quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Capítulo 12 - Calor

Victon de Câncer

            Victon desviou de um soco de Emmanuel, o segurou pelo pescoço e o atirou no chão, apontando o dedo indicador da mão livre em direção a Emmanuel ele gritou:
            – ONDAS DO INFERNO!
            Uma luz azul saiu da ponta do seu dedo e envolveu Emmanuel, que estremeceu e desmaiou.
            Logo em seguida Victon olhou para Rafael e disse:
            – Boa sorte, cara. – Dizendo isso ele próprio desmaiou.
            Ele pôde ver toda a cena de cima. Viu seu próprio corpo caindo no chão e Rafael conversar um pouco com Alberto antes dos dois se engalfinharem numa luta violenta. Ele então se concentrou e direcionou seu espírito para a estrela central da constelação de Câncer, que era conhecida como Sekishiki, o portão de entrada para o mundo dos mortos.
            Chegando lá ele pousou e pôde ver a conhecida cadeia de montanhas que cercava o Yomutsu Hirasaka, uma enorme cratera no chão que levava todos as pessoas mortas para o mundo dos mortos.
            Ele olhou em volta e não conseguiu captar o menor sinal da presença de Emmanuel. Então ele correu até a colina do Yomutsu. Ao se aproximar pôde ver Emmanuel olhando para a cratera.
            – Aonde nós viemos parar? – Ao que parecia ele sentiu a presença de Victon, pois não precisou se virar para soltar a pergunta.
            – A minha técnica nos trouxe para o Sekishiki. E você está olhando diretamente para a entrada do mundo dos mortos.
            – Quer dizer que todas essas pessoas... – Disse ele apontando para a enorme fila de pessoas que se dirigia para o buraco – Estão mortas?
            – Sim.
            – E porque elas se dirigem para o buraco e simplesmente se jogam? Porque elas não tentam voltar?
            – Elas estão mortas. Passariam a eternidade agonizando nesse lugar se não se jogassem. Elas não têm escolha.
            – Você quer dizer que nós ainda não morremos? – Perguntou Emmanuel se virando.
            – Não. Eu trouxe nossos espíritos para cá para te separar de Alberto e te derrotar aqui. A única coisa que nos prende nesse lugar é o meu poder.
            – Então, derrotando você, meu espírito retorna para o meu corpo, que está na terra?
            – Exato.
            Os dois se encararam por alguns segundos e Emmanuel correu em disparada na direção de Victon. Os dois, então, iniciaram uma luta violenta e equilibrada. Victon sempre fora muito bom com os combates corpo a corpo, então não estava tendo nenhuma dificuldade com aquilo.
            À medida que a luta prosseguia a intensidade do poder utilizado pelos cavaleiros aumentava, em questão de segundos ambos tinham seus punhos brilhando.
            Mas Emmanuel parecia cansado. A batalha contra John o havia esgotado, as sessões de cura com Alberto tinham curado todas as feridas do seu corpo, mas não o seu estado físico.
            Victon aproveitou essa vantagem que começou a atacar com mais velocidade. E deu certo. As defesas de Emmanuel já não serviam para muita coisa, todos os golpes desferidos por Victon eram precisos e fatais. Ele acertou um soco na cara de Emmanuel que o atirou para perto do buraco.
            – Nunca pensei que seria tão fácil te derrotar. – Dizia Victon enquanto caminhava lentamente na direção de Emmanuel. – Você agora vai cair nesse buraco e eu nem cheguei a suar.
            Mas antes que Victon pudesse se aproximar mais Emmanuel, com uma velocidade impressionante, se levantou e encostou a palma da mão no rosto de Victon.
            – PESTE SOLAR!
            A ponta do nariz de Victon começou a pegar fogo. Uma queimação insuportável que começava a se alastrar.
            – O que foi isso?
            – A Peste Solar? Em parte foi assim que o seu querido Johnzinho morreu. É uma doença. Eu represento as pragas e doenças. Essa queimação no seu nariz vai se alastrar, e quando tiver tomado conta de todo o seu corpo você morre.
            – Então é uma doença como outra qualquer?
            – Sim.
            Victon então sorriu para Emmanuel. Que olhou para ele com cara de assustado.
            Ele então se concentrou e sua aura azul tomou conta do seu corpo, e foi aumentando e ficando cada vez mais quente. Bolas de fogo azul começavam a girar em torno dos dois cavaleiros.
            – O que significa isso?! – Gritou Emmanuel.
            – Isso é fogo de raposa. – Explicou Victon. – Sua doença como outra qualquer, não suportaria sobreviver em altas temperaturas, mesmo sendo uma doença solar, eu só preciso deixar a temperatura do meu corpo mais alta do que a do vírus.
            Emmanuel olhava com os olhos arregalados para Victon, que já podia sentir a doença deixando o seu corpo. A compreensão se misturou ao semblante surpreso de Emmanuel.
            – Então foi assim...
            – O que você disse? – Perguntou Victon.
            – John conseguiu parar a peste solar, mas não conseguiu destruí-la.
            – Isso foi porque a temperatura do seu corpo foi praticamente à mesma da doença. Como a minha está superior, eu consegui aniquilá-la.
             Victon conseguia sentir o alívio, a queimação passando. Mas foi por pouco tempo, pois Emmanuel já vinha em sua direção com os punhos pegando fogo, um dos golpes ele conseguiu acertar no rosto de Victon, que ficou com uma queimadura feia.
            Victon tentava desviar dos golpes mais a velocidade estava muito alta. Foi acertado por uma grande seqüencia, e até os socos desferidos na armadura queimavam sua pele.
            – O calor nos meus punhos vai atravessar sua armadura, não importa que ela seja de ouro. Sua pele ficará toda queimada.
            Victon podia sentir, agora havia poucas partes do seu corpo que não estavam queimadas, mas ele não iria desistir. Pegando um enorme impulso com o punho direito desferiu um golpe no rosto do inimigo, ao mesmo tempo em que ele acertava um em seu peito. Ambos foram atirados para longe.
            – Porque você ainda resiste? – Perguntou Emmanuel se levantado. – Seu corpo está queimado, Você está começando a se cansar, desista!
            – Você está me pedindo pra desistir?! – Gritou Victon com raiva. – Você matou um dos meus melhores amigos e tem coragem de me pedir para desistir?! Você é um idiota!
            – Então venha, e morra!
            A raiva de Victon o impulsionou. Sua raiva fez com que o seu cosmo ficasse mais concentrado e mais poderoso.
            Ambos se engalfinharam numa luta sangrenta mais uma vez, só que essa não estava tão equilibrada. Victon desviava de todos os golpes de Emmanuel. Depois de tanto se esquivar Victon decidiu atacar. Quando seu inimigo apontou um soco para sua cara. Ele segurou o soco com uma das mãos.
            – Agora você vai pagar! – Gritou Victon. – CHAMAS DEMONÍACAS AZUIS!
             O fogo azul saiu da mão de Victon e começou a tomar conta do corpo de Emmanuel que começara a agonizar e gritar.
            – Que merda é essa?!  - Gritava ele.
            – Essas são as Chamas Demoníacas Azuis. Não é muito diferente do fogo de raposa que eu usei há pouco tempo. A única diferença é que esse fogo se alimenta de almas, e você nesse exato momento é uma alma. Você não tem mais saída.
            Emmanuel gritava cada vez mais. O fogo já o cobria por inteiro o corpo do filho de Apolo.
            Victon estava virando de costas e se preparando para voltar ao seu corpo, pois sabia que Emmanuel não duraria mais do que alguns segundos, mas seu inimigo simplesmente parou de gritar e Victon pode sentir a explosão do cosmo do seu inimigo.
            Ao se virar ele encontrou as chamas, que antes eram azuis, estavam como chamas alaranjadas normais. O olhar de Emmanuel era cansado, porém transbordava raiva.
            – Como você fez isso? – Perguntou Victon. Ele não estava muito surpreso. A essa altura da batalha ele não se surpreendia com nada.
            – Você acha mesmo que pode me derrotar com fogo? Eu represento Apolo, deus mitológico do sol! Você nunca iria me derrotar usando fogo.
            Victon não estava surpreso, mas estava frustrado. Um dos seus maiores artifícios não havia funcionado, agora não restavam muitas opções para ele.
            Emmanuel agora corria em sua direção se preparando para mais uma chuva de golpes, mas aquilo não decidiria a batalha, pois ambos estavam cansados e ambos eram bons em combate corpo a corpo.
            Você tem que pensar num jeito rápido de jogá-lo no Yomutuso. Mas como?” Victon, então, se deixou levar pelo combate, mais uma troca de socos inútil que só serviria para cansá-los.
            Essa batalha toda será inútil se eu não pensar em algo logo, o esforço para segurar nossas almas aqui está me deixando lento, mas eu não posso arriscar voltar, se Rafael ainda não tiver derrotado Alberto trazê-lo aqui se tornaria uma perda de tempo e energia.
            Os pensamentos de Victon foram interrompidos por uma reviravolta na luta. Graças ao seu desligamento, Emmanuel conseguiu dominá-lo rapidamente, os golpes eram fortes e fizeram com que Victon caísse no chão. Porém, antes de atingir o chão, Emmanuel segurou-o pelo braço e o atirou em direção ao Yumutsu Hirasaka.
            Por muito pouco Victon não caía lá dentro.
            – Então, isso encerra nossa luta. Adeus... Victon de Câncer.
            Dizendo isso Emmanuel lançou um chute nas costelas de Victon fazendo com que caísse no buraco.
            Mas Victon previu que isso ia acontecer e se segurou na borda da cratera. Depois pegou impulso e se lançou no céu, e de lá observou Emmanuel fazer uma cara de revolta e frustração.
            – Não será o suficiente! ONDAS DO INFERNO!
            O raio azul e brilhante atingiu Emmanuel no estomago, que foi atirado a vários mestros de onde estava.
            – Confesso que nunca havia usado essa técnica já estando dentro do Sekishiki. Pelo jeito ele se torna um tipo de ataque bruto, como os que John usava.
            – Idiota. – Disse Emmanuel se levantando. – Quando vai se dar conta de que não conseguirá vingar o seu amigo?!
            Ele se levantou de um salto e flutuou em direção a Victon, que não teve tempo de uma reação.
            – Falando nisso, vou descarregar minha raiva de John toda em cima de você! Eu cheguei a mencionar que ele quebrou todos os meus ossos?
            Dizendo isso ele segurou o braço direito e Victon e o entortou. A dor que se seguiu foi enorme, mas ele conseguiu agüentar, porém perdeu completamente os movimentos do braço direito, que pendeu inutilizado num ângulo estranho.
            – Esse é o primeiro! Se prepare para o resto!
            Um braço a menos já é muita desvantagem, não posso deixá-lo quebrar mais nada.” Ele soube o que fazer no exato momento em que viu Emmanuel vindo mais uma vez em sua direção.
            Usando o braço bom, ele parou a aproximação do filho de Apolo pondo a mão em seu pescoço e apertando bem firme.
            – Você pensou que quebrando meus ossos me impediria de lutar contra você? Tolo!
            Dizendo isso Victon caminhou lentamente até a ponta do Yomutsu e ergueu Emmanuel em cima do buraco.
            – Isso é um adeus, filho de Apolo.
            – Ainda não! PRAGA SOLAR!
            Dizendo isso Emmanuel abriu os braços e a coisa mais estranha aconteceu. Vários gafanhotos flamejantes saíram de suas mãos e boca e começaram a atacar Victon, que soltou Emmanuel e cobriu o rosto para tentar se proteger.
            Aparentemente Emmanuel tinha conseguido se segurar na borda do Yomutsu, pois, depois de alguns instantes, ele falou:
             – Impressionado? Eu mesmo criei essa técnica. Me inspirei nas dez pragas do Egito. Esses gafanhotos queimarão sua pele, e, depois de tostada, eles a devorarão, como se fosse churrasco. – Ele ria psicoticamente.
            Victon começava a sentir sua pele queimando e as mordidas de alguns gafanhotos. Ele começava a se desesperar. Não havia como acabar com aquelas coisas, elas eram muitas.
            Calma, rapaz. Você consegue sair dessa. Não deve ser tão difícil!
            E foi pensando isso que Victon encontrou a solução. Seu cosmo começou a adquirir o brilho azul. E os gafanhotos em volta do seu corpo começaram a se distanciar.
            – Meros insetos não serão o suficiente para de salvar! SEPULTURA DAS ALMAS!
            Um circulo de fogo azul cercou Victon e Emmanuel formando um tipo de arena. E todos os gafanhotos foram envoltos por bolas de fogo de raposa azul. Com isso elas pararam de atacar e morreram queimados, virando pó.
            – O que você fez?
            – Mais fogo de raposa...
            – Não se faça de tolo. Qualquer um pode sentir que esse é diferente do que você fez antes! – Gritou Emmanuel frustrado.
            – É porque o primeiro que eu usei estava se alimentando apenas da sua alma. Esse está se alimentando de todas as almas presentes no Sekishiki.
            Ao olhar para a fila de mortos Emmanuel viu que elas estava queimando, e o fogo era mandado como energia para a ponta do dedo indicador esquerdo de Victon. Mas isso não impedia que eles continuassem se jogando.
            – Agora é a sua vez de queimar! – Gritou Victon, direcionando o fogo de raposa para Emmaneul.
            – Tolo! Eu já disse que você não pode me matar com fogo.
            Ele expulsou todo o fogo de raposa do seu corpo, substituindo-o por chamas vivas e alaranjadas.
            – Eu sei disso. Isso foi só uma distração. ONDAS DO INFERNO!
            O impacto do golpe atingiu Emmanuel em cheio no estomago, fazendo com que ele fosse atirado dentro do Yonutsu Hirasaka.
            Victon correu até a borda da cratera e pôde ver o filho de Apolo gritando e se contorcendo enquanto era sugado pela escuridão.
            Acabou. Finalmente tinha acabado. Victon se jogou no chão e ficou assim por alguns segundos. Seu braço doía tanto quanto sua cabeça. O cansaço físico que a batalha tinha causado era enorme, então, antes que ele dormisse naquele local, ele apontou seu dedo para cima e deixou que seu espírito retornasse para o corpo.
            Victon respirou fundo e aspirou o cheiro de vida que havia no ar, que era bem diferente do cheiro de morte e podridão contida no Sekishiki. Ele se sentou, por um segundo esqueceu do seu braço quebrado e tentou se apoiar nele. A dor foi insuportável e fez com que ele gritasse.
            – Graças a Deus! – Ele ouviu a voz de Rafael se aproximando. – Você está muito ferido?
            – Meu corpo está completamente queimado e meu braço direito está quebrado, mas eu vou ficar bem. E você.
            – Muitos cortes e hematomas, minha mão esquerda foi atravessada por uma espada e não se mexe, mas eu vou ficar bem.
            Victon estava feliz em ver que Rafael havia vencido. O brilho no corpo de Emmanuel chamou suas atenções, ele brilhou e depois se transformou em poeira estelar.
            – Vem, me ajuda a levantar.
            Rafael ajudou o amigo a se levantar e ambos andaram em direção ao corpo pálido de John. Victon o olhou por alguns segundos. Não conseguiu impedir as lágrimas de caírem.
            Ele se ajoelhou e pôs a mão no peito do amigo.
            – Nós vencemos Johnzão. Você foi vingado...
            E em algum lugar, Victon teve a certeza de poder ouvir o “Muito brigado, caras.” Dito por Jonh.

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