Joyce de Dragão.
– Voltem
aqui seus idiotas! – Gritou Vítor depois que se recuperou do soco que Matheus
desferiu em seu estômago.
–
Tolice! – Gritou Joyce.
Ela
correu e se prostrou entre Vítor e os meninos que estavam atravessando a casa.
O cavaleiro levantou a palma da mão, mas a amazona, desta vez, estava
preparada. Quando o raio veio em sua direção ela levantou o escudo que havia em
seu braço esquerdo. Ela pôde sentir o impacto do golpe fazendo pressão no
escudo, mas foi só.
Quando
o golpe parou e Joyce pôde olhar para Vítor. Sangue escorria pelo canto da sua
boca, e ele estava bastante ofegante.
–
Como você fez isso? – Perguntou Vítor. – Esse golpe tinha muita potência.
– O
escudo no meu braço esquerdo é o mais forte das oitenta e oito armaduras, nada
pode destruí-lo. – Respondeu Joyce.
Joyce
correu até Vítor, mirando um golpe em seu rosto. Ele desviou e tentou
contra-atacar com um soco no rosto, mas a amazona segurou o punho de seu inimigo
com a palma da mão esquerda, e com a direita socou seu estomago.
Nesse
momento ele arregalou os olhos e abriu a boca como se fosse gritar de dor, mas
não emitiu nenhum som.
Foi
aí que Joyce percebeu algo que não havia percebido antes: Os olhos de Vítor
estavam vermelhos, e não vermelhos como os de Bia, vermelhos de chorar, era a
sua íris que tinha essa tonalidade. Algo novo em suas feições, porque em todos
esses meses de convivência com o garoto ela sempre achara que seus olhos eram
castanhos.
Ele
sorriu.
Suas
feições mudaram mais uma vez, mas ao mesmo tempo não mudaram. Era como se uma
sombra tivesse caído sobre o garoto, fazendo com que ele ganhasse uma expressão
mais ameaçadora, mais perigosa. Como o de uma cobra, preparada para dar o bote.
– O
que aconteceu com você? – Perguntou Joyce, assustada.
– Eu
não sei do que você está falando! – Gritou Vítor.
Uma
aura alaranjada começou a rodear o seu corpo e ele ria psicoticamente. Era como
se uma pessoa completamente diferente estivesse ali. Joyce, que ainda segurava
a mão direita do garoto soltou-a de vez e tentou se proteger, mas já era tarde,
o golpe já estava na metade da trajetória.
–
METEOR...
Um
barulho como o de correntes se arrastando pelo chão soou ao longo da casa e o
golpe não chegou até Joyce, que estava esperando pelo golpe de olhos fechados.
Ao abri-los ela viu a corrente circular de Bia enrolada no braço esquerdo de
Vítor impedindo que o golpe chegasse até ela.
–
Por favor... – A voz de Bia saia num sussurro, ela ainda chorava. – Para com
isso, Vítor. Você não é desse jeito... – Lágrimas desciam pelo rosto de Bia e
cada palavra era pontuada com um soluço.
– Do
que você está falando, garota! Me solte! – Gritou Vítor.
–
Não... – Bia havia se levantado, e agora puxava Vítor mais para perto se si.
Joyce assistia a tudo atônita. – Eu não vou parar, porque eu ainda acredito
naquele garoto doce que eu conhecia, acredito naquela pessoa que ficava alegre
quando um amigo ficava alegre... – Bia chorava copiosamente e seu olhar era
vago, como se as lembranças a consumissem. – Eu nunca vou acreditar nesse
monstro que ta na minha frente, um assassino... – Bia e Vítor estavam de frente
um para o outro. – É isso que você me parece: Um assas...
–
Cale a boca! Garota estúpida! – Vítor levantou a mão livre e deu uma tapa com
as costas da mão no rosto de Bia. O poder que mantinha a corrente presa a Vítor
cedeu e ele se soltou. Bia caiu no chão. – Você não é ninguém... Pra me dizer o
que fazer...
A
expressão de tristeza de Bia se intensificou. As lágrimas ainda desciam pelo
seu rosto e ela tocava o local do golpe como se ainda não acreditasse no que o
namorado havia se transformado.
–
Mas numa coisa você está certa. – Disse Vítor cerrando os punhos. – Eu sou um
assassino, e minha primeira vítima... Será você! METEORO AL...
–
Você não vai fazer isso, seu monstro!!! – Gritou Joyce partindo pra cima de
Vítor. – DRAGÃO VOADOR!!!
Joyce
pulou numa voadora e toda a energia bruta armazenada e seu corpo se dirigiu
para a ponta dos seus pés. A energia era tão forte e tão intensa que a aura que
a envolvia tomou a forma de um enorme dragão.
Quando
a perna de Joyce entrou em contato com as costas de Vítor uma enorme explosão
aconteceu, tudo ficou coberto de fumaça, mas, antes que isso acontecesse, Joyce
pode perceber que Vítor havia sido atirado para longe e agora estava soterrado
nos escombros da parede da própria casa.
Joyce
correu até a amiga.
–
Bia! Você está bem?! – Perguntou ela se ajoelhando ao lado da amiga que estava
deitada no chão, ainda tocando no local em que Vítor havia batido.
Ela
nada disse.
–
Vamos lá, Bia... Você tem que se levantar, você não pode ficar aí para sempre...
– Disse Joyce. – Aquele já não é mais o Vítor que você conheceu.
–
Exatamente... – Disse Bia, mas seu olhar ainda era vago. – Ele não é o Vítor...
Ele não é o Vítor... Eu... Eu... EU QUERO ELE DE VOLTA!!! – O berro reverberou
em toda a casa e nesse momento um estrondo sinalizou que o cavaleiro da Coroa
do Sol havia saído de baixo dos escombros.
–
Garota tola... – Disse Vítor olhando para Joyce.
–
Bia, fique aqui, não faça nada! – Disse ela.
–
Você não tem noção do perigo, não é?
–
Cale a boca. – Disse Joyce. – Cale a boca pra eu poder acabar com você sem
muito estresse!
Joyce
correu até Vítor se preparando para um combate corpo a corpo.
– Você
não vai conseguir...
Quando
Joyce estava perto o suficiente para socá-lo e amazona disparou o golpe, mas,
de alguma forma, ele não estava mais lá e ela havia socado o vento.
Mas
não fazia sentido... Ele não podia ter se tele transportado, o lugar era como o
Santuário nesse ponto, não permitia tele transporte de ninguém.
–
Você tem que ser mais veloz se quiser “acabar comigo sem muito estresse”... – A
voz de Vítor veio de algum lugar atrás dela.
Ao
se virar Joyce encontrou Vítor encostado em um dos pilares com os braços
cruzados, como se nenhuma batalha estivesse acontecendo.
–
Porque você não tenta de novo? – perguntou Vítor.
–
Com prazer.
Mais
uma vez a amazona de Dragão correu até seu inimigo e tentou socá-lo, mas o
mesmo aconteceu. Num segundo Vítor estava lá, no segundo seguinte ele havia
desaparecido e Joyce destruiu o pilar no qual ele estava apoiado.
–
Com essa velocidade toda não vai conseguir acabar comigo. – Dessa vez Vitor
estava bem atrás de Joyce.
–
Talvez... Mas eu posso tentar... COLERA DO DRAGÃO!!!
O
punho de Joyce brilhou intensamente e, à medida que ela girava, foi tomando a
forma de um dragão, que atingiu o peito de Vítor com enorme potencia. Em seus
dedos, Joyce pode sentir uma ou duas costelas se partindo.
Mais
uma vez houve uma explosão e a fumaça tomou conta do ambiente, mas dessa vez a
localização do cavaleiro da Coroa do Sol era desconhecida. Joyce não podia nem
sentir seu cosmo, tudo havia desaparecido.
“Será que ele foi derrotado com esse golpe?
Mas, se for assim, foi fácil de mais... Tem alguma coisa errada, alguma coisa
muito errada aqui...”
–
Agora você não tem pra onde correr, garota! – A voz de Vítor chegou aos seus
ouvidos tão rápido quanto seu cosmo conseguiu senti-lo.
O
poder que ele liberava era enorme, ela nunca havia visto nada igual antes.
–
METEORO ALFA!!!
Um
raio de energia muito quente entrou em contato com o corpo de Joyce fazendo que
ela perdesse completamente as forças, o impacto do golpe foi grande o
suficiente para jogá-la contra uma das paredes da casa, e agora era ela quem
estava soterrada.
Sua
armadura estava completamente rachada, até o escudo que era o mais poderoso das
oitenta e oito armaduras estava destroçado.
Uma
mão a agarrou pelo pescoço e a puxou para fora dos escombros. Quando ela saiu
pode ver um sorriso vitorioso rosto de Vítor, que a erguia em pleno ar.
–
Você não conseguiu me derrotar... Que peninha... – Disse ele.
–
Vítor, me conta, por favor, o que aconteceu com você? – A voz de Joyce saia sem
força.
–
Não aconteceu nada comigo. Eu sempre fui assim, você quem não via.
–
Você está mentindo... Eu posso ver isso nos seus olhos! ACORDA!
Joyce
conseguiu dar uma fraca joelhada em seu rosto e por um segundo os antigos olhos
castanhos voltaram a aparecer. Mas foram rapidamente substituídos pelo olhar
macabro e demoníaco com aquela íris vermelha.
–
Adeus, Joyce de Dragão...
Ele
começou a apertar o seu pescoço.
A
única reação que a amazona pensou em ter foi tentar tirar a mão dele de seu
pescoço, mas era inútil. A sua vista começou a ficar turva... Ela não ouvia e
aos poucos a dor ia dando lugar a sensação de desespero, era o fim...
Beatriz de Andrômeda
“Talvez seja só um sonho... É! É isso mesmo!
Isso é um pesadelo. Um pesadelo muito ruim... Mas tem alguma coisa errada...
Porque meu rosto ainda dói? Se é só um pesadelo aquela tapa não deveria doer
tanto... Mesmo assim, foi só isso... Uma tapa... Porque meu coração está doendo
mais do que o meu rosto? Porque minha alma dói mais do que meu rosto? Talvez o
pesadelo esteja alterando meus sentidos, e na verdade não esteja doendo
tanto... Mas, se é só um pesadelo... Porque eu continuo chorando?”
Bia
abriu os olhos mais uma vez. É... Não era um pesadelo. A luta entre uma de suas
melhores amigas e seu namorado ainda estava acontecendo. Quanto tempo havia se
passado desde que ela descobrira isso? Vinte minutos? Trinta?
Tudo
ainda estava muito confuso na mente de Bia, e só o que ela fazia era chorar.
Mas porque mesmo?
Ah...
É verdade...
Ela
e o resto dos cavaleiros da profecia tinham entrado na primeira casa do Templo
de Apolo, e seu guardião era a pessoa mais importante em sua vida. E, como
sempre, ela tinha gravado cada detalhe nele, inclusive a estranha íris
vermelha, era isso que a fazia acreditar que, em algum lugar, lá no fundo, Vítor
estava lá dentro. E que esse que estava lutando com Joyce era só um monstro de
Apolo.
–
Adeus, Joyce de Dragão...
A
voz do monstro passou pelos seus ouvidos. Ele havia ganhado a luta...
Calma
aí!
Ele
vai matar Joyce?
–
Não... – Sussurrou Bia.
Ela começava
a sair de seu estado de choque. Era isso. Ela tinha certeza. O monstro de Apolo
estava cegando Vítor e ele estava fazendo aquelas coisas horríveis, e tudo que
ela tinha que fazer era tirar Vítor lá de dentro.
–
CORRENTE DE ANDRÔMEDA!
Ela
lançou a corrente circular que se envolveu na cintura de Joyce e a puxou com
toda a força que tinha.
O
corpo de Joyce foi atirado contra o de Bia e ambas caíram no chão. Bia saiu de
baixo da amiga e se ajoelhou ao seu lado.
–
Você está bem?! – Perguntou Bia olhando para a amiga.
Mas
era uma pergunta inútil. Os olhos de Joyce estavam quase fechados, mas sua
visão tinha foco. Sua pele estava muito pálida, mas por alguma razão ela
sorria.
–
Você voltou a si... – Disse ela. – Isso é bom. Me faz um favor?
– É
claro que eu faço... Diz o que é.
–
Não se deixa enganar... Ele não é mais o Vítor que você conheceu, ele mudou.
Mudou pra alguém do mal, que não vai pensar duas vezes antes de te matar...
Como fez comigo.
–
Você não vai morrer, Joyce... Não vai... – Mais lágrimas desciam pela bochecha
de Bia.
–
Agora é tarde... Me solta e vai acabar com ele! – Disse ela. – E mais uma
coisa... Eu te amo, linda...
Dizendo
isso Joyce de Dragão deu o seu último suspiro.
Bia
pôs o corpo sem vida de Joyce no chão e se levantou. A sua aura rosa fazia seu
corpo brilhar intensamente, agora raiva e tristeza se misturavam num turbilhão
de sensações que explodiam no interior de sua mente.
–
Ela teve o que pediu. – A voz do monstro chegou aos ouvidos de Bia.
–
Essa... – Disse Bia ficando de frente para o monstro e enxugando uma lágrima
que caia de seu rosto. – É a última lágrima que eu derramo por você! – Gritou
ela. – E agora... TRAGA O MEU NAMORADO DE VOLTA!!!
Bia
correu até o monstro e tentou socá-lo no rosto, mas algo estranho aconteceu.
Num segundo ele estava lá, mas no segundo seguinte ele havia desaparecido.
–
Você possui a mesma velocidade que matou a sua amiga, não vai durar muito
tempo. – Vítor estava, de alguma forma, preso ao teto e olhava para Bia lá de
cima, com seus olhos avermelhados.
Ele
pulou lá de cima com o punho erguido e tentou socar Bia no rosto, mas antes que
ele chegasse na metade do caminho Bia lançou a corrente triangular de ataque
para cima dele. Ele foi atingido no ombro e caiu no chão.
– Não é
preciso velocidade pra te derrotar, monstro... – Disse Bia. – Só um pouco de
cérebro! CORRENTE DE ANDRÔMEDA!
A corrente
triangular, de ataque, serpenteou em alta velocidade na direção do monstro, que
de alguma forma conseguiu segurá-la.
– Sinto
muito. – Disse o monstro. – Mas não vai ser tão fácil assim me derrotar.
Segurando
firme a corrente de ataque, Vítor correu em direção a Bia com o punho erguido.
Mas a amazona não estava preocupada, ela sabia o que aconteceria em seguida.
E como o
imaginado, antes que ele pudesse se aproximar de mais de Bia, o corpo do
cavaleiro da Coroa do Sol começou a se debater em pleno ar e ele caiu no chão
com sérias queimaduras.
– O que...
– Disse ele. – O que aconteceu, eu não ouvi você invocando nenhum ataque.
– Isso não
foi um ataque. – Explicou Bia. – Isso foi o instinto de defesa da corrente.
Quando alguém hostil toca nela, ela lança um choque elétrico de dez mil volts.
Não sei como você ainda consegue falar depois disso.
Ele se
levantou lentamente e olhou fixamente nos olhos de Bia. Isso fez com que a
tristeza voltasse à tona. Ela tinha razão... Aquele não era mais o seu
namorado, era outra pessoa. Uma pessoa má e cruel.
– Você vai
pagar pela morte da minha amiga. – Disse Bia, agora a raiva aflorava em seu
corpo junto com sua aura.
–
HAHAHAHAHA! – Vítor ria psicoticamente. – Idiota! Você vai morrer antes que
possa fazer qualquer coisa!
Mais uma
vez ele sumiu, mas, alguns segundos depois, Bia sentiu um soco arder em seu
estomago, depois outro em suas costas. A dor e a sensação de ardência foram
enormes e fizeram com ela se ajoelhasse. No segundo seguinte Vítor estava na
sua frente.
–
Levante-se. – Disse ele. – Agora!
– Vítor...
– Disse Bia, se levantando. – Por favor... Por favor mesmo, para com isso. –
Ela não conseguiu manter a promessa. Uma lágrima desceu.
– Eu não
vou parar... Até você estar de baixo da terra!
– Vítor,
olha pra mim... – Bia se aproximou lentamente de Vítor, que a olhava sem
reação. Bia segurou em seus ombros e olhou fixamente naqueles olhos vermelhos. –
Eu te amo.
De repente
algo estranho aconteceu. Vítor se contorceu e se ajoelhou, depois olhou para
cima, e o monstro havia sumido. Seu namorado havia voltado e uma lágrima caiu
de um de seus olhos, agora castanhos.
– Bia... –
A voz dele havia voltado. – Eu... – Vítor se contorceu mais uma vez,
violentamente, como se algo estivesse golpeando suas costas. – Morra, sua
idiota! COMETA ALFA!
Uma onda
de poder saiu da palma da mão esquerda do monstro, que voltou a cegar seu
namorado, e acertou-a diretamente no peito e começou a dilacerar sua armadura
aos poucos. O impacto do poder a jogou na parede.
Ela
continuou viva, mas sua armadura estava completamente destruída, poucas partes
ainda restavam, mas as que restavam não serviriam para protegê-la.
– Você não
vai vingar a sua amiga. – O monstro havia chegado perto dela. – Ela está morta
e você não vai fazer nada, porque você vai morrer.
“Não! Eu não posso morrer, eu preciso fazer
com que Vítor volte... Eu não posso morrer...”
A aura de
Bia começou a se intensificar, ao mesmo tempo em que o monstro punha a mão em
seu pescoço. Mas havia algo estranho acontecendo... O cosmo de Bia estava
ressoando, e, acima de tudo, estava bem mais poderoso... Alguma coisa estava
acontecendo.
– Que
merda é essa! – Gritou Vítor, soltando Bia no chão e apertando a própria mão,
que estava, de alguma forma, queimada.
A
respiração de Bia estava descompassada e seu coração batia forte. Uma sensação
de paz e calma inundava seu corpo enquanto sua armadura começava a se
reconstituir. Uma onda de poder inimaginável estourava na alma de Bia.
Bia se
levantou.
Sua
armadura estava completamente transformada. Estava mais composta, e mais
brilhante. Detalhes em dourado e rosa faziam contraste com sua pele branca.
– Kamui...
A armadura divina... Ela... Veio me ajudar... – Sussurrou Bia.
– AAAAAH!
– Do outro lado do salão da primeira casa, Vítor berrou. – Bia!
– Vítor,
você voltou! – Disse a amazona correndo até lá.
– Sim, mas
eu estou me segurando... – Mais um solavanco no corpo de Vítor fez com que ele
caísse no chão. – Você tem que me matar... Não tem outro jeito!
– O que?!
Não eu não posso fazer isso!
– É
necessário. Apolo está me possuindo, enquanto você não me matar, ele vai
continuar lutando com você, ferindo você... E eu não posso suportar a idéia de
que ele está fazendo isso, usando o meu corpo! – A voz dele estava forçada,
como se ele estivesse pondo força em algo.
– Eu...
Eu...
– Bia... –
Vítor, tocou em seu rosto. – Faça isso. E não esquece... Eu te am... MORRA!
Vítor desferiu um soco no rosto de
Bia, fazendo com que ela voltasse para o outro lado da sala.
– Você não
pode me derrotar, garota! Não pense que é porque a armadura divina está em seu
corpo que você pode me deter!
– Cale a
boca, Apolo... – Disse Bia levantando-se lentamente. – Você fala de mais.
Apolo
correu até Bia e tentou socar seu rosto, mas Bia estava mais poderosa do que
antes.
– CORRENTE
NEBULOSA! – Bia levantou a palma da mão direita e, ao seu comando, os ventos do
ambiente mudaram, criando um pequeno tornado que cercava seu inimigo e impedia
que ele avançasse.
Ele olhou
para Bia surpreso.
– O que
está havendo? – Perguntou ele.
– Eu... –
A vos de Bia falhou enquanto mais uma lágrima caia de seus olhos. – Eu vou ter
que te matar... TEMPESTADE NEBULOSA!
Eletricidade
começou a percorrer o tornado até entrar em contato com Apolo. Um enorme feixe
de luz começou encandear o ambiente cegando Bia momentaneamente.
– HAHA...
– O estômago de Bia deu voltas e mais voltas quando ouviu novamente aquela
risada. – Tente de novo, garotinha...
– Você,
ainda está vivo? Como...
– Eu já
disse... É você quem vai morrer! COMETA ALFA!
Um raio de
luz quente saiu da mão de Apolo, mas Bia não recuou, pelo contrário. Ela partiu
para cima do raio, com a mão na frente. Graças a Kamui o poder não a afetou,
apenas foi refletido para outros cantos da casa.
Bia
saltou, saindo da linha de tiro.
– ONDA
RELAMPAGO!
Apolo
olhou para Bia e arregalou os olhos. Ele se contorceu e não era mais Apolo que
estava lá, era Vítor.
O impulso
de refrear o golpe foi grande, mas ela não podia se deixar levar. Era
necessário. Ela sentiu mais uma lágrima molhando sua bochecha ao mesmo tempo em
que pode sentir a corrente triangular atravessando o peito de Vítor.
Ela voltou
ao chão e correu até seu namorado. Ela se ajoelhou e segurou-o no colo. Ele
ainda respirava, eram leves arpejos, mas ele respirava.
– Vítor? –
Disse Bia, corando copiosamente. – Desculpe... Por favor...
– Não. –
Disse Vítor pondo o dedo indicador nos lábios de Bia. – Você não tem que pedir
desculpas, meu amor... Você fez o que era certo, eu estou orgulhoso de você.
– Não...
Eu matei o meu namorado... Eu nunca vou me perdoar...
–
Escute... Não fica desse jeito. Eu não estou arrependido, eu nem estou sentindo
muita dor... – Ele respirou fundo e levou a mão ao ferimento. – Ok... – Ele
sorriu, aquele sorriso torto que ela tanto gostava. – Pode ser que esteja
doendo, mas isso não é nada... Eu te amo, e eu acho que quem tem que pedir
desculpas sou eu... Por qualquer coisa que eu tenha dito, ou feito... Eu juro
que se eu pudesse voltar no tempo, eu apagaria cada segundo que nós passamos
discutindo e trocaria por amor... Apenas amor... – A sua respiração começou a
diminuir de ritmo, ele estava indo. – Eu não faço a menor idéia de para onde eu
estou indo, mas, pode acreditar, seja lá pra onde for... Eu estarei pensando em
você, e, se eu for para onde os heróis vão, eu estarei esperando por você... –
Ele fez um último esforço e se sentou. – Me abraça? Pela última vez?
– Mas...
é... claro... – Disse Bia em meio aos soluços.
E ela
encostou sua testa na dele, e o apertou. Forte. Como ela nunca havia feito,
lágrimas desciam de seu rosto e ela podia sentir seus olhos ficando inchados,
ao mesmo tempo em que o corpo de Vítor, de Alfa Centauri, lentamente virava poeira
cósmica em seus braços, até que ele não estava mais lá. E era o fim.
Era o fim.
De um herói. De um amor. De um mundo.
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