John de Touro
Matheus beijou Lays, segurou a mão das meninas de bronze e, juntos, eles levantaram voou pra Deus sabe aonde. A responsabilidade que caia nos ombros de Matheus era muito grande para se carregar sozinho, pelo menos dessa vez o destino fez o favor de pôr os cavaleiros de bronze no caminho dele.
Todos os cavaleiros e amazonas no ambiente estavam tensos e olhavam para cima, como se esperassem ouvir uma explosão a qualquer momento. Todos estavam de armaduras em corpo e prontos para o combate.
– Pois é, pessoal – Disse Lays virando-se para os guerreiros. – Agora é com agente. Façam o possível para ganhar tempo para que Matheus e as meninas possam lutar com calma. – Era admirável a força que Lays tinha. Sua irmã seqüestrada, correndo risco de vida e o namorado indo em direção ao cavaleiro inimigo e ela se mantinha lá, firme e calma, quando todos nós sabíamos que ela estava acabada por dentro. – Não deixem nenhum dos filhos de Apolo escapar ileso, e, pelo amor de Deus, tenham cuidado.
– Eu tenho uma pergunta. – Perguntou John. – O que acontecerá com as pessoas comuns? Sabe, da última vez nós levamos Hades até um lugar desabitado, mas agora nós estamos sendo obrigados a ficar aqui.
– Eu não acho que isso deva ser motivo de preocupação. – respondeu Lizandra. – É melhor que os humanos descubram sobre nós e continuem vivos do que morrerem sem saber de nada.
John concordou com a cabeça. Dizendo isso Lizandra foi a primeira a sair correndo de lá para começar a missão. Faltavam poucos segundos para que o tempo de um minuto acabasse e as batalhas começassem.
Rafael e Victon foram em sua direção.
– Boa sorte, caras. – Falou Rafael, para John e Victon. – Nós entramos nessa vivos. Vamos sair dessa vivos.
– Com certeza. – Respondeu John.
– Vejo vocês de manhã, quando isso tudo tiver acabado. – Falou Victon apertando a mão de John e a de Rafael. – Agora, vamos chutar o rabo incendiado desses desgraçados!
Rafael e Victon saíram correndo, em uma super-velocidade, deixando um rastro dos seus cosmos, azul escuro e verde por onde passavam.
De repente John sentiu uma explosão vinda na direção da praça da prefeitura. “No que é que eu estava pensando quando aceitei esse emprego?” Foi o último pensamento de John antes de começar a correr naquela direção, deixando um rastro do seu cosmo violeta por onde passava.
A noite estava agradável, uma brisa leve soprava e havia muitas estrelas em volta de uma lua minguante. Não havia nenhuma nuvem no céu. “Afinal, quem pensaria em deitar numa rede e admirar o céu escutando música, podendo ir em direção de uma batalha sangrenta na qual se arrisca sua vida?”
John correu o mais rápido que pôde ao longo da Rua São Pedro, ao chegar na praça ele viu o prédio da prefeitura em chamas e logo em frente um cavaleiro olhava fixamente para o fogo.
Sua armadura era laranja, e completamente lisa, mas, ao chegar nas articulações ela ficava pontiaguda, circulando a articulação. Não havia elmo em sua cabeça e uma mascara cobria o seu rosto.
– Ei, você! – Gritou John para o cavaleiro. – Filhinho do papai! Olha pra cá!
O cavaleiro se virou e olhou fixamente para John. Depois de alguns segundos se encarando ele falou:
– Então, o cavaleiro de Touro em pessoa veio me ver. – Não era preciso ver o rosto do cavaleiro para saber que ele estava achando graça daquilo tudo. – Sinceramente, eu esperava qualquer pessoa, mas você?
– Desculpe, nós nos conhecemos?
O cavaleiro então levou a mão ao rosto e tirou a máscara.
Cabelos negros, olhos castanhos, dentes um pouco tortos, espinhas no rosto e um olhar de quem nunca leva nada a sério. Era assim o rosto de Emmanuel, um garoto meio metido a besta que também estudava no Instituto. John nunca gostou dele.
– Então é você? – Perguntou John. – Sério, eu esperava que Erik tivesse filhos mais competentes...
– Cale a boca! Ele não é meu pai!
– Então porque você se chama “Filho de Apolo”? – Perguntou John fazendo cara de confusão e cruzando os braços.
Ele pareceu se irritar com o comentário, então flutuou em alta velocidade na direção de John, que por sua vez sabia que nada do que Emmanuel tentasse faria efeito contra ele. E foi dito e feito.
Ao se aproximar, Emmanuel tentou acertar um soco na direção de John, mas John era mais rápido, em um piscar de olhos ele desferiu um soco no estomago dele e voltou a cruzar os braços, na certeza de que Emmanuel não entendeu o que houve ali.
– O que você fez? – A força do soco fez que ele voltasse vários metros, sua boca estava sangrando.
– Você não viu? – Perguntou John. – Se você não enxerga um simples golpe na velocidade da luz eu não vejo sentido em continuar de pé. – Dizendo isso John se sentou no chão de pernas e braços cruzados, tirou o elmo e fechou os olhos.
– Seu imbecil! Não me subestime!
Mais uma vez Emmanuel correu até John, mas o resultado foi o mesmo. Com a velocidade da luz, John descruzou os braços, socou o mesmo lugar, fazendo com que, mais uma vez ele voltasse. O fluxo de sangue que saía da sua boca era maior.
A frustração nos olhos de Emmanuel era mais do que visível.
– Olha... – Falou John. – Eu não tenho tempo pra ficar brincando com você. Por mais que eu não goste de você, eu não queria ter que te matar. Mas é preciso, já que, se eu não fizer isso, você vai ficar colocando fogo nas coisas como o filhinho do papai que você é.
– Cale a boca! Você é um idiota!
E mais uma vez ele correu em direção a John, mas dessa vez John iria acabar de vez com isso.
À medida que Emmanuel se aproximava John ia se levantando. Quando ele chegou perto o suficiente John descruzou os braços e segurou seu pescoço. Olhou fixamente nos olhos do inimigo antes de começar a apertar.
Emmanuel se contorcia com o aperto, mas depois de alguns segundos ele parou. Quando John pensava que estava tudo acabado, ele pôs uma das mãos no seu rosto e falou com a voz fraca:
– Peste solar!
John foi obrigado a jogar Emmanuel para longe. Uma queimação insuportável começou a tomar conta da ponta do nariz dele e lentamente se alastrava pelo resto do rosto.
– O que você fez?
– Isso? – Emmanuel respirava com dificuldade. E depois de vomitar, continuou com a voz um pouco mais firme. – Deixa eu te explicar que tipo de poder de Apolo eu represento. Apolo é o deus patrono das doenças, e é isso que eu represento. Isso que eu acabei de fazer foi pôr uma doença em você. Seu nariz queima, não é? E, aos poucos, está começando a tomar conta do resto do corpo. Quando esse pontinho vermelho no seu nariz, tomar conta de todo o seu corpo, você vai sentir como se o fogo quisesse sair de você. – Ele agora ria psicoticamente. – A dor será tão insuportável que você morrerá Johnzinho!
John não conseguia acreditar naquilo. Ele iria morrer, não havia nada que ele pudesse fazer. Era o fim. De que adiantava lutar agora, se no final o resultado seria o mesmo? “Não! Eu ainda tenho forçar para lutar, até que... Até que aconteça, eu estarei lutando.”
– Quanto tempo eu tenho?
– Julgando pelo seu tamanho... Acho que mais ou menos vinte e cinco minutos.
– É o suficiente.
– Suficiente pra que?
– Pra eu acabar com a sua raça!
Dizendo isso John correu na velocidade da luz, socou Emmanuel no rosto. A força do golpe fez com que ele fosse jogado contra a parede da prefeitura em chamas. John correu a até lá e começou a desferir uma chuva de golpes potentes contra cada parte do corpo de Emmanuel. A força é tão grande e tão bruta que qualquer tentativa de se defender seria em vão.
John segurou o inimigo pelo braço e o atirou contra o chão.
– Levante-se e lute seu covarde! – Gritava John.
O olhar de Emmanuel era de puro medo. Mas ele não fugiu. Uma aura alaranjada tomou contra do seu corpo e ele tentou desferir um golpe contra o estomago de John, que por sua vez recebeu o impacto de propósito.
– É só isso que você consegue fazer? – Disse John com desdém na voz. – Deixa eu te mostrar agora o que um cavaleiro de verdade consegue fazer. GRANDE CHIFRE!
Uma onde de pura energia liberada pelas palmas das mãos de John fez com que Emmanuel fosse atirado contra a grande bola azul, no centro da praça. John andou lentamente até lá. Uma fúria descontrolada tomando conta de todo o seu corpo, mas a queimação interna era cada vez mais difícil de agüentar. O fogo já havia se alastrado até o seus ombros, e estava começando a tomar conta dos seus braços.
– Todos os ossos do seu corpo estão quebrados. – Disse John para Emmanuel que estava deitado no chão sobre uma poça de sangue, imóvel e gemendo. – Acho que eu ainda viverei mais do que você.
Na mesma hora que John se preparava para lançar o golpe que seria fatal, um outro cavaleiro surgiu, sabe-se lá de onde, e acertou uma voadora em John, fazendo com que ele fosse jogado para longe e impedindo de desferir o golpe.
– Sinceramente, Emmanuel, eu esperava mais de você. – A voz do cavaleiro chegou até John. – Me pergunto se você realmente merece...
– Cala a boca e faz logo.
John se virou a tempo de ver o cavaleiro girar um bastão dourado envolto por um par de cobras e com um par de assas na ponta. Uma cosmo-energia foi emanada do bastão e, no segundo seguinte, Emmanuel estava de pé novamente, sem nenhum traço da pancadaria que houve à alguns segundos.
O novo cavaleiro se virou.
Cabelos curtos, quase careca, feições duras e uma barbicha rala no queixo. Alberto olhou para John com uma mistura de pena e decepção no rosto. Sua armadura era uma espécie de representação do seu bastão. Havia pares de asas nos seus calcanhares, pulsos e elmo. Seus membros eram envoltos por cobras.
– Para com isso, cara. – Disse Alberto falando na direção de John. – Toda essa raiva não vai levar a nada.
– E a destruição da cidade vai levar a alguma coisa? Olha, eu vou morrer! Eu tenho que impedir vocês de destruírem tudo!
– Vamos fazer um trato. Eu curo sua doença, e você renuncia o poder como cavaleiro. Depois disso cada um segue seu caminho.
– Ficou louco?! Eu nunca vou renunciar esse poder!
– Já que você não quer desistir, nós vamos ter que deixar você morrer.
O fogo agora tomava de conta dos seus braços e do seu tronco, estava começando a descer para as pernas, em alguns minutos tudo estaria acabado, John tinha que fazer alguma coisa.
– Pode vir. – Disse John ficando mais uma vez de pé. Mas a vontade que ele sentia era de ceder a dor, e gritar, para tentar expulsa-la.
– Você não entendeu ainda? – Disse Alberto se aproximando. – Eu represento a medicina. Não tem como você me vencer. Não há doença ou ferimento nesse mundo que eu não possa curar!
Quando ele estava cara a cara com John, Alberto virou o bastão de cabeça para baixo revelando uma lança. Alberto afundou a lança no estomago de John. A dor era tão grande que ele não conseguia nem gritar. Apenas, olhava fixamente para Alberto.
– Por quê? – Foi à única coisa que John conseguiu falar antes de cair de joelhos.
Sua visão começava a ficar turva e ele não conseguia mais se manter de joelhos, a escuridão começou a vir, e ele ia ceder. Mas, de repente, alívio. A dor do golpe foi completamente neutralizada, mas o fogo ainda o queimava por dentro.
John conseguiu se pôr de pé mais uma vez e olhou para o local onde havia sido atingido pela lança de Alberto. Nada. Não havia ferida, nem cicatriz. A única coisa que denunciava que ele havia sido golpeado era o buraco que havia ficado na sua armadura.
Ele olhou para Alberto sem entender nada.
– Essa foi apenas uma amostra do que eu posso fazer. – Disse ele olhando fixamente para John. – Agora que você viu isso, me responda. Acha que tem alguma chance de me vencer? Você realmente pensa assim?
– Não. Não faço a mínima idéia se posso ou não derrotar você. Mas eu posso tentar. E eu tentarei com todas as minhas forças!
Dizendo isso John desferiu o soco contra o rosto de Alberto, que se esquivou facilmente. Em vão. Porque um pontapé certeiro no ouvido o atingiu. Atordoado, Alberto fechou os olhos e pôs as mãos na cabeça. John desferiu mais um soco em sua cara, dessa vez sem erro. Alberto foi jogado para longe, porém, antes mesmo que Alberto pudesse atingir o chão, Emmanuel veio para cima de John.
John desviou dos primeiros golpes que ele desferiu, mas o fogo começava a ficar bem mais insuportável, e isso começava a afetar seus movimentos. Uma chuva de socos contínuos o atingiram. “Defesa não é mais uma opção.”. Pensou John. Então, mesmo recebendo aqueles golpes, John se levantou e começou um contra ataque selvagem.
Os impactos eram recebidos por Emmanuel, mas, aparentemente, sua força também deveria estar caindo, assim como sua velocidade.
– Ei, Johnzinho. – Falou Emmanuel. – Pelo jeito toda aquela força que estatelou meus ossos foi embora, hein...
– Eu ainda posso vencer... – Disse John, segurando-se para não gritar enquanto fala.
– A Peste Solar deve estar bem avançada agora, não é? Você não consegue nem falar direito. – Ele segurou o pescoço de John. – Vai lá Johnzinho. Grita. Grita bem alto, que é pra o mundo todo saber como o cavaleiro de ouro de Touro morreu. Vamos lá. Grita! – Emmanuel apertou o pescoço de John.
– Você pensa mesmo que me matando é o fim? – Disse John, sorrindo. – Se você pensa assim é mais tolo do que seu pai.
– Eu já disse que aquele idiota não é meu pai!
Uma onda de energia saiu da mão livre de Emmanuel e atingiu John em cheio no peito. A dor era intensa. A Peste Solar já estava na altura dos joelhos. Mas John sabia que não podia morrer sem causar um estrago nesses canalhas.
– Pare de brincar Emmanuel. Ele não é o único que tem que morrer. Acabe logo com ele. – Disse Alberto voltando a se levantar e curado do golpe.
– Certo Johnzinho, eu gostaria de ver você morrer com a doença. Mas eu tenho lugares para ir, pessoas para matar... Sabe como é, né?
O aperto se tornou mais forte do que antes e John com certeza iria morrer asfixiado.
– Não. Ainda não. – John sussurrou.
John se concentrou em tudo que o fez entrar nessa guerra, em tudo que ele quis proteger ao aceitar ser um cavaleiro. Uma imagem do seu irmão mais novo lhe veio na memória. John sabia que iria morrer, mas ele não poderia ir e deixar o baixinho vivendo entre pessoas como aquelas, que matavam apenas por diversão. Não havia o que pensar, a morte dele não seria em vão.
– Mas que merda toda é essa?! – Gritou Emmanuel soltando John de vez. – O corpo dele está queimando!
– Mas você usou a peste Solar nele, o que você queria? – Perguntou Alberto.
– Não é isso, idiota. Quero dizer que ele está realmente queimando.
Ao falar isso a atenção de Alberto se voltou para John. Sua aura violeta tomava conta do seu corpo, um incrível poder começou a emanar de John. O poder era tão grande que ele pode sentir a Peste Solar parando de se alastrar.
– Parou! – Disse Emmanuel com os olhos arregalados.
– O que parou? – Perguntou Alberto sem entender nada.
– A Peste Solar não está mais se alastrando, ela parou completamente de tomar conta do corpo dele!
– O meu cosmo... – Dizia John enquanto se levantava. – O poder do meu cosmo fez com que isso acontecesse. Ele fez com que eu ganhasse mais tempo para acabar com vocês.
Sem dizer mais nada John partiu para cima dos dois com uma velocidade grande de mais para olhos normais.
Ele desferiu golpes sem piedade em cada um dos dois filhos de Apolo, que recebiam o golpe com força total. Alberto tentou contra-atacar algumas vezes, mas John era muito rápido, ele conseguia ver com clareza cada movimento e, assim, conseguia desviar com facilmente deles.
– Acabou a brincadeira! – Gritou John, socando os dois inimigos ao mesmo tempo, e assim, ganhando um pouco de espaço. – SUPERNOVA TITANICA!
John desferiu o golpe com toda a potencia com suas mãos a poucos centímetros dos rostos de Alberto e Emmanuel. A força do golpe fez com que eles atravessassem a parede de uma loja. John entrou na loja completamente escura.
O cosmo de John iluminou o rosto completamente deformado dos seus inimigos, com enorme dificuldade Alberto falou:
– Ei, John, cara. Você ainda não nos matou. Por que não tenta de novo?
John então correu para cima dos dois novamente, mas foi surpreendido por um onde de fogo que saiu do bastão que Alberto segurava, ele foi atirado de volta a praça.
Alguns segundos depois de se levantar, Alberto e Emmanuel saíram dos escombros da loja como se nada tivesse acontecido.
John não estava mais agüentando segurar o poder. Mesmo que a Peste Solar tenha parado de se alastrar, as partes que ela já havia contaminado ainda doíam, e essa dor iria impedir de ele segurar o poder por muito mais tempo.
– Me diga John. Você realmente pensou, por um único instante, que tinha chances contra nós? – Perguntou Alberto ficando diante de John. – Certo, outra pergunta, apesar de eu achar tudo esse seu esforço inútil, me diga. De onde você tira tanto pode? Afinal, pelo que você luta?
– Você não entenderia nem com sua mãe explicando! – Disse John cuspindo na cara de Alberto.
– Minha mãe morreu assim que eu me tornei um filho de Apolo. Mas, se essa é sua última resposta.
Alberto ergueu o bastão com o lado pontudo apontando para o peito de John. Mas antes que ele pudesse desferir o golpe fatal, John pulou em cima dele, mas foi impedido de chegar até ele por um soco de Emmanuel.
– Vamos lá, Johnzinho, seja um bom garoto e morra quietinho!
– Emmanuel... Vai se fuder!
Com um enorme soco na cara John tirou Emmanuel do caminho, mas antes que ele conseguisse chegar a Alberto. Dor. Uma dor insuportável tomou conta do seu peito, e quando ele olhou, viu a lança de Alberto cravada em seu tórax. Olhando para Alberto ele pôde ver o inimigo em posição de lançamento. John caiu de joelhos no chão. A dor tinha sido tão grande que ele já não sentia mais nada.
– Desculpe, John. – Disse Alberto tirando a lança do peito de John. – Eu não queria que terminasse assim.
Virando as costas Alberto caminhou na direção de Emmanuel.
Era o fim. Acabou. Não havia mais nada que ele pudesse fazer. Ele já havia perdido o seu tato, sua visão já estava ficando turva, a ultima coisa que John viu antes dela apagar completamente foram Rafael e Victon correndo até ele. Ambos se ajoelharam.
– John, cara. Por favor, agüenta. – Dizia Rafael.
– Não cara – John falava com a voz fraca. – Acabou, é o fim pra mim.
– Não, você consegue sobreviver, é só agüentar um pouco, cara. – Victon tinha um profundo desespero na voz.
John sentia que a Peste Solar já tinha chegado aos seus pés, faltavam pouco menos que a metade dos seus dedos para terminar.
– Por favor, chutem o rabo desses desgraçados no meu lugar. – Eles simplesmente fizeram que sim com a cabeça, já haviam aceitado que era o fim. – E, por favor, cuidem do meu irmão, protejam-no. É só isso que eu peço.
– Tudo bem, cara – Dizia Rafael com lágrimas nos olhos.
– Agente vai cuidar do seu irmão, não se preocupa. – Disse Victon.
– Ei, caras. – John fez mais um esforço para estender a mão. – Foi boa. Até a próxima.
Os dois seguraram a mão de John ao mesmo tempo, e sentiram-na fazer uma força antes de ficar gelada e imóvel.
e gostei
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