domingo, 16 de outubro de 2011

Capítulo 11 - Amizade

Rafael de Libra

            “John!”. Rafael parou sua corrida. E olhou para o céu. Ele pode sentir a explosão do cosmo se John. O cosmo havia se tornado agressivo, desesperado por alguma coisa. E, de repente, enfraqueceu. Se continuasse nesse ritmo com certeza desapareceria.
            Rafael deu meia volta e correu na direção em que sentia o cosmo de John começar a desaparecer. Ele não deixaria John morrer, não agora.
            Na hora em que ele se preparava para virar uma esquina ele deu um encontrão com alguém.
            – Olha por onde anda Rafael! – Falou Victon com desespero na voz.
            – Você também sentiu, não foi?
            Ele fez que sim com a cabeça e os dois não precisaram dizer mais nada. Juntos, correram em disparada para onde o cosmo de John estava. Após alguns segundos de corrida perceberam que ele estava na praça da prefeitura.
            Ao chegaram lá Rafael presenciou a cena mais perturbadora de sua vida.
            O prédio da prefeitura ardia em chamas e em frente ao incêndio John estava de joelhos, com uma estranha lança cravada em seu peito. Um cavaleiro se aproximou falou algumas palavras e puxou a lança. O cavaleiro começou a se distanciar enquanto John olhava diretamente para ele e Victon enquanto caia no chão.
            Ambos correram até ele. E se ajoelharam. Rafael deitou a cabeça de John em suas mãos e o observou, ele estava com uma aparência horrível. Sua pele tinha um tom anormalmente vermelha, sua visão estava sem foco e havia um buraco enorme e feio onde o cavaleiro o havia acertado.
– John, cara. Por favor, agüenta. – Dizia Rafael.
            – Não cara – John falava com a voz fraca. – Acabou, é o fim pra mim.
            – Não, você consegue sobreviver, é só agüentar um pouco, cara. – Victon tinha um profundo desespero na voz.
            Rafael sabia tanto quanto Victon que era uma esperança perdida, John já havia perdido muito sangue, era uma questão de segundos.
            – Por favor, chutem o rabo desses desgraçados no meu lugar. – Eles simplesmente fizeram que sim com a cabeça, já haviam aceitado que era o fim. – E, por favor, cuidem do meu irmão, protejam-no. É só isso que eu peço.
            – Tudo bem, cara – Dizia Rafael com lágrimas nos olhos.
            – Agente vai cuidar do seu irmão, não se preocupa. – Disse Victon.
            – Ei, caras. – John fez mais um esforço para estender a mão. – Foi boa. Até a próxima.
            Os dois seguraram a mão de John ao mesmo tempo, e sentiram-na fazer uma força antes de ficar gelada e imóvel.
            Rafael começou a chorar e as lágrimas desceram para o rosto de John. Victon se levantou, pegou o elmo de John e pôs em cima do ferimento. Eles se encararam por um instante e depois olharam para o céu.
            Uma estrela cadente voou em direção a constelação de Touro.
            – Sinto muito pelo seu amigo. – A voz de Alberto chegou até os meninos. – Ele poderia ter evitado. Mas não quis desistir da luta. Nós avisamos que lutar seria em vão.
            – Cale a boca. – Victon falou, se levantando lentamente. Ele já havia parado de chorar, a única expressão que tomava conta do seu rosto era a fúria. – Ele morreu como um herói.
            – Tem certeza disso? – Perguntou Emmanuel, com um sorriso no rosto. – Nós ainda estamos vivos. Ele morreu em vão.
            Victon virou de costas e saltou em direção a Emmanuel, na intenção de lhe acertar um soco na cara, ele seria impedido por Alberto, que preparava o seu bastão. Mas uma onda de energia saída da mão de Rafael o acertou, impedindo Alberto de ajudar Emmanuel, ele recebeu o golpe.
            – Ele... Não... Morrerá... Em... Vão.  – A cada palavra pronunciada, Victon desferia um golpe. No final da seqüência Emmanuel estava no chão, sangrando e ofegante.
            – Então você também quer ter o mesmo destino que Johnzinho? Certo. Vocês escolheram.
            Ele se levantou de um pulo e começou uma intensa troca de golpes com Victon. Rafael se levantou na intenção de ajudá-lo, mas foi impedido pela chegada de Alberto.
            – Emmanuel tem razão. – Disse ele. – Lutar contra nós é inútil.
            Dizendo isso ele tentou golpear Rafael com sua lança. Rafael desviou com habilidade de cada golpe, que era cada vez mais violento, e mais rápido. Houve um momento que os golpes ficaram tão velozes que Rafael não conseguia mais desviar deles, mas o escudo no seu braço esquerdo, que fazia parte da armadura de Libra, o protegeu.
            – Você não pode se esconder atrás desse escudo para sempre! – Gritava Alberto.
            – Você tem razão, hora de partir para o ataque!
            Rafael desviou mais um golpe da lança com o escudo e, antes que Alberto desferisse outro, acertou um soco no seu estomago, e começou uma chuva de golpes. No rosto, no estomago, nas pernas, onde ele encontrava abertura ele golpeava.
            A aura verde de Rafael começou a aparecer enquanto ele elevava o seu cosmo.
            – COLERA DO DRAGÃO!
            Uma onda de energia tirou Alberto do chão e fez com que ele caísse de cabeça na volta. O sangue explodiu e encharcou o chão.
            Alberto se levantou lentamente, o pouco cabelo que ele tinha estava vermelho por causa do sangue. Ele pegou o bastão fez alguns movimentos na própria cabeça. O sangue lentamente foi voltando para a cabeça e o ferimento foi cicatrizando até que não havia mais nenhum sinal do golpe que ele havia levado.
            – Agora você entendeu porque não pode me vencer?
            Assim que ele terminou de falar Victon atirou Emmanuel contra ele. Ambos caíram no chão. O braço direito de Emmanuel pendia num ângulo grotesco. E assim como Alberto fez com sua cabeça ele fez com o braço do companheiro. Houve um som assustador de ossos estalando e depois de gritar um pouco o braço de Emmanuel estava de volta no lugar.
            Victon correu até Rafael.
            – Nunca vamos derrotá-los enquanto eles estiverem juntos. – Disse Refael.
            – Tem razão. Eu sei o que fazer.
            Dizendo isso ambos correram juntos em direção aos inimigos.
            Victon desviou de um soco de Emmanuel, o segurou pelo pescoço e o atirou no chão, apontando o dedo indicador da mão livre em direção a Emmanuel ele gritou:
            – ONDAS DO INFERNO!
            Uma luz azul saiu da ponta do dedo de Victon e envolveu Emmanuel, que estremeceu e desmaiou.
            Logo em seguida Victon olhou para Rafael e disse:
            – Boa sorte, cara. – Dizendo isso ele próprio desmaiou.
            – O que foi isso que ele fez? – Perguntou Alberto, se livrando do aperto que as mãos de Rafael faziam em seu pescoço.
            – Nesse exato momento eles devem estar travando uma batalha num lugar em que você não conseguirá chegar.
            – Não seja tolo! Seus corpos ainda estão aqui!
            – Não foram seus corpos que saíram do lugar, foram suas almas. Victon as levou até o Sekishiki.
            – O portão de entrada do mundo dos mortos? – Alberto arregalou os olhos.
            – Exatamente, você não conseguira chegar até lá para ajudar o seu amiguinho, não é? – Perguntou Rafael, sorrindo.
            Alberto agora era puro ódio. O que só provava que ele era o único motivo de John não ter conseguido acabar com Emmanuel. Ele partiu para cima de Rafael com potencia total.
            Rafael não teve nenhuma dificuldade em esquivar dos golpes, tanto que nem precisou usar o escudo de Libra. Ele estava começando a achar aquilo tudo uma grande palhaçada, então deu um pequeno empurrão em Alberto e:
            – COLERA DO DRAGÃO!
            Ele direcionou o golpe mais uma vez para o queixo de Alberto, mas o que ele fez surpreendeu Rafael mais do que tudo. Ele jogou o bastão da mão direita para a esquerda e com a direita absorveu toda a potencia do golpe. Ambos se encararam.
            – Como você fez isso? – Perguntou Rafael assustado.
            – Como vocês cavaleiros dizem: “O mesmo golpe não funciona duas vezes contra um cavaleiro” e isso também se aplica aos filhos de Apolo. Mas confesso que doeu bastante. – Dizendo isso ele fez mais alguns movimentos com o bastão em direção a mão direita. – Ah... Bem melhor. Agora, você morre.
            Ele partiu para cima de Rafael mais uma vez e eles entraram numa batalha violenta. Rafael sabia que não adiantaria atacar agora, pois qualquer ataque faria com que Alberto se distanciasse dele, o que o daria tempo suficiente para se curar usando o seu bastão.
            “É isso! Eu tenho que separar Alberto do bastão, então ele não poderá se curar.
            Rafael então usou o próximo golpe de Alberto em seu beneficio. Quando o bastão veio em direção ao seu rosto, Rafael o segurou com as duas mãos, saltou e chutou o tórax de Alberto com os dois pés, isso fez com que Alberto fosse atirado para longe, mas o seu bastão continuasse na mão de Rafael.
            Com isso, Rafael atirou o bastão no prédio da prefeitura em chamas.
            – Acabou pra você, sem o seu bastão você não pode mais se curar, agora você morre.
            Alberto sorriu para Rafael, que o ignorou. Alberto se levantou e ambos correram na direção um do outro. Rafael foi mais esperto que Alberto, em vez de pegar impulso para um soco, ele simplesmente esperou ficar próximo o suficiente, quando isso aconteceu, Rafael segurou firme no pescoço de Alberto, enforcando-o.
            – Você disse que o mesmo golpe não funciona duas vezes contra um filho de Apolo, certo. Então me deixe tentar um golpe diferente.
            Rafael atirou Alberto no alto, de modo que ele não pudesse planar. Elevou o seu cosmo e pegou impulso com as duas mãos. Quando Alberto estava caindo ele gritou:
            – COLERA DOS MIL DRAGÕES!
            O calculo havia sido perfeito. No exato momento em que Alberto caia de cabeça no chão ele foi pego pela fúria brutal de mil dragões. Quando o brilho verde causado pelo golpe desaparecia Rafael pode ver Alberto caído no chão, suas pernas estavam num ângulo grotesco e ele gemia.
            – Acabou pra você. Sem o seu bastão você não pode fazer muita coisa, não é?
            – Não. Não posso. – Disse ele gemendo. – É por isso que eu vou chamar ele aqui. – Ele levantou uma das mãos e o seu bastão veio voando a parou na sua mão. Rafael olhava sem reação Alberto girar o bastão em cima das pernas e vê-las voltando ao seu devido lugar. – Você realmente pensou que separando o bastão de mim iria me vencer? Eu e ele somos ligados, ele pode estar a quilômetros de distância, pode estar em outra dimensão. Ele atenderá meu chamado.
            Ele então correu até Rafael e começou uma nova onde de ataques.
            Rafael não sabia mais o que fazer, aquilo era loucura. Como se luta com alguém que não pode se ferir. Com esse poder Alberto era praticamente um imortal. Não havia chances de se lutar contra aquilo.
            Alberto mirou o lado das asas no rosto de Rafael e uma onda de fogo queimou seu rosto. Ele caiu no chão, e Alberto agora vinha em sua direção para dar o golpe final.
            Era impossível, não havia como derrotá-lo. Ele apontou o bastão para o rosto de Rafael mais uma vez.
            – Eu não serei piedoso com você como eu fui com John. – Disse ele. – Você vai morrer lenta e dolorosamente.
            Mais um jato de fogo saiu do bastão, mas Rafael foi rápido o suficiente para pôr o escudo de Libra na frente.
            “Pensa garoto! Tem que haver um jeito de matá-lo, ou a morte de John será em vão! Vamos lá.” Depois de alguns segundos, Rafael não havia conseguido pensar em nada, e ficar parado ali não ajudaria em muita coisa, então ele entrou em ação novamente.
            Ele se levantou lentamente, ainda se defendendo da torrente de fogo lançada por Alberto. Quando ele estava totalmente erguido, Alberto parou com os ataques.
            – Você ainda não se deu por vencido? – Perguntou ele frustrado.
            – E porque eu desistiria? Desistir nunca levou a nada!
            Alberto correu em direção a Rafael e o atacou com força total. Rafael conseguiu defender com seu escudo, mas Alberto continuava a pôr pressão.
            – Eu não posso morrer. – Sussurrou Alberto, cujo rosto estava bem próximo ao de Rafael. – Ninguém pode me matar.
            “Morte! É isso!” Parecia tão simples que Rafael ficou se perguntando como não havia pensado nisso antes.
            Ele então atirou um pouco de energia no estomago de Alberto apenas para afastá-lo. Quando eles estavam distantes um do outro Rafael falou:
            – Sabe uma coisa legal em ser o cavaleiro de Libra? A armadura de Libra é a mais útil de todas as doze armaduras de ouro. Isso porque ela é a única armadura com doze armas ao todo. – Enquanto falava Rafael puxava a espada de Libra das suas costas. – É com essa espada que você vai morrer.
            Alberto observou por alguns instantes antes de começar a rir. Depois de se controlar ele falou:
            – Não faço a mínima idéia de como uma espada pode me deter, mas eu vou te contar um segredinho antes te matar. Sabe esse bastão? Ele não é um bastão qualquer. – Quando ele terminou de falar, as cobras que envolviam o bastão ganharam vida e começaram a andar ao longo do cabo, e, enquanto faziam isso, o bastão começava a tomar a forma de uma espada. Quando a transformação estava completa, as cobras se alojaram no punho da espada.
            – Menos mal. – Falou Rafael, sorrindo. – Eu poderei te matar numa luta de igual para igual.
            – Eu não contaria com isso.
            Os dois, mais uma vez correram um na direção do outro. Os ataques eram velozes e fatais. O menor erro podia custar a vida.
            A intensidade da batalha era muito grande, tanto que as laminas das espadas começaram a adquirir uma aura de acordo com o cosmo de quem a empunhava. A de Alberto ganhou um tom alaranjado, parecia que a lamina estava pegando fogo. E a de Rafael ganhou uma tonalidade verde e a cada vez que as laminas se chocavam era como se estrelas fossem criadas.
            – Você nunca vai me derrotar, Libra! Seu destino será igual ao do seu amigo!
            “John...” A lembrança do amigo caído em batalha deu a Rafael mais forças, e seu cosmo agora ardia como a fúria de um dragão. A onda de poder que Rafael emanava era muito grande, tão grande que Alberto ficou paralisado por um segundo. Que foi mais do que suficiente para Rafael pôr o seu plano em prática.
            Quando Alberto atrasou o ataque, devido à surpresa, Rafael lançou a espada contra o seu estomago. A lâmina não chegou realmente a encostar, pois, antes do contado, um grande dragão feito de pura energia cósmica saiu da espada e atravessou o corpo de Alberto, que foi jogado no chão e sua espada caiu a vários metros de distância dele.
            Rafael correu até o inimigo na maior velocidade possível. Mas antes que ele começasse a correr Alberto já havia estendido a mão e sua espada estava voltando para ele. Rafael se jogou para tentar segurar a espada e impedir que ela chegasse ao seu mestre. Porém, por um pequeno erro de calculo, a espada atravessou sua mão. A boa noticia é que ela havia ficado presa, e não conseguia sair de lá para atender ao chamado.
            E foi nesse estado, com uma espada na mão direita, e outra espada atravessando sua mão esquerda que Rafael se dirigiu a Alberto.
            – É o fim pra você, Alberto.  – O olhar de Alberto transbordava medo. Ele tremia dos pés a cabeça. – Depois desse golpe, você, literalmente, não terá mais “cabeça” para se curar.
            Rafael então ergueu a espada de Libra acima de sua cabeça e, fechando os olhos, desferiu o golpe fatal. Ele pode sentir a lamina atravessando a carne e o sangue espirrando em seu rosto, ele pode ouvir o baque surdo da cabeça de Alberto caindo no chão.
            Sem olhar para o estrago, Rafael virou de costas e caminhou em direção ao corpo de John. Chegando lá, ele se ajoelhou, pôs a espada de Libra de volta no lugar, e olhou para sua mão esquerda.
            Antes que ele pudesse tentar tirar a espada de Alberto da sua mão, ela estremeceu um pouco, virou poeira estelar e o pó saiu flutuando em direção ao espaço. Ele olhou para o corpo caído de Alberto para vê-lo fazendo o mesmo.
            – Acabou amigão. – Disse ele se voltando para John. – Agora só falta um.
            Dizendo isso ele olhou para os corpos ainda imóveis e sem alma de Victon e Emmanuel.

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