Lays de Virgem
Lays acordou com o corpo meio mole e um pouco dolorido, mas estava bem melhor. Quando tudo aconteceu tinha sido pior, bem pior. Ela ainda não conseguia acreditar que Erik, o seu amigo Erik, tentou matá-la. As lágrimas começaram a vir. Ela não ia conseguir segurar. Ela encaixou as mãos no rosto e chorou. Chorou até que resolveu deixar isso de lado. Erik já não era mais o mesmo. Agora ele era Apolo. Portador do poder de um deus mitológico e sedento por vingança. Esse não era mais o cara amigável e descontraído que ela conheceu a alguns anos.
Já conformada, Lays pegou o celular da cômoda e digitou o numero de Matheus. Ele havia pedido para ligar quando acordasse. O celular chamou por alguns segundos e ela escutou a voz grave a qual tanto gostava.
– Alô.
– Oi, meu amor.
– Oi, meu anjo. Ta melhor?
– Sim, como eu disse, eu só precisava dormir um pouco.
– Ainda bem. Sua irmã?
– Também está bem. Os meninos ainda estão lá fora, você foi ver Lizandra?
– Fui sim, mas não entrei no quarto dela. Ela sofreu muitas queimaduras, mas vai ficar bem. Carol também ta legal, ficou um pouco dolorida, mas não precisou ficar de cama.
– Ainda bem. Bom, eu vou desligar to com muita fome, vou comer alguma coisa.
– Ta certo, eu também ainda não almocei. Tchau.
– Tchau, eu te amo.
– Eu te amo.
Lays percebeu, pela leve surpresa na voz de Matheus que ele havia se esquecido de almoçar. O que era estranho porque logo ele, se esquecer de comer. Devia estar muito preocupado.
Ela se levantou foi em direção ao guarda-roupa, pôs umas roupas mais confortáveis e foi até a cozinha. Ao passar pela sala encontrou suas irmãs Victória e Larissa espremidas na janela olhando alguma coisa na rua.
– O que as duas mocinhas estão fazendo aí? – Disse Lays, com o estomago dando voltas. Será que Allef resolveu voltar?
– Cala a boca, Lalá. Tem dois meninos brigando do lado de fora e é muito engraçado.
Lays se aproximou da janela sem entender nada. Quando olhou para a calçada viu Rafael e Victon discutindo sobre alguma coisa e que não entendeu bem a principio.
– Cara, você deve estar maluco! O zero não é um numero, é uma indeterminação! Eu pesquisei! – Falava Victon, prestes a ter um ataque de nervos.
– Eles estão discutindo sobre o que é o zero à horas. – Comentou Larissa. – Eles são doidos?
– Não minha pequena, não são. É que eles estudam de mais.
– Mamãe sempre disse pra agente estudar muito. Ele quer que agente fique assim? – Perguntou Victória, assustada.
– Não é isso, tem que estudar sim. Mas pegando leve.
Lays se dirigiu até a calçada pra impedir que aqueles dois começassem a se espancar e pra não ter que enfrentar mais perguntas como aquela.
– Com licença. – Disse Lays, bem alto para interromper a discussão.
– Ah, Lays. Você acordou. Se sente melhor? – Perguntou Rafael.
– Sim, Rafael, obrigada por perguntar.
– Você precisa de alguma coisa? – Perguntou Victon.
– Na verdade não. Eu estava indo almoçar. Querem vir?
– Não. Mas obrigado pelo convite. Matheus disse que agente não saísse do posto. – Disse Rafael, calmo e prestativo como sempre.
– Não precisa mais vigiar. Eu já me sinto melhor e, se acontecer alguma coisa, estou em plenas condições de tirar todo mundo daqui. – Disse Lays, com mais segurança do que realmente sentia.
– Tem certeza? – Perguntou Victon, duvidando.
– Absoluta.
– Então, nós estamos indo. – Disse Rafael se curvando. – Minha mãe ta fazendo macarronada pro almoço. Quer vir almoçar lá em casa e terminar essa discussão durante o almoço Câncer? – Rafael falou olhando pra Victon em tom de provocação.
– Quero sim, Libra. E vou provar que você está errado. Adeus Lays, até o próximo encontro.
– Adeus, Lays. Cuide-se. – Os dois acenaram, brilharam e desapareceram.
“Esse dois só podem ser malucos.” Pensou Lays indo para a cozinha e pra ver o que sua mãe tinha deixado para o almoço. A decepção se apoderou do corpo dela quando viu o que havia em cima do fogão. Nada. E em cima da mesa? Mais um pouco de nada.
– Victória, o que foi que vocês almoçaram?!
– Mamãe levou agente pra comer fora.
– E vocês não me acordaram?! – Aquilo era de mais.
– Nós tentamos. Mas você parecia uma pedra, se agente tocasse fogo no seu corpo você não teria acordado. – Defendeu-se Victória levantando as mãos.
– Mas nem me trouxeram uma marmita? – Disse Lays tentando se controlar.
– Em relação a isso. – Ela começou a ficar vermelha e a coçar o queixo. – Agente meio que esqueceu a quentinha no banco de trás do carro de mamãe, e ela saiu pra trabalhar.
– AH! Muito bem! E agora? O que eu vou comer? – Ela estava se segurando para não gritar com a irmã.
– Bem, tem miojo no armário e tem Coca na geladeira.
– É? Então vá fazer meu miojo! É o mínimo que você pode fazer! E bota a Coca no meu como de 800 ml.
– Ta certo. – Victória foi andando até o armário e tirou um pacotinho de lá.
Era impressionante. “Com toda certeza se tivesse sido ao contrário, ninguém teria esquecido a comida dela.” Pensou Lays.
Ela foi até o sofá e ligou a televisão pra o ver o que estava passando. E nada do que estava lá lhe agradava, ela também não queria assistir DVD porque simplesmente não tinha paciência. O único que lhe fazia assistir filmes era Matheus, e eles não assistiam realmente. Com vinte minutos de filmes nem ele, muito menos ela, entendiam o que estava acontecendo. Então ela desligou a televisão e ficou olhando para o nada.
Depois de alguns minutos Victória trouxe a comida, ela agradeceu e começou a comer lentamente. Desligar a televisão tinha sido uma péssima idéia. Sem ter nada para pensar seus pensamentos se dirigiram novamente até algumas horas mais cedo quando ela viu o seu antigo amigo tentar arrombar a porta da sua casa para seqüestrar a sua irmã. Antes que ela começasse a chorar por cima da comida, Lays ligou a televisão e começou a prestar atenção no que estava passando.
Era aquele programa bem idiota que a Angélica apresentava, O “Vídeo Game”, onde um bando de celebridades retardadas participavam de uma série de joguinhos bem toscos durante toda a semana, na sexta-feira a celebridade, ou a dupla de celebridades vencedoras, ganhavam um troféu em forma de televisão. Era um programa realmente sem nexo, fazia mais sentido quando os ganhadores doavam cestas básicas para uma instituição de caridade.
Quando ela estava quase terminando de comer ela escutou o seu celular tocar, correu até o quarto e viu que era Bia, uma de suas melhores amigas.
– Oi, amiga! – Atendeu Lays.
– Oi, amiga! Só liguei pra saber que horas você vai passar aqui em casa.
– Não sei, amiga. Eu tenho que passar aí hoje? – Perguntou Lays, sem entender muita coisa.
– É claro que sim! E o aniversário de Luana?! – “Meu Deus! O aniversário de Luana! Eu tinha esquecido completamente!” – Você não esqueceu, né?
– Claro que eu não esqueci, sua boba. – Respondeu Lays. – Eu passo por aí umas seis horas. Tudo bem?
– Pode ser. Até mais tarde.
– Até.
Bia desligou e Lays ficou com uma vontade imensa de bater a cabeça na parede. Como ela podia ter esquecido o aniversário de Luana? De Luana! Outra de suas melhores amigas. Mas a resposta era clara. Quando se enfrentava velhos amigos com poderes capazes de fazer sofrer todos que você ama fica difícil pensar em coisas como festas de aniversário.
Lays terminou o almoço se deitou no sofá e voltou a dormir.
– Lalá, acorda! Acorda menina!
– O que foi? Onde é que ta? – Lays acordou assustada e sem saber direito o que estava dizendo. – Por que você me acordou Victória?
– Já são cinco e meia. Você não tem algum lugar pra ir hoje?
– Meu Deus! É mesmo! – Lays se levantou correndo e foi direto para o banheiro.
Tomou o banho mais rápido da história da humanidade. Penteou os cabelos, pôs perfume e vestiu uma roupa arrumadinha e foi para a sala. Chegando lá encontrou sua mãe perto da porta com a chave do carro nas mãos.
– Vamos, sua dorminhoca. Eu te dou carona. – Disse ela sorrindo.
– Ah, obrigada, mãe. A senhora é um anjo.
– Pois é. O que você faria sem mim?
Com esse comentário as duas entraram no carro. Quando sua mãe deu a partida no carro perguntou:
– Então, filhinha... Como foi o dia? – Era a pergunta que ela esperava não ter que responder.
– Foi bonzinho... – Ela não conseguiria falar mais nada. Deu uma breve olhada no bando traseiro e viu uma sacola com uma quentinha que seria o seu almoço. – Você percebeu que sua filha deixou meu almoço no banco de trás do carro?
A mãe de Lays deu uma breve olhada.
– Meu Deus! Que menina doida. O que foi que você almoçou?
– Miojo com um copo monstruoso de Coca.
– Ah, minha filha, me desculpe. Eu devia ter olhado pra ver se elas não tinham esquecido. Mas tava com tanta pressa. – Disse a mãe dela com um arrependimento sincero nos olhos.
– Tudo bem. Não tem problema.
Nesse momento elas já se aproximavam da casa de Bia. Ela usava uma blusa roxa estampada com vários nomes em inglês e uma calça jeans clara e justa, o cabelo caramelo liso preso num rabo de cavalo. Ela estava sentada na janela esperando. A mãe de Lays estacionou e ela desceu do carro.
– Oi, amiga! – Disse Bia se jogando nos braços de Lays.
– Oi! – Disse Lays retribuindo o abraço. – Onde estão Luana e Joyce?
– Elas foram na frente. Eu disse que ia esperar você aqui.
– Vamos meninas, eu deixo vocês na pizzaria.
Elas entraram no carro. Foi uma viagem silenciosa exceto quando Bia perguntou o que aquela quentinha, que já estava gelada, estava fazendo ali.
Depois de aproximadamente vinte minutos elas entravam na Rua da Praça Padre Cícero e a mãe de Lays estacionou em frente a pizzaria “Casa da Pizza”.
– Comportem-se, meninas. E tomem cuidado.
– Sim, senhora – Responderam as duas em uni sono.
– Lays você quer que eu venha te buscar, ou você vai de ônibus?
– Pode deixar mãe. Eu vou de ônibus com as meninas.
– Então ta certo. Deus te abençoe.
Com isso Bia e Lays desceram do carro e instantaneamente avistaram Joyce e Luana sentadas numa mesa comendo uma fatia de pizza. Luana usava uma blusa regata preta e um short jeans curto, o colar dourado realçava o tom moreno da sua pele, os cabelos negros ondulados caindo livres sobre os ombros. Joyce usava uma blusa lisa verde, combinando com a cor dos seus olhos, e uma saia jeans curta, os cabelos loiros presos num rabo de cavalo.
Antes que elas chegassem à mesa Luana viu a aproximação das duas e correu pra lhes dar um abraço, Joyce a seguiu. Depois de uma demorada troca de abraços e de uma canção desajeitada de “Parabéns pra Você” dedicada a Luana, as quatro meninas se sentaram e a garçonete anotou os pedidos das meninas que chegaram por último. Luana começou a uma conversa animada com Bia sobre presentes de aniversário enquanto Joyce bebia algo que parecia Sprite.
– O que é isso que você ta tomando? – Perguntou Lays, com cara de nojo.
– Ah, é água com gás. – Respondeu Joyce.
– Meu Deus, que nojo! Como você agüenta tomar isso?
– Essa já é a terceira desde que nós chegamos aqui. – Disse Luana – Ela diz que ajuda a deixar a barriga vazia pra poder comer mais fatias do rodízio.
– E é verdade. Eu já vou na minha quarta fatia, enquanto você não passou de duas. – Falou Joyce fechando os olhos e ignorando completamente a cara de nojo das amigas.
– Relaxe. Daqui para o fim da noite essa situação muda. – Disse Luana estirando o polegar e piscando um olho para Joyce em sinal de desafio.
– Mas isso não vem ao caso agora. – Disse Bia interrompendo a discussão. – Vamos conversar sobre alguma coisa mais interessante. – Ela virou-se para Lays e ergueu as sobrancelhas fazendo uma cara sensual. – Como vai Matheus Henrique, amiga?
– Pois é, faz tempo que eu não vejo o meu cunhadinho fofo. – Disse Joyce sorrindo. Luana limitou-se a virar a cara e dar risada da expressão de Lays.
– Ah... – Lays foi pega completamente de surpresa pela pergunta. Desejou não estar tão vermelha quanto sentia. – Bem, eu acho... Ele anda preocupado com uns lances, tanto é que ele quase se esquece de almoçar hoje.
– Sério? – Perguntou Luana com os olhos arregalados. – E qual é o motivo da preocupação?
– Erik, eu acho. Tenho quase certeza. – O que não era realmente uma mentira. – Eu tentei falar com ele hoje, mas não deu em muita coisa. Ele ficou com muita raiva.
– Cara, isso é mau. – Falou Bia.
– É. Mas enfim, e Vitor, amiga? – Agora foi a vez de Lays levantar as sobrancelhas e fazer uma cara sensual para Bia. A diferença era que Bia não ficava envergonhada com esse tipo de assunto.
– Não tenho visto muito ele. – Disse ela, meio decepcionada. – Ele tem agido estranho ultimamente. Nem parece o mesmo se umas semanas pra cá. Nunca está em casa, e quanto eu tento ligar ele não atende. – Ela olhou pra cima e fitou o vazio. – Pensando bem... Dá ultima vez que eu o vi, eu tive a impressão de ter visto a íris dos seus olhos meio vermelha. Mas acho que foi só impressão mesmo...
Todas ficaram em silêncio. Vitor nunca foi o tipo de sujeito caladão que desaparece sem mais nem menos, certo que nem sempre ele ligava avisando se ia viajar ou não, mas, quando ele não ligava, elas sempre arrumavam um jeito de saber onde ele estava.
– Certo, certo... Que tal se agente fosse ao banheiro tirar umas fotos? – Perguntou Joyce.
– Boa idéia. – Bia e Luana falaram juntas.
– Você vem, Lays? – Perguntou Bia.
– Daqui a pouco. Vão na frente, assim que eu terminar essa fatia eu apareço por lá. – Respondeu.
– Certo você que sabe.
As meninas se levantaram e foram em direção ao banheiro.
A desculpa da fatia de pizza tinha funcionado perfeitamente, mas a verdade era que, além de não estar com vontade de sorrir para a câmera, Lays não conseguia tirar o combate que houve de manhã da cabeça. O que a levava a pensar na profecia, que, mais uma vez, falava de Matheus, o que fazia com que o risco dele morrer fosse maior do que o dos outros, sendo assim ele precisaria de ajuda, e, segundo a profecia, ele teria ajuda dos cinco guerreiros, então ela fechou os olhos e expandiu o alcance da mente e do cosmo pra ver se sentia alguma coisa. Mas antes mesmo de pegar o embalo sua concentração foi cortada pelos gritos de Joyce vindos do banheiro.
– Vocês sempre fazem isso! – Gritava ela. – Sempre que agente sai juntas vocês arrumam um jeito de me excluir! Eu já to cansada disso!
Lays levantou a cabeça pra ver Joyce sair correndo da pizzaria com as meninas atrás dela.
– Bia! O que aconteceu com ela? – Perguntou Lays.
– Ela surtou foi o que aconteceu! Agente tem que ir atrás dela.
Lays se levantou, deixou o dinheiro da conta em cima da mesa e se dirigiu até a saída pedindo desculpas aos clientes que olhavam de olhos arregalados. Assim que ela saiu do restaurante correu atrás das meninas. Joyce estava correndo em direção a uma rua muito escura e esquisita. “Pedindo pra ser assaltada.” Pensou Lays.
Luana conseguiu alcançar Joyce. Segurou ela pelo braço o que fez com que ela parasse.
– Ta pensando o que saindo correndo desse jeito, garota? Você podia ter sido atropelada. – Disse Luana.
– E daí? Me solta. – Disse Joyce, se livrando do aperto de Luana, mas dessa vez ela não correu.
– Joyce, para com isso. Vamos voltar pra lá. – Disse Bia, ofegante de tanto correr.
Joyce permaneceu calada, e olhou para o chão. Lays foi se aproximando do grupo e disse:
– Agente tem que sair daqui. Odeio becos sem saída. – Nesse momento todas olharam para trás de Joyce, ela tinha, realmente, ido parar num beco sem saída. – Esse lugar é muito estranho a não ser que agente queria...
– Ora, ora, ora, rapazes. Veja o que o vento nos trouxe... – A fala de Lays foi interrompida por uma voz masculina saída só Deus sabe de onde. O homem era alto e careca e estava todo vestido de preto. – Parece que hoje é o nosso dia de sorte.
– É isso aí Jorge. – Disse outra voz, dessa vez a de um homem baixinho e um pouco gordinho.
– E olha só o que essa moreninha tem no pescoço. Parece que é ouro de verdade. – Outro homem se materializou das sombras ele era magrinho, mas tinha feições duras e cara de mau. Ele se aproximava de Luana lentamente.
– Vamos fazer a festa aqui hoje. – Mais um homem saiu das sombras, mas esse estava armado. As quatro meninas estavam de costas uma para a outra e cercadas pelos marginais. O homem da arma aponta para a cabeça de Lays. – Peça para a sua amiguinha morena passar esse colarzinho bonito pra o meu parceiro e eu prometo que ninguém se machuca.
– O único que vai se machucar aqui é você, se não baixar essa arma. – Disse Lays se preparando para atacar o homem. O silencio pareceu se adensar, e do seu lado Luana prendeu a respiração.
– Garota idiota. Você fala de mais, e por isso vai ser a primeira a se machucar aqui. – O homem puxou o gatinho e houve o estouro do disparo. Mas antes que a bala chegasse a Lays, Luana se pôs no caminho.
– LUANA, NÃO! – Mas já era tarde. Porém, antes que Lays pudesse sequer se mexer, uma aura prateada, idêntica a de Matheus, começou a surgir de Luana.
– Quem você pensa que é para atirar na minha amiga? – Luana falou com ácido na voz. Ela jogou a bala no chão. “Meu Deus! Luana segurou a bala!” Foi a única coisa que Lays conseguiu pensar. Todos olharam para Luana em estado de choque.
– Ei, você aí que ta brilhando. É melhor não fazer nada, ou sua amiguinha aqui morre. – Todos se viraram para o homem que se chamava Jorge. Ele estava dando uma chave de braço em Bia com uma das mãos e com a outra apontava uma arma para a testa de dela. – Sério. Não tente nada.
Mas antes que ele pudesse fazer qualquer coisa, uma aura rosa começou a surgir de Bia. Que por sua vez acertou um soco no queixo do assaltante. O impacto foi tremendo que o homem foi levantado do chão e atirado contra a parede. Todos os olhares se voltavam para Bia, que olhava para o seu punho sem entender nada.
– Agente tem que correr daqui, essas garotas são aberrações! – Gritou o homem baixinho. Todos correram para a parede do beco e começaram a tentar escalá-la.
– Deixa eu facilitar pra vocês. – Joyce falou. E foi a vez dela de emanar uma aura verde. Ela pegou impulso com o punho esquerdo e disparou um soco no ar. Uma onde de energia saiu da sua mão e acertou a parede, que se abriu revelando a continuação da rua. Os bandidos correram e gritaram como um bando de garotinhas.
As auras das três meninas agora começavam a sumir. Todas olhavam de olhos arregalados entre si. Lays não conseguiu se segurar e começou a gargalhar. Riu como nunca riu antes. Depois que ela se controlou Luana perguntou:
– Que merda foi essa?
– Vocês não sabem mesmo o que aconteceu? – Perguntou Lays.
– Eu só sabia que tinha que fazer alguma coisa. Daí eu simplesmente fiz. Era como se eu tivesse no automático... – Falou Bia. – Já Joyce pareceu saber muito bem o que estava fazendo.
– Não sabia mesmo. – Se defendeu Joyce. – Só que eu fui tomada por uma raiva desgraçada desses idiotas. Aí aconteceu.
– Isso é incrível! Acabei de achar três cosmos dignos de cavaleiros de ouro de uma só vez! – Lays falou animadamente.
– Dá pra você traduzir, por favor? – Reclamou Bia.
– Vocês já ouviram falar daquele desenho chamado Cavaleiros do Zodíaco? – Perguntou Lays.
– Já sim. – Respondeu Luana. – Fala sobre um grupo de jovens que vestem umas armaduras e que defendem a reencarnação da deusa Athena. Segundo o anime, seus chutem podem partir montanhas e seus socos podem abrir fendas na terra, certo?
– Exatamente. – Lays esclareceu. – Essa luz que envolveu vocês é o cosmo de vocês. Ele é o que dá poder para os cavaleiros abrirem fendas na terra.
– Deixa eu ver se eu entendi. – Falou Joyce. – Você ta dizendo que os cavaleiros não só são reais, como também está dizendo que nós somos cavaleiros.
– Isso mesmo.
– E como é que você sabe disso tudo? – Perguntou Bia.
– Amazona de ouro de Virgem ao seu dispor. – Disse Lays fazendo uma reverencia.
– Prove. – Disse Luana sem conseguir acreditar no que ouvia.
Lays, então, se concentrou um pouco e sentiu sua aura roxa se apoderar do seu corpo. As meninas olharam para ela com os olhos mais arregalados ainda. Se concentrando mais um pouco, chamou a armadura para si, e quase no mesmo segundo ela preencheu o seu corpo.
– Uau. Isso é incrível! – Falou Bia.
– Obrigada. – Sorriu Lays, tirando o elmo da cabeça.
– Agente vai vestir armaduras legais assim? – Perguntou Joyce.
– Antes vocês precisam estar cientes do que realmente significa ser um cavaleiro. E Matheus pode explicar isso melhor do que eu.
– Pêra aí. Matheus também é um cavaleiro? – Perguntou Luana.
– É sim. Ele foi o primeiro cavaleiro a surgir nesta geração. A constelação dele é a de Aquário.
– Incrível. E como ele vai explicar? – Perguntou Joyce.
– Apareçam amanhã de manhã no Instituto e ele vai explicar tudo o que vocês precisam saber antes de tomarem a decisão. Agora vamos sair daqui antes que alguém me veja vestindo isso. – Dizendo isso Lays fez com que a armadura voltasse e ela e as amigas voltaram para a praça e de lá foram para casa.
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