Retrospectiva:
– Nós temos que ir até lá! Eu,
Matheus e as meninas de bronze. – Disse Lays já completamente recuperada.
– Nem
pense nisso, ficou louca? – Perguntei. – Isso é uma armadilha, e, se você fizer
isso, vai cair direitinho nela, você ouviu, “eu irei fazer você sofrer”. E a
profecia dizia que era isso que ele faria. Eu não posso e nem vou arriscar tudo
isso. Você vai ficar e ajudar a cuidar dos Filhos de Apolo, enquanto eu e as
meninas de bronze vamos até o templo tentar resgatar a sua irmã. – Eu me virei
para o resto do pessoal. – Cada um cuida de uma parte da cidade. Façam o
possível para que eles não destruam muita coisa. – Depois eu me virei para as
meninas de bronze, minha armadura já cobria o meu corpo. – Meninas é hora de
mostrar se o treinamento de vocês valeu a pena ou não. – Eu estendi a mão para
que elas. Mas antes de elas tocarem Lays gritou:
–
Espera! – Ela já vestia a armadura de virgem, ela jogou o elmo no chão e correu
até mim, me abraçando. – Boa sorte. E, por favor, tenha cuidado, meu anjo. –
Dizendo isso ela me beijou e me soltou.
As
meninas tocaram a minha mão e nós desaparecemos.
Matheus
de Aquário.
A viagem foi longa, mas não longa o suficiente para
nos deixar cansados. Eu, Laura, Joyce, Luana, Bia, Saskia nos dirigíamos para o
Templo de Apolo com medo do que íamos encontrar por lá. Mas era necessário.
Larissa corria perigo de vida e eu tinha como obrigação ir resgatá-la.
Além do
mais eu tinha alguns assuntos para tratar com Erik.
Chegamos.
Todos nós
prendemos a respiração ao chegarmos lá e olharmos para cima. O local era
praticamente idêntico ao Santuário, na Grécia, exceto por algumas coisas. Não
havia doze casas... Havia quatro, sendo que a última era a replica que a imagem
de Erik havia nos mostrado no auditório, que agora estava em chamas.
Todo o
local era cercada por um rio de lava. Em terra firme havia uma colina com
escadas que ligavam as quatro casas, se nós olhássemos ao redor veríamos o
espaço, com todas as constelações e nebulosas. A frente de todas as quatro
casas nós poderíamos ver o Sol. Enorme, e grande, banhando completamente a
última casa, provavelmente a casa de Apolo. As nossas costas nós tínhamos uma
incrível visão do planeta Terra, grande e azul.
–
Acho que eu sei o que nos aguarda lá dentro... – Disse Laura.
– Eu
também tenho uma leve idéia... – Falei.
–
Será que vocês podem dizer o que é? – Disse Joyce impaciente.
–
Bom... – Começou Laura. – O formato das casas é levemente familiar ao das doze
casas do zodíaco, que fica no santuário, que foi onde eu treinei. Se eu estiver
certa, cada casa dessas tem um guardião, que nós temos que derrotar para
chegarmos a última – Ela apontou para a casa no alto da colina. – Provavelmente
é onde Apolo está nos esperando.
Todos
olhamos para as casas. Dentro de cada uma havia um perigo diferente,
provavelmente gente muito pior que os filhos de Apolo. Eu olhei para as
garotas, no rosto de cada uma, expressões iguais. Medo. Saskia havia segurado
as mãos de Bia e Joyce. Laura tinha o olhar fixado na última casa, e Luana
olhava para alguma coisa perto do primeiro lance de escadas.
– O
que é aquilo? – Perguntou ela.
Parecia
um tipo de placa, corremos até lá para ler o que havia escrito.
– “A você que adentra este território,
atenção... – Começou Luana. – ...
Esse território pertence a Apolo. Deus do Sol, representante da medicina, arco
e flecha, musica e senhor das musas, filho de Zeus e Leto. Caso julgue seguro
invadir esse território: Boa sorte. Ps.: Quem brinca com o fogo, acaba se
queimado. Que sirva de aviso.”
Nós
nos entreolhamos.
– Não
temos escolha, temos? – Perguntou Saskia.
– É
claro que tem. Sempre há uma escolha. – Falei. – Só cabe a você decidir se quer
continuar, ou não.
–
Olha pra minha cara de quem vai deixar você sozinho nessa. – Disse Saskia
apontando para seu rosto, que expressava claramente um sarcasmo exagerado.
– Nós
estamos com você... – Disse Bia, pondo a mão em meu ombro. – Aquela profecia
também falava sobre nós, você não tem que fazer nada sozinho. Então... Vamos correr
para a primeira casa juntos, enfrentar perigos juntos, lutarmos e sobrevivermos
juntos! Afinal, nós somos uma família...
Eu
sorri para ela. Bia era muito mais forte do que aqueles grandes olhos azuis
podiam revelar, de alguma forma, ela tinha o poder de me acalmar... Olhei para
o restante das garotas e o meu sorriso se alargou com o que vi: Qualquer vestígio
de medo, que antes tomava conta de seus rostos, havia desaparecido. Todas
olhavam para mim como se estivessem dispostas morrer comigo, sem medo e sem
arrependimentos.
–
Vamos lá! – Falei.
Então,
juntos, nós começamos a subir o primeiro lance de escadas que nos levaria ao
nosso primeiro obstáculo.
– Eu
quero deixar uma coisa bem clara antes de chegarmos lá. – Eu falei enquanto
corríamos. – Não podemos ficar todos em uma única casa... Então quando
chegarmos a primeira casa, um ou dois de nós irão ficar. O resto prossegue.
Entendido?
– Tem
razão... – Disse Luana. – Agente não pode perder tempo.
Depois
de vários minutos subindo a escadaria, que parecia não ter fim (Onde estão os
elevadores quando se precisa deles?), chegamos a entrada da primeira casa.
– Que
símbolo é aquele? – Perguntou Laura.
–
Parece um... Centauro... – De fato, era um centauro apoiado pelas patas de
trás, com um dedo apontando para o céu. – Mas não faz sentido... O centauro
deveria ser o símbolo de Sagitário. – Eu cocei a nuca como costumo fazer quando
estou frustrado.
–
Ficarmos parados na entrada não vai ajudar em nada. – Disse Joyce. – Vamos
entrar, tá certo?
–
Vamos. – Falei.
Nós
corremos e adentramos a primeira casa, a principio um lugar silencioso, nós
diminuímos o passo e caminhamos lentamente, nossos passos ecoavam no local que
aparentemente estava completamente vazio.
As
paredes eram completamente brancas e o teto era sustentado por grandes e
grossos pilares em arquitetura grega, exatamente como na Grécia. O local não
era escuro por causa de um enorme buraco no teto que permitia a entrada dos
raios do sol.
–
Esse lugar é muito quieto. – Disse Saskia depois que todos paramos de andar
começamos a olhar ao redor. – Tem alguma coisa errada aqui...
Ela
continuou caminhando, mas sem olhar para frente. Eu estava atento. Quando a luz
do sol, que saia do buraco no teto, bruxuleou eu vi um tipo de linha, fina e
avermelhada, que ligava um pilar a outro.
–
Saskia espere! – Eu gritei.
Mas
surtiu o efeito contrário. Em vez dela parar, ela se assustou e tropeçou.
–
CORRENTE DE ANDRÔMEDA!
A
corrente de ponta circular da armadura de Bia passou raspando a minha cintura e
prendeu Saskia de modo que ela não caísse. A amazona parou em pleno ar com o
nariz quase se encostando à linha.
– Meu
Deus, isso é... – Disse ela um pouco ofegante. – Isso é ferro em brasa.
Ela
levantou um dedo e triscou no ferro que automaticamente começou a brilhar num
tom rubro, como se fosse brasa. E nós percebemos que não se tratava de uma
simples barra de ferro, era toda uma armadilha que se assemelhava a uma teia de
aranha.
–
Obrigada, Bia. – Disse Saskia.
–
Relaxe. – Respondeu Bia.
–
Luana... – Eu virei para minha aprendiza. – Quer fazer as honras?
Ela
sorriu o se aproximou da armadilha, estendeu a palma da mão, que começou a
liberar uma névoa gelada que cobriu completamente o obstáculo. Depois de alguns
segundos a névoa se dissipou e nós encontramos uma armadilha completamente
cristalizada e congelada.
Luana
levantou a perna direita e descarregou um chute na teia, que foi ao chão em
pequenos pedaços brilhantes de gelo.
–
Gostei de ver. – Falei sorrindo e passando a mão na cabeça dela.
–
CUIDADO! – O berro de Joyce cortou nossos ouvidos, nós olhamos para frente onde
alguma coisa brilhava e, de repente, um raio começou a vir em nossa direção.
Joyce,
que estava atrás do nosso grupo, correu para frente e abriu os braços. Todo o
impacto do raio foi recebido por ela, que caiu no chão logo em seguida.
–
Joyce, você está bem?! – Bia gritou e se ajoelhou ao seu lado. Logo em seguida
Joyce se levantou e apontou para frente.
– Tem
alguém ali. – Disse ela.
–
Então enfim os cavaleiros de Athena chegaram a minha casa... Não pensei que
vocês fossem desistir.
Aquela
voz me fez ter calafrios por todo o corpo. Eu a conhecia, mas de onde?
– Não
pode ser... – Bia sussurrou e soltou o peso de seus ombros. Ela admirava de
olhos arregalados o cavaleiro que se aproximava, saindo das sombras.
Sua
armadura era composta como a de um cavaleiro de ouro e protegia a maior parte
do seu corpo. Apesar disso era uma armadura simples, sem grandes detalhes além
de uma estrala laranja bem no seu peito e pela mascara que encobria seu rosto.
Uma
lágrima desceu dos olhos de Bia.
–
Bia! – Gritou Joyce – O que está acontecendo?!
Eu
corri para perto dela, mas não havia muito que eu pudesse fazer. Ela, por
alguma razão, havia entrado em estado de choque.
–
Ela não vai responder. – Eu disse a Joyce, enquanto Bia continuava a observar o
cavaleiro a nossa frente.
– O
que você fez com ela?! – Gritou Luana. – Fale!
– Eu
não fiz absolutamente nada. – Disse o cavaleiro com uma voz completamente calma
e indiferente.
Eu
me levantei e fechei os punhos, de fato o cavaleiro não havia feito nada, Bia
havia entrado em estado de choque por um bom motivo, que eu ainda não havia
descoberto.
–
Quem é você? – Perguntei. Num tom de voz tão calmo e indiferente quanto o do
cavaleiro.
– O
meu nome não importa. Vocês já estão mortos...
–
Responda, otário! – Gritou Saskia. Uma aura vermelha e ameaçadora envolvia seu
corpo enquanto ela levantava um punho.
–
Não, não, Saskia. Ele é meu. – Disse Luana.
Sua
aura prateada envolvia seu corpo por completo e ela saiu correndo em disparada
na direção do inimigo.
Pelo
jeito ele não esperava que Luana tivesse uma velocidade tão grande, então o
golpe o pegou completamente desprevenido, o soco foi certeiro em seu rosto.
Eu
até hoje não soube dizer se foi só na minha cabeça, mas aquela mascara parecia
cair no chão em câmera lenta. E à medida que ela caia um sorriso meio metido
aparecia no rosto de Vítor.
Bia,
que estava ajoelhada, não suportou mais o peso do próprio corpo e caiu para
trás ficando em posição fetal. Um profundo soluço saiu de sua garganta e ela
começou a chorar.
Vítor
virou para Luana que olhava para ele completamente sem reação. Levantou o punho
que emitia um brilho alaranjado e desferiu um soco em seu estomago. A amazona
saiu voando, e, antes que ela se espatifasse num dos pilares, eu a segurei.
–
Você está bem? – Perguntei.
–
Sim. Obrigada.
–
DESGRAÇADO! – O berro de Joyce reverberou no silencio da casa. – Ela te ama,
caralho! Olha só o estado dela! O que você tem na cabeça pra trair o coração
dela desse jeito?
Ele
não respondeu. Apenas sorriu para Joyce de forma metida, como se não fizesse
idéia do que ela estivesse falando.
–
Matheus. – Continuou ela. – Eu quero que vocês passem por essa casa e me deixem
aqui com esse idiota. Eu vou fazer com que ele pague.
–
Certo. Agente não pode perder mais tempo aqui. Ele é seu. – Eu me virei para as
outras garotas. – Vamos! Bia... Você vem?
Ela
não respondeu. Seus olhos estavam inchados de tão vermelhos, lágrimas ainda
rolavam por seu rosto e seu olhar era vago.
–
Não se preocupem com ela! Vão logo! – Disse Joyce.
–
Antes de irmos, Vítor, me responda. – Eu falei. – Porque o símbolo da sua casa
é um centauro?
–
Não se preocupe. Não tem nada a ver com o centauro que representa Sagitário. –
Explicou ele. – Sempre que o portador da armadura de Apolo aparece na terra, e
descobre sua verdadeira identidade, ele escolhe três das cinqüenta estrelas
mais próximas do sol para protegerem as três casas do Templo de Apolo. Nessa
geração a primeira casa é protegida por mim: Alfa Centauri, ou, como vocês
preferem chamar: Centauro. Essas três estrelas ficam conhecidas como Coroa Do
Sol.
– E
quais são as próximas? – Perguntou Laura.
– E
estragar a surpresa? – Falou ele rindo.
–
Vamos! – Eu gritei.
Eu e
as meninas saímos correndo em alta velocidade na direção de Vítor, que abriu os
braços e falou:
– Eu
não vou deixar vocês passarem!
–
Ora, cale a boca! – Gritou Laura. – METEORO DE PEGASO!
Vários
socos na velocidade do som saíram do punho direito de Laura e grande parte atingiu
Vítor em cheio, obrigando-o a se proteger, enquanto todos passavam. Eu atrasei
um pouco o passo, congelei completamente o meu próprio punho e desferi um soco
com toda a potencia que pude reunir no estomago do cavaleiro da Coroa do Sol,
que se contraiu, sangue espirrou de sua boca.
–
Isso... – Sussurrei em seu ouvido. – Foi por Bia.
Dizendo
isso eu saí correndo em direção à saída da casa, mas eu não pude deixar de
notar uma coisa estranha nos olhos de Vítor. Sua íris estava num tom vermelho,
vermelho sangue, o que aquilo queria dizer era uma coisa que caberia a Joyce
descobrir.
Já
lá fora eu encontrei com as meninas que estavam paradas esperando por mim.
–
Será que elas vão ficar bem? – Perguntou Luana.
–
Nesse momento você tem que esquecê-las e as deixar fazerem seu trabalho, sua
preocupação só vai te atrasar. – Ela olhou para baixo parecendo desolada. – Eu
sei que é uma coisa horrível de se ouvir, mas é necessário.
Ela
olhou para mim, uma última lágrima caiu de seus olhos, ela a enxugou rapidamente
e sorriu.
–
Vamos para a próxima bomba.
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