quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Capítulo 6 - Fogo


Carol de Leão

            Carol escutava o que Matheus dizia, mas não conseguia acreditar em nenhuma palavra. Era difícil de acreditar que uma única pessoa tinha dado tanto trabalho a Matheus e a Lays, que eram dois dos cavaleiros mais poderosos dessa geração. Depois de ouvir tudo atenciosamente ela disse:
            – Então ele é realmente Apolo? Bem, ele apareceria mais cedo ou mais tarde. Lays está bem?
            – Ficou um pouco exausta depois do confronto, disse que se dormisse um pouco ficaria melhor. Não faz nem três horas que eu pus ela na cama, então ela ainda deve estar dormindo. E por falar nisso, eu estou morrendo de fome. Quer almoçar lá em casa?
            – Não, eu vou almoçar por aqui mesmo, e esperar os pais de Lizandra chegarem. Eles pensam que isso foi um acidente de cozinha, eu disse a eles que a panela de pressão estourou quando ela estava na cozinha lá de casa.
            – Bela desculpa.
            Com isso ele saiu andando do hospital. Alguma coisa dizia a Carol que Lays não era à única que estava exausta. Matheus estava com cara de quem não dorme direito há dias. O que será que estava acontecendo? Talvez ele estivesse preocupado com a segurança de Lays, afinal, ela mesma nunca tinha visto um garoto gostar tanto de uma garota como ele gostava dela. Isso a fez lembrar a promessa que ela e sua melhor amiga, Saskia, tinham feito a ele.
            Juro pra você que um dia agente te clona. – Dizia Saskia, dando uma tapa nas costas de Matheus.
            Então é melhor fazer isso antes de me desmontar todo. – Disse ele passando a mão onde Saskia havia acertado.
            Por falar em Saskia, como será que ela estava? Desde que Matheus apareceu com a notícia da irmã de Lays ser Athena, Carol não ligava pra ela. “Nota mental: Ligar para Saskia depois de sair do hospital” pensou Carol.
            Ela saiu da sala de espera e foi até o refeitório. Era um lugar enorme com várias mesas redondas espalhadas aqui e ali. Lembrava muito o refeitório daqueles colégios de filmes americanos. Carol se sentou numa mesa e chamou a garçonete que rapidamente anotou o seu pedido. Depois de alguns minutos de espera a comida chegou. Ela não entendia porque as pessoas diziam que comida de hospital é uma coisa horrível. Aquela que ela estava comendo não era nada menos que deliciosa, ela comeu rápido e pagou a conta.
            Voltando a sala de espera ela avistou os pais de Lizandra falando com a moça da recepção. Ela correu até eles.
            – Vocês devem ser os pais de Lizandra. Eu sou Carol. Eu a trouxe até aqui. – Disse Carol educadamente.
            – Ah, graças a Deus. – Disse a mãe de Lizandra. – Muito prazer, Lily. – Ela era uma mulher bonita. Era morena e um pouco, mas muito pouco mesmo, mais alta que Carol, usava um vestido longo e branco e seus cabelos negros ondulados caiam sobre os ombros. – Como ela está?
            – Está bem. Não foi nada sério. Teve algumas queimaduras nos braços, e vai ter que ficar no hospital essa noite, mas vai ficar melhor. Segundo os médicos ela também não ficará cicatrizada.
            – Nós podemos vê-la? – Perguntou o pai. – Ah, me desculpe, me chamo Carlos. – O pai dela era alto e um pouco careca. Usava uma blusa social e calça jeans.
            – Podem sim. O quarto dela é no terceiro andar. Vamos.
            Carol acompanhou Lily e Carlos até o elevador. Quando chegaram ao terceiro andar, bateram na porta do quarto.
            – Entra! – Gritou Lizandra lá de dentro.
            Eles entraram e Carol percebeu que ela não havia se mexido muito desde que a deixou descansando. Ainda estava deitada, os lençóis brancos um pouco acima da barriga e ambos os braços com ataduras que iam da palma das mãos até os ombros. Apesar de não poder ver agora ela sabia que seu tronco também estava enfaixado.
            – Minha filha! Você está bem? – Sra. Lily correu até sua filha e começou a beijá-la na testa.
            – Mãe! Mãe! Eu vou ficar bem melhor se a senhora sair de cima do meu braço! – Disse Lizandra, gemendo.
            – Ah, Senhor, me desculpe.
            – O que aconteceu exatamente? – O pai de Lizandra se dirigiu a Carol, que estava encostada na parede.
            – Bom, ela tinha ido lá pra casa, pra agente assistir uns filmes e almoçar. Então ela me pediu um copo com água. Nós fomos até a cozinha e eu servi a água. Minha mãe tinha deixado o fogão ligado com a panela de pressão. De repente a panela estourou e todo o feijão quente foi pra cima de Lizandra.
            – Mas, espere um pouco... Como é que você saiu ilesa disso tudo? – Perguntou o pai desconfiado.
            – Por que ela estava atrás de mim. – Lizandra se apressou em esclarecer. – Na hora que aconteceu eu estava entre ela e a panela. Mas ela não saiu ilesa, ela sofreu algumas queimaduras, poucas, mas ainda assim...
            – Ah, me desculpe. – Pediu Carlos.
            Antes que ele fizesse outra pergunta daquele tipo Carol se despediu de todos e saiu do quarto. “Essa foi por muito pouco”, pensou. Ela desceu ao térreo e saiu do hospital. Estava caminhando em direção ao ponto de ônibus, mas resolveu voltar. Ela estava cansada e sem saco nenhum pra pegar um ônibus, por mais que a sensação fosse desagradável era o melhor a se fazer. Olhou para os lados, ninguém estava vendo, ela então fechou os olhos.
            Ao abri-los se viu em frente à cerca viva que murava a sua casa. Ficou aliviada ao perceber que o barzinho em frente a sua casa, geralmente tão animado, estava vazio e ninguém viu quando ela apareceu ali, do nada. Tirou a chave do bolso e abriu a porta, não havia ninguém em casa. Ela então foi até o seu quarto pegou uma toalha e tomou um banho rápido. Depois de trocar de roupa ela se jogou na cama. “Eu não faço mais nada, hoje.
            Como que para contrariar seus pensamentos o seu telefone toca. Sem olhar quem era ela atendeu.
            – Alô!
            Pois é sua coisa. Num quer me esquecer mais não? – Era a voz de Saskia.
            – Oh, minha coisa. Me desculpa, eu tenho andado tão ocupada...
            Não consigo imaginar que ocupação uma cidadã de férias possa ter. – Falou ela som sarcasmo na voz.
            – Eu tava pensando em aparecer por aí hoje de noite, logo depois de tirar um cochilo. – Disse Carol.
            Parece uma velha falando. – Saskia riu. – Apareça mesmo. Vou lhe esperar.
            – Ta certo. Até mais tarde.
            Até.
            Com isso ela desligou o telefone e Carol pode dormir por algumas horas.


            – Acorda titia, acorda. – Julia cutucava Carol sem parar.
            – Oi, Julinha. – Disse ela pegando a sobrinha no colo. – Tudo bem?
            – Aham. – Respondeu ela.
            Carol percebeu com um sobressalto que já eram mais de seis horas. Ela pôs Julia no chão e foi trocar de roupa. Já arrumada, ela foi fazer um lanche rápido, avisou a sua mãe para onde ia e saiu de casa.
            Dessa vez ela não iria de tele transporte já que estava descansada e disposta. Ela desceu a ladeira e foi para a parada de ônibus, depois de alguns segundos de espera ela entrou em um. A viagem foi demorada, aproximadamente meia hora. Levando em conta a caminhada de vinte minutos da parada até a casa de Saskia ela havia levado quase uma hora para chegar. Ela tocou a campainha e depois de alguns segundos Saskia abriu a porta.
            – Oi, minha coisa! – Disse Saskia abraçando a amiga.
            – Oi, coisa! – Respondeu Carol.
            – Estava começando a pensar que você não vinha mais.
            – Desculpa, eu dormi mais do que pretendia, e se não fosse Julia, eu teria dormido mais. – Elas entraram e se sentaram no sofá.
            – O que foi que você fez tanto hoje que te deixou tão cansada? – Perguntou Saskia, assustada.
            – Eu passei a manhã no hospital.
            – Como é que é?! O que aconteceu?! – Saskia quase gritava.
            – Não. Não foi comigo foi com Lizandra. Longa história.
            – Relaxe, nós temos a noite toda. – Insistiu a amiga.
            – Foi um acidente de cozinha. Ela tinha ido beber água e a panela de pressão tava no fogão, enquanto ela estava na cozinha a panela estourou e o feijão quente foi pra cima dela.
            – Meu Deus, que horrível! Ela está bem?
            – Ta sim. Não foi nada muito grave, mas ela ficou com queimaduras feias no braço. A boa noticia é que não terá nenhuma cicatriz.
            – É, ouvi dizer que cicatrizes de queimaduras são horríveis. – Disse Saskia fitando o vazio, como e estivesse tendo um devaneio. – Enfim, mudando um pouco de assunto, eu to com fome. Já jantou?
            – Já sim.
            – Ah, que pena, eu queria fazer chocolate. – Saskia entortou a boca ao falar.
            – Espera aí, garota. – Interrompeu Carol. – Eu disse que já tinha jantado. Nunca disse que não estava com fome.
            As duas riram e se dirigiram para a cozinha. Começaram a conversar sobre várias besteiras diferentes enquanto Carol mexia a panela com o chocolate. Saskia manteve certa distancia do fogão, Carol achava que ela tinha ficado com medo que o “acidente” que aconteceu com Lizandra acontecesse com ela.
            Depois de pronto, as duas puseram o chocolate num prato e voltaram para a sala. Saskia começou a vasculhar a estante a procura de algum filme interessante que elas ainda não tivessem assistido ou pelo menos que não fosse chato ao estremo. Resolveram, então, assistir Tróia. Elas já haviam assistido, mas Carol sabia muito bem o motivo pelo qual ela escolheu justamente esse filme. Saskia sempre teve uma queda desgraçada pelo ator Orlando Bloom, que tinha atuado em “O Senhor dos Anéis” fazendo o papel do elfo Legolas.
            Saskia apertou “Iniciar” no menu do DVD e o filme começou. Depois de alguns minutos de filme ela começou a fazer movimentos estranhos com os ombros, como se estivesse sendo possuída.
            – O que é isso, menina?! – Perguntou Carol ficando assustada.
            – É ele. Ele vai aparecer. – Disse Saskia apontando para a televisão.
            Carol olhou para a tela e lá estava Orlando Bloom, montado num cavalo. Ela caiu na gargalhada.
            – Meu Deus! Pensei que você tava sendo possuída. – Carol falou em meio às gargalhadas.
            – Eu quero é que ele me possua. – Disse Saskia se abanando. Carol não conseguia mais parar de rir, tanto que quase caiu do sofá. – Agora cala a boca que eu quero escutar o filme.
            – Você falou feito aquele mulher que era comediante no Zorra Total uns anos atrás. “Vamos Jajá! Me possua!
            Depois dessa nenhuma das duas conseguiu prestar atenção no filme, choraram de tanto rir. Quando elas estavam conseguindo se controlar o celular de Saskia tocou.
            – Alô... Oi, mãe... É Carol, porque? Ah, certo... Ta bom... Tchau. – Saskia desligou. – Ela quer que eu vá deixar um negócio na casa da esquina, pausa o filme e me espera. Eu volto num segundo.
            – Tem certeza que não quer que eu vá com você?
            – Pode deixar. É rápido.
            Saskia correu até a cozinha, voltou com uma sacola de plástico com um recipiente dentro e saiu porta a fora. Carol pausou o filme e fechou os olhos, ainda havia rastros das gargalhadas de segundos atrás no seu rosto.
            Mas uma perturbação no ambiente fez qualquer rastro daquela alegria se dissolver como um comprimido de vitamina C na água. Alguma coisa se aproximava, e rápido. Ela começou a se preparar na certeza de que a coisa, seja lá o que fosse, era do mal, e estava vindo pra cima dela.
            Mas ela estava errada. A coisa parou sua aproximação quando estava bem perto. O que isso significava? “SASKIA!” Pensou Carol com um sobressalto.
            Ela não perdeu tempo, correu porta a fora e saiu em disparada pela rua, à medida que ia se aproximando conseguia ver Saskia parada falando com um homem de capa. Carol então resolveu chegar perto e, pelo menos por enquanto, apenas observar. O homem de capa parecia fazer algum tipo de proposta para Saskia.
            – Você tem que vir comigo, garota. – Dizia ele. – Ou as conseqüências para você e para sua amiga que está lá na sua casa poderão ser desastrosas.
            – Eu não vou a lugar nenhum com você! Quem você pensa que é para ficar me dando ordens e me ameaçando desse jeito?
            – Cale a boca sua insolente. Eu sou um filho de Apolo!
            – Como é que é? Filho de Apolo? Aquele deus grego do Sol? – Saskia deu risadas sem nenhum humor. – Poupe-me dessa conversa idiota.
            Carol observava tudo atônita. O que um dos cavaleiros de Apolo queria com Saskia? E, acima de tudo, o ele quis dizer com “Filho de Apolo”? As repostas para essas perguntas teriam que esperar, porque nesse momento o homem atirou a capa longe revelando seu corpo. Ele usava uma armadura avermelhada na mesma tonalidade da do guerreiro que invadiu a sala hoje mais cedo, só que sua armadura era diferente. Cada detalhe da sua armadura consistia basicamente de fogo, ao contraria do outro que consistia em argolas. Seu elmo era um tipo de tiara com um rubi cravejado no centro. Ele estava de mascara.
            – Garota idiota, vai se arrepender de não ter me obedecido antes!
            O guerreiro apontou a palma da mão e atirou uma bola de fogo para Saskia que por sua vez gritou e se encolheu de medo. Carol não perdeu tempo, correu e ficou entre Saskia e o ataque e, com uma das mãos, impediu que atingisse sua amiga.
            – Como ousa atrapalhar, cavaleiro?! – Gritou o guerreiro.
            – Você não vai machucar a minha amiga. – Falou Carol com segurança.
            – Carol, o que você ta fazendo? – Perguntou Saskia, o pânico dominando sua voz.
            – Saskia sai daqui e procura um lugar pra se esconder.
            – Cale a boca! – Gritou o guerreiro correndo pra cima de Carol.
            – Saskia, sai daqui! – Gritou Carol. O guerreiro mirou um chute na cabeça de dela, que por sua vez defendeu com um braço e com o outro atingiu o inimigo no estomago com uma onda de energia. Ele foi atirado de volta com o impacto. – Você ainda está aí? Corre, garota!
            – O que foi isso que você acabou de fazer? – Falou ela com os olhos arregalados.
            – Depois eu explico com calma, agora você tem que correr! – Carol falava sem tirar os olhos do guerreiro que já se aproximava novamente.
            Saskia correu para trás de um muro e ficou observando, curiosa e com medo. O guerreiro chegou perto de Carol e começou a desferir socos que eram facilmente defendidos por ela. Porém, num descuido de Carol, o guerreiro acertou um soco no estomago que fez com que Carol fosse atirada alguns metros à frente, caindo de joelhos.
            – Você pensa que é párea para mim, amazona? – Falava o guerreiro se aproximando lentamente de Carol, que estava ofegante. – Afinal, você não é ninguém.
            O punho do guerreiro começou a pegar fogo, ele pegou impulso mirando na cabeça abaixada de Carol.
            – Eu sou alguém, sim. Alguém que vai acabar com você! – Uma aura dourada envolveu Carol e o guerreiro parou o ataque. A armadura de ouro de Leão cobriu o corpo de Carol que olhou diretamente nos olhos vermelhos do inimigo. – Carol Uchoa, amazona de ouro de Leão... – Dessa vez era o punho de Carol que emanava um brilho dourado, ela desferiu um golpe com toda potencia no queixo do guerreiro de Apolo, o golpe fez com que ele fosse tirado do chão. Carol soltou e acompanhou o inimigo, quando estavam na mesma altitude acertou outro soco no seu estomago, que fez com que ele caísse com toda velocidade e força no chão, abrindo um buraco no local de sua queda. Carol voltou ao chão. – Muito prazer.
            O guerreiro saltou de dentro do buraco e ficou frente a frente com Carol. Era visível que os golpes de Carol tinham surtido efeito, sangue escorria por sua boca. Eles não disseram nada. Apenas ficaram se estudando por alguns segundos, um esperando que o outro atacasse. De repente o cosmo do guerreiro começou a aumentar de uma maneira assustadora.
            – Sinta o verdadeiro poder de um filho de Apolo! VORTREX SOLAR!
            Um enorme furacão de fogo saiu do punho do guerreiro. Era um poder assustador, Carol ficou paralisada. Mesmo que tentasse se defender não ia adiantar, era poderoso de mais. O golpe a atingiu em cheio, queimando a maior parte do seu corpo. Ela foi jogada no chão pela sua potencia. Carol levantou a cabeça, o corpo em chamas, e olhou para o guerreiro.
            – Pelo jeito a armadura de Leão a protegeu da morte. Mas não se preocupe você certamente morrerá no próximo.
            Carol se levantou e correu na direção de seu inimigo, mas já era tarde. Ele já se preparava para mais um ataque.
            – VORTREX SOLAR!
            Antes que Carol pudesse chegar ao inimigo o golpe a atingiu mais uma vez. Atirando-a de volta ao chão. O corpo novamente ardendo em chamas, mas dessa vez ela havia entendido o golpe. Foi preciso ser atingida duas vezes, mas ela entendeu. Quando ele lançava o golpe, era gerado um furacão de fogo, que atingia todas as partes do seu corpo, menos o seu estomago, onde ficava o coração do furacão. Ela se levantou.
            – Eu ainda não morri. – Falou ela. – Porque você não tenta de novo?
            – Ah, então você admite a derrota e quer morrer? Tudo bem. Vou lhe conceder o seu pedido. VORTREX SOLAR!
            O furacão vinha novamente na direção de Carol, mas dessa vez ela sabia o que fazer. Ela correu na direção do golpe e mergulhou no coração do furacão. Como o esperado o golpe não afetou o seu corpo, ela saiu do outro lado para ver a cara assustada do guerreiro.
            – Surpresa! – Gritou Carol atingindo um chute certeiro no rosto do inimigo, que foi atirado contra uma parede. Carol caminhou lentamente na direção do inimigo sem tirar os olhos dele. Ele olhava assustado para ela.
            – O que é você? – Sussurrou o guerreiro.
            – Alguém com quem você não deveria mexer. – Sussurrou de volta. – RELAMPAGO DE PLASMA!
            Num momento o inimigo estava na frente de Carol, no segundo seguinte ele havia atravessado a parede e caído de costas num terreno baldio. Ele olhava com um olhar assustado para Carol.
            – Agora, se você não quiser morrer lenta e dolorosamente, diga o que você queria com a minha amiga. – O punho de Carol brilhava novamente como forma de ameaça.
            – Ela é uma dos cinco guerreiros. – O guerreiro percebeu o olhar assustado de Carol e sorriu. – Sim. Nós sabemos sobre a sua profecia, garota.
            – Cale a boca! Vá! Volte para o seu chefinho e diga a ele que você foi derrotado, tenho certeza de que ele é bem pior do que eu!
            O sorriso foi apagado do rosto do guerreiro. Ele se envolveu em chamas e desapareceu. Carol se virou e foi procurar Saskia. Mal atravessou a rua e Saskia veio correndo até ela. Olhou a amiga de cima a baixo captando cada detalhe da armadura.
            – Carol, o que foi isso? Que armadura é essa que você ta vestindo? O que aquele estranho queria comigo?
            Ignorando todas as perguntas Carol olhou nos olhos de Saskia e tocou o dedo indicador na sua testa. Ela imediatamente se calou. Então Carol pode sentir. O cosmo que havia dentro de Saskia era quente. Mas não do tipo de calor infernal que emanava dos guerreiros de Apolo, era um tipo de calor amigável, bondoso, como um abraço de mãe. Entretanto era bruto, não era nem um pouco desenvolvido, independente da constelação que viria a ser a sua protetora ela precisaria de mais treinamento do que o restante dos cavaleiros. Ela tirou o dedo da testa de Saskia e sorriu.
            – Nós temos muito que conversar. – Disse Carol ainda sorrindo.
            – Ok, isso foi estranho. Mas comece a me explicar me respondendo: Que porra foi aquilo?!
            – Você acabou de assistir ao primeiro combate dessa guerra. – Respondeu Carol.
            – Guerra? Como assim guerra?
            – Vamos para sua casa. Eu te explico tudo que eu puder quando estivermos lá.
            Com isso Carol deixou a armadura ir e acompanhou Saskia até em casa onde explico tudo sobre os cavaleiros e a profecia que falava sobre Saskia.
            – Então eu também vou ser uma amazona? Legal! – Disse Saskia batendo palmas.
            – É uma decisão difícil. Há riscos.
            – Que riscos?
            – O de perder a vida, ou pior, de perder aqueles que você ama. – Disse Carol abaixando a cabeça. Saskia não disse mais nada. – Olha apareça amanhã de manhã no Instituto, Matheus vai te explicar tudo melhor e mais detalhadamente. Certo?
            – Certo.
            As meninas terminaram de assistir o filme e Carol voltou para casa, onde dormiu como uma pedra.

domingo, 25 de setembro de 2011

Capítulo 5 - Assalto


Lays de Virgem

            Lays acordou com o corpo meio mole e um pouco dolorido, mas estava bem melhor. Quando tudo aconteceu tinha sido pior, bem pior. Ela ainda não conseguia acreditar que Erik, o seu amigo Erik, tentou matá-la. As lágrimas começaram a vir. Ela não ia conseguir segurar. Ela encaixou as mãos no rosto e chorou. Chorou até que resolveu deixar isso de lado. Erik já não era mais o mesmo. Agora ele era Apolo. Portador do poder de um deus mitológico e sedento por vingança. Esse não era mais o cara amigável e descontraído que ela conheceu a alguns anos.
            Já conformada, Lays pegou o celular da cômoda e digitou o numero de Matheus. Ele havia pedido para ligar quando acordasse. O celular chamou por alguns segundos e ela escutou a voz grave a qual tanto gostava.
            Alô.
            – Oi, meu amor.
            Oi, meu anjo. Ta melhor?
            – Sim, como eu disse, eu só precisava dormir um pouco.
            Ainda bem. Sua irmã?
            – Também está bem. Os meninos ainda estão lá fora, você foi ver Lizandra?
            Fui sim, mas não entrei no quarto dela. Ela sofreu muitas queimaduras, mas vai ficar bem. Carol também ta legal, ficou um pouco dolorida, mas não precisou ficar de cama.
            – Ainda bem. Bom, eu vou desligar to com muita fome, vou comer alguma coisa.
            Ta certo, eu também ainda não almocei. Tchau.
            – Tchau, eu te amo.
            Eu te amo.
            Lays percebeu, pela leve surpresa na voz de Matheus que ele havia se esquecido de almoçar. O que era estranho porque logo ele, se esquecer de comer. Devia estar muito preocupado.
            Ela se levantou foi em direção ao guarda-roupa, pôs umas roupas mais confortáveis e foi até a cozinha. Ao passar pela sala encontrou suas irmãs Victória e Larissa espremidas na janela olhando alguma coisa na rua.
            – O que as duas mocinhas estão fazendo aí? – Disse Lays, com o estomago dando voltas. Será que Allef resolveu voltar?
            – Cala a boca, Lalá. Tem dois meninos brigando do lado de fora e é muito engraçado.
            Lays se aproximou da janela sem entender nada. Quando olhou para a calçada viu Rafael e Victon discutindo sobre alguma coisa e que não entendeu bem a principio.
            – Cara, você deve estar maluco! O zero não é um numero, é uma indeterminação! Eu pesquisei! – Falava Victon, prestes a ter um ataque de nervos.
            – Eles estão discutindo sobre o que é o zero à horas. – Comentou Larissa. – Eles são doidos?
            – Não minha pequena, não são. É que eles estudam de mais.
            – Mamãe sempre disse pra agente estudar muito. Ele quer que agente fique assim? – Perguntou Victória, assustada.
            – Não é isso, tem que estudar sim. Mas pegando leve.
            Lays se dirigiu até a calçada pra impedir que aqueles dois começassem a se espancar e pra não ter que enfrentar mais perguntas como aquela.
            – Com licença. – Disse Lays, bem alto para interromper a discussão.
            – Ah, Lays. Você acordou. Se sente melhor? – Perguntou Rafael.
            – Sim, Rafael, obrigada por perguntar.
            – Você precisa de alguma coisa? – Perguntou Victon.
            – Na verdade não. Eu estava indo almoçar. Querem vir?
            – Não. Mas obrigado pelo convite. Matheus disse que agente não saísse do posto. – Disse Rafael, calmo e prestativo como sempre.
            – Não precisa mais vigiar. Eu já me sinto melhor e, se acontecer alguma coisa, estou em plenas condições de tirar todo mundo daqui. – Disse Lays, com mais segurança do que realmente sentia.
            – Tem certeza? – Perguntou Victon, duvidando.
            – Absoluta.
            – Então, nós estamos indo. – Disse Rafael se curvando. – Minha mãe ta fazendo macarronada pro almoço. Quer vir almoçar lá em casa e terminar essa discussão durante o almoço Câncer? – Rafael falou olhando pra Victon em tom de provocação.
            – Quero sim, Libra. E vou provar que você está errado. Adeus Lays, até o próximo encontro.
            – Adeus, Lays. Cuide-se. – Os dois acenaram, brilharam e desapareceram.
            Esse dois só podem ser malucos.” Pensou Lays indo para a cozinha e pra ver o que sua mãe tinha deixado para o almoço. A decepção se apoderou do corpo dela quando viu o que havia em cima do fogão. Nada. E em cima da mesa? Mais um pouco de nada.
            – Victória, o que foi que vocês almoçaram?!
            – Mamãe levou agente pra comer fora.
            – E vocês não me acordaram?! – Aquilo era de mais.
            – Nós tentamos. Mas você parecia uma pedra, se agente tocasse fogo no seu corpo você não teria acordado. – Defendeu-se Victória levantando as mãos.
            – Mas nem me trouxeram uma marmita? – Disse Lays tentando se controlar.
            – Em relação a isso. – Ela começou a ficar vermelha e a coçar o queixo. – Agente meio que esqueceu a quentinha no banco de trás do carro de mamãe, e ela saiu pra trabalhar.
            – AH! Muito bem! E agora? O que eu vou comer? – Ela estava se segurando para não gritar com a irmã.
            – Bem, tem miojo no armário e tem Coca na geladeira.
            – É? Então vá fazer meu miojo! É o mínimo que você pode fazer! E bota a Coca no meu como de 800 ml.
            – Ta certo. – Victória foi andando até o armário e tirou um pacotinho de lá.
            Era impressionante. “Com toda certeza se tivesse sido ao contrário, ninguém teria esquecido a comida dela.” Pensou Lays.
            Ela foi até o sofá e ligou a televisão pra o ver o que estava passando. E nada do que estava lá lhe agradava, ela também não queria assistir DVD porque simplesmente não tinha paciência. O único que lhe fazia assistir filmes era Matheus, e eles não assistiam realmente. Com vinte minutos de filmes nem ele, muito menos ela, entendiam o que estava acontecendo. Então ela desligou a televisão e ficou olhando para o nada.
            Depois de alguns minutos Victória trouxe a comida, ela agradeceu e começou a comer lentamente. Desligar a televisão tinha sido uma péssima idéia. Sem ter nada para pensar seus pensamentos se dirigiram novamente até algumas horas mais cedo quando ela viu o seu antigo amigo tentar arrombar a porta da sua casa para seqüestrar a sua irmã. Antes que ela começasse a chorar por cima da comida, Lays ligou a televisão e começou a prestar atenção no que estava passando.
            Era aquele programa bem idiota que a Angélica apresentava, O “Vídeo Game”, onde um bando de celebridades retardadas participavam de uma série de joguinhos bem toscos durante toda a semana, na sexta-feira a celebridade, ou a dupla de celebridades vencedoras, ganhavam um troféu em forma de televisão. Era um programa realmente sem nexo, fazia mais sentido quando os ganhadores doavam cestas básicas para uma instituição de caridade.
            Quando ela estava quase terminando de comer ela escutou o seu celular tocar, correu até o quarto e viu que era Bia, uma de suas melhores amigas.
            – Oi, amiga! – Atendeu Lays.
            Oi, amiga! Só liguei pra saber que horas você vai passar aqui em casa.
            – Não sei, amiga. Eu tenho que passar aí hoje? – Perguntou Lays, sem entender muita coisa.
            – É claro que sim! E o aniversário de Luana?! – “Meu Deus! O aniversário de Luana! Eu tinha esquecido completamente!” – Você não esqueceu, né?
            – Claro que eu não esqueci, sua boba. – Respondeu Lays. – Eu passo por aí umas seis horas. Tudo bem?
            – Pode ser. Até mais tarde.
            – Até.
            Bia desligou e Lays ficou com uma vontade imensa de bater a cabeça na parede. Como ela podia ter esquecido o aniversário de Luana? De Luana! Outra de suas melhores amigas. Mas a resposta era clara. Quando se enfrentava velhos amigos com poderes capazes de fazer sofrer todos que você ama fica difícil pensar em coisas como festas de aniversário.
            Lays terminou o almoço se deitou no sofá e voltou a dormir.


            – Lalá, acorda! Acorda menina!
            – O que foi? Onde é que ta? – Lays acordou assustada e sem saber direito o que estava dizendo. – Por que você me acordou Victória?
            – Já são cinco e meia. Você não tem algum lugar pra ir hoje?
            – Meu Deus! É mesmo! – Lays se levantou correndo e foi direto para o banheiro.
            Tomou o banho mais rápido da história da humanidade. Penteou os cabelos, pôs perfume e vestiu uma roupa arrumadinha e foi para a sala. Chegando lá encontrou sua mãe perto da porta com a chave do carro nas mãos.
            – Vamos, sua dorminhoca. Eu te dou carona. – Disse ela sorrindo.
            – Ah, obrigada, mãe. A senhora é um anjo.
            – Pois é. O que você faria sem mim?
            Com esse comentário as duas entraram no carro. Quando sua mãe deu a partida no carro perguntou:
            – Então, filhinha... Como foi o dia? – Era a pergunta que ela esperava não ter que responder.
            – Foi bonzinho... – Ela não conseguiria falar mais nada. Deu uma breve olhada no bando traseiro e viu uma sacola com uma quentinha que seria o seu almoço. – Você percebeu que sua filha deixou meu almoço no banco de trás do carro?
            A mãe de Lays deu uma breve olhada.
            – Meu Deus! Que menina doida. O que foi que você almoçou?
            – Miojo com um copo monstruoso de Coca.
            – Ah, minha filha, me desculpe. Eu devia ter olhado pra ver se elas não tinham esquecido. Mas tava com tanta pressa. – Disse a mãe dela com um arrependimento sincero nos olhos.
            – Tudo bem. Não tem problema.
            Nesse momento elas já se aproximavam da casa de Bia. Ela usava uma blusa roxa estampada com vários nomes em inglês e uma calça jeans clara e justa, o cabelo caramelo liso preso num rabo de cavalo. Ela estava sentada na janela esperando. A mãe de Lays estacionou e ela desceu do carro.
            – Oi, amiga! – Disse Bia se jogando nos braços de Lays.
            – Oi! – Disse Lays retribuindo o abraço. – Onde estão Luana e Joyce?
            – Elas foram na frente. Eu disse que ia esperar você aqui.
            – Vamos meninas, eu deixo vocês na pizzaria.
            Elas entraram no carro. Foi uma viagem silenciosa exceto quando Bia perguntou o que aquela quentinha, que já estava gelada, estava fazendo ali.
            Depois de aproximadamente vinte minutos elas entravam na Rua da Praça Padre Cícero e a mãe de Lays estacionou em frente a pizzaria “Casa da Pizza”.
            – Comportem-se, meninas. E tomem cuidado.
            – Sim, senhora – Responderam as duas em uni sono.
            – Lays você quer que eu venha te buscar, ou você vai de ônibus?
            – Pode deixar mãe. Eu vou de ônibus com as meninas.
            – Então ta certo. Deus te abençoe.
            Com isso Bia e Lays desceram do carro e instantaneamente avistaram Joyce e Luana sentadas numa mesa comendo uma fatia de pizza. Luana usava uma blusa regata preta e um short jeans curto, o colar dourado realçava o tom moreno da sua pele, os cabelos negros ondulados caindo livres sobre os ombros. Joyce usava uma blusa lisa verde, combinando com a cor dos seus olhos, e uma saia jeans curta, os cabelos loiros presos num rabo de cavalo.
            Antes que elas chegassem à mesa Luana viu a aproximação das duas e correu pra lhes dar um abraço, Joyce a seguiu. Depois de uma demorada troca de abraços e de uma canção desajeitada de “Parabéns pra Você” dedicada a Luana, as quatro meninas se sentaram e a garçonete anotou os pedidos das meninas que chegaram por último. Luana começou a uma conversa animada com Bia sobre presentes de aniversário enquanto Joyce bebia algo que parecia Sprite.
            – O que é isso que você ta tomando? – Perguntou Lays, com cara de nojo.
            – Ah, é água com gás. – Respondeu Joyce.
            – Meu Deus, que nojo! Como você agüenta tomar isso?
            – Essa já é a terceira desde que nós chegamos aqui. – Disse Luana – Ela diz que ajuda a deixar a barriga vazia pra poder comer mais fatias do rodízio.
            – E é verdade. Eu já vou na minha quarta fatia, enquanto você não passou de duas. – Falou Joyce fechando os olhos e ignorando completamente a cara de nojo das amigas.
            – Relaxe. Daqui para o fim da noite essa situação muda. – Disse Luana estirando o polegar e piscando um olho para Joyce em sinal de desafio.
            – Mas isso não vem ao caso agora. – Disse Bia interrompendo a discussão. – Vamos conversar sobre alguma coisa mais interessante. – Ela virou-se para Lays e ergueu as sobrancelhas fazendo uma cara sensual. – Como vai Matheus Henrique, amiga?
            – Pois é, faz tempo que eu não vejo o meu cunhadinho fofo. – Disse Joyce sorrindo. Luana limitou-se a virar a cara e dar risada da expressão de Lays.
            – Ah... – Lays foi pega completamente de surpresa pela pergunta. Desejou não estar tão vermelha quanto sentia. – Bem, eu acho... Ele anda preocupado com uns lances, tanto é que ele quase se esquece de almoçar hoje.
            – Sério? – Perguntou Luana com os olhos arregalados. – E qual é o motivo da preocupação?
            – Erik, eu acho. Tenho quase certeza. – O que não era realmente uma mentira. – Eu tentei falar com ele hoje, mas não deu em muita coisa. Ele ficou com muita raiva.
            – Cara, isso é mau. – Falou Bia.
            – É. Mas enfim, e Vitor, amiga? – Agora foi a vez de Lays levantar as sobrancelhas e fazer uma cara sensual para Bia. A diferença era que Bia não ficava envergonhada com esse tipo de assunto.
            – Não tenho visto muito ele. – Disse ela, meio decepcionada. – Ele tem agido estranho ultimamente. Nem parece o mesmo se umas semanas pra cá. Nunca está em casa, e quanto eu tento ligar ele não atende. – Ela olhou pra cima e fitou o vazio. – Pensando bem... Dá ultima vez que eu o vi, eu tive a impressão de ter visto a íris dos seus olhos meio vermelha. Mas acho que foi só impressão mesmo...
            Todas ficaram em silêncio. Vitor nunca foi o tipo de sujeito caladão que desaparece sem mais nem menos, certo que nem sempre ele ligava avisando se ia viajar ou não, mas, quando ele não ligava, elas sempre arrumavam um jeito de saber onde ele estava.
            – Certo, certo... Que tal se agente fosse ao banheiro tirar umas fotos? – Perguntou Joyce.
            – Boa idéia. – Bia e Luana falaram juntas.
            – Você vem, Lays? – Perguntou Bia.
            – Daqui a pouco. Vão na frente, assim que eu terminar essa fatia eu apareço por lá. – Respondeu.
            – Certo você que sabe.
            As meninas se levantaram e foram em direção ao banheiro.
            A desculpa da fatia de pizza tinha funcionado perfeitamente, mas a verdade era que, além de não estar com vontade de sorrir para a câmera, Lays não conseguia tirar o combate que houve de manhã da cabeça. O que a levava a pensar na profecia, que, mais uma vez, falava de Matheus, o que fazia com que o risco dele morrer fosse maior do que o dos outros, sendo assim ele precisaria de ajuda, e, segundo a profecia, ele teria ajuda dos cinco guerreiros, então ela fechou os olhos e expandiu o alcance da mente e do cosmo pra ver se sentia alguma coisa. Mas antes mesmo de pegar o embalo sua concentração foi cortada pelos gritos de Joyce vindos do banheiro.
            – Vocês sempre fazem isso! – Gritava ela. – Sempre que agente sai juntas vocês arrumam um jeito de me excluir! Eu já to cansada disso!
            Lays levantou a cabeça pra ver Joyce sair correndo da pizzaria com as meninas atrás dela.
            – Bia! O que aconteceu com ela? – Perguntou Lays.
            – Ela surtou foi o que aconteceu! Agente tem que ir atrás dela.
            Lays se levantou, deixou o dinheiro da conta em cima da mesa e se dirigiu até a saída pedindo desculpas aos clientes que olhavam de olhos arregalados. Assim que ela saiu do restaurante correu atrás das meninas. Joyce estava correndo em direção a uma rua muito escura e esquisita. “Pedindo pra ser assaltada.” Pensou Lays.
            Luana conseguiu alcançar Joyce. Segurou ela pelo braço o que fez com que ela parasse.
            – Ta pensando o que saindo correndo desse jeito, garota? Você podia ter sido atropelada. – Disse Luana.
            – E daí? Me solta. – Disse Joyce, se livrando do aperto de Luana, mas dessa vez ela não correu.
            – Joyce, para com isso. Vamos voltar pra lá. – Disse Bia, ofegante de tanto correr.
            Joyce permaneceu calada, e olhou para o chão. Lays foi se aproximando do grupo e disse:
            – Agente tem que sair daqui. Odeio becos sem saída. – Nesse momento todas olharam para trás de Joyce, ela tinha, realmente, ido parar num beco sem saída. – Esse lugar é muito estranho a não ser que agente queria...
            – Ora, ora, ora, rapazes. Veja o que o vento nos trouxe... – A fala de Lays foi interrompida por uma voz masculina saída só Deus sabe de onde. O homem era alto e careca e estava todo vestido de preto. – Parece que hoje é o nosso dia de sorte.
            – É isso aí Jorge. – Disse outra voz, dessa vez a de um homem baixinho e um pouco gordinho.
            – E olha só o que essa moreninha tem no pescoço. Parece que é ouro de verdade. – Outro homem se materializou das sombras ele era magrinho, mas tinha feições duras e cara de mau. Ele se aproximava de Luana lentamente.
            – Vamos fazer a festa aqui hoje. – Mais um homem saiu das sombras, mas esse estava armado. As quatro meninas estavam de costas uma para a outra e cercadas pelos marginais. O homem da arma aponta para a cabeça de Lays. – Peça para a sua amiguinha morena passar esse colarzinho bonito pra o meu parceiro e eu prometo que ninguém se machuca.
            – O único que vai se machucar aqui é você, se não baixar essa arma. – Disse Lays se preparando para atacar o homem. O silencio pareceu se adensar, e do seu lado Luana prendeu a respiração.
            – Garota idiota. Você fala de mais, e por isso vai ser a primeira a se machucar aqui. – O homem puxou o gatinho e houve o estouro do disparo. Mas antes que a bala chegasse a Lays, Luana se pôs no caminho.
            – LUANA, NÃO! – Mas já era tarde. Porém, antes que Lays pudesse sequer se mexer, uma aura prateada, idêntica a de Matheus, começou a surgir de Luana.
            – Quem você pensa que é para atirar na minha amiga? – Luana falou com ácido na voz. Ela jogou a bala no chão. “Meu Deus! Luana segurou a bala!” Foi a única coisa que Lays conseguiu pensar. Todos olharam para Luana em estado de choque.
            – Ei, você aí que ta brilhando. É melhor não fazer nada, ou sua amiguinha aqui morre. – Todos se viraram para o homem que se chamava Jorge. Ele estava dando uma chave de braço em Bia com uma das mãos e com a outra apontava uma arma para a testa de dela. – Sério. Não tente nada.
            Mas antes que ele pudesse fazer qualquer coisa, uma aura rosa começou a surgir de Bia. Que por sua vez acertou um soco no queixo do assaltante. O impacto foi tremendo que o homem foi levantado do chão e atirado contra a parede. Todos os olhares se voltavam para Bia, que olhava para o seu punho sem entender nada.
            – Agente tem que correr daqui, essas garotas são aberrações! – Gritou o homem baixinho. Todos correram para a parede do beco e começaram a tentar escalá-la.
            – Deixa eu facilitar pra vocês. – Joyce falou. E foi a vez dela de emanar uma aura verde. Ela pegou impulso com o punho esquerdo e disparou um soco no ar. Uma onde de energia saiu da sua mão e acertou a parede, que se abriu revelando a continuação da rua. Os bandidos correram e gritaram como um bando de garotinhas.
            As auras das três meninas agora começavam a sumir. Todas olhavam de olhos arregalados entre si. Lays não conseguiu se segurar e começou a gargalhar. Riu como nunca riu antes. Depois que ela se controlou Luana perguntou:
            – Que merda foi essa?
            – Vocês não sabem mesmo o que aconteceu? – Perguntou Lays.
            – Eu só sabia que tinha que fazer alguma coisa. Daí eu simplesmente fiz. Era como se eu tivesse no automático... – Falou Bia. – Já Joyce pareceu saber muito bem o que estava fazendo.
            – Não sabia mesmo. – Se defendeu Joyce. – Só que eu fui tomada por uma raiva desgraçada desses idiotas. Aí aconteceu.
            – Isso é incrível! Acabei de achar três cosmos dignos de cavaleiros de ouro de uma só vez! – Lays falou animadamente.
            – Dá pra você traduzir, por favor? – Reclamou Bia.
            – Vocês já ouviram falar daquele desenho chamado Cavaleiros do Zodíaco? – Perguntou Lays.
            – Já sim. – Respondeu Luana. – Fala sobre um grupo de jovens que vestem umas armaduras e que defendem a reencarnação da deusa Athena. Segundo o anime, seus chutem podem partir montanhas e seus socos podem abrir fendas na terra, certo?
            – Exatamente. – Lays esclareceu. – Essa luz que envolveu vocês é o cosmo de vocês. Ele é o que dá poder para os cavaleiros abrirem fendas na terra.
            – Deixa eu ver se eu entendi. – Falou Joyce. – Você ta dizendo que os cavaleiros não só são reais, como também está dizendo que nós somos cavaleiros.
            – Isso mesmo.
            – E como é que você sabe disso tudo? – Perguntou Bia.
            – Amazona de ouro de Virgem ao seu dispor. – Disse Lays fazendo uma reverencia.
            – Prove. – Disse Luana sem conseguir acreditar no que ouvia.
            Lays, então, se concentrou um pouco e sentiu sua aura roxa se apoderar do seu corpo. As meninas olharam para ela com os olhos mais arregalados ainda. Se concentrando mais um pouco, chamou a armadura para si, e quase no mesmo segundo ela preencheu o seu corpo.
            – Uau. Isso é incrível! – Falou Bia.
            – Obrigada. – Sorriu Lays, tirando o elmo da cabeça.
            – Agente vai vestir armaduras legais assim? – Perguntou Joyce.
            – Antes vocês precisam estar cientes do que realmente significa ser um cavaleiro. E Matheus pode explicar isso melhor do que eu.
            – Pêra aí. Matheus também é um cavaleiro? – Perguntou Luana.
            – É sim. Ele foi o primeiro cavaleiro a surgir nesta geração. A constelação dele é a de Aquário.
            – Incrível. E como ele vai explicar? – Perguntou Joyce.
            – Apareçam amanhã de manhã no Instituto e ele vai explicar tudo o que vocês precisam saber antes de tomarem a decisão. Agora vamos sair daqui antes que alguém me veja vestindo isso. – Dizendo isso Lays fez com que a armadura voltasse e ela e as amigas voltaram para a praça e de lá foram para casa.