Claudino de Capricórnio
– AHH!
O grito de terror chegou aos ouvidos de Claudino. Alguém, uma criança ao que parecia, estava gritando de dentro de uma casa em chamas.
Ele correu para dentro do local. Móveis e aparelhos domésticos flamejavam e uma fumaça fedorenta dominava o ambiente.
– Onde você está?!
– Aqui! – Gritou a voz. – Dentro da cozinha!
Em instantes o cavaleiro achou o caminha até lá, e, ao chegar, viu uma garotinha que aparentava ter cinco ou seis anos de idade.
– Socorro... – Disse a garota com a voz fraca.
Havia algumas pedras grandes em cima do seu bracinho o que impedia que ela saísse de lá, a garota chorava copiosamente.
Claudino correu até lá, tirou os escombros de cima do seu braço e pôs a garota no colo. Correu para o lado de fora da casa, onde a garota respirou com mais facilidade. Uma vez lá fora o cavaleiro pôde ouvir uma mulher correndo em sua direção.
– Minha filha! – Gritou a mulher pondo a criança nos braços. – Você está bem, meu amor?
– Quem é você? – Perguntou a garotinha, que já havia parado de chorar e agora olhava para a armadura com curiosidade.
– É difícil explicar... – Disse Claudino.
– Muito abrigada, eu não sei como agradecer... – Disse a mãe.
– Não precisa, agora eu apenas quero que vocês duas durmam...
Dizendo isso Claudino pôs as mãos nas cabeças da mãe e da filha, com uma pequena onda de poder ele apagou qualquer lembrança que as duas poderiam ter sobre o acontecido, quando parou as duas caíram no chão. O cavaleiro as tirou do meio da rua e deixou-as dormindo.
“Isso é muito triste... Todas essas pessoas ficando desabrigadas, só por causa do egoísmo de uma pessoa... Isso é inaceitável!”
O pensamento mal surgiu na cabeça de Claudino e ele pôde sentir a explosão mais forte até agora, mais forte que a de John, a de Rayssa ou a de Soraya, era como se duas galáxias se chocassem uma com a outra, e ele conhecia bem esse poder. Era Miguel.
Esse era o inconfundível poder destrutivo da Explosão Galáctica, golpe usado pelo cavaleiro de Gêmeos, mas esse estava diferente, estava mais concentrado e mais poderoso.
Ao olhar para cima ele pôde ver um enorme brilho, como o de uma estrela das mais brilhantes, só que bem perto, e de alguma forma ele sabia, sabia que aquele ponto brilhando era Miguel, e ele corria perigo.
Como que para confirmar seus pensamentos o cosmo de Miguel, que antes explodia em pura energia cósmica agora se apagava, e ele pôde ver uma estrela cadente se dirigindo a Gêmeos.
– Ah, merda! – Murmurou Claudino antes de sair correndo.
O ponto de luz que apareceu no céu, que agora ele tinha certeza de que era Miguel, havia caído não muito longe dali.
Rastros de destruição e incêndios predominavam na trilha que o cavaleiro percorria. Ele não pôde sentir nenhuma presença ao longo do caminho o que significava que não havia ninguém nas casas, ou já haviam sido evacuadas.
Ele pulou no telhado de uma delas e deu uma olhada ao seu redor, o cheiro de queimado incensava o ambiente e havia fumaça para todo lado que olhasse, mas isso não o impediu de ver Caio, para o assombro do cavaleiro seu velho amigo usava uma armadura de tom alaranjado idêntico ao dos filhos de Apolo. Ele caminhava discretamente em direção a alguém que o cavaleiro não pôde identificar, mas as palavras que saíram da boca dele fizeram com que ele se mexesse.
– Isso não é justo. – A voz de Caio chegou até o cavaleiro, calma e venenosa. – Ele que se matou, não eu quem o matei... Eu preciso matar alguém...
Claudino se aproximou devagar e lentamente, e se assustou ao ver com quem Caio falava. A última pessoa que o cavaleiro de Capricórnio imaginaria encontrar num lugar como esse: Sefora. Ela estava debruçada sobre o corpo imóvel e sem vida de Miguel ao mesmo tempo em que se encolhia de medo do brilho ameaçador que emanava do punho de Caio.
– E esse alguém, é você! – Disse Caio.
Seu punho se levantou lentamente e ele desferiu um golpe, Claudino foi rápido e saltou para ficar entre os dois.
– Sinto muito, mas você não vai fazer isso bebê! – Gritou ele segurando o punho de Caio com apenas uma das mãos. – Não se preocupe Sefora. Eu não vou deixar ele te machucar!
A surpresa se apoderou da expressão de Caio, a pressão do seu golpe diminuiu e ele se afastou alguns passos.
– E, mais uma vez, o destino brinca com a minha cara, e faz com que eu tenha que matar um amigo meu. – Disse Caio, falsamente inconformado.
– E porque você tem tanta certeza de que vai mesmo conseguir me matar? – Rebateu Claudino.
– O corpo de Miguel está de prova... Ele está completamente acabado enquanto eu praticamente não sofri nenhum arranhão.
– Isso não quer dizer nada, meu filho... Só que no mínimo você é meio afrescalhado e ficou com medo de alguns cortes.
– Ok! – A cara de Caio se contorceu numa careta de raiva. – Então eu te faço o mesmo desafio que fiz a Miguel! Tente me golpear, pelo menos uma vez.
– Será um prazer...
O cavaleiro correu até Caio que entrou em posição de combate. Desferiu, ou tentou desferir, um soco em seu estomago, mas ele saltou por cima do cavaleiro e, sem nem ao menos chegar ao chão, desferiu um chute na lateral do corpo de Claudino, o impacto fez com que ele fosse atirado contra um das casas em chamas.
– Vamos lá! Eu ainda não sinto dor. – Provocou Caio.
– Tenho certeza que uma dedada resolve esse seu problema. – Claudino pode ver o sorriso de Caio com a piada fora de hora enquanto se levantava.
– Você não consegue nem me socar de forma decente, imagine uma dedada...
– Então você realmente quer uma dedada? Vou ver o que eu posso fazer por você...
Ele correu mais uma vez em direção ao inimigo, mas já estava consciente de que ele era muito bom em esquivas, e ele também seria.
Claudino saltou numa voadora que seria certeira na cara do adversário se não fosse pela mão de Caio no caminho. O filho de Apolo segurou firme a perna do cavaleiro, que aproveitou a chance e jogou a outra perna contra o estomago dele. Mas antes mesmo do movimento ter sido completado, Caio soltou a perna que segurava e se afastou, fazendo com que Claudino perdesse o equilíbrio e caísse de cara no chão.
“Ah! Droga! Será que é impossível acertar esse baitola?!”
– HAHAHA! É impossível me tocar... Você nunca vai conseguir.
“Como assim, agora ele lê mentes?” O comentário havia deixado Claudino com a orelha em pé. Se o que Caio fazia não era nada mais do que ler mentes, não seria tão difícil derrotá-lo, mas sem essa informação seria realmente impossível, Miguel talvez não tivesse descoberto isso, mas era só um palpite, aquilo poderia muito bem ter sido uma simples conhecidência, mesmo assim a idéia era formidável.
– Eu represento as profecias – Continuou Caio – eu prevejo todos os seus movimentos, assim não tem como você me tocar.
– Impossível? – Perguntou Claudino. – Então porque eu vejo alguns resquícios da Explosão Galáctica no seu corpo? Se fosse realmente impossível você não teria sido atingido por Miguel e machucado seu lindo corpinho afeminado.
Caio fez uma careta e correu até Claudino em alta velocidade. “É agora que eu tiro a prova dos nove.”
Assim, Claudino esvaziou completamente sua mente, deixando-a escura para técnicas alheias. Para a sua surpresa e alegria deu certo. A expressão de Caio mudou de raiva para puro assombro e surpresa, mas isso não fez com que ele retardasse o ataque. Um soco veio veloz na direção do rosto de Claudino, que por sua vez se abaixou, se esquivando do soco, e pulou com o punho erguido golpeando o inimigo com força no queixo. O impacto fez com que Caio fosse atirado para cima.
– Como?! Como você conseguiu fazer isso?! – Caio gritava de frustração.
– Parece que sua adivinhação do futuro está mais para Tarô... Será que você também consegue trazer a pessoa amada em até três dias? – Disse Claudino com um sorriso triunfante no rosto.
– Pare de besteira! Responda logo a porcaria da pergunta!
– É muito simples... – Disse Claudino. – Você leu minha mente enquanto eu me perguntava se seria realmente impossível te derrotar, infelizmente, pra você, o seu ego lhe denunciou e você fez questão de concordar. E depois os vestígios da Explosão Galáctica no seu corpo deixavam claro que sua “previsão do futuro”... – Claudino fez questão de fazer aspas no ar com os dedos ao dizer essa parte - ...tinha falhas.
– E como você fez para deixar sua mente tão escura sem oferecer resistência nenhuma a ela? – Perguntou o filho de Apolo.
– No meu treinamento, meu mestre me ensinou a escurecer a mente. Essa foi a parte mais chata e eu vivia pensando comigo mesmo que era completamente inútil, mas vi que foi realmente bom ter aprendido.
O rosto de Caio ficou vermelho vivo com o esforço de tentar penetrar mais fundo na mente de Claudino, mas era impossível, ele podia tentar o quando quisesse, nunca iria conseguir ver nada.
– Pare de se esforçar tanto ou vai terminar peidando. Levante-se agora e lute feito macho, sem essa baitolagem de leitura de mente!
Caio se aproximou em alta velocidade, mas o que aconteceu quando ambos se encontraram foi uma grande reviravolta na batalha. Pelo que Claudino pode perceber Caio era muito dependente da leitura de mente, o que fez com que ele ficasse relaxado com relação aos seus treinamentos em táticas de luta.
O filho de Apolo tentou acertá-lo com um soco no rosto, mas, com muita facilidade Claudino se esquivou para a esquerda e acertou um golpe com as mãos juntas nas costas do inimigo, que caiu de barriga no chão.
Revoltado, Caio segurou nas pernas de Claudino e as puxou, fazendo com que o cavaleiro também caísse.
– Agora morra, Capricórnio!
O punho de Caio ardeu em chamas e vinha rápido para cima de Claudino, porém no último segundo ele rolou e se esquivou do golpe e o lugar onde sua cabeça estava a alguns segundos se transformou num buraco esfumaçado como se um pequeno meteorito tivesse caído ali, o cavaleiro não quis nem pensar no estrago que teria acontecido se ele não tivesse conseguido desviar.
– VISÃO FUTURA! – Gritou Caio.
Seus olhos e sua boca aberta emanaram um brilho estranhamente alaranjado como se fosse uma lanterna. Uma leve brisa fez com que o clima no ambiente ficasse mais pesado, mas nada mais aconteceu.
– Ái dentro! – Gritou Claudino. – Vem aqui pra eu lhe mostra o que é um golpe decente!
Caio estava descontrolado. Ele correu até o cavaleiro com uma velocidade completamente inumana, mas Claudino já sabia o que fazer.
– SALTO DE PEDRA!
Quando Caio estava bem próximo Claudino pulou sobre seu inimigo de modo que seus pés se encaixassem na parte de baixo de seus braços, quando isso aconteceu Claudino usou toda a força do corpo de Caio contra ele mesmo, atirando-o para o alto sem dar chances para ele planar.
Depois de alguns segundos Caio caiu de cabeça no chão deixando várias gostas de sangue espalhadas.
– Haha... – Caio começou a rir. – Todo esse esforço... Mas você não vai conseguir proteger a garotinha ali, Capricórnio...
De repente a atenção e Claudino se voltou para Sefora, que assistia a tudo completamente assustada ao lado do corpo de Miguel, mas antes que ele pudesse fazer qualquer coisa Caio já corria em direção a ela com o punho flamejando.
– Não vai não! – Gritou Claudino.
Mas antes que ele pudesse dar sequer um passo o clima no ambiente mudou novamente. Uma onda de golpes flamejantes e potentes começaram a atingi-lo por todos os lados, e a dor que ele sentiu foi tão grande que fez com que ele caísse no chão se contorcendo.
Agora ele pôde entender o efeito da Visão Futura criada por Caio.
A dor ainda era enorme, mas ele não podia ceder, ao menor Caio já estava frente a frente com Sefora. Com uma das mãos ele a erguia pela gola da camisa e a outra estava erguida, se preparando para agredi-la.
Ignorando a dor dos golpes que era intensa, Claudino se levantou e correu, correu o máximo que suas pernas agüentaram, mas não foi o suficiente Caio já estava lançando o punho contra o rosto da amiga.
– EXCALIBUR! – Gritou Claudino, e o golpe foi certeiro.
O cavaleiro havia mirado na mão de Caio que segurava Sefora pela camisa, e o poder de corte da lendária espada acertou em cheio a mão do inimigo fazendo com que ele a soltasse. Para ganhar tempo, o cavaleiro golpeou seu inimigo com uma voadora.
– Você está bem? – Perguntou Claudino, se agachando perto da amiga, a dor já estava deixando o seu corpo.
– Sim, obrigada... – Respondeu ela. – O que vocês são?
– Não há tempo pra explicar, eu quero que você corra pra longe daqui, agora!
– Eu não saio daqui sem Miguel! – Disse ela com lágrimas nos olhos.
– Tudo bem eu...
Um soco altamente poderoso interrompeu a fala de Claudino. Caio havia se levantado e lhe acertado o golpe sem que ele percebesse.
– Não me atrapalhe cavaleirinho de merda! – Gritou Caio.
Claudino não disse nada. Não fez piada, nem nenhum tipo de comentário, apenas olhou pro rosto do que costumava ser um grande amigo seu. Ele estava completamente descontrolado e tomado pelo desejo de matar, já não era mais a mesma pessoa.
– Você está completamente louco...
Caio correu para cima dele, com um estilo de luta completamente diferente. Ele conseguia se defender e atacar ao mesmo tempo, apesar de não poder ler a mente de Claudino ele podia prever cara um dos seus golpes.
Por um descuido de Claudino, Caio acertou um golpe no seu estomago. O impacto fez com que ele fosse atirado para longe.
– Vou matar você antes de matar a garota. – Disse Caio. – Diga adeus, cavaleiro de ouro de Capricórnio! – O punho de Caio cortou o ar flamejante e fatal na direção de Claudino, e dessa vez seria quase impossível se defender. Até que uma luz surgiu na cabeça do cavaleiro.
– EXCALIBUR! – Gritou o cavaleiro enquanto estava de joelhos.
O braço direito de Claudino adquiriu o poder da espada lendária e, como se realmente fosse uma lâmina, cortou a parte da frente da armadura do inimigo. O golpe não foi o suficiente para matar, mas o impacto fez com que ele saísse do chão, o que era a deixa perfeita para o golpe final.
Claudino saltou e acompanhou Caio na sua decolagem, quando a altura dos dois era a mesma ele gritou:
– DANÇA DAS ESPADAS!
O golpe foi disparado com os dois braços em forma de um “X”. Para olhos comuns foi apenas um único movimento, mas os feixes de luz que surgiram dos braços do cavaleiro diziam ao contrário. Foram vários golpes fatais.
Ambos caíram no chão ao mesmo tempo, mas Caio caiu de cabeça e dessa vez um verdadeiro rio de sangue se fez no chão. Claudino não precisou se aproximar para saber que seu inimigo estava morto, em segundos ele havia se transformado em poeira cósmica, e o único vestígio de sua presença ali era o seu sangue jogado no chão.
Claudino correu até Sefora que olhava para o local onde antes estivera Caio com as mãos sobre a boca e os olhos arregalados.
– O que aconteceu aqui? – Perguntou ela quando Claudino se aproximou.
– Antes de mais nada... Você está realmente bem? Não está machucada?
– Minha cabeça ainda dói um pouco, mas... – Sua fala foi interrompida.
A armadura de Miguel começou a brilhar e a emitir um som agudo como o de sinos. A armadura se separou de seu corpo e tomou sua forma original, o de uma grotesca figura de quatro braços, ela emanou um brilho forte e sumiu, levando com ela o som e deixando os ouvidos de Claudino apitando.
– A armadura retornou para seu legitimo lar, aguardando o cavaleiro da próxima geração... – Disse Claudino, quase sem pensar com o olhar vago para o céu.
– Você quer fazer o favor de me explicar que merda é essa que está acontecendo?! – Sefora gritava de frustração. – Meu melhor amigo morreu e tudo por culpa de Caio! Porque ele fez isso?! Me explica!
Claudino suspirou ao olhar para a cara de Sefora e ver tanta tristeza.
– Não... Hoje não... – Disse ele pondo a mão sobre a cabeça dela. – Agora eu apenas quero que você durma, eu prometo que amanhã tudo estará mais claro.
Dizendo isso sua mão formigou, o que indicava que todas as lembranças do acontecimento foram retiradas da cabeça de Sefora antes que ela caísse no chão, desacordada.
– Você foi valente, Miguel. – Disse Claudino se virando para o companheiro. – Onde quer que você esteja, quero que saiba que seu sacrifício não foi em vão. Ela está segura, e vai permanecer assim...
E uma lágrima caiu dos olhos do cavaleiro de Capricórnio. A lágrima que estava presa em seus olhos desde que aquela estrela caiu em direção a Gêmeos.
Nota: * Queria pedir 394328023498329 milhões de desculpas pela demora, o motivo foi a quantidade de coisas que eu tinha pra fazer no colégio, estava ficando sem tempo pra escrever... Mas agora eu prometo tentar estabilizar a postagem de capítulos. Espero que estejam gostando. =D (Twitter: http://twitter.com/#!/Tee_Henrique
Nota: * Queria pedir 394328023498329 milhões de desculpas pela demora, o motivo foi a quantidade de coisas que eu tinha pra fazer no colégio, estava ficando sem tempo pra escrever... Mas agora eu prometo tentar estabilizar a postagem de capítulos. Espero que estejam gostando. =D (Twitter: http://twitter.com/#!/Tee_Henrique
Nenhum comentário:
Postar um comentário