sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Capítulo 19 - Lembrança


Lays de Virgem

            E mais uma vez Lays se pegava parando sua corrida para admirar a enorme estrela que brilhava intensamente ao longe. Ela não sabia como, mas de alguma forma ela sabia que aquela estrela era o templo de Apolo, e era lá que estavam cinco das pessoas com as quais ela mais se importava. Bia, Luana, Joyce, Laura, Saskia e Matheus...
            Matheus.
            O garoto que tinha o dom de fazê-la feliz todo santo dia agora estava correndo em direção ao perigo só para salvar Larissa, a irmãzinha que ela tanto amava. Por mais que Lays estivesse agradecida pelo esforço ela não podia deixar de se sentir na obrigação de ir até lá para ajudar, mas Matheus sabia o que estava fazendo e, além do mais, ainda havia alguns filhos de Apolo na Terra para serem derrotados.
            Já se passaram cinco horas desde que eles deixaram o Instituto e saíram correndo para tentar achar os filhos de Apolo. Dois cavaleiros e duas amazonas estavam mortos. E a maioria dos cosmos dos cavaleiros de ouro já havia explodido, exceto o dela própria, o de Mariana e o de Carol. Ela já estava cansada de correr e não achar nenhum filho de Apolo, talvez eles já estivessem todos derrotados...
            Ela olhou em volta pra ter certeza de onde estava, e ela viu a Praça Pe. Cícero. Um dos lugares afastados da cidade. Depois de ter certeza de que não tinha ninguém por perto ela se deitou no chão com os olhos fixos na estrela.
            A preocupação dela aumentava a cada segundo. Ela esteve o tempo todo mais atenta aos cosmos que estavam lá em cima do que aos que estavam na Terra, e percebeu coisas que tinha certeza que não foram percebidas por nenhum outro cavaleiro.
            Primeira: O único cosmo que realmente foi perceptível até a quem não estava atento foi o de Bia. Mas algo que não foi tão fácil de perceber foi a tristeza com a qual ele estava carregado. E, antes disso, o cosmo de Joyce enfraquecera de uma forma assustadora. Segunda: Quase que ao mesmo tempo em que o cosmo de Bia explodiu, os de Saskia e Laura fizeram o mesmo. O de Saskia permaneceu forte por algum tempo, já o de Laura diminuiu até desaparecer, Lays tinha a esperança de que não estivesse mais sentindo por causa da distancia. Terceiro: O cosmo de Luana tinha entrado em combate e ainda não tinha se acalmado. Nada do cosmo de Matheus.
            – Lays, você está bem? – Falou alguém segurando seu ombro.
            Ela de repente segurou a mão da pessoa, girou e deu uma rasteira, derrubando seja lá quem fosse. A amazona pulou em cima da pessoa erguendo o punho já carregado de poder.
            – Calma, garota! Sou eu, Carol!
            Carol olhava com os olhos arregalados para o punho de Lays, o qual ela baixou rapidamente.
            – Desculpa amiguinha! – Disse a amazona saindo de cima da companheira e ajudando-a a se levantar. – Me desculpa mesmo! Você está bem?
            – Relaxa, não foi nada... O que houve, aconteceu alguma coisa com você?
            – Não. Eu estou bem. Só estou preocupada com o pessoal lá em cima. – Disse ela apontando para a estrela. – Ainda não senti o cosmo dele...
            Carol ficou calada e apenas a olhou. De alguma forma isso a ajudou, talvez nada do que ela dissesse fizesse aquela sensação de desconforto passar.
            – Você quer ir até lá em cima? – Perguntou Carol.
            – Mas e os filhos de Apolo?
            – Olha, faz quatro horas e meia que eu corro por toda a cidade e não encontro nenhum. Talvez eles já estejam acabados.
            – Você tem razão. – Disse Lays baixando a cabeça. – Vamos até lá.
            Carol fez um sinal com a cabeça e elas correram e saltaram, levantando vôo em direção a estrela. Mas algo atrapalhou.
            Como estrelas cadentes, muito velozes, os rastros de dois cosmos passaram bem na frente das duas, depois disso Lays sentiu um aperto em sua garganta. Antes que ela se desse conta de que era uma mão que apertava o seu pescoço, ela já tinha sido atirada de volta no chão, fazendo com que uma cratera se abrisse.
            Ela se levantou atordoada e saltou para fora do buraco.
            Ao sair ela foi tomada por uma visão nada agradável. Um cavaleiro com uma armadura alaranjada com formas de chamas segurava Carol pelo pescoço e falava alguma coisa.
            Ela correu para ajudá-la, mas quando estava perto, outro cavaleiro surgiu, acertando-lhe uma voadora no rosto, fazendo com que ela caísse vários metros para o lado e seu elmo saísse de sua cabeça.
            Olhando para a pessoa que a tinha atacado percebeu que não se tratava de um homem, mas sim de uma mulher. Sua armadura era altamente detalhada, completamente diferente dos filhos de Apolo que ela já havia visto.
            Em suas costas se projetava uma enorme flor de girassol da qual saíam vários galhos com folhas que envolviam seus braços e pernas como se fossem trepadeiras. O elmo em sua cabeça era um tipo de tiara composta por algumas folhas aqui e ali, ela não era muito mais alta que Lays e tinha longos cabelos negros e cacheados.
            A filha de Apolo caminhou lentamente em direção a Lays, seu rosto estava escondido por uma mascara, mas os movimentos que ela fazia com a cabeça davam a entender que ela tentava ver melhor o rosto da amazona.
            – Até que enfim eu te achei, Lays. Onde foi que você se enfiou? – Falou a garota, sua voz não era estranha.
            Mas Lays não estava preocupada com a garota no momento. Ela olhou por trás dela onde a luta de Carol contra o filho de Apolo do fogo se desenrolava. Ela já havia se livrado do enforcamento e agora elas travavam uma luta corpo a corpo. De repente Carol olhou-a e, com um olhar, ela deixou claro qual era o sem plano.
            Lays não perdeu tempo em botá-lo em prática.
            Levantou-se de um pulo e correu em direção à garota. Ao chegar perto ela desferiu um soco em seu rosto, que foi facilmente desviado pela filha de Apolo, que tentou saltar por cima de Lays, mas ela estava preparada. Quando os pés da garota ficaram na altura de seus olhos ela as segurou, girou e atirou a adversária na direção de Carol.
            Sincronia perfeita.
            Ao mesmo tempo em que Lays atirara a garota, Carol também lançou o seu inimigo em sua direção, o que fez com que o corpo de ambos entrasse em choque no meio da trajetória.
            Sem perder mais tempo, as duas amigas correram para cercar os inimigos.
            – Isso foi incrível, amiga! – Disse Carol.
            – O prazer foi todo meu! – Respondeu Lays. – Agora vamos ver o rosto dos nossos amiguinhos aqui, antes de acabarmos com eles.
            As duas amigas se aproximaram lentamente de seus adversários, e com movimentos rápidos e sincronizados elas retiraram as máscaras dos inimigos, e a sincronia se repetiu no grito abafado de surpresa.
            Lays estava olhando para o rosto moreno e o sorriso que revelava dentes tortos de sua colega de sala Alessandra.
           – Então. – Disse ela. – Agora que você sabe quem eu sou, como pretende me destruir?
           – Cale a boca, Alessandra. – Disse a voz do filho de Apolo representante do fogo, uma voz que não era estranha a Lays. – Você sabe muito bem do que ela é capaz, faça o seu serviço, e não a provoque!
           – Wesley... – A voz de Carol saiu tremida e quase sussurrada. – Porque você...
            A fala de Carol foi interrompida. Wesley rapidamente se atirou sobre ela e a acertou com um soco no rosto.
           – Não te interessa! – Gritou ele.
           E mais uma vez ele tentou acertá-la. Mas dessa vez não foi tão fácil. Carol parou o golpe com uma das mãos, e seu corpo começou a emanar um brilho dourado, seu olhar era vago, como se a pressão do soco não a afetasse.
           – Ele confia em você... – Disse ela. – E aqui está você, traindo a confiança dele! – Ele passou a gritar. – Você não merece a amizade dele!
           O punho livre de Carol brilhou intensamente e socou o estomago de Wesley, depois, com um chute, fez com que seu inimigo levantasse vôo. O golpe foi bem sucedido, mas o fogo tomou conta do corpo do filho de Apolo, como se ele fosse o verdadeiro Tocha Humana, e ele começou a planar.
           – Lays, eu volto daqui a pouco. Segure as pontas enquanto isso.
           Dizendo isso Carol levantou vôo.
           Lays olhou para cima e viu dois pontos brilhantes entrando em choque constantemente, mas não houve tempo para pensar em mais nada, algo a segurou pelo pescoço.
           – É melhor você se preocupar mais consigo mesma do que com sua amiga... SEMENTE SUGADORA! – Galhos metálicos vindas da sua armadura furaram a pele desprotegida de Lays, e ela pôde sentir sua energia vital sendo sugada a cada segundo. – Eu sugiro que você não se mexa muito. – Disse Alessandra. – Quanto mais você se mexer mais sua energia será sugada, e mais rápido você enfraquece.
           – E você, é melhor você escutar o seu amiguinho e não me provocar! OHM!
           O poder cósmico de Lays foi liberado por todo o seu corpo, fazendo com que Alessandra fosse atirada a alguns metros de distancia, como conseqüência, as vinhas que se prendiam em seu corpo foram junto com ela.
           Mas o golpe não a afetou muito, ela não caiu no chão. Com um giro no ar ela pôs a mão no chão e se ergueu em pé, e nem esperou para voltar flutuando e atacar novamente.
           Uma seqüencia de socos fizeram Lays se esquivar andando para trás ao mesmo tempo. Uma chuva de golpes cansativa de certa forma, pois seguiam um padrão: Cabeça, peito, e uma rasteira.
           Ao perceber esse padrão uma idéia ocorreu a Lays.
           Ela se esquivou do soco no rosto e do soco no peito. Quando a rasteira veio, ela pulou não tão alto, e, antes que a perna da inimiga pudesse completar sua trajetória, Lays se equilibrou em cima da canela da filha de Apolo, que caiu no chão com um grito de dor.
           Lays girou em cima da perna (o que a faria parecer uma bailarina se as circunstâncias não fossem tão sérias) e chutou com toda a potência no rosto da inimiga. O golpe tinha tal força que fez com que Alessandra abrisse um buraco no chão.
           Por um instante Lays pensou que ela tinha desmaiado ou morrido. Sua cabeça e tronco estavam enterrados no buraco aberto no chão e suas pernas estavam erguidas do lado de fora do buraco suspensas em um ângulo grotesco. Mas ela não pode comemorar.
           Como se nada tivesse acontecido, Alessandra se levantou e olhou diretamente para Lays. No seu rosto havia um olhar psicótico e enlouquecido.
           – Pelo jeito eu vou ter muito prazer em cumprir a missão que meu pai me designou...
           – Que missão? – Perguntou Lays.
           Não houve resposta. Ao invés disso Alessandra veio para cima de Lays e abraçou.
           – SEMENTE SUGADORA! – Gritou ela.
           – Você já fez isso uma vez, garota! Não funcionou da primeira vez e não vai funcionar dessa vez! OMH!
           O poder cósmico de Lays foi liberado mais uma vez, mas esse ataque estava diferente. As vinhas que entravam no seu corpo estavam maiores, mais fortes e sugavam mais energia. Seu ataque tinha sido em vão.
           – Você não vai conseguir escapar dessa vez!
           – Isso é o que você pensa. – O corpo da amazona começou a emitir uma aura roxa que brilhava intensamente e Lays começou a se concentrar cada vez mais: - Ahmm. – O poder telecinético de Lays começou a ganhar força e ele teve acesso a mente da oponente, mas ao contrário da invasão agressiva de cavaleiros como Fênix, o dela era suave, e quase imperceptível.
           Quando seu poder preencheu completamente a mente da inimiga ela acessou a parte de seu cérebro que controlava seu cosmo, e, conseqüentemente, seu poder sobre as vinhas.
           Elas adquiriram uma tonalidade roxa e Lays fez com que elas saíssem de seu próprio corpo.
           – O que é isso?! – Gritou Alessandra. – Essas sementes nunca me desobedeceram! O que você está fazendo?!
           A amazona de Virgem apontou para sua inimiga e as vinhas a atacaram com força, não na intenção de sugar a energia vital de sua mestra, mas na intenção de machucá-la.
           Eram ataques rápidos, fortes e letais. Lays parou com o ataque e levitou até a adversária que estava atordoada.
           – OHM!
           Ela direcionou o ataque para o chão. O impacto refletiu e fez com que Alessandra saísse do chão em direção aos céus. Lays levantou vôo.
           Ao chegar lá em cima ela girou mais uma vez acertou a filha de Apolo com um pontapé, que fez com que ela fosse atirada mais uma vez em direção ao chão, mas, por um erro de cálculo ela caiu em cima do prédio do Banco do Nordeste, que tremeu com o impacto, a fumaça tomou conta do lugar.
           Lays desceu até a sacada do prédio, que parecia que ia ruir a qualquer momento. Quando a fumaça se dissipou ela pode ver a inimiga ajoelhada, suas costas tremiam como se estivesse tendo convulsões.
           Ao se aproximar algo a deixou chocada, não eram convulsões, eram risadas, risadas de uma pessoa louca e descontrolada.
           – Agora me diga, sua louca. Que missão é essa?!
           – Vamos lá, garota! Vamos continuar brincando!
           A Alessandra que veio para cima de Lays dessa vez era uma pessoa completamente diferente. Mais agressiva mais psicótica e o pior de tudo, mais poderosa.
           Cada golpe que atingia Lays ardia como ferro quente em sua pele. Suas mãos emitiam um perigoso e assustador brilho alaranjado e suas seqüencias não seguiam mais nenhum padrão, eram completamente imprevisíveis.
           – Vamos lá, “perigosa amazona de Virgem”! Revide!
           “É tudo que eu mais quero.” Pensou Lays. Mas era quase impossível. Era obvio que o cosmo da amazona era forte o suficiente para isso, mas, por alguma razão os golpes que ela levava a impediam de elevar seu cosmo.
           Ao longe o sol nascente começava a surgir por dentre as serras, logo atrás da filha de Apolo, fazendo com que a visão de Lays ficasse turva e visse somente a silhueta da inimiga.
           – Agora observe – disse Alessandra se afastando de Lays, que estava ajoelhada e com sérias queimaduras no rosto. – o ataque mais poderoso da representante de Tália. EXPLOSÃO FOTOSSINTÉTICA!
           O enorme girassol que compunha a armadura de Alessandra começou a brilhar intensamente. O brilho, que se tratava da própria energia do sol, bruta e fatal, começou a descer por entre os galhos de trepadeiras que se enroscavam nos braços da filha de Apolo.
           Ao chegarem às mãos Alessandra apontou-as para Lays e disparou dois raios que vinham na direção da amazona em uma velocidade completamente assustadora.
           – KAHN! – Gritou Lays por puro instinto, e um escudo transparente de energia cósmica a protegeu.
           Mas de pouco adiantou. Ao entrar em choque com o escudo, o raio começou a fazer pequenas rachaduras, como se a proteção fosse feita de vidro barato.
           Lays não agüentou mais manter o escudo firme e teve que ceder, se preparando para o impacto, que veio mais cedo do que ela esperava. O poder era tão devastador quanto a dor que ela sentiu. O impacto fez com que ela fosse atirada na parece do prédio de trás, que ficava encostado com o Banco do Nordeste. Ela caiu de bruços no chão.
           Por um instante a dor foi completamente neutralizada, fazendo com que Lays pensasse que havia perdido os sentidos. Mas logo em seguida a dor começou a percorrer o seu corpo, o que fez a amazona desejar que seus sentidos tivessem sido realmente neutralizados.
           Ela se virou para deitar de costas e olhou para o céu. Apesar da claridade exercida pelo raiar do dia, a estrela que indicava onde o Templo de Apolo estava ainda aparecia no céu.
           E foi rapidamente coberta por Alessandra, que, ao que parecia, havia saltado para cima de Lays e agora estava caindo rápido, com o punho levantado e brilhando apontando para a amazona.
           “Senhor... É o fim. Eu não pude fazer nada... Eu... Eu... Eu...” Todos os pensamentos, lamentações e arrependimentos saíram junto com a pequena lágrima que caiu de seus olhos. Lays fechou os olhos e esperou pelo fim.
           Que não veio.
           O impacto do golpe que Lays jurava que estava sendo direcionado a ela não a acertou, ao invés disso e punho de Alessandra acertou o chão, num local logo a esquerda de sua inimiga. Ao abrir os olhos ela pode ver um sorriso no rosto da filha de Apolo.
           Ela se levantou e se distanciou.
           – Por... Por... Porque você não me matou? Poderia ter feito isso agora, porque você desviou o golpe? – Perguntou Lays.
           – Minhas ordens não são para matar.
           – Afinal... Quais são suas ordens?
           – Eu tenho que fazer você sentir dor. Muita dor. Fazer você sofrer, fazer você sentir a dor que o meu pai sentiu! – Alessandra agarrou Lays e encostou a boca em seu ouvido e sussurrou: – Sabe o que mais? Sabe o seu namoradinho? Ele vai morrer! E você não vai poder fazer nada pra evitar!
           Ela arregalou os olhos e viu a estrela do Templo de Apolo por cima do ombro de Alessandra. E, por cima daquela estrela ela pode ver o rosto dele. Com um sorriso idiota no rosto e um olhar tão calmo que a fazia tão bem.
           “Ei, garota...” Falou a imagem no céu. “Eu te amo.
           E foi aquela lembrança que a deu forças. Ela foi lentamente pondo as mãos em volta da cintura de Alessandra e prendendo-a. E então ela foi se levantando.
           – Cale a sua boca, sua puta! RENDIÇÃO DIVINA! – Gritou Lays.
           Alessandra, que ainda estava agarrada a amazona gritou de dor. Na sua armadura apareceram rachaduras enquanto a onda de energia cósmica saia do corpo de sua adversária.
           Lays pôde sentir o corpo de sua inimiga sofrendo o impacto e sendo atirado para longa, mas ela não deixou. Pelo contrário, fez com que ela ficasse bem perto, para que recebesse completamente o poder bruto do seu golpe.
           A essa altura a armadura de Alessandra já estava caindo aos pedaços. Várias pétalas do grande girassol em suas costas haviam caído, junto com as ombreiras e parte da proteção para o tórax. A amazona então fez com que a filha de Apolo fosse levada pelo impacto do golpe.
           Ela foi atirada para o alto.
           Lays levantou vôo mais uma vez. Ao chegar lá em cima ela segurou no pescoço de Alessandra e, com a maior velocidade que poderia chegar, mergulhou com a adversária. Quando estavam bem próximas do chão ela soltou, um buraco se abriu com o impacto do golpe.
           Quando a amazona voltou ao chão algo terrível tomou conta de todo o seu ser e a fez gelar dos pés a cabeça.
           O cosmo de Matheus explodiu de uma forma completamente agressiva e desesperada e depois diminuiu. Por pouco, mas muito pouco não sumiu. Mas estava bem perto.
           Ela tinha que acabar logo com essa luta.
           – Você sentiu, não foi? – Falou Alessandra com uma voz fraca. – O cosmo gelado do seu namoradinho está quase desaparecendo, falta muito pouco... HAHAHA... – Ela começou a rir novamente.
           A medo deu lugar a raiva. Uma raiva que Lays nunca havia sentido antes. E seu cosmo começou a aumentar mais ainda. Cresceu de tal forma que algo que nunca havia acontecido com ela aconteceu. Ele tomou forma sólida e de repente Lays se via no centro de uma enorme Flor de Lótus.
           – Agora você vai me dizer o que você sabe sobre o que está acontecendo lá em cima!
           – Desculpe, fofa, mas mesmo que eu soubesse eu não lhe diria.
           – Já que é assim... TESOURO DO CÉU!
           Lays levantou o braço direito com o dedo indicador erguido, e logo em seguida apontou para a filha de Apolo. Alessandra estremeceu se ajoelhou, quase ao mesmo tempo se levantou novamente, mas sua visão estava sem foco.
           – Com a ajuda desse golpe... – Disse Lays. – Eu irei tirar cada um dos seus sentidos, você acaba de perder a visão... Essa é sua ultima chance de me dizer o que está acontecendo lá em cima.
           – Mas eu não sei... – A voz de Alessandra quase implorava por misericórdia.
           Lays apontou o dedo para a inimiga mais uma vez e ela caiu. Completamente imóvel. Ela havia lhe tirado o tato. Repetindo os movimentos mais três vezes ela lhe tirou o paladar, o olfato e, por último a audição.
           Agora era definitivo, Alessandra, representante de Tália, estava acabada. Lays deixou que seu cosmo se acalmasse um pouco e procurou por Carol, que literalmente caiu do céu. A fumaça cobria toda parte e ela só pôde ouvir o grito de Carol:
           – EXPLOSÃO DE FÓTONS!
           Uma onde de energia elétrica rodopiou pelo ar fazendo os cabelos da nuca de Lays ficarem eriçados, logo em seguida um clarão forte iluminou o ambiente.
           Enquanto a fumaça passava Carol se dirigia até ela.
           – Agora, sim. Nós podemos ir. – Disse Carol. Sua voz estava firme e ela não aparentava cansaço. E, sem contar algumas queimaduras aqui e ali, ela estava inteira. – Vamos?
           – Vocês não vão sem mim. – Mariana pousou na frente das duas com uma expressão séria. – Eu vou junto.
           As três não disseram mais nada, se viraram para a enorme estrela que ainda brilhava mesmo sendo de manhã, e levantaram vôo em direção a ela.

Nenhum comentário:

Postar um comentário