domingo, 30 de outubro de 2011

Capítulo 14 - Sacrificio

Rayssa de Escorpião.

            Pensamentos rolavam a mil por hora na cabeça de Rayssa. Era muito difícil assimilar os acontecimentos recentes que levaram-na a pôr a armadura e correr sem rumo atrás de alguém que ela nem conhecia.
            Primeiro todos estavam no auditório dando um tempo nos preparativos para a guerra, só pra relaxar um pouco. Mas parece que Erik adivinhou. Porque logo em seguida ele, ou melhor, uma imagem dele aparece logo depois de ver Lizandra caindo à escadaria do auditório sem visão. Erik disse que tinha seqüestrado a garota que seria a portadora da armadura de Athena e que em um minuto os filhos de Apolo iriam começar a destruir a cidade, quando tudo estivesse destruído ele mataria a garota e Matheus só para ver Lays sofrer.
            Era muita coisa pra uma só cabeça.
            Agora, o minuto já havia passado e a destruição tinha começado. Ela pode sentir o cosmo de John desaparecendo, o que era um péssimo sinal, e logo depois a explosão dos cosmos de Rafael e Victon. Ela também podia sentir que, nesse exato momento, Lizandra travava uma batalha, mas não adiantava muito ir ajudá-la... Se muitos cavaleiros se concentrassem num único filho de Apolo a cidade seria destruída em questão de minutos.
            Rayssa corria ao longo da Av. Pe. Cícero, que conectava a cidade de Juazeiro a cidade do Crato. Ela gostava de pensar que estava vigiando a fronteira, mas a verdade era que ela estava se certificando de que nenhum filho de Apolo passasse para a cidade vizinha, pois era lá que seus pais e amigos mais próximos viviam.
            Uma perturbação no ambiente a fez parar. Não era só um cosmo quente e agressivo, ele emanava um cheiro estranho... Cheiro de enxofre. Ela seguiu o cheiro e percebeu que sua fonte estava na cobertura de um edifício enorme. Forçando a vista ela podia até ver a silhueta de um cavaleiro parado em meio à fumaça.
            Ela então não perdeu muito tempo e correu na direção do prédio. Chegando lá outra coisa chamou sua atenção: A fumaça não tinha só cheiro de enxofre... Ela fedia a veneno, o que era terrivelmente grave. Se ela não fizesse com que o cavaleiro parasse com isso depressa, muito gente morreria e ninguém poderia fazer nada.
            Rayssa saltou em alta velocidade e assim que atingiu a cobertura do edifício desferiu um chute no rosto do cavaleiro, que gritou e foi ao chão, a fumaça instantaneamente se dissipou e ela pôde vê-lo. E o choque a atingiu em cheio.
            Ligeiramente alto, um pouco careca, rosto redondo e feições orientais. Roberto Pedraça, antigo colega de sala estava usando uma armadura alaranjada com formas estranhas. No peito havia duas pedras de rubi que lembrava sinistramente o olhar de uma serpente. A parte da armadura que lhe protegia os braços eram duas serpentes, que tinham a boca aberta, por onde saia o punho, a impressão que dava era que as cobras estavam vomitando o braço dele. Suas pernas eram protegidas por uma armadura simples, não havia elmo em sua cabeça.
            – Roberto? – Perguntou Rayssa surpresa. – Eu pensei que você estivesse morando no Japão...
            – E eu estava. – Roberto levantou lentamente olhando fixo para cada detalha da armadura de Rayssa. – Só que Erik me chamou para ser seu filho... Eu não pude resistir a tanto poder.
            – Ficou maluco?! – Gritou ela. – Mas e Matheus?! Vocês eram os melhores amigos, você vai mesmo lutar contra ele?
            – Eu quero mais é que Matheus se dane! Ele não me deu o poder que Erik me deu.
            – Mesmo que ele quisesse muito, e eu aposto que ele queria, ele não podia te dar esse poder, não é uma coisa que se ganha, você tem que nascer com ele.
            – Não me venha com conversa fiada, Rayssa! – Gritou Roberto cerrando os punhos. – Eu vou fazer o que vim fazer, e se você ficar no meu caminho você morre!
            – Então eu sinto muito, mas eu vou ficar no seu caminho. Vem me matar.
            Roberto saltou e flutuou até Rayssa numa velocidade impressionante. Ele tentou acertar alguns socos no rosto e no estomago dela, mas apesar da velocidade dele ser alta a dela era maior, ela não só se esquivou de seus golpes, como também contra-atacou, socando seu estomago.
            O combate se seguiu furiosamente, nenhum dos dois cedia ao inimigo. Os golpes eram velozes e mortais, um único erro custaria à vida.
            – Ok, já ta na hora de acabar com você! – Disse Rayssa saltando e planando sobre o inimigo. – Vamos começar! AGULHA ESCARLATE!
            Ela apontou o dedo indicador da mão direita diretamente na perna de Roberto, o golpe fez um pequeno furo na armadura do filho de Apolo, que caiu de joelhos agonizado.
            – O que você fez?! – Perguntou ele em meio aos gemidos.
            – Essa foi à primeira das quinze agulhas escarlates que você irá receber. Cada uma num ponto diferente do seu corpo, tomando a forma das estrelas da constelação de escorpião. – Explicou Rayssa. – Mas não se preocupe, ao chegar na décima terceira, você perderá todo o seu sangue, e na décima quarta você morrerá ou enlouquecerá. Muito difícil alguém resistir até a décima quita.
            Ele se levantou com dificuldade. Apesar de a agulha ter penetrado na sua perna, isso não fez com que sua velocidade diminuísse. Ele correu até ela e desferiu um soco flamejante no seu rosto. Rayssa levantou a perna, para se proteger do golpe e desferiu um onde de energia no tórax do filho de Apolo, que por sua vez recuou alguns passos.
            Ele correu até ela novamente, porém sem perceber seu dedo indicador mais uma vez levantado.
            – AGULHA ESCARLATE!
            Mais uma vez o golpe alcançou seu destino, dessa vez num ponto um pouco acima do umbigo, deixando um buraco na armadura. Roberto foi mais uma vez ao chão.
            Ele se levantou mais rápido do que antes e começou outra chuva de golpes.
            – Quando você vai entender? Não adianta quantas vezes você corra até mim para tentar me socar! Você não vai me vencer!
            Roberto ignorou a provocação e seu cosmo queimou mais profundamente, o que lhe deu mais poder. Ele tentou acertar um gancho no queixo de Rayssa, mas essa segurou o golpe, que estava recheado de energia com as duas mãos. Mas ele não diminuiu a pressão, pelo contrário, fez com que ela aumentasse de tal forma que Rayssa foi atirada para cima.
            O filho de Apolo a acompanhou e uma batalha em pleno ar começou a se desenrolar.
            Rayssa planou e esperou a chegada do adversário, tentou chutar seu rosto, mas ele se baixou e socou seu estomago. A dor foi grande, mas ela resistiu a tempo de desviar do próximo chute. Ela se abaixou com velocidade a tempo de ver a abertura perfeita.
            – AGULHA ESCARLATE!
            Foi um golpe certeiro no ombro do filho de Apolo, que se contorceu e gritou. Ela não esperou ele se recuperar, se aproximou e desferiu um soco no rosto que fez com que ele caísse de volta na cobertura do edifício.
            Ela desceu suavemente e viu Roberto se levantar mais uma vez, com outro furo na armadura, dessa vez na ombreira esquerda.
            O que a assustou não foi o fato dele se levantar como se nada tivesse acontecido. Foi o fato de o seu cosmo estar aumentando em vez de diminuir.
            – Roberto... Eu vou te dar a chance de parar com isso e desistir da luta. Eu te conheço, você não é o tipo de cara que mataria a sangue frio. Para com isso.
            – Você não entende, não é? – Falou ele. – A humanidade tem que acabar, pra recomeçar do zero.
            – Por quê?
            – Você não vê? Todas essas catástrofes, violência, corrupção... A humanidade está corrompida, por isso ela tem que acabar.
            – Você ficou louco? – Perguntou Rayssa. – Destruir tudo não vai ajudar em nada. Muito pelo contrário, só vai piorar as coisas! Além do mais o mundo não é só isso. As pessoas tem a capacidade de amar, perdoar, sonhar... Você quer acabar com isso?
            Ele parou por um instante, e em Rayssa surgiu a esperança de que talvez ele mudasse de idéia, mas foi cedo de mais. São cosmo se expandiu mais firme, e violento do que antes.
            – Não me diga como fazer as coisa, Escorpião. Se você quer realmente ficar no meu caminho, sofra as conseqüências!
            Ele correu mais uma vez em direção a Rayssa, mas ela já não queria perder muito tempo. Acertou um chute em seu estomago interrompendo sua corrida e gritou:
            – AGULHA ESCARLATE!
            Esse golpe fez um buraco no ombro direito da armadura, mas ele não caiu no chão e não gritou agonizando. Apenas recuou alguns passos, mas voltou a atacar com força total, o golpe foi veloz e certeiro na cara de Rayssa, fazendo com que seu elmo caísse no chão.
            Ele continuou a seqüência chutando seu joelho, fazendo com que ela caísse de joelhos. Mais um chute no rosto e fez com que ela caísse deitada. Roberto saltou com o a mão aberta de uma forma estranha revelando garras ao invés de unhas.
            – PRESAS SOLARES!
            A mão do filho de Apolo emanava um brilho intenso e as garras desciam diretamente para o peito da amazona.
            Mas ela rolou no chão bem a tempo de desviar no golpe. O que foi parcialmente um erro, ela foi salva, porém toda a estrutura do edifício tremeu com o impacto. Ao se levantar ela pôde ver um enorme buraco deixado pela mão de Roberto no local atingido. Com certeza mais um golpe como esse faria com que o prédio desmoronasse.
            – Preocupada com a segurança dos moradores desse prédio? – Perguntou Roberto que ainda estava ajoelhado no local do golpe.
            Rayssa não respondeu, mas não foi preciso, ela podia sentir um sorriso de triunfo se formar no rosto do seu adversário.
            – Vamos ver quantos golpes esse prédio ainda agüenta. PRESAS SOLARES!
            Ele saltou mais uma vez e voltava para o chão com uma velocidade maior que a anterior.
            Rayssa não podia deixar que ele atingisse seu objetivo, então se pôs no entre Roberto e o telhado do edifício.
            Ela tentou segurar a energia do golpe, mas era muito grande, seus braços explodiram em uma dor insuportável. Ela sabia que Roberto não diminuiria a pressão do golpe até que ela cedesse.
            – RESTRIÇÃO! – Gritou a amazona de Escorpião.
            O golpe psíquico teve o efeito esperado. Todos os músculos do filho de Apolo relaxaram e ele caiu no chão completamente paralisado. Rayssa se afastou um pouco para ver os estragos nos seus braços.
            A armadura estava completamente rachada, mais um golpe daqueles e a armadura e os braços da armadura se desintegrariam e seus braços seriam quebrados.
            – Você deu sorte, garota. Duvido que faça efeito de novo.
            Roberto correu até Rayssa. Mas a amazona pegou impulso com o punho direito e desferiu um golpe muito poderoso, que fez com que ele fosse atirado para o alto. Uma vez lá Roberto começou a planar e encarar a amazona. Ele desceu em alta velocidade, mas Rayssa já esperava por isso. Ela reuniu energia na palma da mão e disparou contra o rosto do filho de Apolo, que caiu mais uma vez.
            – Eu já lhe disse... Não importa quantas vezes tente, você não vai me derrotar! AGULHA ESCARLATE! – A quinta agulha foi desferida bem no meio da testa. – Você não tem como escapar agora. Seus sentidos vão começar a desaparecer a partir da próxima agulha.
            – Eu não vou deixar. – Disse o filho de Apolo.
            O cosmo de Roberto começou a explodir, de tal forma que começava aparecer inacreditável. Nunca alguém tinha recebido cinco agulhas e seu cosmo continuar aumentando de tal forma.
            Ele partiu pra cima de Rayssa mais uma vez, mas dessa vez os golpes estavam impossíveis de serem detidos.
            Com os punhos flamejantes Roberto atacou no rosto, nos ombros, nas pernas, no estômago, sem dar a menor chance da amazona se defender.
            – É o seu fim Escorpião! – Saltando mais uma vez, Roberto se preparou para mais um golpe. – PRESAS SOLARES!
            Estava vindo de novo, e Rayssa não tinha escolha a não ser sacrificar os braços para salvar as pessoas dentro do prédio.
            Roberto atacou os braços de Escorpião e, como previsto, a parte da armadura que protegia os braços explodiu, assim como os ossos do braço da amazona. A dor tomou conta do seu corpo.
            O filho de Apolo parou com o ataque e voltou ao chão com um sorriso maligno no rosto. Rayssa se ajoelhou, o movimento dos braços completamente neutralizado, uma dor desgraçada tomando conta do seu corpo.
            – Deixa eu te contar uma coisa. – Disse Roberto com humor na voz. – Você perdeu os movimentos dos dois braços em vão. As pessoas nesse prédio vão morrer.
            Dizendo isso o cosmo de Roberto começou a se elevar numa velocidade muito alta. E começava a ficar muito quente, a temperatura subia muito rápido.
            – Agora escute os gritos das pessoas lá em baixo! EXPLOSÃO INFERNAL!
            Uma onda de fogo estourou do corpo do filho de Apolo, mas não destruiu nada, o único efeito que teve foi queimar. Ele começou a queimar tudo o que via pela frente. Em instantes o fogo tomava conta de metade do prédio e o alarme de incêndio começou a soar.
            Os moradores dos apartamentos começaram a gritar. Rayssa olhou para baixo e, para seu alívio, viu que o edifício já estava sendo evacuado.
            Ela se virou para seu inimigo com o ódio estampado no rosto
            – Seu desgraçado! Você não tem coração?! AGULHA ESCARLATE!
            Rayssa levantou o braço para realizar o golpe sem ligar para os estalos dos ossos quebrados e a dor infernal que sentia a cada centímetro que subia. Ela disparou duas agulhas de uma só vez. Uma na perna esquerda e outra na região a cima da virilha.
            Logo depois ela se atirou contra Roberto e ambos caíram em queda livre do prédio.
            – AGULHA ESCARLATE!
            Mais duas agulhas foram disparadas contra o guerreiro. Uma na barriga e a outra na testa. Ele gritou de dor. Mas apesar disso ele abraçou Rayssa e ambos caíram juntos.
            – Você errou muito garota! Esse é o seu fim! BAFO DA SERPENTE!
            Uma fumaça podre começou a sair do corpo de Roberto e envolveu a ambos. Rayssa começava a ficar sem ar, não por causa da fumaça, mas ela tinha certeza que a fumaça estava recheada com um veneno de cobra.
            Seus sentidos começavam se apagar. Em instantes o barulho do vento não era mais ouvido, e ela não podia sentir o corpo de Roberto contra o dela. A última coisa que o seu tato pode perceber foi quando seu corpo atingiu o chão.
            Era o fim. Ela não teve força suficiente para acabar com filho de Apolo e agora o lar de dezenas de pessoas estava destruído.
            Ela abriu os olhos e olhou para o céu. “As estrelas são mesmo lindas... Pena que só reparei nisso agora.” Apesar de ser um pensamento triste ela sorriu. A última coisa que pôde ver foi uma estrela cadente indo em direção a Escorpião, depois disso o rosto de Soraya se projetou na sua frente e ela não pôde ouvir nada, ela apenas via a boca de sua amiga se mexer freneticamente.
            – Desculpa... Não consegui ser tão forte. Me perdoa... – Soraya se calou e uma lágrima caiu no rosto de Rayssa. A partir disso ela também chorou, por não conseguir sentir o toque da amiga, e nem suas próprias lágrimas. – Ei, pede pra todo mundo ser forte e segurar firme. Vocês vão conseguir sair dessa.
            Essa foi a última coisa que ela falou antes de sua visão e seu paladar apagarem.

domingo, 23 de outubro de 2011

Capítulo 13 - Raiva

Lizandra de Áries.

            Lizandra corria em alta velocidade ao longo do que lhe pareceu ser a Av. Padre Cícero. Depois da luta com Felipe, na qual ele havia lhe cegado ela havia ficado desnorteada, confusa e sem saber direito o que fazer. O que lhe ajudou a superar tudo isso foi à aparição de Erik no auditório. O poder que ele emanou naquele momento foi tão grande que mostrou para Lizandra outra forma de enxergar. Tudo que ela precisava era se concentrar no cosmo do adversário, e quase criava forma na sua frente, era como se ela voltasse a enxergar.
            Quanto ao que estava ao seu redor era tudo uma questão de aguçar o restante dos outros sentidos.
            Agora ela corria procurando por um adversário. Ou melhor, procurando pelo adversário. O único que ela queria enfrentar era Felipe. O garoto que seqüestrou Larissa, e que a fez ficar cega. Ele fez com que ela ouvisse a coisa mais aterrorizante que já experimentara. “TITIA!” O grito agudo que ela ouviu após o barulho de janelas se estilhaçando ainda era vivo em sua mente. E ele iria pagar por isso.
            E não só pela dor que ele causou a ela. Mas pela dor que causou a Lays, como se ela já não se preocupasse com coisas de mais.
            Ela parou sua corrida percebendo e estava parada em cima da linha do trem. Ela não soube por que mais alguma coisa a fez seguir o caminho da linha férrea. Ela então caminhou num passo rápido ao longo da linha. Ela não fazia a menor idéia de que horas eram, mas tinha certeza de que já passava da meia noite. Ela também não tinha certeza se o trem passava a essa hora, mas isso não tinha a mínima importância.
            Enquanto seguia ao longo da linha férrea ele notou o desaparecimento do cosmo de John, o que a preocupou, mas relaxou ao perceber a explosão do cosmo de Rafael e de Victon vindo do mesmo local, o que significava que ela não precisaria ir até lá para verificar.
            E depois de quase vinte minutos de caminhada, ela pôde sentir o cosmo familiar que tanto procurava. Estava parado bem na sua frente, ao se concentrar ela viu uma silhueta se formar na sua mente e teve certeza que o garoto da armadura de argolas estava bem na sua frente.
            – Até que enfim eu te encontrei. – Lizandra falou na direção daquele cosmo.
            – Pensei que eu tivesse te cegado. Como recuperou a visão? – Perguntou aquela voz calma.
            – Não seja tolo. Você está vendo que meus olhos estão fechados. – Rebateu Lizandra. – Eu só aprendi a enxergar sem precisar dos olhos.
            O silêncio pairou sobre os dois enquanto ninguém se mexia. Após alguns segundos Lizandra pôde sentir a aproximação lenta do inimigo. Quando eles estavam bem próximos, com um movimento rápido Lizandra lhe acertou um soco na cara. Ele não fez nada para se defender, mas se distanciou.
            – Então você não está blefando, é mesmo verdade. – O humor na sua voz era inconfundível. – Mas você acha mesmo que vai conseguir me derrotar? Mesmo que tenha aprendido a enxergar sem os olhos?
            – Porque você não vem e luta comigo pra descobrir?
            Felipe ficou parado por alguns segundos e em seguida partiu para cima de Lizandra com velocidade total desferindo uma seqüencia de chutes e socos. Lizandra, apesar da cegueira, pôde ver todos eles e desviar da maioria.
            Ele tentou desferir um chute na lateral do estomago de Lizandra, mas essa era a abertura da qual ela precisava. Ela segurou a perna que estava lhe atacando e lançou o inimigo no chão, ela sabia que ele rapidamente se levantaria, e assim foi feito, mas ele se levantou tonto e atordoado, o que foi a oportunidade perfeita para Lizandra. Com uma velocidade muito alta ela desferiu uma seqüencia de socos no seu estomago, sem dar a oportunidade de defesa.
            O último golpe foi o mais poderoso, veio recheado com uma camada forte de energia, que fez com que Felipe fosse jogado a alguns metros na linha férrea.
            Lizandra sentiu o olhar frustrado de Felipe se dirigir a ela. Ele caminhou alguns passos em direção ao seu inimigo, mas não se aproximou de mais. Ele continuava a observá-la sem proferir uma única palavra.
            – Como você faz isso? – Felipe finalmente falou. – Como consegue, mesmo sem enxergar, seu poder não diminuiu, muito pelo contrário, está diferente... Mais concentrado, mais poderoso...
            – Há boatos de que, na última geração, o cavaleiro de Virgem se privava de sua visão para concentrar mais o seu poder... Aquilo o deixava mais poderoso do que qualquer outro cavaleiro. O mesmo aconteceu comigo... Sem a visão, meu poder se concentra melhor, isso me deixa mais poderosa.
            – Ah é? Vamos ver se isso é realmente verdade.
            Felipe se levantou de um pulo e se pôs na posição do Megaman. Lizandra percebeu o que ele iria fazer, mas não se mexeu.
            – RAIO SOLAR!
            O raio de energia brilhante veio para cima dela a toda velocidade, mas ela não se mexeu quando ela estava próxima Lizandra conteve toda a energia do golpe entre suas mãos.
            – Fato sobre cavaleiros: Não se usa o mesmo golpe mais de uma vez!
            Dizendo isso ela descarregou a energia armazenada de volta para seu criador, que recebeu o impacto do golpe com potência total, ao que parecia a surpresa por Lizandra ter, não só segurado o seu golpe, mas também voltado contra ele, o deixou paralisado de mais para se defender.
            – Vamos lá, se levante. Eu sei que esse golpe não é o suficiente para acabar com você! – Gritou Lizandra para seu inimigo caído.
            Ele tremeu e se levantou. Lizandra podia sentir que seu cosmo, apesar dos danos sofridos continuava, não só o mesmo, como teve um leve aumento, talvez pela frustração, ou raiva.
            – Isso é impossível. – Felipe falava mais consigo mesmo do que com Lizandra. – Como ela conseguiu fazer isso?
            – Não fique tão impressionado... Porque não se levanta e continua tentando me atacar?
            Ele então se ergueu e voltou a tentar um combate corpo a corpo. Só que esse era diferente do anterior, seus punhos emanavam um brilho intenso e perigoso. A chuva de golpes que se seguiu foi complicada de evitar, alguns golpes até chegaram a queimá-la.
            Houve um momento em que se tornou impossível se defender, os golpes fizeram com que ela caísse de joelhos no chão, enquanto Felipe socava agressiva e continuamente suas costas.
            A raiva por tudo que aquele sujeito a fez passar transbordou tão rápido quanto à chuva de socos que era desferido sobre ela.
            Houve um momento de espera então a aura branca de Lizandra começou a tomar conta de seu corpo, e, com um grito, ela explodiu seu cosmo. O impacto fez com que Felipe fosse atirado mais uma vez, mas, antes que ele pudesse atingir o chão, Lizandra se levantou, saltou com o dedo indicador levantado e gritou:
            – REVOLUÇÃO ESTELAR!
            A energia gerada pelo poder da técnica tomou a forma de milhares de estrelas, e com o comando de Lizandra foi atirado para cima do filho de Apolo. Que recebeu o impacto com potencia total.
            Seu corpo agora estava tremendo e sangrando. Por um instante ele teve dificuldades de se pôr de pé, mas conseguiu fazê-lo.
            Lizandra caminhou lentamente até seu inimigo. Que a olhava atentamente.
            – Está doendo? – Perguntou Lizandra. – Você pensa que essa dor que você sente se compara a dor que eu senti quando você seqüestrou Larissa? Ou melhor, você acha que essa dor que você sente se compara com a que minha amiga Lays, irmã de Larissa, sente? – Ele não respondeu. – Você não sabe o que é a dor.
            Lizandra levantou a mão com os dedos indicador e médio erguidos, pronta para cegar o seu oponente, mas uma mudança no ambiente fez com que ela parasse.
            O chão estava começando a tremer, mas isso não era causado por Felipe, Lizandra podia sentir que ele estava tão confuso quanto ela. Mas então a verdade tomou conta dela. E era obvio. Eles estavam em cima da linha férrea, pelo jeito o trem realmente passava de madrugada, e ele estava vindo na direção deles agora.
            Lizandra não perdeu tempo, partiu para cima do trem, passando pelo seu adversário.
            – Aonde você pensa que vai?! – Gritou Felipe quando ela passou por ele. – Onde?!
            Lizandra podia sentir que as vibrações no chão ficavam mais fortes à medida que se aproximava. Quando julgou suficiente ela saltou para pousar no teto do trem. Ela não teve muita dificuldade para se equilibrar.
            Depois de alguns segundos a voz de Felipe chegou aos seus ouvidos.
            – Muito inteligente da sua parte. – Ele falou. – Por um instante pensei que você estivesse fugindo.
            – Fugindo? De você? – Disse Lizandra sarcasticamente. – Não me faça rir! Você não está em posição de tirar onda da cara de ninguém, é você quem está ferido!
            Lizandra pôde sentir a raiva dando forças a Felipe. Ele veio para cima dela com tudo. A batalha foi violenta, nenhum dos dois se entregava. Porém Lizandra não usava de todo o seu poder, ela meio que brincava com seu inimigo, apenas para frustrá-lo.
            Em meio à troca de socos Lizandra se lembrou do que estava para fazer antes do trem interrompê-la. Desviando de um soco com uma tapa, ela segurou firme no pescoço de Felipe e disse:
            – Vou continuar o que eu estava prestes a fazer.
            Dizendo isso ela ergueu novamente os dedos e atirou-os contra os olhos de Felipe que por sua vez berrou de dor. Lizandra pode sentir o sangue espirrando em seu rosto. Ela então o jogou de volta no teto do trem, se contorcendo e berrando.
            – Ótimo. – Disse ela por cima do barulho dos trilhos. – Agora estamos lutando de igual para igual. Talvez nem tanto. Vamos levante-se e lute! Você não se julga tão capaz de acabar comigo.
            Risadas maléficas saíram da boca de Felipe e Lizandra pôde sentir que ele se levantava lentamente.
            – Tem razão... Não é tão complicado assim... – Disse ele. – Você é realmente uma amazona poderosa, garota.
            – Porque você diz isso agora? – Perguntou Lizandra.
            – Sua cosmo-energia é realmente formidável, agora eu entendi como é enxergar sem os olhos. Vamos ver como eu me saio num combate corpo a corpo.
            Ele partiu para cima de Lizandra. Eles rolaram para o final do vagão e Felipe segurou o pescoço de Lizandra de forma que ele ficasse pendurado na borda.
            – Agora, você está derrotada! Com apenas um movimento eu quebro seu pescoço!
            O erro dele foi parar para conversar, o que deu tempo suficiente para Lizandra reunir um pouco de energia na palma da sua mão e descarregá-lo no estomago de Felipe, que foi jogado para trás.
            Lizandra esfregou um pouco o pescoço que estava dolorido por causa do aperto.
            Agora a coisa tinha ficado seria. Lizandra não havia pensado na possibilidade dele aprender a enxergar sem os olhos numa velocidade tão surpreendente. E o que é pior, ele havia entendido como usar a cegueira como uma forma de deixar seu cosmo mais poderoso. Ela não poderia mais brincar.
            Ele se levantou um pouco atordoado e Lizandra não perdeu tempo, antes que ele pudesse se reerguer totalmente ela flutuou até ele e desferiu um soco na cara, quando pegava impulso para desferir o segundo, ele se abaixou, evitando do golpe. Ele saltou, girou e desferiu um chute no rosto de Lizandra, que evitou com o braço esquerdo, reuniu um pouco de energia e, mais uma vez, descarregou-a no estomago do inimigo. Ele recuou, mas não foi ao chão.
            Lizandra começou a sentir o cosmo de Felipe aumentando numa velocidade inumana. Ele agora corria na direção de Lizandra. Ele a empurrou e juntos eles caíram do trem. Ela ficou um pouco tonta e atordoada e ao que parecia ele havia caído perfeitamente em pé.
            – Então uma mesma técnica não funciona num cavaleiro? Vamos tentar uma coisa diferente.
            Ele então segurou Lizandra pelo pescoço e a ergueu. Seu cosmo foi dirigido para as pernas e eles levantaram vôo. O ar começava a ficar mais frio e rarefeito Lizandra tinha dificuldade para respirar. Então o poder dele começou a esquentar e queimar o corpo de Lizandra aos poucos.
            – SUPER-NOVA SOLAR!
            Uma enorme explosão começou a se formar no interior de Felipe e começou a se expandir.
            – Ficou louco?! Nós dois vamos morrer!
            – Não minha cara... Eu sou um filho de Apolo, não posso morrer por meio de fogo... A única que vai morrer aqui é você!
            Antes que Lizandra pudesse gritar a dor tomou conta de seu corpo. E uma grande explosão foi emanada.
            Cada parte do corpo de Lizandra foi queimada e ardia como nunca antes, ela tinha certeza de que só estava viva graças à proteção da armadura de ouro ela teria morrido.
            Lizandra pôde sentir a mão de Felipe afrouxando o aperto e soltando-a. Ela começou uma queda livre o ar tampava completamente seus ouvidos, a única coisa que ela podia ouvir era o vento.
            “Não acabou! Não enquanto eu estiver respirando! Lays está lá, enfrentando o mundo pela sua irmã, ela não vai desistir assim tão fácil, e eu também não!
            Esse pensamento deu forças extras para Lizandra, seu cosmo agora brilhava intensamente. O poder que ela gerou foi tão imenso que ela sentiu que podia fazer qualquer coisa.
            Com um movimento rápido ela se virou e entrou em posição de pára-quedismo. Planando ela se concentrou um pouco e se tele transportou para onde o cosmo de Felipe estava. Ela caiu com um baque surdo no chão e pode ouvir a voz do filho de Apolo.
            – Como você sobreviveu?
            – Eu não vou morrer enquanto não te derrotar.
            – Tola! Você acredita mesmo que vai me fazer pagar pelo seqüestro daquela garotinha idiota?! – Gritou ele. – Você nunca vai conseguir! Sabe por quê? Porque você é fraca!
            Ódio. A raiva que ela sentia se transformou num ódio que transpareceu tanto no seu rosto quanto no seu cosmo, que brilhava mais do que nunca. Ela sentiu Felipe ficando paralisado.
            – Eu sou fraca? – Perguntou ela contendo um grito. – Como você pode dizer isso? Você não sabe pelo que eu passei para dizer que eu sou fraca! O único fraco aqui é você. Que nunca soube e nunca vai saber o que é a dor real... Você nunca perdeu alguém que você ama! Aliás, eu não sei se você é capaz de amar alguém!
            O cosmo de Lizandra ardia intensamente como nunca havia acontecido, sua aura estava completamente brilhante e plena. E a coisa mais incrível aconteceu com ela, o cosmo estava tão poderoso que ela pôde sentir sua visão voltando.
            Ela se deu ao luxo de abrir os olhos e pôde vê-lo se aproximando.
            – Cale a boca! SUPER-NOVA SOLAR!
            – MURALHA DE CRISTAL!
            Lizandra construiu quatro paredes em volta dele, e a explosão foi contida dentro de um cubo. Ela pode ouvir o grito de frustração de Felipe em meio à fumaça que foi gerada pelo ataque.
            Se arriscando um pouco, Lizandra baixou as muralhas que envolviam Felipe e pôde vê-lo com os olhos fechados e com uma aparência grotesca de quem havia chorado sangue.
            – Viu? Você é o único fraco aqui.
            – Você... Pelo que você luta? – Ele perguntou com a voz fraca. Lizandra pôde sentir seu cosmo enfraquecendo.
            – Para proteger. Não só aqueles que eu amo, mas o resto do mundo, pra que as pessoas possam viver suas vidas e consigam realizar seus sonhos...
            – Você dá sua vida pela de pessoas que você nem conhece? – Perguntou ele com humor na voz. – Tola...
            Lizandra se limitou a olhá-lo. Correu até ele e acertou um chute na sua cara, que o fez cair de bruços no chão.
            – EXTINÇÃO ESTELAR!
            As estrelas envolveram o corpo de Lizandra e, transformando-se numa enorme galáxia foi lançado para o corpo de Felipe envolvendo-o. Com uma grande explosão o corpo de Felipe foi desintegrado.
            Acabou. Lizandra foi acalmando o seu cosmo e, à medida que ele ia diminuindo, sua visão ficava turva até que escureceu completamente e sua cegueira voltou.
            Ela caminhou até a calçada e se sentou. Cada parte do seu corpo tremia, mas ela se sentia satisfeita. Ela havia conseguido destruir Felipe e, como bônus, seu cosmo ganhou um grande poder, o que fazia dela uma amazona mais poderosa do que antes.
            O cansaço físico estava acabando com ela, tanto que ela não conseguiu dar à devida atenção a explosão do cosmo de Rayssa que ela sentiu vindo de algum lugar ao leste. Ela simplesmente se deitou e dormiu.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Capítulo 12 - Calor

Victon de Câncer

            Victon desviou de um soco de Emmanuel, o segurou pelo pescoço e o atirou no chão, apontando o dedo indicador da mão livre em direção a Emmanuel ele gritou:
            – ONDAS DO INFERNO!
            Uma luz azul saiu da ponta do seu dedo e envolveu Emmanuel, que estremeceu e desmaiou.
            Logo em seguida Victon olhou para Rafael e disse:
            – Boa sorte, cara. – Dizendo isso ele próprio desmaiou.
            Ele pôde ver toda a cena de cima. Viu seu próprio corpo caindo no chão e Rafael conversar um pouco com Alberto antes dos dois se engalfinharem numa luta violenta. Ele então se concentrou e direcionou seu espírito para a estrela central da constelação de Câncer, que era conhecida como Sekishiki, o portão de entrada para o mundo dos mortos.
            Chegando lá ele pousou e pôde ver a conhecida cadeia de montanhas que cercava o Yomutsu Hirasaka, uma enorme cratera no chão que levava todos as pessoas mortas para o mundo dos mortos.
            Ele olhou em volta e não conseguiu captar o menor sinal da presença de Emmanuel. Então ele correu até a colina do Yomutsu. Ao se aproximar pôde ver Emmanuel olhando para a cratera.
            – Aonde nós viemos parar? – Ao que parecia ele sentiu a presença de Victon, pois não precisou se virar para soltar a pergunta.
            – A minha técnica nos trouxe para o Sekishiki. E você está olhando diretamente para a entrada do mundo dos mortos.
            – Quer dizer que todas essas pessoas... – Disse ele apontando para a enorme fila de pessoas que se dirigia para o buraco – Estão mortas?
            – Sim.
            – E porque elas se dirigem para o buraco e simplesmente se jogam? Porque elas não tentam voltar?
            – Elas estão mortas. Passariam a eternidade agonizando nesse lugar se não se jogassem. Elas não têm escolha.
            – Você quer dizer que nós ainda não morremos? – Perguntou Emmanuel se virando.
            – Não. Eu trouxe nossos espíritos para cá para te separar de Alberto e te derrotar aqui. A única coisa que nos prende nesse lugar é o meu poder.
            – Então, derrotando você, meu espírito retorna para o meu corpo, que está na terra?
            – Exato.
            Os dois se encararam por alguns segundos e Emmanuel correu em disparada na direção de Victon. Os dois, então, iniciaram uma luta violenta e equilibrada. Victon sempre fora muito bom com os combates corpo a corpo, então não estava tendo nenhuma dificuldade com aquilo.
            À medida que a luta prosseguia a intensidade do poder utilizado pelos cavaleiros aumentava, em questão de segundos ambos tinham seus punhos brilhando.
            Mas Emmanuel parecia cansado. A batalha contra John o havia esgotado, as sessões de cura com Alberto tinham curado todas as feridas do seu corpo, mas não o seu estado físico.
            Victon aproveitou essa vantagem que começou a atacar com mais velocidade. E deu certo. As defesas de Emmanuel já não serviam para muita coisa, todos os golpes desferidos por Victon eram precisos e fatais. Ele acertou um soco na cara de Emmanuel que o atirou para perto do buraco.
            – Nunca pensei que seria tão fácil te derrotar. – Dizia Victon enquanto caminhava lentamente na direção de Emmanuel. – Você agora vai cair nesse buraco e eu nem cheguei a suar.
            Mas antes que Victon pudesse se aproximar mais Emmanuel, com uma velocidade impressionante, se levantou e encostou a palma da mão no rosto de Victon.
            – PESTE SOLAR!
            A ponta do nariz de Victon começou a pegar fogo. Uma queimação insuportável que começava a se alastrar.
            – O que foi isso?
            – A Peste Solar? Em parte foi assim que o seu querido Johnzinho morreu. É uma doença. Eu represento as pragas e doenças. Essa queimação no seu nariz vai se alastrar, e quando tiver tomado conta de todo o seu corpo você morre.
            – Então é uma doença como outra qualquer?
            – Sim.
            Victon então sorriu para Emmanuel. Que olhou para ele com cara de assustado.
            Ele então se concentrou e sua aura azul tomou conta do seu corpo, e foi aumentando e ficando cada vez mais quente. Bolas de fogo azul começavam a girar em torno dos dois cavaleiros.
            – O que significa isso?! – Gritou Emmanuel.
            – Isso é fogo de raposa. – Explicou Victon. – Sua doença como outra qualquer, não suportaria sobreviver em altas temperaturas, mesmo sendo uma doença solar, eu só preciso deixar a temperatura do meu corpo mais alta do que a do vírus.
            Emmanuel olhava com os olhos arregalados para Victon, que já podia sentir a doença deixando o seu corpo. A compreensão se misturou ao semblante surpreso de Emmanuel.
            – Então foi assim...
            – O que você disse? – Perguntou Victon.
            – John conseguiu parar a peste solar, mas não conseguiu destruí-la.
            – Isso foi porque a temperatura do seu corpo foi praticamente à mesma da doença. Como a minha está superior, eu consegui aniquilá-la.
             Victon conseguia sentir o alívio, a queimação passando. Mas foi por pouco tempo, pois Emmanuel já vinha em sua direção com os punhos pegando fogo, um dos golpes ele conseguiu acertar no rosto de Victon, que ficou com uma queimadura feia.
            Victon tentava desviar dos golpes mais a velocidade estava muito alta. Foi acertado por uma grande seqüencia, e até os socos desferidos na armadura queimavam sua pele.
            – O calor nos meus punhos vai atravessar sua armadura, não importa que ela seja de ouro. Sua pele ficará toda queimada.
            Victon podia sentir, agora havia poucas partes do seu corpo que não estavam queimadas, mas ele não iria desistir. Pegando um enorme impulso com o punho direito desferiu um golpe no rosto do inimigo, ao mesmo tempo em que ele acertava um em seu peito. Ambos foram atirados para longe.
            – Porque você ainda resiste? – Perguntou Emmanuel se levantado. – Seu corpo está queimado, Você está começando a se cansar, desista!
            – Você está me pedindo pra desistir?! – Gritou Victon com raiva. – Você matou um dos meus melhores amigos e tem coragem de me pedir para desistir?! Você é um idiota!
            – Então venha, e morra!
            A raiva de Victon o impulsionou. Sua raiva fez com que o seu cosmo ficasse mais concentrado e mais poderoso.
            Ambos se engalfinharam numa luta sangrenta mais uma vez, só que essa não estava tão equilibrada. Victon desviava de todos os golpes de Emmanuel. Depois de tanto se esquivar Victon decidiu atacar. Quando seu inimigo apontou um soco para sua cara. Ele segurou o soco com uma das mãos.
            – Agora você vai pagar! – Gritou Victon. – CHAMAS DEMONÍACAS AZUIS!
             O fogo azul saiu da mão de Victon e começou a tomar conta do corpo de Emmanuel que começara a agonizar e gritar.
            – Que merda é essa?!  - Gritava ele.
            – Essas são as Chamas Demoníacas Azuis. Não é muito diferente do fogo de raposa que eu usei há pouco tempo. A única diferença é que esse fogo se alimenta de almas, e você nesse exato momento é uma alma. Você não tem mais saída.
            Emmanuel gritava cada vez mais. O fogo já o cobria por inteiro o corpo do filho de Apolo.
            Victon estava virando de costas e se preparando para voltar ao seu corpo, pois sabia que Emmanuel não duraria mais do que alguns segundos, mas seu inimigo simplesmente parou de gritar e Victon pode sentir a explosão do cosmo do seu inimigo.
            Ao se virar ele encontrou as chamas, que antes eram azuis, estavam como chamas alaranjadas normais. O olhar de Emmanuel era cansado, porém transbordava raiva.
            – Como você fez isso? – Perguntou Victon. Ele não estava muito surpreso. A essa altura da batalha ele não se surpreendia com nada.
            – Você acha mesmo que pode me derrotar com fogo? Eu represento Apolo, deus mitológico do sol! Você nunca iria me derrotar usando fogo.
            Victon não estava surpreso, mas estava frustrado. Um dos seus maiores artifícios não havia funcionado, agora não restavam muitas opções para ele.
            Emmanuel agora corria em sua direção se preparando para mais uma chuva de golpes, mas aquilo não decidiria a batalha, pois ambos estavam cansados e ambos eram bons em combate corpo a corpo.
            Você tem que pensar num jeito rápido de jogá-lo no Yomutuso. Mas como?” Victon, então, se deixou levar pelo combate, mais uma troca de socos inútil que só serviria para cansá-los.
            Essa batalha toda será inútil se eu não pensar em algo logo, o esforço para segurar nossas almas aqui está me deixando lento, mas eu não posso arriscar voltar, se Rafael ainda não tiver derrotado Alberto trazê-lo aqui se tornaria uma perda de tempo e energia.
            Os pensamentos de Victon foram interrompidos por uma reviravolta na luta. Graças ao seu desligamento, Emmanuel conseguiu dominá-lo rapidamente, os golpes eram fortes e fizeram com que Victon caísse no chão. Porém, antes de atingir o chão, Emmanuel segurou-o pelo braço e o atirou em direção ao Yumutsu Hirasaka.
            Por muito pouco Victon não caía lá dentro.
            – Então, isso encerra nossa luta. Adeus... Victon de Câncer.
            Dizendo isso Emmanuel lançou um chute nas costelas de Victon fazendo com que caísse no buraco.
            Mas Victon previu que isso ia acontecer e se segurou na borda da cratera. Depois pegou impulso e se lançou no céu, e de lá observou Emmanuel fazer uma cara de revolta e frustração.
            – Não será o suficiente! ONDAS DO INFERNO!
            O raio azul e brilhante atingiu Emmanuel no estomago, que foi atirado a vários mestros de onde estava.
            – Confesso que nunca havia usado essa técnica já estando dentro do Sekishiki. Pelo jeito ele se torna um tipo de ataque bruto, como os que John usava.
            – Idiota. – Disse Emmanuel se levantando. – Quando vai se dar conta de que não conseguirá vingar o seu amigo?!
            Ele se levantou de um salto e flutuou em direção a Victon, que não teve tempo de uma reação.
            – Falando nisso, vou descarregar minha raiva de John toda em cima de você! Eu cheguei a mencionar que ele quebrou todos os meus ossos?
            Dizendo isso ele segurou o braço direito e Victon e o entortou. A dor que se seguiu foi enorme, mas ele conseguiu agüentar, porém perdeu completamente os movimentos do braço direito, que pendeu inutilizado num ângulo estranho.
            – Esse é o primeiro! Se prepare para o resto!
            Um braço a menos já é muita desvantagem, não posso deixá-lo quebrar mais nada.” Ele soube o que fazer no exato momento em que viu Emmanuel vindo mais uma vez em sua direção.
            Usando o braço bom, ele parou a aproximação do filho de Apolo pondo a mão em seu pescoço e apertando bem firme.
            – Você pensou que quebrando meus ossos me impediria de lutar contra você? Tolo!
            Dizendo isso Victon caminhou lentamente até a ponta do Yomutsu e ergueu Emmanuel em cima do buraco.
            – Isso é um adeus, filho de Apolo.
            – Ainda não! PRAGA SOLAR!
            Dizendo isso Emmanuel abriu os braços e a coisa mais estranha aconteceu. Vários gafanhotos flamejantes saíram de suas mãos e boca e começaram a atacar Victon, que soltou Emmanuel e cobriu o rosto para tentar se proteger.
            Aparentemente Emmanuel tinha conseguido se segurar na borda do Yomutsu, pois, depois de alguns instantes, ele falou:
             – Impressionado? Eu mesmo criei essa técnica. Me inspirei nas dez pragas do Egito. Esses gafanhotos queimarão sua pele, e, depois de tostada, eles a devorarão, como se fosse churrasco. – Ele ria psicoticamente.
            Victon começava a sentir sua pele queimando e as mordidas de alguns gafanhotos. Ele começava a se desesperar. Não havia como acabar com aquelas coisas, elas eram muitas.
            Calma, rapaz. Você consegue sair dessa. Não deve ser tão difícil!
            E foi pensando isso que Victon encontrou a solução. Seu cosmo começou a adquirir o brilho azul. E os gafanhotos em volta do seu corpo começaram a se distanciar.
            – Meros insetos não serão o suficiente para de salvar! SEPULTURA DAS ALMAS!
            Um circulo de fogo azul cercou Victon e Emmanuel formando um tipo de arena. E todos os gafanhotos foram envoltos por bolas de fogo de raposa azul. Com isso elas pararam de atacar e morreram queimados, virando pó.
            – O que você fez?
            – Mais fogo de raposa...
            – Não se faça de tolo. Qualquer um pode sentir que esse é diferente do que você fez antes! – Gritou Emmanuel frustrado.
            – É porque o primeiro que eu usei estava se alimentando apenas da sua alma. Esse está se alimentando de todas as almas presentes no Sekishiki.
            Ao olhar para a fila de mortos Emmanuel viu que elas estava queimando, e o fogo era mandado como energia para a ponta do dedo indicador esquerdo de Victon. Mas isso não impedia que eles continuassem se jogando.
            – Agora é a sua vez de queimar! – Gritou Victon, direcionando o fogo de raposa para Emmaneul.
            – Tolo! Eu já disse que você não pode me matar com fogo.
            Ele expulsou todo o fogo de raposa do seu corpo, substituindo-o por chamas vivas e alaranjadas.
            – Eu sei disso. Isso foi só uma distração. ONDAS DO INFERNO!
            O impacto do golpe atingiu Emmanuel em cheio no estomago, fazendo com que ele fosse atirado dentro do Yonutsu Hirasaka.
            Victon correu até a borda da cratera e pôde ver o filho de Apolo gritando e se contorcendo enquanto era sugado pela escuridão.
            Acabou. Finalmente tinha acabado. Victon se jogou no chão e ficou assim por alguns segundos. Seu braço doía tanto quanto sua cabeça. O cansaço físico que a batalha tinha causado era enorme, então, antes que ele dormisse naquele local, ele apontou seu dedo para cima e deixou que seu espírito retornasse para o corpo.
            Victon respirou fundo e aspirou o cheiro de vida que havia no ar, que era bem diferente do cheiro de morte e podridão contida no Sekishiki. Ele se sentou, por um segundo esqueceu do seu braço quebrado e tentou se apoiar nele. A dor foi insuportável e fez com que ele gritasse.
            – Graças a Deus! – Ele ouviu a voz de Rafael se aproximando. – Você está muito ferido?
            – Meu corpo está completamente queimado e meu braço direito está quebrado, mas eu vou ficar bem. E você.
            – Muitos cortes e hematomas, minha mão esquerda foi atravessada por uma espada e não se mexe, mas eu vou ficar bem.
            Victon estava feliz em ver que Rafael havia vencido. O brilho no corpo de Emmanuel chamou suas atenções, ele brilhou e depois se transformou em poeira estelar.
            – Vem, me ajuda a levantar.
            Rafael ajudou o amigo a se levantar e ambos andaram em direção ao corpo pálido de John. Victon o olhou por alguns segundos. Não conseguiu impedir as lágrimas de caírem.
            Ele se ajoelhou e pôs a mão no peito do amigo.
            – Nós vencemos Johnzão. Você foi vingado...
            E em algum lugar, Victon teve a certeza de poder ouvir o “Muito brigado, caras.” Dito por Jonh.

domingo, 16 de outubro de 2011

Capítulo 11 - Amizade

Rafael de Libra

            “John!”. Rafael parou sua corrida. E olhou para o céu. Ele pode sentir a explosão do cosmo se John. O cosmo havia se tornado agressivo, desesperado por alguma coisa. E, de repente, enfraqueceu. Se continuasse nesse ritmo com certeza desapareceria.
            Rafael deu meia volta e correu na direção em que sentia o cosmo de John começar a desaparecer. Ele não deixaria John morrer, não agora.
            Na hora em que ele se preparava para virar uma esquina ele deu um encontrão com alguém.
            – Olha por onde anda Rafael! – Falou Victon com desespero na voz.
            – Você também sentiu, não foi?
            Ele fez que sim com a cabeça e os dois não precisaram dizer mais nada. Juntos, correram em disparada para onde o cosmo de John estava. Após alguns segundos de corrida perceberam que ele estava na praça da prefeitura.
            Ao chegaram lá Rafael presenciou a cena mais perturbadora de sua vida.
            O prédio da prefeitura ardia em chamas e em frente ao incêndio John estava de joelhos, com uma estranha lança cravada em seu peito. Um cavaleiro se aproximou falou algumas palavras e puxou a lança. O cavaleiro começou a se distanciar enquanto John olhava diretamente para ele e Victon enquanto caia no chão.
            Ambos correram até ele. E se ajoelharam. Rafael deitou a cabeça de John em suas mãos e o observou, ele estava com uma aparência horrível. Sua pele tinha um tom anormalmente vermelha, sua visão estava sem foco e havia um buraco enorme e feio onde o cavaleiro o havia acertado.
– John, cara. Por favor, agüenta. – Dizia Rafael.
            – Não cara – John falava com a voz fraca. – Acabou, é o fim pra mim.
            – Não, você consegue sobreviver, é só agüentar um pouco, cara. – Victon tinha um profundo desespero na voz.
            Rafael sabia tanto quanto Victon que era uma esperança perdida, John já havia perdido muito sangue, era uma questão de segundos.
            – Por favor, chutem o rabo desses desgraçados no meu lugar. – Eles simplesmente fizeram que sim com a cabeça, já haviam aceitado que era o fim. – E, por favor, cuidem do meu irmão, protejam-no. É só isso que eu peço.
            – Tudo bem, cara – Dizia Rafael com lágrimas nos olhos.
            – Agente vai cuidar do seu irmão, não se preocupa. – Disse Victon.
            – Ei, caras. – John fez mais um esforço para estender a mão. – Foi boa. Até a próxima.
            Os dois seguraram a mão de John ao mesmo tempo, e sentiram-na fazer uma força antes de ficar gelada e imóvel.
            Rafael começou a chorar e as lágrimas desceram para o rosto de John. Victon se levantou, pegou o elmo de John e pôs em cima do ferimento. Eles se encararam por um instante e depois olharam para o céu.
            Uma estrela cadente voou em direção a constelação de Touro.
            – Sinto muito pelo seu amigo. – A voz de Alberto chegou até os meninos. – Ele poderia ter evitado. Mas não quis desistir da luta. Nós avisamos que lutar seria em vão.
            – Cale a boca. – Victon falou, se levantando lentamente. Ele já havia parado de chorar, a única expressão que tomava conta do seu rosto era a fúria. – Ele morreu como um herói.
            – Tem certeza disso? – Perguntou Emmanuel, com um sorriso no rosto. – Nós ainda estamos vivos. Ele morreu em vão.
            Victon virou de costas e saltou em direção a Emmanuel, na intenção de lhe acertar um soco na cara, ele seria impedido por Alberto, que preparava o seu bastão. Mas uma onda de energia saída da mão de Rafael o acertou, impedindo Alberto de ajudar Emmanuel, ele recebeu o golpe.
            – Ele... Não... Morrerá... Em... Vão.  – A cada palavra pronunciada, Victon desferia um golpe. No final da seqüência Emmanuel estava no chão, sangrando e ofegante.
            – Então você também quer ter o mesmo destino que Johnzinho? Certo. Vocês escolheram.
            Ele se levantou de um pulo e começou uma intensa troca de golpes com Victon. Rafael se levantou na intenção de ajudá-lo, mas foi impedido pela chegada de Alberto.
            – Emmanuel tem razão. – Disse ele. – Lutar contra nós é inútil.
            Dizendo isso ele tentou golpear Rafael com sua lança. Rafael desviou com habilidade de cada golpe, que era cada vez mais violento, e mais rápido. Houve um momento que os golpes ficaram tão velozes que Rafael não conseguia mais desviar deles, mas o escudo no seu braço esquerdo, que fazia parte da armadura de Libra, o protegeu.
            – Você não pode se esconder atrás desse escudo para sempre! – Gritava Alberto.
            – Você tem razão, hora de partir para o ataque!
            Rafael desviou mais um golpe da lança com o escudo e, antes que Alberto desferisse outro, acertou um soco no seu estomago, e começou uma chuva de golpes. No rosto, no estomago, nas pernas, onde ele encontrava abertura ele golpeava.
            A aura verde de Rafael começou a aparecer enquanto ele elevava o seu cosmo.
            – COLERA DO DRAGÃO!
            Uma onda de energia tirou Alberto do chão e fez com que ele caísse de cabeça na volta. O sangue explodiu e encharcou o chão.
            Alberto se levantou lentamente, o pouco cabelo que ele tinha estava vermelho por causa do sangue. Ele pegou o bastão fez alguns movimentos na própria cabeça. O sangue lentamente foi voltando para a cabeça e o ferimento foi cicatrizando até que não havia mais nenhum sinal do golpe que ele havia levado.
            – Agora você entendeu porque não pode me vencer?
            Assim que ele terminou de falar Victon atirou Emmanuel contra ele. Ambos caíram no chão. O braço direito de Emmanuel pendia num ângulo grotesco. E assim como Alberto fez com sua cabeça ele fez com o braço do companheiro. Houve um som assustador de ossos estalando e depois de gritar um pouco o braço de Emmanuel estava de volta no lugar.
            Victon correu até Rafael.
            – Nunca vamos derrotá-los enquanto eles estiverem juntos. – Disse Refael.
            – Tem razão. Eu sei o que fazer.
            Dizendo isso ambos correram juntos em direção aos inimigos.
            Victon desviou de um soco de Emmanuel, o segurou pelo pescoço e o atirou no chão, apontando o dedo indicador da mão livre em direção a Emmanuel ele gritou:
            – ONDAS DO INFERNO!
            Uma luz azul saiu da ponta do dedo de Victon e envolveu Emmanuel, que estremeceu e desmaiou.
            Logo em seguida Victon olhou para Rafael e disse:
            – Boa sorte, cara. – Dizendo isso ele próprio desmaiou.
            – O que foi isso que ele fez? – Perguntou Alberto, se livrando do aperto que as mãos de Rafael faziam em seu pescoço.
            – Nesse exato momento eles devem estar travando uma batalha num lugar em que você não conseguirá chegar.
            – Não seja tolo! Seus corpos ainda estão aqui!
            – Não foram seus corpos que saíram do lugar, foram suas almas. Victon as levou até o Sekishiki.
            – O portão de entrada do mundo dos mortos? – Alberto arregalou os olhos.
            – Exatamente, você não conseguira chegar até lá para ajudar o seu amiguinho, não é? – Perguntou Rafael, sorrindo.
            Alberto agora era puro ódio. O que só provava que ele era o único motivo de John não ter conseguido acabar com Emmanuel. Ele partiu para cima de Rafael com potencia total.
            Rafael não teve nenhuma dificuldade em esquivar dos golpes, tanto que nem precisou usar o escudo de Libra. Ele estava começando a achar aquilo tudo uma grande palhaçada, então deu um pequeno empurrão em Alberto e:
            – COLERA DO DRAGÃO!
            Ele direcionou o golpe mais uma vez para o queixo de Alberto, mas o que ele fez surpreendeu Rafael mais do que tudo. Ele jogou o bastão da mão direita para a esquerda e com a direita absorveu toda a potencia do golpe. Ambos se encararam.
            – Como você fez isso? – Perguntou Rafael assustado.
            – Como vocês cavaleiros dizem: “O mesmo golpe não funciona duas vezes contra um cavaleiro” e isso também se aplica aos filhos de Apolo. Mas confesso que doeu bastante. – Dizendo isso ele fez mais alguns movimentos com o bastão em direção a mão direita. – Ah... Bem melhor. Agora, você morre.
            Ele partiu para cima de Rafael mais uma vez e eles entraram numa batalha violenta. Rafael sabia que não adiantaria atacar agora, pois qualquer ataque faria com que Alberto se distanciasse dele, o que o daria tempo suficiente para se curar usando o seu bastão.
            “É isso! Eu tenho que separar Alberto do bastão, então ele não poderá se curar.
            Rafael então usou o próximo golpe de Alberto em seu beneficio. Quando o bastão veio em direção ao seu rosto, Rafael o segurou com as duas mãos, saltou e chutou o tórax de Alberto com os dois pés, isso fez com que Alberto fosse atirado para longe, mas o seu bastão continuasse na mão de Rafael.
            Com isso, Rafael atirou o bastão no prédio da prefeitura em chamas.
            – Acabou pra você, sem o seu bastão você não pode mais se curar, agora você morre.
            Alberto sorriu para Rafael, que o ignorou. Alberto se levantou e ambos correram na direção um do outro. Rafael foi mais esperto que Alberto, em vez de pegar impulso para um soco, ele simplesmente esperou ficar próximo o suficiente, quando isso aconteceu, Rafael segurou firme no pescoço de Alberto, enforcando-o.
            – Você disse que o mesmo golpe não funciona duas vezes contra um filho de Apolo, certo. Então me deixe tentar um golpe diferente.
            Rafael atirou Alberto no alto, de modo que ele não pudesse planar. Elevou o seu cosmo e pegou impulso com as duas mãos. Quando Alberto estava caindo ele gritou:
            – COLERA DOS MIL DRAGÕES!
            O calculo havia sido perfeito. No exato momento em que Alberto caia de cabeça no chão ele foi pego pela fúria brutal de mil dragões. Quando o brilho verde causado pelo golpe desaparecia Rafael pode ver Alberto caído no chão, suas pernas estavam num ângulo grotesco e ele gemia.
            – Acabou pra você. Sem o seu bastão você não pode fazer muita coisa, não é?
            – Não. Não posso. – Disse ele gemendo. – É por isso que eu vou chamar ele aqui. – Ele levantou uma das mãos e o seu bastão veio voando a parou na sua mão. Rafael olhava sem reação Alberto girar o bastão em cima das pernas e vê-las voltando ao seu devido lugar. – Você realmente pensou que separando o bastão de mim iria me vencer? Eu e ele somos ligados, ele pode estar a quilômetros de distância, pode estar em outra dimensão. Ele atenderá meu chamado.
            Ele então correu até Rafael e começou uma nova onde de ataques.
            Rafael não sabia mais o que fazer, aquilo era loucura. Como se luta com alguém que não pode se ferir. Com esse poder Alberto era praticamente um imortal. Não havia chances de se lutar contra aquilo.
            Alberto mirou o lado das asas no rosto de Rafael e uma onda de fogo queimou seu rosto. Ele caiu no chão, e Alberto agora vinha em sua direção para dar o golpe final.
            Era impossível, não havia como derrotá-lo. Ele apontou o bastão para o rosto de Rafael mais uma vez.
            – Eu não serei piedoso com você como eu fui com John. – Disse ele. – Você vai morrer lenta e dolorosamente.
            Mais um jato de fogo saiu do bastão, mas Rafael foi rápido o suficiente para pôr o escudo de Libra na frente.
            “Pensa garoto! Tem que haver um jeito de matá-lo, ou a morte de John será em vão! Vamos lá.” Depois de alguns segundos, Rafael não havia conseguido pensar em nada, e ficar parado ali não ajudaria em muita coisa, então ele entrou em ação novamente.
            Ele se levantou lentamente, ainda se defendendo da torrente de fogo lançada por Alberto. Quando ele estava totalmente erguido, Alberto parou com os ataques.
            – Você ainda não se deu por vencido? – Perguntou ele frustrado.
            – E porque eu desistiria? Desistir nunca levou a nada!
            Alberto correu em direção a Rafael e o atacou com força total. Rafael conseguiu defender com seu escudo, mas Alberto continuava a pôr pressão.
            – Eu não posso morrer. – Sussurrou Alberto, cujo rosto estava bem próximo ao de Rafael. – Ninguém pode me matar.
            “Morte! É isso!” Parecia tão simples que Rafael ficou se perguntando como não havia pensado nisso antes.
            Ele então atirou um pouco de energia no estomago de Alberto apenas para afastá-lo. Quando eles estavam distantes um do outro Rafael falou:
            – Sabe uma coisa legal em ser o cavaleiro de Libra? A armadura de Libra é a mais útil de todas as doze armaduras de ouro. Isso porque ela é a única armadura com doze armas ao todo. – Enquanto falava Rafael puxava a espada de Libra das suas costas. – É com essa espada que você vai morrer.
            Alberto observou por alguns instantes antes de começar a rir. Depois de se controlar ele falou:
            – Não faço a mínima idéia de como uma espada pode me deter, mas eu vou te contar um segredinho antes te matar. Sabe esse bastão? Ele não é um bastão qualquer. – Quando ele terminou de falar, as cobras que envolviam o bastão ganharam vida e começaram a andar ao longo do cabo, e, enquanto faziam isso, o bastão começava a tomar a forma de uma espada. Quando a transformação estava completa, as cobras se alojaram no punho da espada.
            – Menos mal. – Falou Rafael, sorrindo. – Eu poderei te matar numa luta de igual para igual.
            – Eu não contaria com isso.
            Os dois, mais uma vez correram um na direção do outro. Os ataques eram velozes e fatais. O menor erro podia custar a vida.
            A intensidade da batalha era muito grande, tanto que as laminas das espadas começaram a adquirir uma aura de acordo com o cosmo de quem a empunhava. A de Alberto ganhou um tom alaranjado, parecia que a lamina estava pegando fogo. E a de Rafael ganhou uma tonalidade verde e a cada vez que as laminas se chocavam era como se estrelas fossem criadas.
            – Você nunca vai me derrotar, Libra! Seu destino será igual ao do seu amigo!
            “John...” A lembrança do amigo caído em batalha deu a Rafael mais forças, e seu cosmo agora ardia como a fúria de um dragão. A onda de poder que Rafael emanava era muito grande, tão grande que Alberto ficou paralisado por um segundo. Que foi mais do que suficiente para Rafael pôr o seu plano em prática.
            Quando Alberto atrasou o ataque, devido à surpresa, Rafael lançou a espada contra o seu estomago. A lâmina não chegou realmente a encostar, pois, antes do contado, um grande dragão feito de pura energia cósmica saiu da espada e atravessou o corpo de Alberto, que foi jogado no chão e sua espada caiu a vários metros de distância dele.
            Rafael correu até o inimigo na maior velocidade possível. Mas antes que ele começasse a correr Alberto já havia estendido a mão e sua espada estava voltando para ele. Rafael se jogou para tentar segurar a espada e impedir que ela chegasse ao seu mestre. Porém, por um pequeno erro de calculo, a espada atravessou sua mão. A boa noticia é que ela havia ficado presa, e não conseguia sair de lá para atender ao chamado.
            E foi nesse estado, com uma espada na mão direita, e outra espada atravessando sua mão esquerda que Rafael se dirigiu a Alberto.
            – É o fim pra você, Alberto.  – O olhar de Alberto transbordava medo. Ele tremia dos pés a cabeça. – Depois desse golpe, você, literalmente, não terá mais “cabeça” para se curar.
            Rafael então ergueu a espada de Libra acima de sua cabeça e, fechando os olhos, desferiu o golpe fatal. Ele pode sentir a lamina atravessando a carne e o sangue espirrando em seu rosto, ele pode ouvir o baque surdo da cabeça de Alberto caindo no chão.
            Sem olhar para o estrago, Rafael virou de costas e caminhou em direção ao corpo de John. Chegando lá, ele se ajoelhou, pôs a espada de Libra de volta no lugar, e olhou para sua mão esquerda.
            Antes que ele pudesse tentar tirar a espada de Alberto da sua mão, ela estremeceu um pouco, virou poeira estelar e o pó saiu flutuando em direção ao espaço. Ele olhou para o corpo caído de Alberto para vê-lo fazendo o mesmo.
            – Acabou amigão. – Disse ele se voltando para John. – Agora só falta um.
            Dizendo isso ele olhou para os corpos ainda imóveis e sem alma de Victon e Emmanuel.