domingo, 30 de outubro de 2011

Capítulo 14 - Sacrificio

Rayssa de Escorpião.

            Pensamentos rolavam a mil por hora na cabeça de Rayssa. Era muito difícil assimilar os acontecimentos recentes que levaram-na a pôr a armadura e correr sem rumo atrás de alguém que ela nem conhecia.
            Primeiro todos estavam no auditório dando um tempo nos preparativos para a guerra, só pra relaxar um pouco. Mas parece que Erik adivinhou. Porque logo em seguida ele, ou melhor, uma imagem dele aparece logo depois de ver Lizandra caindo à escadaria do auditório sem visão. Erik disse que tinha seqüestrado a garota que seria a portadora da armadura de Athena e que em um minuto os filhos de Apolo iriam começar a destruir a cidade, quando tudo estivesse destruído ele mataria a garota e Matheus só para ver Lays sofrer.
            Era muita coisa pra uma só cabeça.
            Agora, o minuto já havia passado e a destruição tinha começado. Ela pode sentir o cosmo de John desaparecendo, o que era um péssimo sinal, e logo depois a explosão dos cosmos de Rafael e Victon. Ela também podia sentir que, nesse exato momento, Lizandra travava uma batalha, mas não adiantava muito ir ajudá-la... Se muitos cavaleiros se concentrassem num único filho de Apolo a cidade seria destruída em questão de minutos.
            Rayssa corria ao longo da Av. Pe. Cícero, que conectava a cidade de Juazeiro a cidade do Crato. Ela gostava de pensar que estava vigiando a fronteira, mas a verdade era que ela estava se certificando de que nenhum filho de Apolo passasse para a cidade vizinha, pois era lá que seus pais e amigos mais próximos viviam.
            Uma perturbação no ambiente a fez parar. Não era só um cosmo quente e agressivo, ele emanava um cheiro estranho... Cheiro de enxofre. Ela seguiu o cheiro e percebeu que sua fonte estava na cobertura de um edifício enorme. Forçando a vista ela podia até ver a silhueta de um cavaleiro parado em meio à fumaça.
            Ela então não perdeu muito tempo e correu na direção do prédio. Chegando lá outra coisa chamou sua atenção: A fumaça não tinha só cheiro de enxofre... Ela fedia a veneno, o que era terrivelmente grave. Se ela não fizesse com que o cavaleiro parasse com isso depressa, muito gente morreria e ninguém poderia fazer nada.
            Rayssa saltou em alta velocidade e assim que atingiu a cobertura do edifício desferiu um chute no rosto do cavaleiro, que gritou e foi ao chão, a fumaça instantaneamente se dissipou e ela pôde vê-lo. E o choque a atingiu em cheio.
            Ligeiramente alto, um pouco careca, rosto redondo e feições orientais. Roberto Pedraça, antigo colega de sala estava usando uma armadura alaranjada com formas estranhas. No peito havia duas pedras de rubi que lembrava sinistramente o olhar de uma serpente. A parte da armadura que lhe protegia os braços eram duas serpentes, que tinham a boca aberta, por onde saia o punho, a impressão que dava era que as cobras estavam vomitando o braço dele. Suas pernas eram protegidas por uma armadura simples, não havia elmo em sua cabeça.
            – Roberto? – Perguntou Rayssa surpresa. – Eu pensei que você estivesse morando no Japão...
            – E eu estava. – Roberto levantou lentamente olhando fixo para cada detalha da armadura de Rayssa. – Só que Erik me chamou para ser seu filho... Eu não pude resistir a tanto poder.
            – Ficou maluco?! – Gritou ela. – Mas e Matheus?! Vocês eram os melhores amigos, você vai mesmo lutar contra ele?
            – Eu quero mais é que Matheus se dane! Ele não me deu o poder que Erik me deu.
            – Mesmo que ele quisesse muito, e eu aposto que ele queria, ele não podia te dar esse poder, não é uma coisa que se ganha, você tem que nascer com ele.
            – Não me venha com conversa fiada, Rayssa! – Gritou Roberto cerrando os punhos. – Eu vou fazer o que vim fazer, e se você ficar no meu caminho você morre!
            – Então eu sinto muito, mas eu vou ficar no seu caminho. Vem me matar.
            Roberto saltou e flutuou até Rayssa numa velocidade impressionante. Ele tentou acertar alguns socos no rosto e no estomago dela, mas apesar da velocidade dele ser alta a dela era maior, ela não só se esquivou de seus golpes, como também contra-atacou, socando seu estomago.
            O combate se seguiu furiosamente, nenhum dos dois cedia ao inimigo. Os golpes eram velozes e mortais, um único erro custaria à vida.
            – Ok, já ta na hora de acabar com você! – Disse Rayssa saltando e planando sobre o inimigo. – Vamos começar! AGULHA ESCARLATE!
            Ela apontou o dedo indicador da mão direita diretamente na perna de Roberto, o golpe fez um pequeno furo na armadura do filho de Apolo, que caiu de joelhos agonizado.
            – O que você fez?! – Perguntou ele em meio aos gemidos.
            – Essa foi à primeira das quinze agulhas escarlates que você irá receber. Cada uma num ponto diferente do seu corpo, tomando a forma das estrelas da constelação de escorpião. – Explicou Rayssa. – Mas não se preocupe, ao chegar na décima terceira, você perderá todo o seu sangue, e na décima quarta você morrerá ou enlouquecerá. Muito difícil alguém resistir até a décima quita.
            Ele se levantou com dificuldade. Apesar de a agulha ter penetrado na sua perna, isso não fez com que sua velocidade diminuísse. Ele correu até ela e desferiu um soco flamejante no seu rosto. Rayssa levantou a perna, para se proteger do golpe e desferiu um onde de energia no tórax do filho de Apolo, que por sua vez recuou alguns passos.
            Ele correu até ela novamente, porém sem perceber seu dedo indicador mais uma vez levantado.
            – AGULHA ESCARLATE!
            Mais uma vez o golpe alcançou seu destino, dessa vez num ponto um pouco acima do umbigo, deixando um buraco na armadura. Roberto foi mais uma vez ao chão.
            Ele se levantou mais rápido do que antes e começou outra chuva de golpes.
            – Quando você vai entender? Não adianta quantas vezes você corra até mim para tentar me socar! Você não vai me vencer!
            Roberto ignorou a provocação e seu cosmo queimou mais profundamente, o que lhe deu mais poder. Ele tentou acertar um gancho no queixo de Rayssa, mas essa segurou o golpe, que estava recheado de energia com as duas mãos. Mas ele não diminuiu a pressão, pelo contrário, fez com que ela aumentasse de tal forma que Rayssa foi atirada para cima.
            O filho de Apolo a acompanhou e uma batalha em pleno ar começou a se desenrolar.
            Rayssa planou e esperou a chegada do adversário, tentou chutar seu rosto, mas ele se baixou e socou seu estomago. A dor foi grande, mas ela resistiu a tempo de desviar do próximo chute. Ela se abaixou com velocidade a tempo de ver a abertura perfeita.
            – AGULHA ESCARLATE!
            Foi um golpe certeiro no ombro do filho de Apolo, que se contorceu e gritou. Ela não esperou ele se recuperar, se aproximou e desferiu um soco no rosto que fez com que ele caísse de volta na cobertura do edifício.
            Ela desceu suavemente e viu Roberto se levantar mais uma vez, com outro furo na armadura, dessa vez na ombreira esquerda.
            O que a assustou não foi o fato dele se levantar como se nada tivesse acontecido. Foi o fato de o seu cosmo estar aumentando em vez de diminuir.
            – Roberto... Eu vou te dar a chance de parar com isso e desistir da luta. Eu te conheço, você não é o tipo de cara que mataria a sangue frio. Para com isso.
            – Você não entende, não é? – Falou ele. – A humanidade tem que acabar, pra recomeçar do zero.
            – Por quê?
            – Você não vê? Todas essas catástrofes, violência, corrupção... A humanidade está corrompida, por isso ela tem que acabar.
            – Você ficou louco? – Perguntou Rayssa. – Destruir tudo não vai ajudar em nada. Muito pelo contrário, só vai piorar as coisas! Além do mais o mundo não é só isso. As pessoas tem a capacidade de amar, perdoar, sonhar... Você quer acabar com isso?
            Ele parou por um instante, e em Rayssa surgiu a esperança de que talvez ele mudasse de idéia, mas foi cedo de mais. São cosmo se expandiu mais firme, e violento do que antes.
            – Não me diga como fazer as coisa, Escorpião. Se você quer realmente ficar no meu caminho, sofra as conseqüências!
            Ele correu mais uma vez em direção a Rayssa, mas ela já não queria perder muito tempo. Acertou um chute em seu estomago interrompendo sua corrida e gritou:
            – AGULHA ESCARLATE!
            Esse golpe fez um buraco no ombro direito da armadura, mas ele não caiu no chão e não gritou agonizando. Apenas recuou alguns passos, mas voltou a atacar com força total, o golpe foi veloz e certeiro na cara de Rayssa, fazendo com que seu elmo caísse no chão.
            Ele continuou a seqüência chutando seu joelho, fazendo com que ela caísse de joelhos. Mais um chute no rosto e fez com que ela caísse deitada. Roberto saltou com o a mão aberta de uma forma estranha revelando garras ao invés de unhas.
            – PRESAS SOLARES!
            A mão do filho de Apolo emanava um brilho intenso e as garras desciam diretamente para o peito da amazona.
            Mas ela rolou no chão bem a tempo de desviar no golpe. O que foi parcialmente um erro, ela foi salva, porém toda a estrutura do edifício tremeu com o impacto. Ao se levantar ela pôde ver um enorme buraco deixado pela mão de Roberto no local atingido. Com certeza mais um golpe como esse faria com que o prédio desmoronasse.
            – Preocupada com a segurança dos moradores desse prédio? – Perguntou Roberto que ainda estava ajoelhado no local do golpe.
            Rayssa não respondeu, mas não foi preciso, ela podia sentir um sorriso de triunfo se formar no rosto do seu adversário.
            – Vamos ver quantos golpes esse prédio ainda agüenta. PRESAS SOLARES!
            Ele saltou mais uma vez e voltava para o chão com uma velocidade maior que a anterior.
            Rayssa não podia deixar que ele atingisse seu objetivo, então se pôs no entre Roberto e o telhado do edifício.
            Ela tentou segurar a energia do golpe, mas era muito grande, seus braços explodiram em uma dor insuportável. Ela sabia que Roberto não diminuiria a pressão do golpe até que ela cedesse.
            – RESTRIÇÃO! – Gritou a amazona de Escorpião.
            O golpe psíquico teve o efeito esperado. Todos os músculos do filho de Apolo relaxaram e ele caiu no chão completamente paralisado. Rayssa se afastou um pouco para ver os estragos nos seus braços.
            A armadura estava completamente rachada, mais um golpe daqueles e a armadura e os braços da armadura se desintegrariam e seus braços seriam quebrados.
            – Você deu sorte, garota. Duvido que faça efeito de novo.
            Roberto correu até Rayssa. Mas a amazona pegou impulso com o punho direito e desferiu um golpe muito poderoso, que fez com que ele fosse atirado para o alto. Uma vez lá Roberto começou a planar e encarar a amazona. Ele desceu em alta velocidade, mas Rayssa já esperava por isso. Ela reuniu energia na palma da mão e disparou contra o rosto do filho de Apolo, que caiu mais uma vez.
            – Eu já lhe disse... Não importa quantas vezes tente, você não vai me derrotar! AGULHA ESCARLATE! – A quinta agulha foi desferida bem no meio da testa. – Você não tem como escapar agora. Seus sentidos vão começar a desaparecer a partir da próxima agulha.
            – Eu não vou deixar. – Disse o filho de Apolo.
            O cosmo de Roberto começou a explodir, de tal forma que começava aparecer inacreditável. Nunca alguém tinha recebido cinco agulhas e seu cosmo continuar aumentando de tal forma.
            Ele partiu pra cima de Rayssa mais uma vez, mas dessa vez os golpes estavam impossíveis de serem detidos.
            Com os punhos flamejantes Roberto atacou no rosto, nos ombros, nas pernas, no estômago, sem dar a menor chance da amazona se defender.
            – É o seu fim Escorpião! – Saltando mais uma vez, Roberto se preparou para mais um golpe. – PRESAS SOLARES!
            Estava vindo de novo, e Rayssa não tinha escolha a não ser sacrificar os braços para salvar as pessoas dentro do prédio.
            Roberto atacou os braços de Escorpião e, como previsto, a parte da armadura que protegia os braços explodiu, assim como os ossos do braço da amazona. A dor tomou conta do seu corpo.
            O filho de Apolo parou com o ataque e voltou ao chão com um sorriso maligno no rosto. Rayssa se ajoelhou, o movimento dos braços completamente neutralizado, uma dor desgraçada tomando conta do seu corpo.
            – Deixa eu te contar uma coisa. – Disse Roberto com humor na voz. – Você perdeu os movimentos dos dois braços em vão. As pessoas nesse prédio vão morrer.
            Dizendo isso o cosmo de Roberto começou a se elevar numa velocidade muito alta. E começava a ficar muito quente, a temperatura subia muito rápido.
            – Agora escute os gritos das pessoas lá em baixo! EXPLOSÃO INFERNAL!
            Uma onda de fogo estourou do corpo do filho de Apolo, mas não destruiu nada, o único efeito que teve foi queimar. Ele começou a queimar tudo o que via pela frente. Em instantes o fogo tomava conta de metade do prédio e o alarme de incêndio começou a soar.
            Os moradores dos apartamentos começaram a gritar. Rayssa olhou para baixo e, para seu alívio, viu que o edifício já estava sendo evacuado.
            Ela se virou para seu inimigo com o ódio estampado no rosto
            – Seu desgraçado! Você não tem coração?! AGULHA ESCARLATE!
            Rayssa levantou o braço para realizar o golpe sem ligar para os estalos dos ossos quebrados e a dor infernal que sentia a cada centímetro que subia. Ela disparou duas agulhas de uma só vez. Uma na perna esquerda e outra na região a cima da virilha.
            Logo depois ela se atirou contra Roberto e ambos caíram em queda livre do prédio.
            – AGULHA ESCARLATE!
            Mais duas agulhas foram disparadas contra o guerreiro. Uma na barriga e a outra na testa. Ele gritou de dor. Mas apesar disso ele abraçou Rayssa e ambos caíram juntos.
            – Você errou muito garota! Esse é o seu fim! BAFO DA SERPENTE!
            Uma fumaça podre começou a sair do corpo de Roberto e envolveu a ambos. Rayssa começava a ficar sem ar, não por causa da fumaça, mas ela tinha certeza que a fumaça estava recheada com um veneno de cobra.
            Seus sentidos começavam se apagar. Em instantes o barulho do vento não era mais ouvido, e ela não podia sentir o corpo de Roberto contra o dela. A última coisa que o seu tato pode perceber foi quando seu corpo atingiu o chão.
            Era o fim. Ela não teve força suficiente para acabar com filho de Apolo e agora o lar de dezenas de pessoas estava destruído.
            Ela abriu os olhos e olhou para o céu. “As estrelas são mesmo lindas... Pena que só reparei nisso agora.” Apesar de ser um pensamento triste ela sorriu. A última coisa que pôde ver foi uma estrela cadente indo em direção a Escorpião, depois disso o rosto de Soraya se projetou na sua frente e ela não pôde ouvir nada, ela apenas via a boca de sua amiga se mexer freneticamente.
            – Desculpa... Não consegui ser tão forte. Me perdoa... – Soraya se calou e uma lágrima caiu no rosto de Rayssa. A partir disso ela também chorou, por não conseguir sentir o toque da amiga, e nem suas próprias lágrimas. – Ei, pede pra todo mundo ser forte e segurar firme. Vocês vão conseguir sair dessa.
            Essa foi a última coisa que ela falou antes de sua visão e seu paladar apagarem.

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