quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Capítulo 21 - Sentimentos (Parte 1)


Retrospectiva:

         – Nós temos que ir até lá! Eu, Matheus e as meninas de bronze. – Disse Lays já completamente recuperada.
           – Nem pense nisso, ficou louca? – Perguntei. – Isso é uma armadilha, e, se você fizer isso, vai cair direitinho nela, você ouviu, “eu irei fazer você sofrer”. E a profecia dizia que era isso que ele faria. Eu não posso e nem vou arriscar tudo isso. Você vai ficar e ajudar a cuidar dos Filhos de Apolo, enquanto eu e as meninas de bronze vamos até o templo tentar resgatar a sua irmã. – Eu me virei para o resto do pessoal. – Cada um cuida de uma parte da cidade. Façam o possível para que eles não destruam muita coisa. – Depois eu me virei para as meninas de bronze, minha armadura já cobria o meu corpo. – Meninas é hora de mostrar se o treinamento de vocês valeu a pena ou não. – Eu estendi a mão para que elas. Mas antes de elas tocarem Lays gritou:
           – Espera! – Ela já vestia a armadura de virgem, ela jogou o elmo no chão e correu até mim, me abraçando. – Boa sorte. E, por favor, tenha cuidado, meu anjo. – Dizendo isso ela me beijou e me soltou.
           As meninas tocaram a minha mão e nós desaparecemos.

Matheus de Aquário.

         A viagem foi longa, mas não longa o suficiente para nos deixar cansados. Eu, Laura, Joyce, Luana, Bia, Saskia nos dirigíamos para o Templo de Apolo com medo do que íamos encontrar por lá. Mas era necessário. Larissa corria perigo de vida e eu tinha como obrigação ir resgatá-la.
            Além do mais eu tinha alguns assuntos para tratar com Erik.
            Chegamos.
            Todos nós prendemos a respiração ao chegarmos lá e olharmos para cima. O local era praticamente idêntico ao Santuário, na Grécia, exceto por algumas coisas. Não havia doze casas... Havia quatro, sendo que a última era a replica que a imagem de Erik havia nos mostrado no auditório, que agora estava em chamas.
            Todo o local era cercada por um rio de lava. Em terra firme havia uma colina com escadas que ligavam as quatro casas, se nós olhássemos ao redor veríamos o espaço, com todas as constelações e nebulosas. A frente de todas as quatro casas nós poderíamos ver o Sol. Enorme, e grande, banhando completamente a última casa, provavelmente a casa de Apolo. As nossas costas nós tínhamos uma incrível visão do planeta Terra, grande e azul.
           – Acho que eu sei o que nos aguarda lá dentro... – Disse Laura.
           – Eu também tenho uma leve idéia... – Falei.
           – Será que vocês podem dizer o que é? – Disse Joyce impaciente.
           – Bom... – Começou Laura. – O formato das casas é levemente familiar ao das doze casas do zodíaco, que fica no santuário, que foi onde eu treinei. Se eu estiver certa, cada casa dessas tem um guardião, que nós temos que derrotar para chegarmos a última – Ela apontou para a casa no alto da colina. – Provavelmente é onde Apolo está nos esperando.
           Todos olhamos para as casas. Dentro de cada uma havia um perigo diferente, provavelmente gente muito pior que os filhos de Apolo. Eu olhei para as garotas, no rosto de cada uma, expressões iguais. Medo. Saskia havia segurado as mãos de Bia e Joyce. Laura tinha o olhar fixado na última casa, e Luana olhava para alguma coisa perto do primeiro lance de escadas.
           – O que é aquilo? – Perguntou ela.
           Parecia um tipo de placa, corremos até lá para ler o que havia escrito.
           – “A você que adentra este território, atenção... – Começou Luana. – ... Esse território pertence a Apolo. Deus do Sol, representante da medicina, arco e flecha, musica e senhor das musas, filho de Zeus e Leto. Caso julgue seguro invadir esse território: Boa sorte. Ps.: Quem brinca com o fogo, acaba se queimado. Que sirva de aviso.
           Nós nos entreolhamos.
           – Não temos escolha, temos? – Perguntou Saskia.
           – É claro que tem. Sempre há uma escolha. – Falei. – Só cabe a você decidir se quer continuar, ou não.
           – Olha pra minha cara de quem vai deixar você sozinho nessa. – Disse Saskia apontando para seu rosto, que expressava claramente um sarcasmo exagerado.
           – Nós estamos com você... – Disse Bia, pondo a mão em meu ombro. – Aquela profecia também falava sobre nós, você não tem que fazer nada sozinho. Então... Vamos correr para a primeira casa juntos, enfrentar perigos juntos, lutarmos e sobrevivermos juntos! Afinal, nós somos uma família...
           Eu sorri para ela. Bia era muito mais forte do que aqueles grandes olhos azuis podiam revelar, de alguma forma, ela tinha o poder de me acalmar... Olhei para o restante das garotas e o meu sorriso se alargou com o que vi: Qualquer vestígio de medo, que antes tomava conta de seus rostos, havia desaparecido. Todas olhavam para mim como se estivessem dispostas morrer comigo, sem medo e sem arrependimentos.
           – Vamos lá! – Falei.
           Então, juntos, nós começamos a subir o primeiro lance de escadas que nos levaria ao nosso primeiro obstáculo.
           – Eu quero deixar uma coisa bem clara antes de chegarmos lá. – Eu falei enquanto corríamos. – Não podemos ficar todos em uma única casa... Então quando chegarmos a primeira casa, um ou dois de nós irão ficar. O resto prossegue. Entendido?
           – Tem razão... – Disse Luana. – Agente não pode perder tempo.
           Depois de vários minutos subindo a escadaria, que parecia não ter fim (Onde estão os elevadores quando se precisa deles?), chegamos a entrada da primeira casa.
           – Que símbolo é aquele? – Perguntou Laura.
           – Parece um... Centauro... – De fato, era um centauro apoiado pelas patas de trás, com um dedo apontando para o céu. – Mas não faz sentido... O centauro deveria ser o símbolo de Sagitário. – Eu cocei a nuca como costumo fazer quando estou frustrado.
           – Ficarmos parados na entrada não vai ajudar em nada. – Disse Joyce. – Vamos entrar, tá certo?
           – Vamos. – Falei.
           Nós corremos e adentramos a primeira casa, a principio um lugar silencioso, nós diminuímos o passo e caminhamos lentamente, nossos passos ecoavam no local que aparentemente estava completamente vazio.
           As paredes eram completamente brancas e o teto era sustentado por grandes e grossos pilares em arquitetura grega, exatamente como na Grécia. O local não era escuro por causa de um enorme buraco no teto que permitia a entrada dos raios do sol.
           – Esse lugar é muito quieto. – Disse Saskia depois que todos paramos de andar começamos a olhar ao redor. – Tem alguma coisa errada aqui...
           Ela continuou caminhando, mas sem olhar para frente. Eu estava atento. Quando a luz do sol, que saia do buraco no teto, bruxuleou eu vi um tipo de linha, fina e avermelhada, que ligava um pilar a outro.
           – Saskia espere! – Eu gritei.
           Mas surtiu o efeito contrário. Em vez dela parar, ela se assustou e tropeçou.
           – CORRENTE DE ANDRÔMEDA!
           A corrente de ponta circular da armadura de Bia passou raspando a minha cintura e prendeu Saskia de modo que ela não caísse. A amazona parou em pleno ar com o nariz quase se encostando à linha.
           – Meu Deus, isso é... – Disse ela um pouco ofegante. – Isso é ferro em brasa.
           Ela levantou um dedo e triscou no ferro que automaticamente começou a brilhar num tom rubro, como se fosse brasa. E nós percebemos que não se tratava de uma simples barra de ferro, era toda uma armadilha que se assemelhava a uma teia de aranha.
           – Obrigada, Bia. – Disse Saskia.
           – Relaxe. – Respondeu Bia.
           – Luana... – Eu virei para minha aprendiza. – Quer fazer as honras?
           Ela sorriu o se aproximou da armadilha, estendeu a palma da mão, que começou a liberar uma névoa gelada que cobriu completamente o obstáculo. Depois de alguns segundos a névoa se dissipou e nós encontramos uma armadilha completamente cristalizada e congelada.
           Luana levantou a perna direita e descarregou um chute na teia, que foi ao chão em pequenos pedaços brilhantes de gelo.
           – Gostei de ver. – Falei sorrindo e passando a mão na cabeça dela.
           – CUIDADO! – O berro de Joyce cortou nossos ouvidos, nós olhamos para frente onde alguma coisa brilhava e, de repente, um raio começou a vir em nossa direção.
           Joyce, que estava atrás do nosso grupo, correu para frente e abriu os braços. Todo o impacto do raio foi recebido por ela, que caiu no chão logo em seguida.
           – Joyce, você está bem?! – Bia gritou e se ajoelhou ao seu lado. Logo em seguida Joyce se levantou e apontou para frente.
           – Tem alguém ali. – Disse ela.
           – Então enfim os cavaleiros de Athena chegaram a minha casa... Não pensei que vocês fossem desistir.
           Aquela voz me fez ter calafrios por todo o corpo. Eu a conhecia, mas de onde?
           – Não pode ser... – Bia sussurrou e soltou o peso de seus ombros. Ela admirava de olhos arregalados o cavaleiro que se aproximava, saindo das sombras.
           Sua armadura era composta como a de um cavaleiro de ouro e protegia a maior parte do seu corpo. Apesar disso era uma armadura simples, sem grandes detalhes além de uma estrala laranja bem no seu peito e pela mascara que encobria seu rosto.
           Uma lágrima desceu dos olhos de Bia.
            – Bia! – Gritou Joyce – O que está acontecendo?!
            Eu corri para perto dela, mas não havia muito que eu pudesse fazer. Ela, por alguma razão, havia entrado em estado de choque.
            – Ela não vai responder. – Eu disse a Joyce, enquanto Bia continuava a observar o cavaleiro a nossa frente.
            – O que você fez com ela?! – Gritou Luana. – Fale!
            – Eu não fiz absolutamente nada. – Disse o cavaleiro com uma voz completamente calma e indiferente.
            Eu me levantei e fechei os punhos, de fato o cavaleiro não havia feito nada, Bia havia entrado em estado de choque por um bom motivo, que eu ainda não havia descoberto.
            – Quem é você? – Perguntei. Num tom de voz tão calmo e indiferente quanto o do cavaleiro.
            – O meu nome não importa. Vocês já estão mortos...
            – Responda, otário! – Gritou Saskia. Uma aura vermelha e ameaçadora envolvia seu corpo enquanto ela levantava um punho.
            – Não, não, Saskia. Ele é meu. – Disse Luana.
            Sua aura prateada envolvia seu corpo por completo e ela saiu correndo em disparada na direção do inimigo.
            Pelo jeito ele não esperava que Luana tivesse uma velocidade tão grande, então o golpe o pegou completamente desprevenido, o soco foi certeiro em seu rosto.
            Eu até hoje não soube dizer se foi só na minha cabeça, mas aquela mascara parecia cair no chão em câmera lenta. E à medida que ela caia um sorriso meio metido aparecia no rosto de Vítor.
            Bia, que estava ajoelhada, não suportou mais o peso do próprio corpo e caiu para trás ficando em posição fetal. Um profundo soluço saiu de sua garganta e ela começou a chorar.
            Vítor virou para Luana que olhava para ele completamente sem reação. Levantou o punho que emitia um brilho alaranjado e desferiu um soco em seu estomago. A amazona saiu voando, e, antes que ela se espatifasse num dos pilares, eu a segurei.
            – Você está bem? – Perguntei.
            – Sim. Obrigada.
            – DESGRAÇADO! – O berro de Joyce reverberou no silencio da casa. – Ela te ama, caralho! Olha só o estado dela! O que você tem na cabeça pra trair o coração dela desse jeito?
            Ele não respondeu. Apenas sorriu para Joyce de forma metida, como se não fizesse idéia do que ela estivesse falando.
            – Matheus. – Continuou ela. – Eu quero que vocês passem por essa casa e me deixem aqui com esse idiota. Eu vou fazer com que ele pague.
            – Certo. Agente não pode perder mais tempo aqui. Ele é seu. – Eu me virei para as outras garotas. – Vamos! Bia... Você vem?
            Ela não respondeu. Seus olhos estavam inchados de tão vermelhos, lágrimas ainda rolavam por seu rosto e seu olhar era vago.
            – Não se preocupem com ela! Vão logo! – Disse Joyce.
            – Antes de irmos, Vítor, me responda. – Eu falei. – Porque o símbolo da sua casa é um centauro?
            – Não se preocupe. Não tem nada a ver com o centauro que representa Sagitário. – Explicou ele. – Sempre que o portador da armadura de Apolo aparece na terra, e descobre sua verdadeira identidade, ele escolhe três das cinqüenta estrelas mais próximas do sol para protegerem as três casas do Templo de Apolo. Nessa geração a primeira casa é protegida por mim: Alfa Centauri, ou, como vocês preferem chamar: Centauro. Essas três estrelas ficam conhecidas como Coroa Do Sol.
            – E quais são as próximas? – Perguntou Laura.
            – E estragar a surpresa? – Falou ele rindo.
            – Vamos! – Eu gritei.
            Eu e as meninas saímos correndo em alta velocidade na direção de Vítor, que abriu os braços e falou:
            – Eu não vou deixar vocês passarem!
            – Ora, cale a boca! – Gritou Laura. – METEORO DE PEGASO!
            Vários socos na velocidade do som saíram do punho direito de Laura e grande parte atingiu Vítor em cheio, obrigando-o a se proteger, enquanto todos passavam. Eu atrasei um pouco o passo, congelei completamente o meu próprio punho e desferi um soco com toda a potencia que pude reunir no estomago do cavaleiro da Coroa do Sol, que se contraiu, sangue espirrou de sua boca.
            – Isso... – Sussurrei em seu ouvido. – Foi por Bia.
            Dizendo isso eu saí correndo em direção à saída da casa, mas eu não pude deixar de notar uma coisa estranha nos olhos de Vítor. Sua íris estava num tom vermelho, vermelho sangue, o que aquilo queria dizer era uma coisa que caberia a Joyce descobrir.
            Já lá fora eu encontrei com as meninas que estavam paradas esperando por mim.
            – Será que elas vão ficar bem? – Perguntou Luana.
            – Nesse momento você tem que esquecê-las e as deixar fazerem seu trabalho, sua preocupação só vai te atrasar. – Ela olhou para baixo parecendo desolada. – Eu sei que é uma coisa horrível de se ouvir, mas é necessário.
            Ela olhou para mim, uma última lágrima caiu de seus olhos, ela a enxugou rapidamente e sorriu.
            – Vamos para a próxima bomba.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Capítulo 20 - Luz


Carol de Leão

            E diante de Carol, estava o rosto que ela jamais imaginara encontrar.
            – Wesley... – A voz de Carol saiu tremida e quase sussurrada. – Porque você...
            A fala de Carol foi interrompida. Wesley rapidamente se atirou sobre ela e lhe acertou um soco no rosto.
            – Não interessa! – Gritou ele.
            E mais uma vez ele tentou acertá-la. Mas dessa vez não foi tão fácil. Carol parou o golpe com uma das mãos, e seu corpo começou a emanar um brilho dourado, seu olhar era vago, como se a pressão do soco não a afetasse.
            – Ele confia em você... – Disse ela. – E aqui está você, traindo a confiança dele! – Ela passou a gritar. – Você não merece a amizade dele!
            O punho livre de Carol brilhou intensamente e socou o estomago de Wesley, depois, com um chute, fez com que seu inimigo levantasse vôo. O golpe foi bem sucedido, mas o fogo tomou conta do corpo filho de Apolo, como se ele fosse o verdadeiro Tocha Humana, e ele começou a planar.
            – Lays, eu volto daqui a pouco. Segure as pontas enquanto isso.
            Dizendo isso Carol levantou vôo.
            Enquanto a amazona subia, a raiva e a indignação tomavam conta de sua circulação. “Como ele tem tanta coragem?!” Carol gritava internamente. Matheus sempre foi um dos seus melhores amigos, mas aí está ele... Lutando contra tudo que Matheus acredita... Qual é o problema dele?!
            Wesley olhava sua aproximação sem se mexer nem dar o menor sinal de medo, a olhava com um olhar de predador, que não pensaria duas vezes antes de matá-la. O olhar de um louco.
            Carol se concentrou o máximo que a sua raiva permitia e reuniu todo o poder que tinha em um único golpe.
            – RELAMPAGO DE PLASMA!
            – Não vai funcionar! – Gritou Wesley de volta.
            Com uma única mão, o filho de Apolo conteve os feixes de luz que saíam do punho de Carol. E ele sorria.
            – Como você..?
            – Um mesmo golpe não funciona duas vezes contra um filho de Apolo... – Sussurrou ele. – Eu terei a minha vingança!
            Com o poder do Relâmpago de Plasma completamente contido em suas mãos, ele pegou impulso e rebateu o ataque, que Carol, surpresa e sem a menor reação, levou em cheio, fazendo com que ela voltasse vários metros para trás.
            O poder dele já não era mais o mesmo. Da última vez que eles se encontraram (que Carol nunca desconfiara que fosse ele) seu cosmo era inconstante e ele era ingênuo. Completamente ao contrario do que ela estava sentindo agora. A questão era: O que teria acontecido com ele para que ele evoluísse tanto em questão de semanas?
            Carol se reergueu a procura do inimigo, no exato momento em que ele vinha como um jato em sua direção, com o punho erguido.
            – Vamos, garota! Vamos dançar!
            O golpe foi rápido e preciso, mas nada que Carol não conseguisse ver e evitar com sucesso. A amazona se protegeu com os braços cruzados em forma de “X”, o impacto foi grande, mas não tão grande que a fizesse perder o controle.
            Como resposta ela lançou um pequeno feixe de luz, que foi rebatido com facilidade pelo inimigo com uma leve tapa. Porém, mal sabia ele que aquilo era só distração. Sem deixar que Wesley tivesse tempo nem para abaixar o braço, Carol lhe atingiu com uma voadora em seu rosto, o impacto o levou para longe dela. Mas o plano da amazona já estava traçado.
            Com o auxílio do tele transporte, Carol se dirigiu para o lado oposto o qual estava, onde pode ver claramente as costas Wesley se aproximando rápido. Seu punho emanou um brilho ameaçador e quando seu adversário estava próximo o suficiente ela lhe acertou um soco na espinha dorsal.
            Como se ele fosse uma bolinha de Pinball batendo nos obstáculos Wesley recebeu o ataque que fez com que sua trajetória fosse invertida para o local inicial. Mas uma vez, com a ajuda do tele transporte, Carol mudou de posição. Dessa vez para cima.
            Ela esperou o momento exato em que Wesley passaria por baixo dela, quando esse momento chegou a amazona ergueu os braços, entrelaçou as mãos e desceu um golpe que foi certeiro na cabeça do filho de Apolo.
Carol pode sentir um pouco de sangue molhando suas mãos antes que Wesley disparasse como um foguete de volta para o chão. A fumaça tomou conta do ambiente lá em baixo. Antes de descer também Carol tentou achar Lays, quando a entrou viu que ela estava travando uma difícil batalha em cima do prédio do Banco do Nordeste.
Resistindo ao impulso de ir lá ajudar, Carol voltou a terra firma a procura do seu inimigo, que estava soterrado num buraco criado por ele mesmo. O buraco não era fundo, então a amazona simplesmente esticou o braço e o tirou lá de dentro.
Seu rosto exibia cortes feios, seu elmo estava completamente destroçado e sangue escorria de seu nariz e sua boca.
Apesar disso, ele sorriu.
– Você é rápida... – Disse ele com a voz fraca e ofegante. – Parece um raio cortando os céus num dia de tempestade...
– Não me venha com elogios agora, garoto. – Rebateu Carol. – Agora me diz: Porque você está fazendo isso? Você sabe que Matheus é um cavaleiro, não sabe? Sabe que ele, nesse exato momento, corre um risco sério de vida só pra salvar todo mundo aqui, não é?
– É claro que eu sei...
– Então por quê?! Vocês são amigos!
– Poder...
– Como é?! – Carol estava completamente confusa. – O que diabos você quer dizer com isso?!
– Porque eu não me tornei um cavaleiro? O que ele tem que eu não tenho?
Carol sentiu o sangue indo parar nas suas bochechas de tanta raiva, sua cara estava começando a ficar vermelha. Ela ergueu o filho de Apolo e o atirou no chão com toda a força, como se fosse um boneco. Outro buraco se abriu no chão, mas não na proporção do primeiro.
– Você é idiota, garoto?! – Gritou Carol. – Você pensa que isso aqui é fácil? De tempos em tempos alguns maníacos tentarem destruir a terra e a responsabilidade disso tudo estar em nossas mãos? – Ele a olhava sem a menor expressão facial. – E fazer isso para pessoas que você não sabe quem são, de onde vieram e que você sabe que nunca vão te dar o reconhecimento que você merece?! Isso não é fácil...
– Então porque você luta por isso afinal? – Rebateu ele. – Da forma que você fala até parece que não gosta disso... Que não gosta do que faz...
Nesse momento a vista de Carol escureceu, sua mão tocou a cicatriz em seu ombro direito e sua mente foi levada a outro lugar, há alguns anos no passado...

Papai, por favor, não... – Disse Carol chorando estendendo os braços para que seu pai a pegasse no colo.
Não se preocupe, menina. Nós voltamos logo...
Mas eu não quero ficar aqui sozinha... Me leva junto.
Não Carol... – Disse sua mãe. – Hospital não é lugar para uma criança de sete anos ficar.
Além do mais, você já é uma criança crescida. – Disse seu pai, sorrindo. – Precisamos de alguém vigiando a casa, certo?
Carol estava sem entender. Seu pai era louco, ou o que? Deixar a casa nos cuidados de uma garotinha de sete anos era um absurdo, os pais de nenhuma de suas amigas fizeram isso. Mas mesmo assim o fato de que seu pai confiava nela de tal forma a deixava orgulhosa de si mesmo.
Então, o que me diz? – Perguntou seu pai ainda sorrindo. – Você é capaz de cuidar da casa por alguns minutinhos?
Sou! – Disse Carol se contorcendo para sair do colo do pai. Até porque, como poderia parecer forte o suficiente para defender a casa estando molhada pelas lágrimas e com o rosto melado de catarro?
É assim que eu gosto! – Disse ele pondo-a no chão. – Então me prometa duas coisas. Primeira: Não abra a porta pra ninguém, se baterem, deixem pensar que não tem ninguém em casa. Segundo: Se tiver qualquer problema, ligue pra mim, eu venho o mais rápido que eu puder. Promete?
Prometo. – Disse Carol sorrindo.
Ótimo. Cuidado, hein!
Sua mãe chegou perto e a abraçou apertado. Com isso os dois saíram deixando-a sozinha.
Eu posso proteger a casa. – Falou Carol para si mesma. – Certo, Pantera? – Disse ela, se dirigindo ao gato que ela tinha em casa.
Para seus pais e sua irmã ele era apenas mais um dos muitos animais de estimação dentro de casa, mas, para ela, ele era especial. Talvez por causa da cor do seu pelo, um negro profundo que a fazia lembrar a noite, e quando ele sentava sob a luz do luar, era como se ele adquirisse alguns tons de prata, como os da lua. Ou talvez simplesmente pelo fato dele estar sempre com ela.
E com sempre ela quis dizer SEMPRE mesmo. Para onde ela fosse ele estava atrás, como se fosse um tipo de guarda costas felino.
Pantera? Onde você se meteu?
Ela foi até a varanda e lá estava ele, olhando fixamente para a lua cheia (que estava particularmente linda naquela noite), deitado no chão parecendo uma esfinge. Seu pelo, como sempre, brilhando intensamente com a luz da lua.
Ele virou a cabeça lentamente na direção de Carol, que abafou um grito de horror com as mãos.
O que havia acontecido com aqueles olhos verdes? Eles tinham adquirido um tom completamente branco e macabro, mas estava mudando. Íris negras e completamente humanas estavam surgindo naquele mar branco.
Ele se levantou e caminhou lentamente na direção de Carol, e, enquanto caminhava, ele se transformava.
Asas metálicas começavam a surgir em suas costas, enquanto seu pelo caía revelando uma camada de pele completamente metálica. A cada passo que dava seu peso se apoiava nas patas de trás que estavam virando pés humanos cobertos por uma estranha armadura negra. Ele estava crescendo. Suas patas dianteiras já não eram mais patas, eram mãos, também protegidas por uma armadura.
Carol não queria olhar para o seu rosto, mas a curiosidade era mais forte do que ela. Ao baixar as mãos ela viu algo que ficou marcado em sua mente desde então. Lá estava o rosto do seu gato, duas vezes maior do que o normal, encarando-a fixamente.
Mas aquele rosto estava mudando. Os pêlos do rosto lentamente sumiam enquanto os da cabeça cresciam, assumindo forma humana. Ao fim da mutação Carol olhava para um homem de feições duras e com cabelos negros como a noite.
Ela berrou.
E correu, correu o mais rápido possível em direção ao telefone. Seu pai! Ele poderia protegê-la, o homem estava seguindo-a. Ela pulou em direção ao telefone, mas o homem a segurou pela perna, fazendo com que ela apenas triscasse no fio e deixasse o fone cair.
O homem a segurou firme nos braços e correu novamente para o terraço. Quando eles estavam na parte a céu aberto ele parou, admirou um pouco o céu e depois saltou.
E, de repente, eles estavam voando. Carol podia ver sua casa se distanciando cada vez mais.
– SOCORRO!!! – Ela gritava a plenos pulmões, mas o vento era forte de mais para qualquer pessoa ouvir.
– É aqui que você fica. – Disse o homem, pendurando a garota por apenas um braço.
E a soltou.
Carol não conseguia mais gritar, estava assustada de mais, tudo que ela fazia era girar em pleno ar. Houve um momento em que ela girou de forma que ficasse olhando para o céu.
Ela pode ver o homem que a soltou, mas viu também outra coisa.
            Algo brilhante como uma estrela cadente estava indo depressa em direção ao homem, era um brilho diferente do dele. Era mais intenso, como o brilho aconchegante do sol. As duas luzes entraram em choque, e Carol teve a impressão de ver o choque entre o sol e a lua.
            Ela não conseguiu mais enxergar nada, apenas uma luz forte que a obrigou a fechar os olhos.
            Ela girou mais uma vez, dessa vez de forma que olhasse para o chão. Ele estava perto, bem perto. Carol apertou os olhos esperando pelo impacto que não veio.
            – Abra os olhos garota, não tenha medo! – Disse uma nova voz. Tão severa quanto a do homem que a jogara do alto, mas essa tinha uma “Q” de pai. Não era fria, era acolhedora.
            Ao abrir os olhos Carol pode ver que estava nos braços de um homem forte que usava uma armadura dourada que protegia todo seu corpo. Na ponte do seu nariz havia uma fina cicatriz, seus olhos eram escuros, mas não eram mais escuros que seus cabelos, que de tão escuros davam a impressão de serem azuis.
            – Você está a salvo agora...
            – Por favor, vamos descer... – Suplicou Carol.
            – Certo... – Disse ele.
            Quando chegaram lá o homem a pôs nos chão e a olhou nos olhos. Olhou tão fundo e tão intensamente que deixou Carol com medo.
            – Você está bem? – Perguntou ele.
            – Estou com medo... – Disse ela.
            – Me prometa uma coisa: Nunca mais tenha medo de nada... Nunca. – Dizendo isso o homem se dirigiu até a parte descoberta do terraço e se preparou para levantar vôo. – Mais uma coisa. – Disse ele. – Não conte nada do que aconteceu para ninguém.
            – Certo. – Disse Carol. Quando o homem ia saindo ela o parou. – Espere! Quem é você? Porque você me salvou?
            – Algum dia você saberá... – Disse ele.
            – Posso pelo menos saber o seu nome?
            – Ikki. – Dizendo isso ele puxou uma pena alaranjada com o estranho aspecto ameaçador e atirou sobre ela. A pena foi até o seu braço e fez um corte profundo, logo depois voltou para a mão do homem. – Adeus.

            Sua visão voltou ao normal apenas para ver Wesley vindo para cima dela. Um soco firme a acertou no rosto, e outro fez com que ela fosse atirada contra uma árvore.
            Wesley caminhou até ela e a olhou por um tempo, como se esperasse uma resposta.
            – Então... Leão... Pelo que você luta?
            – Aquele homem. O meu Mestre. Ele não me conhecia, nem tinha motivo algum para ter me salvado, mesmo assim ele o fez. Fez porque acreditava em mim, fez porque viu que eu era capaz de qualquer coisa, se eu quisesse... – Ela se levantou lentamente. – Eu luto, não por ele, mas pelas pessoas como eu, e pelas pessoas que ainda não descobriram a capacidade dentro de si.
            Ela pegou Wesley pelo pescoço, sua aura brilhava como nunca antes, e uma lágrima desceu de seu olho.
            – CAPSULA DO PODER!
            A explosão de luz atingiu em cheio o rosto de Wesley, que ficou bem mais machucado do que antes.
            – Vamos, cavaleiro do Fogo... Vamos terminar a nossa dança!
            Wesley ficou de pé, e ambos, ao mesmo tempo, levantaram vôo.
            Em plena decolagem ambos já estavam lutando, uma luta corpo a corpo, onde os dois atacavam e os dois defendiam.
            – Você não vai me vencer tão fácil, amazona de Leão!
            Dizendo isso Wesley girou em pleno ar e acertou um chute com o peito do pé na bochecha de Carol, a principio ela ficou um pouco atordoada, mas logo voltou ao normal.
            E se assustou.
            O cosmo de Wesley, por mais forte que estivesse, havia desaparecido completamente. Não havia fagulhas brilhantes no ar sinalizando onde ele tinha ido, e sua presença também não poderia ser sentida.
            “Esse tipo de técnica é muito poderosa... Até hoje só a linhagem de cavaleiros de ouro de Virgem dominaram-na perfeitamente.
            Um golpe forte em seu estomago a fez parar de pensar. A amazona se contorceu de dor e sangue saiu de sua boca.
            Ela estava certa, Wesley ainda estava lá. Com seu cosmo completamente encoberto. A questão agora era: Como ela conseguiria vencer alguém que ela não podia ver, nem sentir?
            Ouro golpe a atingiu, dessa vez na nuca.
            – Então, amazona de “ouro” – As aspas estavam explicitas nessa última palavra. – Você não disse que conseguiria fazer qualquer coisa, se quisesse? Mostre-me do que é capaz!
            Outro golpe a atingiu nas costas. Ela se virou rápido e socou o ar. Não havia como derrotá-lo agora. Era impossível.
            “Concentre-se garota!” De algum lugar no seu subconsciente a voz a repreendeu. “Eu sei que você é capaz, e você também sabe! Feche seus olhos e concentre-se!” Era o que seu mestre sempre dizia em situações complicadas.
            E foi justamente o que ela fez.
            Respirou fundo, acalmando seus batimentos cardíacos, e fechou seus olhos para o sol nascente.
            A principio nada aconteceu. Mas a chegada de mais um soco em suas costelas a fez ter uma idéia de onde o seu adversário estava, e de repente, seus olhos o captaram. E era como se ele se mexesse em câmera lenta. Ela pôde perceber cada detalhe de sua aproximação, do modo como ele levantou o punho e tentava acertar sua testa.
            Com um movimento rápido e preciso Carol desviou o soco e o devolveu com um chute nas costelas.
            – Como você conseguiu me ver?! – O tom de ironia que ele estava usando antes foi substituído pelo terror. Ele estava com medo.
            Mais uma vez ele se aproximou, mas dessa vez ela o segurou pelo pescoço, e abriu lentamente os olhos.
            A pele levemente morena de Wesley estava completamente pálida e o medo estava implícito em suas feições duras.
            – INVOCAÇÃO DE FÓTONS!
            A pele de Carol começou a brilhar intensamente, e esse brilho aumentava na mesma proporção que a palidez do filho de Apolo.
            – O que você vai fazer?! – Perguntou ele.
            Carol subiu um pouco, virou de cabeça para baixo, prendeu Wesley ao seu corpo e mergulhou com ele em direção ao chão.
            – Não, vamos ambos morrer! – Gritava ele, desesperado.
            – O único que vai morrer aqui é você! ACELERAÇÃO DE FÓTONS!
            Minúsculos pontos dourados, semelhantes a pequenas estrelas cadentes começaram a circular o corpo de Carol que pode sentir os batimentos cardíacos de Wesley se acelerando de modo assustador.
            – E esse é o fim... – Sussurrou Carol no ouvido do adversário. – Do cavaleiro do fogo. Quando ambos estavam próximos do chão a amazona pôs Wesley entre ela e o chão fazendo com que ele amortecesse sua queda.
            A poeira tomou conta do ambiente e a única coisa que Carol pode ver foi os olhos de Wesley encarando-a. Carol ergueu o punho e todas as minúsculas estrelas que a circulavam se concentraram ali.
            – EXPLOSÃO DE FÓTONS!
            A onda de energia elétrica explodiu no peito de Wesley que instantaneamente se dissolveu em poeira estelar.
            Carol se levantou lentamente e tentou sair da fumaça, ao sair se deparou com Lays que a encarava com cara de assustada. Ele estava um pouco ofegante.
            – Agora sim. Nós podemos ir... Vamos?
            – Vocês não vão sem mim. – Mariana pousou na frente das duas com uma expressão séria. – Eu vou junto.
            As três não disseram mais nada, se viraram para a enorme estrela que ainda brilhava, mesmo sendo de manhã e levantaram vôo em direção a ela.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Capítulo 19 - Lembrança


Lays de Virgem

            E mais uma vez Lays se pegava parando sua corrida para admirar a enorme estrela que brilhava intensamente ao longe. Ela não sabia como, mas de alguma forma ela sabia que aquela estrela era o templo de Apolo, e era lá que estavam cinco das pessoas com as quais ela mais se importava. Bia, Luana, Joyce, Laura, Saskia e Matheus...
            Matheus.
            O garoto que tinha o dom de fazê-la feliz todo santo dia agora estava correndo em direção ao perigo só para salvar Larissa, a irmãzinha que ela tanto amava. Por mais que Lays estivesse agradecida pelo esforço ela não podia deixar de se sentir na obrigação de ir até lá para ajudar, mas Matheus sabia o que estava fazendo e, além do mais, ainda havia alguns filhos de Apolo na Terra para serem derrotados.
            Já se passaram cinco horas desde que eles deixaram o Instituto e saíram correndo para tentar achar os filhos de Apolo. Dois cavaleiros e duas amazonas estavam mortos. E a maioria dos cosmos dos cavaleiros de ouro já havia explodido, exceto o dela própria, o de Mariana e o de Carol. Ela já estava cansada de correr e não achar nenhum filho de Apolo, talvez eles já estivessem todos derrotados...
            Ela olhou em volta pra ter certeza de onde estava, e ela viu a Praça Pe. Cícero. Um dos lugares afastados da cidade. Depois de ter certeza de que não tinha ninguém por perto ela se deitou no chão com os olhos fixos na estrela.
            A preocupação dela aumentava a cada segundo. Ela esteve o tempo todo mais atenta aos cosmos que estavam lá em cima do que aos que estavam na Terra, e percebeu coisas que tinha certeza que não foram percebidas por nenhum outro cavaleiro.
            Primeira: O único cosmo que realmente foi perceptível até a quem não estava atento foi o de Bia. Mas algo que não foi tão fácil de perceber foi a tristeza com a qual ele estava carregado. E, antes disso, o cosmo de Joyce enfraquecera de uma forma assustadora. Segunda: Quase que ao mesmo tempo em que o cosmo de Bia explodiu, os de Saskia e Laura fizeram o mesmo. O de Saskia permaneceu forte por algum tempo, já o de Laura diminuiu até desaparecer, Lays tinha a esperança de que não estivesse mais sentindo por causa da distancia. Terceiro: O cosmo de Luana tinha entrado em combate e ainda não tinha se acalmado. Nada do cosmo de Matheus.
            – Lays, você está bem? – Falou alguém segurando seu ombro.
            Ela de repente segurou a mão da pessoa, girou e deu uma rasteira, derrubando seja lá quem fosse. A amazona pulou em cima da pessoa erguendo o punho já carregado de poder.
            – Calma, garota! Sou eu, Carol!
            Carol olhava com os olhos arregalados para o punho de Lays, o qual ela baixou rapidamente.
            – Desculpa amiguinha! – Disse a amazona saindo de cima da companheira e ajudando-a a se levantar. – Me desculpa mesmo! Você está bem?
            – Relaxa, não foi nada... O que houve, aconteceu alguma coisa com você?
            – Não. Eu estou bem. Só estou preocupada com o pessoal lá em cima. – Disse ela apontando para a estrela. – Ainda não senti o cosmo dele...
            Carol ficou calada e apenas a olhou. De alguma forma isso a ajudou, talvez nada do que ela dissesse fizesse aquela sensação de desconforto passar.
            – Você quer ir até lá em cima? – Perguntou Carol.
            – Mas e os filhos de Apolo?
            – Olha, faz quatro horas e meia que eu corro por toda a cidade e não encontro nenhum. Talvez eles já estejam acabados.
            – Você tem razão. – Disse Lays baixando a cabeça. – Vamos até lá.
            Carol fez um sinal com a cabeça e elas correram e saltaram, levantando vôo em direção a estrela. Mas algo atrapalhou.
            Como estrelas cadentes, muito velozes, os rastros de dois cosmos passaram bem na frente das duas, depois disso Lays sentiu um aperto em sua garganta. Antes que ela se desse conta de que era uma mão que apertava o seu pescoço, ela já tinha sido atirada de volta no chão, fazendo com que uma cratera se abrisse.
            Ela se levantou atordoada e saltou para fora do buraco.
            Ao sair ela foi tomada por uma visão nada agradável. Um cavaleiro com uma armadura alaranjada com formas de chamas segurava Carol pelo pescoço e falava alguma coisa.
            Ela correu para ajudá-la, mas quando estava perto, outro cavaleiro surgiu, acertando-lhe uma voadora no rosto, fazendo com que ela caísse vários metros para o lado e seu elmo saísse de sua cabeça.
            Olhando para a pessoa que a tinha atacado percebeu que não se tratava de um homem, mas sim de uma mulher. Sua armadura era altamente detalhada, completamente diferente dos filhos de Apolo que ela já havia visto.
            Em suas costas se projetava uma enorme flor de girassol da qual saíam vários galhos com folhas que envolviam seus braços e pernas como se fossem trepadeiras. O elmo em sua cabeça era um tipo de tiara composta por algumas folhas aqui e ali, ela não era muito mais alta que Lays e tinha longos cabelos negros e cacheados.
            A filha de Apolo caminhou lentamente em direção a Lays, seu rosto estava escondido por uma mascara, mas os movimentos que ela fazia com a cabeça davam a entender que ela tentava ver melhor o rosto da amazona.
            – Até que enfim eu te achei, Lays. Onde foi que você se enfiou? – Falou a garota, sua voz não era estranha.
            Mas Lays não estava preocupada com a garota no momento. Ela olhou por trás dela onde a luta de Carol contra o filho de Apolo do fogo se desenrolava. Ela já havia se livrado do enforcamento e agora elas travavam uma luta corpo a corpo. De repente Carol olhou-a e, com um olhar, ela deixou claro qual era o sem plano.
            Lays não perdeu tempo em botá-lo em prática.
            Levantou-se de um pulo e correu em direção à garota. Ao chegar perto ela desferiu um soco em seu rosto, que foi facilmente desviado pela filha de Apolo, que tentou saltar por cima de Lays, mas ela estava preparada. Quando os pés da garota ficaram na altura de seus olhos ela as segurou, girou e atirou a adversária na direção de Carol.
            Sincronia perfeita.
            Ao mesmo tempo em que Lays atirara a garota, Carol também lançou o seu inimigo em sua direção, o que fez com que o corpo de ambos entrasse em choque no meio da trajetória.
            Sem perder mais tempo, as duas amigas correram para cercar os inimigos.
            – Isso foi incrível, amiga! – Disse Carol.
            – O prazer foi todo meu! – Respondeu Lays. – Agora vamos ver o rosto dos nossos amiguinhos aqui, antes de acabarmos com eles.
            As duas amigas se aproximaram lentamente de seus adversários, e com movimentos rápidos e sincronizados elas retiraram as máscaras dos inimigos, e a sincronia se repetiu no grito abafado de surpresa.
            Lays estava olhando para o rosto moreno e o sorriso que revelava dentes tortos de sua colega de sala Alessandra.
           – Então. – Disse ela. – Agora que você sabe quem eu sou, como pretende me destruir?
           – Cale a boca, Alessandra. – Disse a voz do filho de Apolo representante do fogo, uma voz que não era estranha a Lays. – Você sabe muito bem do que ela é capaz, faça o seu serviço, e não a provoque!
           – Wesley... – A voz de Carol saiu tremida e quase sussurrada. – Porque você...
            A fala de Carol foi interrompida. Wesley rapidamente se atirou sobre ela e a acertou com um soco no rosto.
           – Não te interessa! – Gritou ele.
           E mais uma vez ele tentou acertá-la. Mas dessa vez não foi tão fácil. Carol parou o golpe com uma das mãos, e seu corpo começou a emanar um brilho dourado, seu olhar era vago, como se a pressão do soco não a afetasse.
           – Ele confia em você... – Disse ela. – E aqui está você, traindo a confiança dele! – Ele passou a gritar. – Você não merece a amizade dele!
           O punho livre de Carol brilhou intensamente e socou o estomago de Wesley, depois, com um chute, fez com que seu inimigo levantasse vôo. O golpe foi bem sucedido, mas o fogo tomou conta do corpo do filho de Apolo, como se ele fosse o verdadeiro Tocha Humana, e ele começou a planar.
           – Lays, eu volto daqui a pouco. Segure as pontas enquanto isso.
           Dizendo isso Carol levantou vôo.
           Lays olhou para cima e viu dois pontos brilhantes entrando em choque constantemente, mas não houve tempo para pensar em mais nada, algo a segurou pelo pescoço.
           – É melhor você se preocupar mais consigo mesma do que com sua amiga... SEMENTE SUGADORA! – Galhos metálicos vindas da sua armadura furaram a pele desprotegida de Lays, e ela pôde sentir sua energia vital sendo sugada a cada segundo. – Eu sugiro que você não se mexa muito. – Disse Alessandra. – Quanto mais você se mexer mais sua energia será sugada, e mais rápido você enfraquece.
           – E você, é melhor você escutar o seu amiguinho e não me provocar! OHM!
           O poder cósmico de Lays foi liberado por todo o seu corpo, fazendo com que Alessandra fosse atirada a alguns metros de distancia, como conseqüência, as vinhas que se prendiam em seu corpo foram junto com ela.
           Mas o golpe não a afetou muito, ela não caiu no chão. Com um giro no ar ela pôs a mão no chão e se ergueu em pé, e nem esperou para voltar flutuando e atacar novamente.
           Uma seqüencia de socos fizeram Lays se esquivar andando para trás ao mesmo tempo. Uma chuva de golpes cansativa de certa forma, pois seguiam um padrão: Cabeça, peito, e uma rasteira.
           Ao perceber esse padrão uma idéia ocorreu a Lays.
           Ela se esquivou do soco no rosto e do soco no peito. Quando a rasteira veio, ela pulou não tão alto, e, antes que a perna da inimiga pudesse completar sua trajetória, Lays se equilibrou em cima da canela da filha de Apolo, que caiu no chão com um grito de dor.
           Lays girou em cima da perna (o que a faria parecer uma bailarina se as circunstâncias não fossem tão sérias) e chutou com toda a potência no rosto da inimiga. O golpe tinha tal força que fez com que Alessandra abrisse um buraco no chão.
           Por um instante Lays pensou que ela tinha desmaiado ou morrido. Sua cabeça e tronco estavam enterrados no buraco aberto no chão e suas pernas estavam erguidas do lado de fora do buraco suspensas em um ângulo grotesco. Mas ela não pode comemorar.
           Como se nada tivesse acontecido, Alessandra se levantou e olhou diretamente para Lays. No seu rosto havia um olhar psicótico e enlouquecido.
           – Pelo jeito eu vou ter muito prazer em cumprir a missão que meu pai me designou...
           – Que missão? – Perguntou Lays.
           Não houve resposta. Ao invés disso Alessandra veio para cima de Lays e abraçou.
           – SEMENTE SUGADORA! – Gritou ela.
           – Você já fez isso uma vez, garota! Não funcionou da primeira vez e não vai funcionar dessa vez! OMH!
           O poder cósmico de Lays foi liberado mais uma vez, mas esse ataque estava diferente. As vinhas que entravam no seu corpo estavam maiores, mais fortes e sugavam mais energia. Seu ataque tinha sido em vão.
           – Você não vai conseguir escapar dessa vez!
           – Isso é o que você pensa. – O corpo da amazona começou a emitir uma aura roxa que brilhava intensamente e Lays começou a se concentrar cada vez mais: - Ahmm. – O poder telecinético de Lays começou a ganhar força e ele teve acesso a mente da oponente, mas ao contrário da invasão agressiva de cavaleiros como Fênix, o dela era suave, e quase imperceptível.
           Quando seu poder preencheu completamente a mente da inimiga ela acessou a parte de seu cérebro que controlava seu cosmo, e, conseqüentemente, seu poder sobre as vinhas.
           Elas adquiriram uma tonalidade roxa e Lays fez com que elas saíssem de seu próprio corpo.
           – O que é isso?! – Gritou Alessandra. – Essas sementes nunca me desobedeceram! O que você está fazendo?!
           A amazona de Virgem apontou para sua inimiga e as vinhas a atacaram com força, não na intenção de sugar a energia vital de sua mestra, mas na intenção de machucá-la.
           Eram ataques rápidos, fortes e letais. Lays parou com o ataque e levitou até a adversária que estava atordoada.
           – OHM!
           Ela direcionou o ataque para o chão. O impacto refletiu e fez com que Alessandra saísse do chão em direção aos céus. Lays levantou vôo.
           Ao chegar lá em cima ela girou mais uma vez acertou a filha de Apolo com um pontapé, que fez com que ela fosse atirada mais uma vez em direção ao chão, mas, por um erro de cálculo ela caiu em cima do prédio do Banco do Nordeste, que tremeu com o impacto, a fumaça tomou conta do lugar.
           Lays desceu até a sacada do prédio, que parecia que ia ruir a qualquer momento. Quando a fumaça se dissipou ela pode ver a inimiga ajoelhada, suas costas tremiam como se estivesse tendo convulsões.
           Ao se aproximar algo a deixou chocada, não eram convulsões, eram risadas, risadas de uma pessoa louca e descontrolada.
           – Agora me diga, sua louca. Que missão é essa?!
           – Vamos lá, garota! Vamos continuar brincando!
           A Alessandra que veio para cima de Lays dessa vez era uma pessoa completamente diferente. Mais agressiva mais psicótica e o pior de tudo, mais poderosa.
           Cada golpe que atingia Lays ardia como ferro quente em sua pele. Suas mãos emitiam um perigoso e assustador brilho alaranjado e suas seqüencias não seguiam mais nenhum padrão, eram completamente imprevisíveis.
           – Vamos lá, “perigosa amazona de Virgem”! Revide!
           “É tudo que eu mais quero.” Pensou Lays. Mas era quase impossível. Era obvio que o cosmo da amazona era forte o suficiente para isso, mas, por alguma razão os golpes que ela levava a impediam de elevar seu cosmo.
           Ao longe o sol nascente começava a surgir por dentre as serras, logo atrás da filha de Apolo, fazendo com que a visão de Lays ficasse turva e visse somente a silhueta da inimiga.
           – Agora observe – disse Alessandra se afastando de Lays, que estava ajoelhada e com sérias queimaduras no rosto. – o ataque mais poderoso da representante de Tália. EXPLOSÃO FOTOSSINTÉTICA!
           O enorme girassol que compunha a armadura de Alessandra começou a brilhar intensamente. O brilho, que se tratava da própria energia do sol, bruta e fatal, começou a descer por entre os galhos de trepadeiras que se enroscavam nos braços da filha de Apolo.
           Ao chegarem às mãos Alessandra apontou-as para Lays e disparou dois raios que vinham na direção da amazona em uma velocidade completamente assustadora.
           – KAHN! – Gritou Lays por puro instinto, e um escudo transparente de energia cósmica a protegeu.
           Mas de pouco adiantou. Ao entrar em choque com o escudo, o raio começou a fazer pequenas rachaduras, como se a proteção fosse feita de vidro barato.
           Lays não agüentou mais manter o escudo firme e teve que ceder, se preparando para o impacto, que veio mais cedo do que ela esperava. O poder era tão devastador quanto a dor que ela sentiu. O impacto fez com que ela fosse atirada na parece do prédio de trás, que ficava encostado com o Banco do Nordeste. Ela caiu de bruços no chão.
           Por um instante a dor foi completamente neutralizada, fazendo com que Lays pensasse que havia perdido os sentidos. Mas logo em seguida a dor começou a percorrer o seu corpo, o que fez a amazona desejar que seus sentidos tivessem sido realmente neutralizados.
           Ela se virou para deitar de costas e olhou para o céu. Apesar da claridade exercida pelo raiar do dia, a estrela que indicava onde o Templo de Apolo estava ainda aparecia no céu.
           E foi rapidamente coberta por Alessandra, que, ao que parecia, havia saltado para cima de Lays e agora estava caindo rápido, com o punho levantado e brilhando apontando para a amazona.
           “Senhor... É o fim. Eu não pude fazer nada... Eu... Eu... Eu...” Todos os pensamentos, lamentações e arrependimentos saíram junto com a pequena lágrima que caiu de seus olhos. Lays fechou os olhos e esperou pelo fim.
           Que não veio.
           O impacto do golpe que Lays jurava que estava sendo direcionado a ela não a acertou, ao invés disso e punho de Alessandra acertou o chão, num local logo a esquerda de sua inimiga. Ao abrir os olhos ela pode ver um sorriso no rosto da filha de Apolo.
           Ela se levantou e se distanciou.
           – Por... Por... Porque você não me matou? Poderia ter feito isso agora, porque você desviou o golpe? – Perguntou Lays.
           – Minhas ordens não são para matar.
           – Afinal... Quais são suas ordens?
           – Eu tenho que fazer você sentir dor. Muita dor. Fazer você sofrer, fazer você sentir a dor que o meu pai sentiu! – Alessandra agarrou Lays e encostou a boca em seu ouvido e sussurrou: – Sabe o que mais? Sabe o seu namoradinho? Ele vai morrer! E você não vai poder fazer nada pra evitar!
           Ela arregalou os olhos e viu a estrela do Templo de Apolo por cima do ombro de Alessandra. E, por cima daquela estrela ela pode ver o rosto dele. Com um sorriso idiota no rosto e um olhar tão calmo que a fazia tão bem.
           “Ei, garota...” Falou a imagem no céu. “Eu te amo.
           E foi aquela lembrança que a deu forças. Ela foi lentamente pondo as mãos em volta da cintura de Alessandra e prendendo-a. E então ela foi se levantando.
           – Cale a sua boca, sua puta! RENDIÇÃO DIVINA! – Gritou Lays.
           Alessandra, que ainda estava agarrada a amazona gritou de dor. Na sua armadura apareceram rachaduras enquanto a onda de energia cósmica saia do corpo de sua adversária.
           Lays pôde sentir o corpo de sua inimiga sofrendo o impacto e sendo atirado para longa, mas ela não deixou. Pelo contrário, fez com que ela ficasse bem perto, para que recebesse completamente o poder bruto do seu golpe.
           A essa altura a armadura de Alessandra já estava caindo aos pedaços. Várias pétalas do grande girassol em suas costas haviam caído, junto com as ombreiras e parte da proteção para o tórax. A amazona então fez com que a filha de Apolo fosse levada pelo impacto do golpe.
           Ela foi atirada para o alto.
           Lays levantou vôo mais uma vez. Ao chegar lá em cima ela segurou no pescoço de Alessandra e, com a maior velocidade que poderia chegar, mergulhou com a adversária. Quando estavam bem próximas do chão ela soltou, um buraco se abriu com o impacto do golpe.
           Quando a amazona voltou ao chão algo terrível tomou conta de todo o seu ser e a fez gelar dos pés a cabeça.
           O cosmo de Matheus explodiu de uma forma completamente agressiva e desesperada e depois diminuiu. Por pouco, mas muito pouco não sumiu. Mas estava bem perto.
           Ela tinha que acabar logo com essa luta.
           – Você sentiu, não foi? – Falou Alessandra com uma voz fraca. – O cosmo gelado do seu namoradinho está quase desaparecendo, falta muito pouco... HAHAHA... – Ela começou a rir novamente.
           A medo deu lugar a raiva. Uma raiva que Lays nunca havia sentido antes. E seu cosmo começou a aumentar mais ainda. Cresceu de tal forma que algo que nunca havia acontecido com ela aconteceu. Ele tomou forma sólida e de repente Lays se via no centro de uma enorme Flor de Lótus.
           – Agora você vai me dizer o que você sabe sobre o que está acontecendo lá em cima!
           – Desculpe, fofa, mas mesmo que eu soubesse eu não lhe diria.
           – Já que é assim... TESOURO DO CÉU!
           Lays levantou o braço direito com o dedo indicador erguido, e logo em seguida apontou para a filha de Apolo. Alessandra estremeceu se ajoelhou, quase ao mesmo tempo se levantou novamente, mas sua visão estava sem foco.
           – Com a ajuda desse golpe... – Disse Lays. – Eu irei tirar cada um dos seus sentidos, você acaba de perder a visão... Essa é sua ultima chance de me dizer o que está acontecendo lá em cima.
           – Mas eu não sei... – A voz de Alessandra quase implorava por misericórdia.
           Lays apontou o dedo para a inimiga mais uma vez e ela caiu. Completamente imóvel. Ela havia lhe tirado o tato. Repetindo os movimentos mais três vezes ela lhe tirou o paladar, o olfato e, por último a audição.
           Agora era definitivo, Alessandra, representante de Tália, estava acabada. Lays deixou que seu cosmo se acalmasse um pouco e procurou por Carol, que literalmente caiu do céu. A fumaça cobria toda parte e ela só pôde ouvir o grito de Carol:
           – EXPLOSÃO DE FÓTONS!
           Uma onde de energia elétrica rodopiou pelo ar fazendo os cabelos da nuca de Lays ficarem eriçados, logo em seguida um clarão forte iluminou o ambiente.
           Enquanto a fumaça passava Carol se dirigia até ela.
           – Agora, sim. Nós podemos ir. – Disse Carol. Sua voz estava firme e ela não aparentava cansaço. E, sem contar algumas queimaduras aqui e ali, ela estava inteira. – Vamos?
           – Vocês não vão sem mim. – Mariana pousou na frente das duas com uma expressão séria. – Eu vou junto.
           As três não disseram mais nada, se viraram para a enorme estrela que ainda brilhava mesmo sendo de manhã, e levantaram vôo em direção a ela.