Chegando em casa encontrei minha mãe limpando tudo. Ela pareceu não notar minha presença ali e continuou a lavar o banheiro. Entrei silenciosamente no meu quarto e fechei a porta. O dia tinha me dado muito no que pensar. Primeiro tinha aquele cavaleiro da armadura de argolas, mesmo não tendo deixado transparecer eu tinha ficado assustado. Como ele conseguiu derreter o Circulo de Gelo com tanta facilidade? Certo que já havia passado um bom tempo prendendo o cavaleiro, mas ele não devia enfraquecer por uma hora. Depois tinha Erik. Ha quanto tempo ele estava nos espionando? Certo que a principio ele não tinha a intenção de começar uma guerra, mas se ele conhecia bem os cavaleiros de ouro as nossas chances nessa guerra reduziam bastante. Sem falar no poder incrível que ele tinha, ele conseguiu deixar Lays, que era uma das amazonas mais poderosas desta geração, muito enfraquecida. E nós ainda tínhamos que achar os guerreiros. Era muita coisa.
Senti o celular vibrando no meu bolso, quando olhei no visor vi que era Lays.
– Alô.
– Oi, meu amor.
– Oi, meu anjo. Ta melhor?
– Sim, como eu disse, eu só precisava dormir um pouco.
– Ainda bem. Sua irmã?
– Também está bem. Os meninos ainda estão lá fora, você foi ver Lizandra?
– Fui sim, mas não entrei no quarto dela. Ela sofreu muitas queimaduras, mas vai ficar bem. Carol também ta legal, ficou um pouco dolorida, mas não precisou ficar de cama.
– Ainda bem. Bom, eu vou desligar to com muita fome, vou comer alguma coisa.
– Ta certo, eu também ainda não almocei. Tchau.
– Tchau, eu te amo.
– Eu te amo.
Com isso ela desligou. Eu não tinha percebido que estava com tanta fome até ela tocar no assunto. Levantei-me abri a porta do quarto e quase atropelei minha mãe.
– AH! Ta ficando doido, menino?! Quer me matar do coração?!
– Desculpa mãe. – Falei. Eu tinha a impressão de que eu tinha ficado mais assustado que ela. – Já tem almoço pronto?
– Já. Pode ir comer. Eu vou daqui a pouco.
– Ok.
Fui até a cozinha e vasculhei as panelas pra olhar a cara da comida, que estava muito bonita por sinal. Peguei meu prato e comecei a me servir. Comi lentamente e sem pressa nenhuma. Depois que terminei, tomei um banho, voltei pro meu quarto e tentei dormir um pouco. Quando estava quase conseguindo, meu celular tocou de novo, dessa vez era Laura, uma amiga que eu tinha conhecido algumas semanas atrás na estréia do último filme do Harry Potter.
– Oi, Matmat! – Esse era um apelido que me faria ter acessos de riso se eu não estivesse tão cansado.
– Oi, Laurinha. Tudo bom?
– Tudo ótimo, e por aí?
– Tudo bem. Diga lá. O que é que manda?
– Eu e Carol queríamos ir pro cinema hoje, e agente queria que você fosse também, e aí, ta afim? – Era uma proposta tentadora. Eu nunca perdia uma oportunidade de ir pro cinema.
– Claro, seria ótimo. Eu to precisando relaxar mesmo.
– Ótimo! Então, no shopping às seis. Tudo bem pra você?
– Certo. Agente se vê mais tarde.
– Agente se vê Matmat. – Com isso ela desligou o telefone.
Foi um convite que veio em uma hora realmente ótima, eu estava precisando mesmo relaxar.
Eu descansei a cabeça no travesseiro, e comecei a pensar sobre a guerra, os guerreiros de Apolo até que minha cabeça começou a me levar para pensamentos completamente sem nexo e eu adormeci.
– Matheus olha logo pra mim eu não tenho muito tempo! – A voz de Eduardo veio até mim, mas eu não queria abrir os olhos. – ACORDA PORRA!
Depois disso, eu me obriguei a acordar, ele não falaria com toda essa urgência na voz se não fosse muito importante.
– Eduardo? A flecha, Dhiego, o que aconteceu? – Perguntei confuso. A ultima visão que eu tive de Eduardo foi com Dhiego apontando uma flecha na direção do seu peito.
– Isso não importa agora, eu tenho que te avisar sobre uma coisa, antes que ele volte!
– Ele quem, Dhiego?
– É ele mesmo, mas isso não vem ao caso. Você tem que ter cuidado!
– Cuidado com o que exatamente?
– Com os... – A fala dele foi cortada por uma voadora bem no meio do peito.
– Você não vai falar nada! – Gritou Dhiego que saiu só Deus sabe de onde. Eduardo foi atirado contra a parede, mas, com um mortal, apoiou os pés na parede e os impulsionou voltando com velocidade máxima, quando a distancia era pouca ele acertou um soco bem no meio da cara de Dhiego, sem dar ao inimigo chances de se defender.
Eu já sabia que não podia fazer muita coisa para ajudar meu amigo, a única coisa que eu podia fazer era assistir, por mais que isso me irritasse.
Assim como Eduardo, Dhiego girou no ar e caiu de pé. Os dois se encararam por alguns segundos e em seguida correram na direção um do outro, trocando chutes e socos. Num descuido de Eduardo, Dhiego conseguiu acertá-lo no queixo. O golpe foi tão forte que tirou Eduardo do chão.
– Eu cansei disso tudo! – Eduardo gritou e usou o impacto do soco para pegar mais altitude. Quando estava numa determinada altura ele levantou o dedo e gritou: – REVOLUÇÃO ESTELAR! – Apontou para Dhiego e uma chuva de estrelas surgiu da ponta do seu dedo atingindo, em cheio, o corpo de Dhiego, que por sua vez não teve condições de se levantar.
Eduardo voltou ao chão e olhou para a cara de Dhiego. Durante alguns segundos me pareceu que ele não iria fazer mais nada depois disso, mas Dhiego começou a gargalhar. Eduardo abriu os braços e Dhiego parou instantaneamente de rir.
– EXTINÇÃO ESTELAR!
Acordei com um pulo, mas dessa vez eu não gritei. Outro sonho como aquele, só que dessa vez eu tinha por onde partir. Ele queria me dizer pra eu ter cuidado com algo, ou alguém. Mas com o que exatamente? Com Erik? Acho que não. Não é preciso ser muito inteligente pra perceber que ele não era flor que se cheirasse. Então com o que?
Com um sobressalto olhei pela janela e o sol já estava se pondo. Olhei no relógio do celular e vi que já eram cinco e meia. Eu me levantei apressado, fui ao guarda-roupa, troquei de roupa e calcei um par de tênis.
Quando estava passando pela sala minha mãe perguntou:
– Vai pra onde?
– Vou pro cinema com umas amigas...
– Amigas é? – Perguntou ela, levantando uma sobrancelha.
– É, mãe. Amigas.
– Ta certo. Tem dinheiro?
– Tenho. Mas eu aceito contribuições. – Falei com um sorriso brincalhão na cara.
– HAHA! Engraçado. Bom filme.
– Ta certo.
Depois disso eu saí pela porta e desci a ladeira em direção a parada de ônibus. Eu me senti tentado a usar o teletransporte pra chegar lá mais rápido, mas eu não queria sentir aquela sensação esquisita. Eu era um dos poucos cavaleiros que não gostava. Minha irmã por sua vez adorava. Se pudesse ela não andaria pra nada, faria tudo à base do teletransporte. Peguei um ônibus e depois de alguns minutos desci na parada de frente para o shopping.
Andei um pouco até a praça de alimentação e quando cheguei lá vi Carol e Laurinha me esperando sentadas numa mesa. Quando elas me viram, sorriram e correram na minha direção.
– Matmat! – Carol foi a primeira a falar comigo. – Faz tanto tempo que agente não se vê. Tava com saudade.
– Eu também tava. – Falei timidamente.
– Tava nada. Quase que num chegava aqui. – Falou Laurinha me abraçando.
– Desculpa a demora, eu dormi a tarde toda e o ônibus demorou pra passar. – Falei tentando me justificar.
– Relaxa, poxa. Tem nada não. – Falou Carol sorrindo. – E aí, agente vai assistir o que?
Ambos os filmes que estavam em cartaz eu já havia assistido. Um deles era “Os Smurffs”, que eu tinha assistido duas vezes com Lays. E também tinha “O Planeta dos Macacos – A Origem”, que eu tinha assistido com Mariana e uma amiguinha dela, e eu odiei esse filme.
– Que tal se agente assistisse O Planeta dos Macacos? – Sugeriu Laurinha.
– A não. Esse filme é horrível. Eu odiei. – Falei.
– Mas você também já assistiu Os Smurffs. – Insistiu Carol.
– Vocês não assistiram. E é melhor do que Planeta dos Macacos.
– Então ta. Vamos assistir Os Smurffs. – Falou Laurinha.
Nós fomos até a bilheteria e compramos as entradas. O filme só começaria dali a quarenta minutos então nós ficamos andando, olhando as vitrines e conversando sobre qualquer besteira. Quando faltavam quinze minutos nos fomos até as Lojas Americanas e compramos salgadinhos e refrigerantes, voltamos pro cinema e pegamos a fila.
O filme contava a história de um grupo de criaturinhas azuis que, acidentalmente, saíram de sua dimensão e vieram parar na nossa. Uma vez aqui eles tinham que encontrar uma passagem de volta para a dimensão deles usando um feitiço que envolvia uma lua azul. Era bem legal e tinha muito humor.
Eu não consegui me concentrar muito no filme. O fato de eu já ter assistido somado aos acontecimentos recentes, desde a aparição da portadora de Athena até nossa luta com Erik, faziam com que meu corpo estivesse presente, mas minha cabeça estivesse longe.
Depois de um pouco mais de uma hora e meia o filme terminou com todas as criaturinhas azuis cantando e dançando. As luzes se acenderam e nós saímos.
– Matmat, pensei que você tinha dito que gostou do filme. – Falou Carol.
– Mas eu gostei. – Disse pego de surpresa.
– E porque você não deu nenhuma risada o filme todo? Na verdade, quando eu te olhava, você não estava nem olhando pra tela. Você ta com algum problema? – Disse Laurinha se juntando ao interrogatório.
– Não, nada mesmo. É que, como eu já assisti esse filme, eu já sabia o que ia acontecer e o que eles iam dizer, então não teve a mesma graça da primeira vez. – Falei.
Elas apenas assentiram com a cabeça, o que foi um alivio, não sei se conseguiria inventar mais desculpas se elas continuassem com as perguntas.
– Nós vamos ao banheiro. Espera agente aqui fora? – Perguntou Carol.
– Claro.
Elas entraram no banheiro e eu me encostei na parede e assisti o restante das pessoas saírem da sala. Eu aproveitei que estava sozinho e que havia muitas pessoas ao redor para tentar sentir algum cosmo que me levasse a um dos cinco guerreiros. Fechei os olhos e me concentrei um pouco expandindo o alcance da minha mente. Por um instante eu pensei ter sentido alguma coisa, mas quando eu me preparava pra ir atrás da pessoa Carol me cutucou e quebrou minha concentração.
– Vamos? – Perguntou ela.
– Vamos. – Eu respondi tentando não deixar transparecer a minha decepção.
Caminhamos um pouco em silêncio até a entrada do shopping.
– Vocês têm mesmo que ir agora? Ainda são oito horas. Vamos andar mais um pouco. – Falei, na esperança de elas resolverem ficar e eu tentar mais uma vez ir atrás daquele cosmo.
– Ele tem razão. – Disse Laurinha. – Agente não precisa ir agora. Vamos ficar só mais um pouco.
Eu senti vontade de abraçar Laura em agradecimento, mas me contive. Se eu tivesse cedido a essa vontade teria que dar explicações depois. Então demos meia volta e voltamos a andar e olhar vitrines. Quando eu estava me preparando para voltar a me concentrar Laura me vem com essa pergunta:
– E você e Lays? – Ela perguntou fazendo um movimento engraçado com as sobrancelhas.
– Estamos bem. – Respondi me sentindo um pouco desconfortável com a mudança repentina de assunto.
– Vocês ainda não estão namorando? – Perguntou Carol.
– Infelizmente não. Agente tava com uns problemas e tal... E, quando eu pensava que o problema já tinha sido resolvido. Ele volta mais poderoso do que nunca. – Eu falei e abaixei a cabeça. Bom, mentindo eu não estava. Elas olharam pra mim com uma cara meio estranha, e foi aí que eu percebi que o comentário não havia saído como eu estava planejando.
– Certo, to vendo que você não quer falar que problema é esse. – Falou Carol parecendo um pouco chateada.
– Me desculpa. É que eu não gosto muito de tocar no assunto.
– Tudo bem, ninguém gosta. – Falou Laurinha me defendendo. Nesse minuto o celular de Carol tocou.
– Oi mãe... Agora? Por que? A, sei... Tudo bem eu to voltando... Tchau. – Depois ela desligou. – Minha mãe quer que eu vá pra casa agora, chegaram uns parentes meus de surpresa lá.
– Ah, tudo bem. – Eu falei. Isso queria dizer que eu não iria achar o dono daquele cosmo. E, além disso, eu queria ficar mais um pouco com as meninas, era legal estar na companhia delas.
Nós andamos até a avenida que nós tínhamos que atravessar pra chegar a até a parada de ônibus. Estava estranhamente vazio lá, levando em conta a hora e o dia da semana. Era terça-feira, muita gente trabalhava e era bem cedo, não seria possível que todo mundo já estivesse em casa. Esperamos alguns carros passarem e darem espaço pra agente atravessar. Depois de alguns segundos o único carro que havia era um caminhão que estava um pouco longe mais se aproximava rápido.
– Corre que dá tempo! – Gritou Carol e saiu correndo em direção ao outro lado da avenida.
– NÃO CAROL NÃO DÁ! – Gritou Laura, mas já era tarde de mais. O caminhão tentou frear e buzinou alto, o que foi pior porque fez com que ela ficasse paralisada de medo, o caminhão não iria conseguir parar antes de bater nela. Quando eu me preparava pra pular, com uma velocidade que não poderia pertencer a um humano normal, Laura correu e ficou entre Carol e o caminhão. O que se passou a seguir me impressionou, e teria impressionado as outras pessoas, se houvesse alguém ali. Uma vez que Laura estava entre Carol e o caminhão, começou a emanar uma aura azul. Eu senti um cosmo terrivelmente poderoso sair dela, cosmo que seria digno de um cavaleiro de ouro dos mais fortes. Ela pegou impulso com o punho direito e quando o caminhão estava prestes a golpeá-las, ela acertou um soco na parte dianteira. O caminhão fez um RL com o impacto do soco de Laura e caiu com um estrondo bem alto no chão. Eu corri com os olhos arregalados e olhei para o caminhão, a carreta tinha virado e a parte da frente estava completamente destruída, não havia mecânico nenhum no mundo que desse jeito, depois olhei para Carol. Ela estava deitada no chão e olhava assustada do caminhão para Laura e de Laura de volta para o caminhão.
– Mas que merda foi essa? – Perguntou ela sem conseguir tirar os olhos de Laura, que pelo visto também não entendia direito o que estava acontecendo. Ela olhava para suas mãos com os olhos arregalados.
– Você sabia que tinha todo esse poder dentro de você? – Perguntei.
– Não. Nunca soube. Na verdade a única coisa que eu senti quando vi que o caminhão ia atropelar Carol, foi uma vontade enorme de fazer alguma coisa. Depois eu simplesmente saí correndo. De certa forma, eu sabia o que fazer. – Ela estava em estado de choque. – Como isso pode ser possível?
– Não se assuste, mas o que eu vou te dizer agora é a mais pura verdade. Isso que você possui dentro de você se chama cosmo. Ele foi o que lhe deu poder para salvar a vida de Carol. E não é um cosmo qualquer. Você é a reencarnação de um dos cinco guerreiros.
Ela me olhou com os olhos arregalados. Eu sorri pra ela.
– Mas eu nunca havia feito nada assim antes. Como eu posso ter isso dentro de mim e não ter percebido?
– O cosmo se mostra de várias formas. As mais comuns não emoções fortes. Tristeza, raiva ou, no seu caso, desespero.
– A. E o como você sabe de tudo isso?
– Porque eu sou um cavaleiro. Eu também tenho um cosmo dentro de mim. – Para provar, eu me concentrei, sem tirar os olhos dela. E minha aura prateada começou a aparecer. Eu levantei uma das mãos para o céu e fiz uma pequena chuva de neve cair na cabeça dela e de Carol, que agora se recuperava do choque e estava do lado de Laura. Elas riram maravilhadas com a beleza daquilo.
– É maravilhoso! E, como eu faço para me tornar um cavaleiro? – Perguntou ela anciosa.
– É uma decisão perigosa. Antes eu preciso lhe explicar os riscos que essa decisão implica. Você sabe onde é o CEFET, não sabe? – Ela fez que sim com a cabeça. – Apareça lá amanhã de manhã. Eu vou reunir os outros onze cavaleiros de ouro e vou te explicar tudo que você precisa saber. Uma vez que você saiba dos riscos poderá dizer se você quer ou não se transformar num cavaleiro.
– Eu vou aprender a fazer nave? – Perguntou ela com um brilho nos olhos.
– Se tiver sorte. Talvez. – Uma sirene de policia começou a se aproximar de nós. – Temos que sair daqui, ou vamos ter que dar explicações.
– Como vamos sair daqui tão rápido?
– Eu tenho a solução. – Eu sorri de um jeito descontraído e estendi as mãos para que elas segurassem. Cada uma segurou uma mão e eu teleportei.
Aparecemos no meio da praça da Sé, no centro do Crato. Laura tinha ficado muito tonta cambaleou até cair, Carol tinha desmaiado, como eu já esperava que acontecesse, como ela não tinha cosmo seria impossível que ficasse acordada. Eu tive que segurá-la para ela não cair.
– O que foi isso que você fez? – Perguntou Laura tentando se levantar.
– Teletransporte. E eu tenho que te parabenizar. O seu primeiro teletransporte e você não desmaiou.
– Você desmaiou na sua primeira vez? – Perguntou ela rindo.
– Na verdade sim. Meu mestre teve que me carregar por treze lances de escada até eu acordar.
Ela teve um acesso de riso tão grande que caiu no chão mais uma vez. Até que percebeu Carol apoiada em mim e inconsciente. Ela correu até ela e a olhou atentamente.
– Ela não está morta, está? – Perguntou ela, assustada.
– Não, só está desacordada. Tem como você ligar pros pais dela e pedirem pra eles virem buscar vocês aqui?
– Sim, mas, o que nós vamos dizer se ela não estiver acordada até eles chegarem?
– Nós nos sentamos num banco, encostamos a cabeça dela no seu ombro e dizemos que ficamos conversando até que ela dormiu. – Ela olhou pra mim com uma cara estranha.
– Você parece que tem pratica nessa história de mentir.
– É preciso, se não todo o mundo teria descoberto a nossa existência e nós não teríamos paz. Aliás, nós não temos paz de jeito nenhum, seria pior se todo mundo soubesse.
Ela entendeu. Pegou o telefone na bolsa, discou o numero dos pais de Carol e pediu para vir buscá-las. Nós nos sentamos num banco da praça e encostamos Carol em Laura. Ela parecia pensativa.
– Você disse que eu sou a reencarnação de um dos cinco guerreiros. O que isso significa? – Perguntou ela.
– No passado, houve cinco cavaleiros de bronze que salvaram o mundo da escuridão. Eles eram muito poderosos tão poderosos que conseguiram derrotar os doze cavaleiros de ouro sozinhos. Hoje em dia, nós estamos enfrentando uma guerra. E o Oráculo fez uma profecia que envolvia a volta dos cinco guerreiros do passado, que, com minha ajuda, fariam com que os cavaleiros ganhassem a guerra. Você é a primeira que nós achamos.
– Guerra? Que guerra? – Nessa hora os pais de Carol chegaram.
– Pense um pouco sobre isso. Amanhã eu te explico tudo com calma e você toma sua decisão. E diga pra Carol não contar o que ela viu pra ninguém.
– Ta certo. Tchau Matmat!
– Tchau.
Eu ajudei a explicar o que aconteceu com Carol, e a fazer com que ela entrasse no carro. Quando o carro já estava fora de vista, eu teleportei para casa e comecei a fazer ligações felizes sobre o que acontecera essa noite.
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