quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Capítulo 21 - Sentimentos (Parte 1)


Retrospectiva:

         – Nós temos que ir até lá! Eu, Matheus e as meninas de bronze. – Disse Lays já completamente recuperada.
           – Nem pense nisso, ficou louca? – Perguntei. – Isso é uma armadilha, e, se você fizer isso, vai cair direitinho nela, você ouviu, “eu irei fazer você sofrer”. E a profecia dizia que era isso que ele faria. Eu não posso e nem vou arriscar tudo isso. Você vai ficar e ajudar a cuidar dos Filhos de Apolo, enquanto eu e as meninas de bronze vamos até o templo tentar resgatar a sua irmã. – Eu me virei para o resto do pessoal. – Cada um cuida de uma parte da cidade. Façam o possível para que eles não destruam muita coisa. – Depois eu me virei para as meninas de bronze, minha armadura já cobria o meu corpo. – Meninas é hora de mostrar se o treinamento de vocês valeu a pena ou não. – Eu estendi a mão para que elas. Mas antes de elas tocarem Lays gritou:
           – Espera! – Ela já vestia a armadura de virgem, ela jogou o elmo no chão e correu até mim, me abraçando. – Boa sorte. E, por favor, tenha cuidado, meu anjo. – Dizendo isso ela me beijou e me soltou.
           As meninas tocaram a minha mão e nós desaparecemos.

Matheus de Aquário.

         A viagem foi longa, mas não longa o suficiente para nos deixar cansados. Eu, Laura, Joyce, Luana, Bia, Saskia nos dirigíamos para o Templo de Apolo com medo do que íamos encontrar por lá. Mas era necessário. Larissa corria perigo de vida e eu tinha como obrigação ir resgatá-la.
            Além do mais eu tinha alguns assuntos para tratar com Erik.
            Chegamos.
            Todos nós prendemos a respiração ao chegarmos lá e olharmos para cima. O local era praticamente idêntico ao Santuário, na Grécia, exceto por algumas coisas. Não havia doze casas... Havia quatro, sendo que a última era a replica que a imagem de Erik havia nos mostrado no auditório, que agora estava em chamas.
            Todo o local era cercada por um rio de lava. Em terra firme havia uma colina com escadas que ligavam as quatro casas, se nós olhássemos ao redor veríamos o espaço, com todas as constelações e nebulosas. A frente de todas as quatro casas nós poderíamos ver o Sol. Enorme, e grande, banhando completamente a última casa, provavelmente a casa de Apolo. As nossas costas nós tínhamos uma incrível visão do planeta Terra, grande e azul.
           – Acho que eu sei o que nos aguarda lá dentro... – Disse Laura.
           – Eu também tenho uma leve idéia... – Falei.
           – Será que vocês podem dizer o que é? – Disse Joyce impaciente.
           – Bom... – Começou Laura. – O formato das casas é levemente familiar ao das doze casas do zodíaco, que fica no santuário, que foi onde eu treinei. Se eu estiver certa, cada casa dessas tem um guardião, que nós temos que derrotar para chegarmos a última – Ela apontou para a casa no alto da colina. – Provavelmente é onde Apolo está nos esperando.
           Todos olhamos para as casas. Dentro de cada uma havia um perigo diferente, provavelmente gente muito pior que os filhos de Apolo. Eu olhei para as garotas, no rosto de cada uma, expressões iguais. Medo. Saskia havia segurado as mãos de Bia e Joyce. Laura tinha o olhar fixado na última casa, e Luana olhava para alguma coisa perto do primeiro lance de escadas.
           – O que é aquilo? – Perguntou ela.
           Parecia um tipo de placa, corremos até lá para ler o que havia escrito.
           – “A você que adentra este território, atenção... – Começou Luana. – ... Esse território pertence a Apolo. Deus do Sol, representante da medicina, arco e flecha, musica e senhor das musas, filho de Zeus e Leto. Caso julgue seguro invadir esse território: Boa sorte. Ps.: Quem brinca com o fogo, acaba se queimado. Que sirva de aviso.
           Nós nos entreolhamos.
           – Não temos escolha, temos? – Perguntou Saskia.
           – É claro que tem. Sempre há uma escolha. – Falei. – Só cabe a você decidir se quer continuar, ou não.
           – Olha pra minha cara de quem vai deixar você sozinho nessa. – Disse Saskia apontando para seu rosto, que expressava claramente um sarcasmo exagerado.
           – Nós estamos com você... – Disse Bia, pondo a mão em meu ombro. – Aquela profecia também falava sobre nós, você não tem que fazer nada sozinho. Então... Vamos correr para a primeira casa juntos, enfrentar perigos juntos, lutarmos e sobrevivermos juntos! Afinal, nós somos uma família...
           Eu sorri para ela. Bia era muito mais forte do que aqueles grandes olhos azuis podiam revelar, de alguma forma, ela tinha o poder de me acalmar... Olhei para o restante das garotas e o meu sorriso se alargou com o que vi: Qualquer vestígio de medo, que antes tomava conta de seus rostos, havia desaparecido. Todas olhavam para mim como se estivessem dispostas morrer comigo, sem medo e sem arrependimentos.
           – Vamos lá! – Falei.
           Então, juntos, nós começamos a subir o primeiro lance de escadas que nos levaria ao nosso primeiro obstáculo.
           – Eu quero deixar uma coisa bem clara antes de chegarmos lá. – Eu falei enquanto corríamos. – Não podemos ficar todos em uma única casa... Então quando chegarmos a primeira casa, um ou dois de nós irão ficar. O resto prossegue. Entendido?
           – Tem razão... – Disse Luana. – Agente não pode perder tempo.
           Depois de vários minutos subindo a escadaria, que parecia não ter fim (Onde estão os elevadores quando se precisa deles?), chegamos a entrada da primeira casa.
           – Que símbolo é aquele? – Perguntou Laura.
           – Parece um... Centauro... – De fato, era um centauro apoiado pelas patas de trás, com um dedo apontando para o céu. – Mas não faz sentido... O centauro deveria ser o símbolo de Sagitário. – Eu cocei a nuca como costumo fazer quando estou frustrado.
           – Ficarmos parados na entrada não vai ajudar em nada. – Disse Joyce. – Vamos entrar, tá certo?
           – Vamos. – Falei.
           Nós corremos e adentramos a primeira casa, a principio um lugar silencioso, nós diminuímos o passo e caminhamos lentamente, nossos passos ecoavam no local que aparentemente estava completamente vazio.
           As paredes eram completamente brancas e o teto era sustentado por grandes e grossos pilares em arquitetura grega, exatamente como na Grécia. O local não era escuro por causa de um enorme buraco no teto que permitia a entrada dos raios do sol.
           – Esse lugar é muito quieto. – Disse Saskia depois que todos paramos de andar começamos a olhar ao redor. – Tem alguma coisa errada aqui...
           Ela continuou caminhando, mas sem olhar para frente. Eu estava atento. Quando a luz do sol, que saia do buraco no teto, bruxuleou eu vi um tipo de linha, fina e avermelhada, que ligava um pilar a outro.
           – Saskia espere! – Eu gritei.
           Mas surtiu o efeito contrário. Em vez dela parar, ela se assustou e tropeçou.
           – CORRENTE DE ANDRÔMEDA!
           A corrente de ponta circular da armadura de Bia passou raspando a minha cintura e prendeu Saskia de modo que ela não caísse. A amazona parou em pleno ar com o nariz quase se encostando à linha.
           – Meu Deus, isso é... – Disse ela um pouco ofegante. – Isso é ferro em brasa.
           Ela levantou um dedo e triscou no ferro que automaticamente começou a brilhar num tom rubro, como se fosse brasa. E nós percebemos que não se tratava de uma simples barra de ferro, era toda uma armadilha que se assemelhava a uma teia de aranha.
           – Obrigada, Bia. – Disse Saskia.
           – Relaxe. – Respondeu Bia.
           – Luana... – Eu virei para minha aprendiza. – Quer fazer as honras?
           Ela sorriu o se aproximou da armadilha, estendeu a palma da mão, que começou a liberar uma névoa gelada que cobriu completamente o obstáculo. Depois de alguns segundos a névoa se dissipou e nós encontramos uma armadilha completamente cristalizada e congelada.
           Luana levantou a perna direita e descarregou um chute na teia, que foi ao chão em pequenos pedaços brilhantes de gelo.
           – Gostei de ver. – Falei sorrindo e passando a mão na cabeça dela.
           – CUIDADO! – O berro de Joyce cortou nossos ouvidos, nós olhamos para frente onde alguma coisa brilhava e, de repente, um raio começou a vir em nossa direção.
           Joyce, que estava atrás do nosso grupo, correu para frente e abriu os braços. Todo o impacto do raio foi recebido por ela, que caiu no chão logo em seguida.
           – Joyce, você está bem?! – Bia gritou e se ajoelhou ao seu lado. Logo em seguida Joyce se levantou e apontou para frente.
           – Tem alguém ali. – Disse ela.
           – Então enfim os cavaleiros de Athena chegaram a minha casa... Não pensei que vocês fossem desistir.
           Aquela voz me fez ter calafrios por todo o corpo. Eu a conhecia, mas de onde?
           – Não pode ser... – Bia sussurrou e soltou o peso de seus ombros. Ela admirava de olhos arregalados o cavaleiro que se aproximava, saindo das sombras.
           Sua armadura era composta como a de um cavaleiro de ouro e protegia a maior parte do seu corpo. Apesar disso era uma armadura simples, sem grandes detalhes além de uma estrala laranja bem no seu peito e pela mascara que encobria seu rosto.
           Uma lágrima desceu dos olhos de Bia.
            – Bia! – Gritou Joyce – O que está acontecendo?!
            Eu corri para perto dela, mas não havia muito que eu pudesse fazer. Ela, por alguma razão, havia entrado em estado de choque.
            – Ela não vai responder. – Eu disse a Joyce, enquanto Bia continuava a observar o cavaleiro a nossa frente.
            – O que você fez com ela?! – Gritou Luana. – Fale!
            – Eu não fiz absolutamente nada. – Disse o cavaleiro com uma voz completamente calma e indiferente.
            Eu me levantei e fechei os punhos, de fato o cavaleiro não havia feito nada, Bia havia entrado em estado de choque por um bom motivo, que eu ainda não havia descoberto.
            – Quem é você? – Perguntei. Num tom de voz tão calmo e indiferente quanto o do cavaleiro.
            – O meu nome não importa. Vocês já estão mortos...
            – Responda, otário! – Gritou Saskia. Uma aura vermelha e ameaçadora envolvia seu corpo enquanto ela levantava um punho.
            – Não, não, Saskia. Ele é meu. – Disse Luana.
            Sua aura prateada envolvia seu corpo por completo e ela saiu correndo em disparada na direção do inimigo.
            Pelo jeito ele não esperava que Luana tivesse uma velocidade tão grande, então o golpe o pegou completamente desprevenido, o soco foi certeiro em seu rosto.
            Eu até hoje não soube dizer se foi só na minha cabeça, mas aquela mascara parecia cair no chão em câmera lenta. E à medida que ela caia um sorriso meio metido aparecia no rosto de Vítor.
            Bia, que estava ajoelhada, não suportou mais o peso do próprio corpo e caiu para trás ficando em posição fetal. Um profundo soluço saiu de sua garganta e ela começou a chorar.
            Vítor virou para Luana que olhava para ele completamente sem reação. Levantou o punho que emitia um brilho alaranjado e desferiu um soco em seu estomago. A amazona saiu voando, e, antes que ela se espatifasse num dos pilares, eu a segurei.
            – Você está bem? – Perguntei.
            – Sim. Obrigada.
            – DESGRAÇADO! – O berro de Joyce reverberou no silencio da casa. – Ela te ama, caralho! Olha só o estado dela! O que você tem na cabeça pra trair o coração dela desse jeito?
            Ele não respondeu. Apenas sorriu para Joyce de forma metida, como se não fizesse idéia do que ela estivesse falando.
            – Matheus. – Continuou ela. – Eu quero que vocês passem por essa casa e me deixem aqui com esse idiota. Eu vou fazer com que ele pague.
            – Certo. Agente não pode perder mais tempo aqui. Ele é seu. – Eu me virei para as outras garotas. – Vamos! Bia... Você vem?
            Ela não respondeu. Seus olhos estavam inchados de tão vermelhos, lágrimas ainda rolavam por seu rosto e seu olhar era vago.
            – Não se preocupem com ela! Vão logo! – Disse Joyce.
            – Antes de irmos, Vítor, me responda. – Eu falei. – Porque o símbolo da sua casa é um centauro?
            – Não se preocupe. Não tem nada a ver com o centauro que representa Sagitário. – Explicou ele. – Sempre que o portador da armadura de Apolo aparece na terra, e descobre sua verdadeira identidade, ele escolhe três das cinqüenta estrelas mais próximas do sol para protegerem as três casas do Templo de Apolo. Nessa geração a primeira casa é protegida por mim: Alfa Centauri, ou, como vocês preferem chamar: Centauro. Essas três estrelas ficam conhecidas como Coroa Do Sol.
            – E quais são as próximas? – Perguntou Laura.
            – E estragar a surpresa? – Falou ele rindo.
            – Vamos! – Eu gritei.
            Eu e as meninas saímos correndo em alta velocidade na direção de Vítor, que abriu os braços e falou:
            – Eu não vou deixar vocês passarem!
            – Ora, cale a boca! – Gritou Laura. – METEORO DE PEGASO!
            Vários socos na velocidade do som saíram do punho direito de Laura e grande parte atingiu Vítor em cheio, obrigando-o a se proteger, enquanto todos passavam. Eu atrasei um pouco o passo, congelei completamente o meu próprio punho e desferi um soco com toda a potencia que pude reunir no estomago do cavaleiro da Coroa do Sol, que se contraiu, sangue espirrou de sua boca.
            – Isso... – Sussurrei em seu ouvido. – Foi por Bia.
            Dizendo isso eu saí correndo em direção à saída da casa, mas eu não pude deixar de notar uma coisa estranha nos olhos de Vítor. Sua íris estava num tom vermelho, vermelho sangue, o que aquilo queria dizer era uma coisa que caberia a Joyce descobrir.
            Já lá fora eu encontrei com as meninas que estavam paradas esperando por mim.
            – Será que elas vão ficar bem? – Perguntou Luana.
            – Nesse momento você tem que esquecê-las e as deixar fazerem seu trabalho, sua preocupação só vai te atrasar. – Ela olhou para baixo parecendo desolada. – Eu sei que é uma coisa horrível de se ouvir, mas é necessário.
            Ela olhou para mim, uma última lágrima caiu de seus olhos, ela a enxugou rapidamente e sorriu.
            – Vamos para a próxima bomba.

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