e, pegando impulso se jogou
contra Fernanda, com o punho erguido e sua aura azul tomou conta do seu corpo.
“Ela parece uma estrela cadente... Será algum
tipo de sinal?”
Quando elas
estavam próximas Laura disparou o soco, e Fernanda fez o mesmo. Ambos os punhos
se chocaram e uma explosão de energia foi gerada. Uma luz muito forte cegou
Saskia por alguns instantes, quando ela voltou a enxergar Laura havia agarrado
Fernanda por trás, prendendo-a numa chave de braço.
– Ataca
Saskia! Agora! – Gritou ela.
– O que?
Ficou maluca? Vocês duas vão morrer!
– É o único
jeito! Eu não me importo de morrer desde que isso ajude a salvar as pessoas na
Terra! Você acha que eu conseguiria suportar a idéia de deixá-la viva sabendo
que ela pode matar as pessoas?! Que ela pode matar em eu amo? Se minha morte
significa que minha família, meus amigos e Carolina estão salvos então que
assim seja! Agora pare de hesitar e ataque!
Saskia
estava paralisada. Tudo o que Laura havia falado era verdade, uma morte era um
preço baixo a pagar pela segurança da Terra...
“Mas porque tem que ser logo Laura? Porque
não podia ser eu? Afinal... Ela tem muito mais a perder do que eu...”
Lentamente
ela juntou os antebraços e se preparou para atacar. Sua aura vermelha começou a
tomar conta de seu corpo.
– Desculpe
Laura... AVÊ FÊNIX!!!
Ela golpeou
o ar e uma enorme Fênix de fogo surgiu e voou em direção as garotas. Ao
alcançá-las explodiu num turbilhão de chamas envolvendo-as. Mas antes disso acontecer,
Saskia teve a impressão de ter visto uma lágrima caindo por cima de um sorriso
estampado nos lábios de Laura.
O corpo de
Saskia não conseguia mais agüentar o próprio peso, então ela se ajoelhou e
lágrimas atrás de lágrimas caíram de seu rosto. De repente, o preço pela
salvação da Terra parecia alto de mais. Ela cobriu o rosto e chorou ainda mais.
Ela sabia que tinha que se levantar e seguir para a próxima casa, mas seu corpo
não obedecia mais seus comandos, ela queria ficar ali, e chorar até que caíssem
lágrimas suficientes para trazer Laura de volta, mas ela sabia que era
impossível.
Uma mão
tocou o seu ombro e ela abriu os olhos por trás das mãos de repente. Seu
coração começou a palpitar forte e uma alegria tomou conta do seu ser.
Essa
alegria se transformou em terror quando ela levantou a cabeça e viu na sua
frente o sorriso maligno de Fernanda.
– Você é
muito burra mesmo. – Disse ela com uma voz falsamente amigável. – Você tem
mesmo certeza de que tentou derrotar um soldado do deus do Sol, com fogo?
Desculpe, mas isso é impossível, fofa... O único jeito de você me derrotar é
alcançando uma temperatura maior do que a minha. – Mais lágrimas caíam dos
olhos de Saskia. Ela tinha razão... Como pode ser tão tola a ponto de fazer uma
besteira dessas. – Entenda: Casa soldado de Apolo consegue chegar até certa
temperatura. Os filhos de Apolo podem chegar até 372ºC. Os cavaleiros da coroa
do Sol podem chegar até 1560ºC. O único que pode ultrapassar essa temperatura é
o próprio Érik, que consegue chegar a 6000ºC, e essa, minha amiga, é a
temperatura do próprio Sol. E eu sinto lhe informar, mas o seu golpezinho de
merda não chegou nem perto dos 700ºC... Então eu sugiro que você desista.
Fernanda se
levantou e se afastou, esperando alguma resposta eu reação de Saskia. Mas ela
estava acabada...
“É impossível... Eu não agüento mais. Matei
minha própria amiga na esperança de salvar a Terra, mas a morte dela terminou
sendo em vão... Eu não consigo mais lutar. Está na hora de aceitar a derrota e
deixar que ela me destrua... Acho que nem assim vou poder me redimir com ela.”
– Me
mate... – Disse Saskia.
– Como? –
Disse Fernanda, claramente sarcástica. – Eu acho que não ouvi direito... Você
pode falar mais alto?
– Me...
Me... ME MATE!!! – Berrou a amazona.
– Com
prazer...
Fernanda
levantou a mão e suas unhas se transformaram mais uma vez em garras, enquanto
Saskia fechava os olhos e esperava. Com um golpe rápido Fernanda cortou o rosto
de Saskia e pegou impulso. Desferiu um soco em seu rosto atirando-a na parede.
Seu elmo saiu de seu rosto.
A amazona
abriu os olhos e viu a inimiga se aproximando. Ela segurou-a pela gola da
armadura e foi até o centro do salão. Olhou fundo nos olhos de Saskia e sorriu.
– Como você
é fraca... – Dizendo isso ela atirou Saskia para cima e saltou com as garras
flamejando.
Com um
único golpe no estomago suas garras atravessaram o estomago de Saskia e sua
armadura começou a rachar, algumas partes caíram no chão deixando-a
desprotegida. Ainda no ar Fernanda girou, pegou o pescoço de Saskia e atirou-a
de volta ao chão, destruindo o que restava da parte frontal da armadura.
A dor tomou
conta do corpo da amazona. Mas a dor era boa... Fazia com que ela esquecesse o
que havia feito com Laura. Abrindo os olhos mais uma vez pode ver sua inimiga
vindo em sua direção com as garras preparadas para acabar com tudo. Ela fechou
os olhos e esperou.
Mas tudo
que pode sentir foram as garras de sua inimiga sendo fincadas no chão, mas
nenhum resquício de poder. Ela abriu os olhos e viu o sorriso maligno de
Fernanda encarando-a
– Porque
você não acaba logo comigo? – Perguntou.
– Seria
muito fácil... – Disse ela se levantando. – Mas acho que é melhor eu fazer isso
logo. Tenho que ir atrás daqueles dois imbecís que passaram por essa casa...
Aquário e Cisne... Bem. De qualquer modo, adeus... Saskia de Fênix. ERUPÇÃO
SO...
– RELAMPAGO
DE PLASMA!!!
Antes que
Saskia pudesse se alegrar com a idéia de tudo estar acabado para ela, uma onde
de eletricidade dourada veio da entrada da casa e atingiu o peito de Fernanda
em cheio.
– Mas o que
é que...
Saskia se
virou e olhou para a entrada da casa... De lá vinham caminhando Lays, Mariana e
Carol, que estava mais a frente, com o punho brilhando em pura eletricidade.
Ela se abaixou ao lado de Saskia enquanto as outras meninas correriam até
Fernanda.
– O que
você está pensando sua idiota?! – Gritou Carol.
– O que
você está fazendo? Porque não deixou que ela me matasse?
– Mas o
que... – Carol fechou os olhos e uma expressão de raiva inundou seu rosto. Ela
levantou a mão e deu uma tapa no rosto da amiga. – Você está desistindo?!
– Você não
sabe o que aconteceu...
Carol
soltou Saskia e se levantou. Olhou para as meninas que lutavam com Fernanda,
correu até lá e disparou uma onda de poder contra ela.
– Lays,
Mariana. Vão para a próxima casa... Essa luta agora é minha.
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