domingo, 9 de outubro de 2011

Capítulo 9 - Sequestro

Matheus de Aquário.

            Dois meses se passaram desde que o treinamento das meninas de bronze começou. Cada uma foi levada a um local diferente do mundo e foi treinada da maneira que seu mestre preferiu. Eu havia passado dois meses levando Luana até a Sibéria. Nós corremos, destruímos icebergs, enfrentamos ursos polares, nadamos debaixo de geleiras. Mas todo esse esforço havia sido recompensador, não só para mim, mas para todos os mestres e pupilos. Em apenas dois meses as meninas estavam prontas para o que quer que aconteça.
            Os outros cavaleiros de ouro que não participaram dos treinamentos haviam organizado uma festinha de "formatura" para as meninas, mais para aliviar o estresse e a tensão desses dias de guerra do que realmente formar as meninas, até porque elas já estavam formadas.
            Eu estava me arrumando para ir até o auditório ver as meninas vestirem suas armaduras oficialmente pela primeira vez, ia ser bem legal, todos nós estávamos precisando nos divertir um pouco, além do mais as meninas mereciam muito crédito pelo esforço.
            Cheguei ao auditório e, pelo que eu pude perceber a festa já tinha começado. Todos os cavaleiros e amazonas já estavam lá, exceto Lizandra.
            – Até que enfim! – Gritou Claudino. – Só sabe chegar aos compromissos atrasado rapaz! Só estávamos esperando você, para que as meninas pudessem subir no palco e mostrar o seu poder! – Eu não consegui deixar de rir com o duplo sentido que Claudino colocou na frase.
            – Eu não estou vendo Lizandra...
            – Ela não vem. – Lays apareceu de algum lugar e se jogou nos meus braços. – Ah, meu lindo, eu tava com tanta saudade... – Ela deu um beijo leve na minha bochecha.
            – Eu também tava com muita saudade, meu anjo. – Eu a abracei bem forte. – Mas porque Lizandra não vem?
            – Eu pedi pra ela ficar lá em casa com minha irmã. – Explicou ela. – Afinal, se nós conseguimos montar nosso exercito em dois meses, Erik pode muito bem ter feito o mesmo. E cautela nunca é demais.
            – Entendi. – Falei abraçando-a mais uma vez.
            – Então pessoal! – A voz de Soraya soou de cima do palco. – Já que estamos todos aqui, vamos receber a primeira amazona, Laura de Pegaso!
            Todos aplaudimos. Laura chegou tímida na frente do palco e olhou pra mim, como quem diz. “Olha só pra isso”.
            Ela fechou os olhos e uma aura azul tomou conta do seu corpo, ela começou a fazer um movimento com as mãos que, para um bom observador, era semelhante a constelação de Pegaso.
            – METEORO DE PEGASO! – Ela gritou e socou em minha direção.
            Eu empurrei Lays para que o golpe não a afetasse e cobri o rosto com os braços, me preparando para o grande impacto que seria, mas nada aconteceu. Depois eu escutei a risada de todos no auditório e baixei os braços.
            Quando olhei para Laura ela estava rindo e movimentando o dedo indicador acima da cabeça, eu olhei para onde ela apontava e vi os meteoros que antes se dirigiam até mim voando sem rumo pelo teto do local. Eu ri, maravilhado com a beleza daquilo. Laura bateu palmas e os meteoros estouraram como fogos de artifício, só que bem mais bonitos. Todos aplaudiram.
            – Bem melhor do que neve é ou não é, Aquário? – Gritava Laura em meio aos aplausos.
            – Com certeza! – Eu falei enquanto ajudava Lays a se levantar. Por incrível que pareça ela não estava aborrecida. Muito pelo contrário, ela ria da minha cara, como nunca tinha feito antes.

Lizandra de Áries

            Lays tinha acabado de sair de casa deixando Lizandra e Larissa sozinhas assistindo a uma maratona de filmes da Barbie. Na verdade não tinha mais muita graça porque Larissa já sabia todas as falas decoradas. Quando o terceiro filme seguido já estava acabando Larissa bocejou.
            – Ta na hora da mocinha aqui ir dormir, né? – Falou Lizandra.
            – Ah não, titia... Só mais um filme. Por favor?
            – Não senhora. Eu sei que você não vai agüentar assistir. Vamos.
            Lizandra se levantou e estendeu a mão para que Larissa a pegasse. A garota fechou a cara, mas pegou e andou se arrastando para o seu quarto. Lizandra vestiu o pijama nela e a cobriu.
            – Boa noite, anjinho. – Disse ela dando um beijo na testa de Larissa.
            – Boa noite, titia.
            Lizandra ligou o ar-condicionado, desligou a luz e saiu do quarto. Voltou para a sala se sentou e ficou trocando os canais aleatoriamente. Nada de interessante passava na televisão no domingo a noite. Ela não estava com vontade de ver o Silvio Santos distribuindo dinheiro nem de ver os documentários idiotas do Fantástico.
            Ela, então, desligou a televisão, pegou um livro e uma cadeira e foi para a calçada pra tentar fugir do calor. Chegando lá o clima estava quente, mas havia uma brisa gelada bem agradável. Não havia nuvens no céu e as estrelas brilhavam.
            Ela se sentou e começou a ler. Mas não conseguiu se concentrar muito. Ela estava preocupada. As meninas já tinham terminado o seu treinamento, o que significava que, se Erik não desse sinal de vida em três dias, eles iriam entrar em missão de busca para achar e invadir o esconderijo dele. O que seria bem perigoso, já que ninguém sabia a quantidade de filhos de Apolo soltos por aí. Isso sem mencionar que Apolo era deus de uma penca de coisas, ou seja, o exercito podia ser enorme.
            O calor agora estava insuportável. O que tinha acontecido com aquela brisa? Isso não era normal. Um calor assim, mesmo para a região, era grande de mais. A onda de compreensão a tomou e ela se levantou de um pulo. Alguém estava ali, e estava observando.
           – Vamos, apareça! Eu sei que você está aí! – Gritou ela.
           Silencio. Ninguém respondeu. Isso estava começando a ficar ridículo. Depois de alguns segundos tensos de espera um pequeno redemoinho de fogo apareceu na frente de Lizandra e um cavaleiro se materializou de lá.
           E ela já havia visto aquele cavaleiro antes. Era o mesmo cavaleiro que invadiu a sala e explodiu a porta junto com ela. A armadura envolta em argolas e a voz calma não negavam.
           – O que você quer aqui?! Vá embora!
           – Eu quero a garota. Onde ela está? – Ele falava com calma e segura.
           – Não interessa. Se quer a garota vai quer que passar por mim!
           – Não será problema. – Dizendo isso ele correu para cima de Lizandra.
           Ele mirou um soco na cara dela, que por sua vez desviou facilmente, segurou o calcanhar do cavaleiro e atirou-o contra o muro da casa da frente.
           Lizandra caminhou devagar em direção ao cavaleiro, ele estava estirado na parede onde havia um buraco que se formou com o impacto. Quando Lizandra chegou perto ele foi rápido e tentou socá-la mais uma vez. Mas ela usou o braço esquerdo para se defender e o direito para acertar um soco na cara dele. O soco fez com que a sua máscara caísse e revelasse o seu rosto.
           Cabelos caramelo, olhos verdes e feições delicadas. Aquele rosto não era estranho para Lizandra. Na verdade ela já havia visto muito esse garoto. Ele fazia faculdade no instituto e várias garotas babavam por ele.
           – Azul? – Falou ela sem pensar, dando alguns passos para trás.
           – Como é que é? – Perguntou ele com raiva e confusão na voz.
           – Digo... Felipe? Você é um filho de Apolo?
           – Nós nos conhecemos?
           – Na verdade não.
           – Então eu posso te matar logo. – Ele empurrou a parede com os pés pegando impulso e partindo para cima da garota. Dessa vez ele acertou um soco com toda a potencia no estomago desprotegido de Lizandra e com uma cotovelada no ouvido atirou ela para fora do caminho.
           Ele saiu correndo em direção a porta, mas antes que ele pudesse chegar muito perto Lizandra se tele transportou e apareceu na frente dele. Felipe não conseguiu parar de correr a tempo de evitar o soco no nariz que o fez cair no meio da rua.
           – Não vai ser tão fácil como você pensa. – A aura branca envolveu Lizandra e sua armadura de ouro de Áries cobriu o seu corpo.
           Felipe sorriu para Lizandra e ambos correram na direção um do outro. Houve uma imensa troca de socos e chutes muito equilibrada, ambos atacavam, ambos defendiam. Felipe pegou um enorme impulso com o punho esquerdo e lançou um ataque com grande potencia para cima de Lizandra que por sua vez pôs os braços em “X” na frente do rosto para se defender. Ela foi empurrada alguns centímetros para trás.
           Quando baixou os braços percebeu que Felipe não estava mais lá, ele estava planando alguns metros acima. Ele apontava o braço esquerdo para Lizandra como se fosse uma bazuca, uma pose que a fez lembrar-se do Megaman.
            – RAIO SOLAR! – Ele gritou e um enorme feixe de luz saiu da palma da sua mão atingindo e queimando Lizandra por inteiro. Só que dessa vez ela estava protegida pela armadura. Então os machucados não foram tão sérios. Mas deixaram-na com uma imensa dor por todo o seu corpo.
           De volta ao chão, Felipe correu até Lizandra e meteu um pontapé no seu rosto, mas antes que o golpe chegasse ao seu destino, Lizandra segurou os pés do inimigo.
           – Você sabe tão bem quanto eu que não vai agüentar por muito tempo. O seu corpo está quente de mais para agüentar qualquer coisa. Esse é o efeito do Reio Solar. – Disse Felipe colocando mais força no pontapé.
           – Não importa. Eu não vou deixar que você leve Larissa! – Ela gritou e explodiu o cosmo. O impacto afastou Felipe o suficiente para Lizandra gritar: - MURALHA DE CRISTAL! – Uma parede de pura energia separou Lizandra de seu inimigo.
           – Você pensa que essa cerca pode me impedir de levar a garota? – Ele riu a valer. – Idiota! – Ele ficou, mais uma vez, na posição do Megaman e gritou: – RAIO SOLAR!
           O raio de luz veio em direção a Lizandra, mas ela já sabia o que aconteceria. Assim que o Raio Solar entrou em contado com a Muralha de Cristal o golpe retornou para o seu criador fazendo com que ele, ao invés de Lizandra, sofresse o impacto.
           Com o rosto sujo de cinzas e a respiração cortada ele olhou para Lizandra sem entender muita coisa.
           – O que você fez? – Perguntou ele com a voz fraca.
           – Essa “cerca” que fez isso. Esse é o efeito da Muralha de Cristal, qualquer ataque que você lance em mim será refletido de voltada para você. Como se você estivesse atacando a si próprio.
           O que ele fez então assustou a Lizandra mais do que em qualquer outra luta que ela tenha tido. Ele sorriu. Um sorriso de vitória. E foi com esse sorriso que ele correu em direção à muralha. “Merda, ele descobriu.”. Esse foi o pensamento de Lizandra antes de ela ver Felipe atravessar a muralha e erguê-la pelo pescoço com uma das mãos.
           – Seu erro, – disse ele – foi acreditar que eu não perceberia o ponto fraco na sua defesa. Ela só reflete ataques, não é? Forçando a passagem por ela eu tenho pleno acesso a você, e agora, à sua amiguinha dentro dessa casa. – Dizendo isso ele pôs a mão direita bem na frente do rosto de Lizandra. – REFLEXO SOLAR!
           Um feixe de luz muito forte saiu da palma da sua mão fazendo com que Lizandra perdesse a visão.
           Sem enxergar mais nada Lizandra sentiu Felipe soltá-la, ela caiu no chão e ouviu o som de uma janela se estilhaçando. O próximo som que ela ouviu não saiu da sua cabeça por vários e vários anos.
           – TITIA! SOCORRO!
           O grito de desespero de Larissa soou pela vizinhança. E foi sumindo aos poucos.
           Ela falhou. Era só nisso que ela conseguia pensar, a sua visão ainda não havia voltado, e ela duvidava muito que fosse voltar, talvez ela ficasse cega pelo resto da vida, mas isso não importava nem um pouco agora. Ela tinha que avisar a Lays, a Matheus e aos outros cavaleiros que havia começado. A guerra de verdade acabou de começar.

Matheus de Aquário.

           Depois de todas as meninas mostrarem um pouco do que sabiam fazer, todas elas subiram ao palco ao mesmo tempo, vestidas em suas armaduras e falaram um pouco sobre como se sentiam em relação aos seus treinamentos e aos seus mestres.
           Quando Saskia terminou de falar todos aplaudiram e Luana, que estava no meio do grupo, levantou os dois braços e fez uma chuva de neve cair sobre as cinco meninas. Todos aplaudiram ainda mais. Mas por pouco tempo.
           – Começou! – A voz de Lizandra soou cansada e histérica na parte mais alta do auditório. Ela tentou andar, mas tropeçou numa cadeira e caiu escada a baixo, Rayssa que estava mais perto dela ajudou-a a se levantar.
           – Lizandra, o que aconteceu?! – perguntou ela.
           – Lays? Onde está Lays? – Perguntava Lizandra freneticamente.
           – Estou aqui amiga – Lays correu para perto dela já com lágrimas no rosto. – O que aconteceu?
           – Por favor, me desculpa, eu tentei defendê-la, mas eu não consegui!
           – Lizandra, por favor, se acalme. – Eu cheguei perto para tentar entender melhor o que ela dizia. – Fale o que aconteceu.
           – Eu tinha posto Larissa pra dormir e fui para a calçada para ler um pouco quando o cavaleiro que controla a luz apareceu. Nós lutamos, mas ele terminou me vencendo e levou Larissa! – Lays, encostou a cabeça no meu ombro e começou a chorar. – Eu tentei, mas não consegui!
           – O que houve com os seus olhos? – Ela estava com as pupilas completamente dilatadas e seu olhar era vago, como se não estivesse enxergando ninguém ali.
           – Ele me cegou pra poder raptar Larissa.
           Antes que alguém pudesse dizer alguma coisa nós ouvimos alguém bater palmas na entrada do auditório. Então, lá vinha ele. Erik. Mas não era bem ele. Era a sua imagem feita por puro fogo. Como se uma chama tivesse ganhado vida, e pego a aparência do nosso inimigo. Ele caminha até nós e parou a alguns passos de distância.
           – Confesso que Felipe me surpreendeu. Ele seqüestrou a portadora da armadura de Athena e ainda por cima, como bônus, cegou a amazona de Áries. Impressionante.
           – O que você quer aqui? – Perguntou Soraya. Ela, Claudino e Miguel estavam com vestidos com suas armaduras e ficaram entre o grupo e Erik.
           – E vocês conseguiram reunir os cinco guerreiros. Vocês também me impressionaram. – Ele ignorou completamente os três e olhou fixamente para mim. – Mas quer saber? Eu não estou com medo! Foda-se a profecia! Vocês não vão me derrotar. Eu vim aqui para declarar guerra! Você! – Ele apontou para Lays. – Eu vou fazer você sofrer mais do que qualquer um! Irei matar o seu namoradinho e a sua irmã diante dos seus olhos! Em exatamente um minuto meus filhos vão invadir a cidade e começar a destruir tudo que houver em seus caminhos. Quando a cidade estiver completamente destruída, e eu matarei a garota. Se alguém quiser vir me impedir eu me encontro no templo do sol. – Ele levantou as mãos e um grande templo construído em arquitetura grega foi projetado. Depois sumiu. – Vou deixar uma trilha para facilitar para vocês. Boa sorte. Agora é guerra!
           Dizendo isso ele abriu os braços e começou a colocar fogo no local depois desapareceu.
           Com o auditório em chamas eu disse:
           – Temos que sair daqui! Luana abra caminha pra gente!
           Luana então foi para frente de todos e começou apagar as chamas para podermos passar, quando todos estavam do lado de fora houve uma explosão e uma parte do auditório veio abaixo.
           – O que nós vamos fazer? – Perguntou Rayssa, Lizandra estava de olhos fechados, mas já conseguia se manter de pé
           – Nós temos que ir até lá! Eu, Matheus e as meninas de bronze. – Disse Lays já completamente recuperada.
           – Nem pense nisso, ficou louca? – Perguntei. – Isso é uma armadilha, e, se você fizer isso vai cair direitinho nela, você ouviu, “eu irei fazer você sofrer”. E a profecia dizia que era isso que ele faria. Eu não posso e nem vou arriscar tudo isso. Você vai ficar e ajudar a cuidar dos Filhos de Apolo, enquanto eu e as meninas de bronze vamos até o templo tentar resgatar a sua irmã. – Eu me virei para o resto do pessoal. – Cada um cuida de uma parte da cidade. Façam o possível para que eles não destruam muita coisa. – Depois eu me virei para as meninas de bronze, minha armadura já cobria o meu corpo. – Meninas é hora de mostrar se o treinamento de vocês valeu a pena ou não. – Eu estendi a mão para que elas. Mas antes de elas tocarem Lays gritou:
           – Espera! – Ela já vestia a armadura de virgem, ela jogou o elmo no chão e correu até mim, me abraçando. – Boa sorte. E, por favor, tenha cuidado, meu anjo. – Dizendo isso ela me beijou e me soltou.
           As meninas tocaram a na minha mão e nós desaparecemos.

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